Sem categoria
Compartilhar

Paraná está entre os estados com maior número de casos de estupro

Com BandNews CuritibaO Paraná é sétimo estado brasileiro com o maior índice de estupros a cada 100 mil habitantes. A inf..

Mariana Ohde - 04 de novembro de 2016, 08:17

Com BandNews Curitiba

O Paraná é sétimo estado brasileiro com o maior índice de estupros a cada 100 mil habitantes. A informação, que se refere a dados de 2015, faz parte da 10ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (3).

No estado, são 36,9 estupros por 100 mil, um índice um pouco menor do que os 38,8 registrados em 2014. O número de ocorrências desse tipo caiu de 4.298 em 2014 para 4.120 em 2015 no Paraná, que fica atrás apenas dos estados do Acre (65,2), Mato Grosso do Sul (53,9), Mato Grosso (45,3), Santa Catarina (39,5), Rondônia (39,1) e Amapá (45,7).

As tentativas de estupro, no entanto, aumentaram. Foram de 502 para 532 no mesmo período, o que representa um aumento no índice de 4,5 para 4,8 por 100 mil habitantes.

Subnotificação

O estupro ainda é um crime subnotificado - muitos dos casos não são denunciados e, com isso, não entram na contagem. O Núcleo de Apoio à Vítima de Estupro (Naves) do Ministério Público do Paraná (MP-PR) trabalha com uma estimativa de um estupro a cada três dias em Curitiba contra vítimas maiores de 18 anos. A pesquisa é realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo a coordenadora do Naves, procuradora de Justiça Rosangela Gaspari, o registro da denúncia é importante nos casos de estupro porque os estupradores, normalmente, fazem mais de uma vítima. "Ao contrário, por exemplo, do homicida, que pode ser um homicida eventual e não praticar mais, nós temos o estuprador com habitualidade. (...) Nós temos casos aqui em que ele faz nove ou dez vítimas, com o mesmo modus operandi, inclusive", afirma, ressaltando que a denúncia pode evitar que o estupro ocorra com outras mulheres.

A procuradora lembra que a vítima não pode ser culpada pelo estupro. "O nome já diz: ela é vítima. Ela não pode ser culpada por ter sido submetida a um ato violento. É claro que ela não merece, não deu causa a isso", explica.

Desde a criação do Naves, em 2013, o MP-PR não precisa mais aguardar o inquérito policial para oferecer atendimento às vítimas. A procuradora diz que os profissionais da equipe oferecem apoio psicológico e jurídico assim que a ocorrência é registrada.

O Nesa fica na Rua Tibagi, número 779, 8.º andar, no Centro de Curitiba. O telefone é o (41) 3250-4022.

Crimes violentos

As ocorrências de crimes violentos, mas não letais, contra o patrimônio, tiveram aumento de 14% em um ano no Paraná, indo de 389 para 453.

O número de furtos e roubos de veículos aumentou 5% em um ano. Foram 24.992 ocorrências em 2014 e 26.474 em 2015. A maioria - pouco mais de 17 mil - são furtos, sem que a vítima tenha sido abordada. Em Curitiba, o número de carros roubados ou furtados aumentou de 8.916 em 2014 para 9.168 em 2015. Aproximadamente 80% são furtos, sem abordagem direta da vítima.

O número de latrocínios - quando os roubos são seguidos de morte - subiu de 105 para 117. O aumento para cada 100 mil habitantes corresponde a 10,6%.

Queda do número de homicídios

Entre os avanços, o Paraná se destaca pela queda no número de vítimas de homicídios dolosos – com intenção de matar – que diminuiu 4,6%. Em 2014 foram 2.500 pessoas mortas e, em 2015, foram 2.400.

O número de ocorrências – que engloba casos com mais de uma vítima – diminuiu 10,2%. Caiu de 1.367 para 1.236 no mesmo período.

As ocorrências de lesão corporal seguida de morte também caíram: de 66 para 61, com queda de 8,2%. Os crimes letais intencionais, que reúnem todo tipo de execução, em ocorrências de Homicídio Doloso, Latrocínio e Lesão Corporal seguida de Morte, tiveram queda de 4,1%.

Enquanto, em 2014, 2.686 pessoas foram executadas, em 2015 foram 2.594 ocorrências de crimes letais.

Mortes causadas por policiais

Os policiais em serviço mataram 13% mais pessoas em ocorrências oficiais em 2015. Em um ano, o número subiu de 178 para 214 mortes provocadas por policiais. Fora de serviço, o número também aumentou. Policiais de folga mataram duas vezes mais em 2015. Foram 23 pessoas no ano passado e 12 em 2014.

Armas de fogo

Em 2014 foram apreendidas 7.285 armas de fogo, enquanto, em 2015, as policiais Militar, Civil, Rodoviária e Federal apreenderam 7.337 armas de fogo.

A cada três armas compradas legalmente e registradas, uma é roubada ou furtada no Paraná. Das 486 armas que entraram na sociedade legalmente, 138 acabaram no mercado negro, nas mãos de bandidos. Pouco mais de 29% das armas compradas por pessoas habilitadas foram roubadas ou furtadas em um ano.

Em todo o Brasil, 4.077 armas foram roubadas “na segurança privada”, conforme descreve o levantamento. O Paraná é o quinto estado com maior número de armas roubadas.

Perigo nas escolas

29,3% dos alunos do 9º ano estudam em escolas em localidades de risco. Desses, 30% estão em escolas públicas e 24% em escolas privadas. Entre esses estudantes, 2,3% já tiveram que interromper as aulas por questões de segurança.

Com relação ao bullying, 20% dos alunos de 9º ano admitem já terem praticado contra algum colega a ponto da vítima ter sido afetada de alguma forma. Entre as vítimas, 39% relataram ter sofrido bullying em algum momento. Do total de alunos, 5% se sentiram humilhados - 16% deles por causa da aparência do corpo.

Investimentos em segurança

Os investimentos em segurança pública aumentaram 31% em um ano no Paraná - de R$ 2,5 bilhões para R$ 3,292 bilhões. O estado gasta, em segurança, R$ 294 por habitante.

Na comparação feita entre investimento e resultado na diminuição de crimes, o estado aumentou 31% dos gastos e conseguiu reduzir 4,6% no número da taxa de homicídios. A taxa é de 21 mortes para cada 100 mil habitantes. Em 2014, eram 22 mortes.