PF inicia trabalhos de reconstituição de confronto entre MST e PM

Fernando Garcel


A Polícia Federal (PF) iniciou o processo de reconstituição do suposto confronto entre policiais militares e integrantes do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Quedas do Iguaçu, no oeste do Paraná, nesta quarta-feira (11). No dia 7 de abril, dois membros do movimento foram mortos e outros seis ficaram feridos.

Neste primeiro dia, a versão dos policiais militares será reconstituída. De acordo com a Polícia Militar (PM), duas equipes foram até o local, de difícil acesso, após terem sido acionados para apagar um incêndio. Eles estavam na companhia de funcionários da empresa Araupel, que trava uma disputa judicial pelas terras em que está localizado o assentamento, e teriam sofrido uma emboscada.

“Assim que o fogo começou, os policiais da Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel) e uma brigada de incêndio da empresa Araupel foram até o local para combater as chamas. Mas antes de chegar ao local da queimada, os policiais foram alvo de uma emboscada”, diz uma nota publicada pela Secretaria de Segurança Pública. “Mais de 20 pessoas do MST estavam no local e começaram a disparar contra as equipes da PM, que reagiram ao ataque”, completa.

Os trabalhos na região começaram por volta das 8h e devem continuar durante todo o dia. A imprensa não teve acesso ao local, próximo ao acampamento Dom Tomás Beduíno, que foi isolado pela PF. As informações coletadas serão anexadas ao inquérito aberto pela PF, que deve ter prazo para conclusão ampliado.

Na quinta-feira (12), a PF deve fazer a reconstituição na versão dos sem-terra. Segundo a coordenação estadual do MST, não havia incêndio e os integrantes do movimento só foram até uma área de mata fechada para descobrir quem estava no local, quando foram atacados. Segundo o movimento, a PM não costumava ir até a área, o que causou surpresa.

“Os nossos companheiros, como periodicamente saem fazer vigília, olhar na área ocupada, foram surpreendidos pela Bope, da Polícia Militar, que saíram do meio do mato já atirando nos nossos companheiros. Eles não deixaram [os Sem Terra] resgatar os companheiros feridos, os companheiros mortos. (…) Nós não vamos deixar em vão o sangue derramado dos nossos companheiros”, disse Rudimar Moisés, membro do MST. Morreram no local Vilmar Bordim, 44 anos, e Leomar Bhorbak, 25.

De acordo com a assessoria de imprensa da PF, a reconstituição do confronto é necessária porque as versões apresentadas nos depoimentos dos envolvidos e testemunhas é divergente.

Além da PF, membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio de Janeiro, do Ministério Público do Paraná (MP-PR), policiais civis, policiais militares e advogados de ambas as partes também acompanham os trabalhos na área.

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