Olimpíadas do Rio seriam oportunidade para grupo terrorista no Brasil, diz juiz

Andreza Rossini


O juiz da 14ª vara da Justiça Federal, em Curitiba, Marcos Josegrei, afirmou em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (21), que o grupo de terroristas presos hoje, na Operação Hashtag da Polícia Federal (PF), não tinham ataques planejados para as Olimpíadas, mas que os jogos são uma oportunidade para os extremistas concretizarem atos que planejavam. “Não há um alvo delimitado, mas as autoridades ficam mais atentas com a proximidade dos jogos”, disse.

Ainda de acordo com o juiz, em interceptações telefônicas os supostos terroristas afirmaram que tinham o objetivo de realizar algum ato durante os jogos olímpicos. Eles foram batizados virtualmente pelo grupo Estado Islâmico que alguns juraram lealdade aos extremistas, ainda de acordo com as informações repassadas na coletiva.

Cerca de 130 policiais cumpriram 10 mandados de prisão, sendo que dois dos detidos já foram condenados e cumpriram pena de seis anos por homicídio. Além disso, foram cumpridos dois mandados de conduções coercitivas e 19 de buscas e apreensões, nos estados do Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará, Paraíba, Amazonas e Goiás.

O líder do grupo no Brasil morava em Curitiba e por isso os mandados foram emitidos pela justiça da capital.  Os presos eram um de cada estado e tinham entre 20 e 40 anos.

De acordo com Josegrey as prisões preventivas, válidas por 30 dias, podendo ser prorrogados por mais 30 têm caráter preventivo. “Para facilitar a coleta de informações e impedir que os suspeitos possam omitir provas” afirmou.

Os brasileiros suspeitos de terrorismo são envolvidos com a promoção do grupo terrorista Estado Islâmico e responsáveis por preparar atentatos terroristas e outras ações criminosas no país. A operação foi deflagrada 15 dias antes da abertura das Olimpíadas, no Rio de Janeiro. “Eles passaram de simples comentários sobre Estado Islâmico e terrorismo para atos preparatórios”, disse o ministro Alexandre de Moraes. Ainda de acordo com Moraes, o líder do grupo terrorista era de Curitiba.

As investigações começaram em abril, com acompanhamento por meio das redes sociais, pela Divisão Antiterrorismo da Polícia Federal. Os suspeitos participam de um grupo virtual chamado “Defensores da Sharia” e planejavam adquirir armas para cometer crimes no Brasil e no exterior. Uma ONG com ação na área humanitária também é investigada por participação no caso.

Eles tiveram contato com o grupo Estado Islâmico através do aplicativo de troca de mensagens Telegram. Um mensageiro do ISIS teria afirmado ao grupo de brasileiros que eles deveriam treinar como lutar e manusear armas.

Na entrevista, Alexandre de Moraes disse que se trata de “uma célula amadora”.

Os investigados vão responder pelos crimes de promoção e organização terrorista e realização de atos preparatórios para o terrorismo. A pena para o primeiro crime é de cinco a oito anos de prisão, mais multa. Para quem executa os preparativos a pena é de três à 15 anos de reclusão.

Veja a nota oficial da Polícia Federal

Juízo da 14ª Vara Federal de Curitiba, por meio da Seção de Comunicação Social Da Seção Judiciária do Paraná, esclarece que:

A Operação “Hashtag”, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (21/7), investiga possível participação de brasileiros em organização criminosa de alcance internacional, como uma célula do Estado Islâmico no país. Foram expedidos 12 mandados de prisão temporária por 30 dias podendo ser prorrogados por mais 30.

Informações obtidas, dentre outras, a partir das quebras de sigilo de dados e telefônicos, revelaram indícios de que os investigados preconizam a intolerância racial, de gênero e religiosa, bem como o uso de armas e táticas de guerrilha para alcançar seus objetivos.

Os artigos 3º e 5º da Lei 13.260, de 16 de março de 2016, que disciplina o terrorismo prevêem como crime:

Art. 3º: “Promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização terrorista” e art. 5º: Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito”.

Para assegurar o êxito da Operação e eventual realização de novas fases, os nomes dos presos, atualmente sob custódia da Polícia Federal, não serão divulgados neste momento. O processo tramita em segredo de Justiça.

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