PF simula a versão dos sem-terra na reconstituição do confronto com policiais militares

Fernando Garcel


A Polícia Federal (PF) continua a reconstituição do suposto confronto entre membros do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e policiais militares que terminou na morte de duas pessoas, no dia 7 de abril, em Quadas do Iguaçu, no oeste do Paraná, nesta quinta-feira (12). Nesta etapa, a simulação é feita na versão dos sem-terra.

Segundo a coordenação estadual do MST, os integrantes do movimento só foram até uma área de mata fechada para descobrir quem estava no local, quando foram atacados. De acordo com o movimento, a PM não costumava ir até a área, o que causou surpresa.

“Os nossos companheiros, como periodicamente saem fazer vigília, olhar na área ocupada, foram surpreendidos pela Bope, da Polícia Militar, que saíram do meio do mato já atirando nos nossos companheiros. Eles não deixaram [os Sem Terra] resgatar os companheiros feridos, os companheiros mortos. (…) Nós não vamos deixar em vão o sangue derramado dos nossos companheiros”, disse Rudimar Moisés, membro do MST. Morreram no local Vilmar Bordim, 44 anos, e Leomar Bhorbak, 25.

De acordo com a assessoria da PF, os trabalhos de reconstituição são necessários porque existem divergências nas versões apresentadas pelos envolvidos e testemunhas.

Na quarta-feira (11), a PF trabalhou com a simulação da versão dos policiais militares. De acordo com a Polícia Militar (PM), duas equipes foram até o local, de difícil acesso, após terem sido acionados para apagar um incêndio. Eles estavam na companhia de funcionários da empresa Araupel, que trava uma disputa judicial pelas terras em que está localizado o assentamento, e teriam sofrido uma emboscada.

“Assim que o fogo começou, os policiais da Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel) e uma brigada de incêndio da empresa Araupel foram até o local para combater as chamas. Mas antes de chegar ao local da queimada, os policiais foram alvo de uma emboscada”, diz uma nota publicada pela Secretaria de Segurança Pública. “Mais de 20 pessoas do MST estavam no local e começaram a disparar contra as equipes da PM, que reagiram ao ataque”, completa.

A área, próxima ao acampamento Dom Tomás Beduíno, em que houve o confronto está isolada e policiais do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) trabalham para manter a segurança na barreira próxima do local. As informações coletadas serão anexadas ao inquérito aberto pela PF, que deve ter prazo para conclusão ampliado.

Além da PF, membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio de Janeiro, do Ministério Público do Paraná (MP-PR), policiais civis, policiais militares e advogados de ambas as partes também acompanham os trabalhos na área.

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