PM pede desculpas por disparo acidental que matou torcedor

Narley Resende


Um Inquérito Policial Militar (IPM) aberto nesta segunda-feira (20) deve ser concluído em no máximo 60 dias úteis para apontar a causa do disparo da arma de um PM que matou o adolescente Leonardo Henrique da Rocha Brandão, de 17 anos, nesse domingo (19), em frente ao estádio Couto Pereira, em Curitiba.

O jovem estava entre torcedores do Coritiba momentos antes da formação de uma escolta policial que acompanharia o grupo até a Arena da Baixada, para acompanhar o jogo entre Coritiba e Atlético, que acabou cancelado. O jovem foi baleado no toráx e encaminhado em estado grave ao Hospital Cajuru. Ele morreu durante uma cirurgia, por volta das 15 horas de domingo.

De acordo com a PM, um sargento da equipe de escolta estava dentro de uma viatura quando colocava uma alça em uma submetralhadora e ao posicioná-la na janela da viatura teria havido um disparo acidental.

O tenente-coronel Wagner Lúcio dos Santos, comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar em Curitiba, pediu desculpas à sociedade nesta segunda-feira (20).

“Gostaria de primeiramente pedir desculpas a toda sociedade pelo ocorrido de ontem. É uma grande tragédia que assola não só os familiares e amigos do Leonardo, mas também está assolando toda a corporação da Polícia Militar do Estado do Paraná”, disse o tenente-coronel na abertura de uma coletiva de imprensa sobre o caso.

Falha no armamento

A arma – uma submetralhadora Ponto 40 Famae (empresa estatal chilena), com 12 anos de uso – foi encaminhada nesta segunda-feira a uma perícia que vai investigar se e houve falha mecânica. Em depoimento, o sargento teria dito que não acionou o gatilho da arma. “O sargento alega peremptoriamente que não estava com o dedo no gatilho ou que acionou o gatilho”, conta o tenente-coronel Wagner.

Reprodução / TV Band Curitiba
Reprodução / TV Band Curitiba

A viatura onde estava o sargento estava atrás do grupo de torcedores e, segundo a PM, houve um pedido do comandante das motos para que a viatura da Rotam fosse até a frente do grupo. O tiro foi disparado enquanto a viatura estava em movimento.

“Policiais da Rotam, que é uma tropa altamente especializada pronta para fazer a escolta dos torcedores do Coritiba em direção ao estádio do Atlético. Quando eles estavam prontos para esse deslocamento, o graduado, comandante de uma das equipes, estava fora da viatura e adentrou na viatura. Quando ele adentrou na viatura, ele pegou um armamento, uma sub-metralhadora Ponto 40, e foi colocá-la em bandoleira, que é uma alça, e, quando ele foi colocar a bandoleira nessa alça, posicionou essa arma com o cano voltado para a janela, poderia ter escolhido outra posição, e quando ele fez esse movimento ele alega que sentiu o recuo da arma e verificou que havia fumaça dentro da viatura. Quando ele olhou ao lado, ele visualizou o rapaz caído. Foi neste momento que ele percebeu que havia efetuado o disparo da arma de fogo”, relata o comandante.

O rapaz foi socorrido pelos próprios policiais da equipe. “Quando ele (sargento) visualizou o rapaz caído os policiais tomaram a iniciativa de socorrê-lo. Inclusive é importante frisar que havia um policial que antes de entrar na polícia era enfermeiro, oito anos trabalhando em UTI, e ele foi tentando fazer o tamponamento da ferida do Leonardo no itinerário do ocorrido até o Hospital Cajuru”, afirma.

1305700597
Submetralhadora Ponto 40 Famae

Arma letal 

Segundo o tenente-coronel Wagner Lúcio dos Santos a equipe da Rotam (Ronda Ostensiva Tática Motorizada) portava armas letais durante a escolta porque poderia ser acionada eventualmente para atender a outras ocorrências.

“Essa arma é só com munição letal”. “Dentro da viatura existe armamento de munição não-letal”. “É importante frizar conflito nenhum. A situação estava tranquila. Só que, muitas vezes, e essa tropa é especializada, é uma tropa de força suplementar, então, eles sempre estão preparados para ocorrências subsequentes, ocorrências de grande vulto. Então eles estavam prontos, caso fosse necessário, para deslocassem para uma outra ocorrência”, explica.

Disparos acidentais 

Quastionada, a Polícia Militar não divulgou se já houve casos confirmados de falhas em armamentos que tenham resultado em disparos acidentais. “Oficialmente eu não tenho esses dados. Com relação a isso não estou autorizado a falar”, disse o tenente-coronel.

Além da presença do uso de armamento letal em um evento que envolve multidão, a arma estava destravada. “Ele resolveu pegar essa arma longa e colocá-la em bandoleira. Isso só será confirmado atraves da perícia. Essa arma foi recolhida, está sendo encaminhada hoje para a perícia técnica. O sargento se prontificou em se apresentar, foi ouvido, todos os integrantes da equipe foram ouvidos”.

Reprodução / arquivo pessoal.
Leonardo Henrique da Rocha Brandão. Reprodução / arquivo pessoal.

Tragédia

“O sargento está extremamente abalado. Ele possui mais de 20 anos de serviço. Já trabalhou em outros grupos especiais. Não respondeu até o momento a nenhum procedimento administrativo. Ontem mesmo ele se consultou já com uma psicóloga, com um psiquiatra. O restante da equipe também se consultou com essa psicóloga. Ele foi afastado dos serviços operacionais e administrativos por 15 dias. Após seu retorno, caso ele esteja em condições ele ficará restrito ao serviço administrativo”, explica o coronel.

A Polícia Militar se dispos a prestar apoio à família de Leonardo. O corpo do adolescente está sendo velado nesta segunda-feira (20) na Igreja do Bairro Novo, em Curitiba. O sepultamento está previsto para às 17h, no Cemitério Pedro Fuss, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

 

 

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="415501" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]