PMs são presos por formação de grupo de extermínio em Curitiba

Narley Resende


Ricardo Pereira, BandNews FM Curitiba

Uma operação da Polícia Civil prendeu, nesta quinta-feira (23), em Curitiba, cinco homens, sendo dois policiais militares da ativa, um policial aposentado e dois ex-PM’s. Contra eles há uma acusação de participação em homicídios registrados entre agosto de 2010 e janeiro de 2011 na chamada ‘Favela da Rocinha’, entre os bairros Hauer e Boqueirão, na capital paranaense. As prisões têm duração de trinta dias.

Doze mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelos policiais civis. A ação é da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e conta com apoio do grupo Tigre e também da Polícia Militar do Paraná. O comandante da PM-PR, coronel Maurício Tortato, diz que a corporação não compactua com qualquer ato criminoso. Agora, os policiais que foram presos podem acabar expulsos.

“Agora nós aguardamos toda substância do processo, instrução do inquérito policial civil, dos desdobramentos judiciais que ensejaram essa para, diante das convicções serão formadas, e diante da repercussão ético e moral que os fatos ensejam no âmbito interno da corporação, a gente, efetivamente, tenha as convicções que possam ensejar a abertura do processo administrativo disciplinar, que pode culminar, respeitada a dimensão do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, inclusive, na exclusão a bem da moralidade da tropa, desses militares estaduais”, afirma.

Depois de prestarem depoimento, os policiais devem ser levados para o quartel da corporação. Os demais, para o Centro de Triagem de Curitiba. A investigação dos suspeitos, que, para a investigação, integravam uma espécie de grupo de extermínio, teve início em novembro de 2011, com depoimento de testemunhas e sobreviventes de supostos ataques contra usuários de drogas. As mortes teriam acontecido em vingança pela morte de um familiar de um policial, segundo o delegado da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa,  Marcelo Lemos de Oliveira.

“Apuramos que os crimes decorreram de uma vingança pela morte de um parente de um policial. Policial esse que está entre os suspeitos que foi preso. Era um primo dele. E essa morte ocorreu três meses antes, em maio de 2010, e em agosto começados os eventos de criminosos naquela localidade”, explica.

Os assassinatos chegaram a ser atribuídos ao ex-comandante do Corpo de Bombeiros do Paraná, coronel Jorge Luiz Thais Martins – que passou duas semanas preso, ainda em 2011. Novas provas obtidas pela Polícia Civil mostram que as mortes teriam sido causadas pelos policiais e ex-policiais presos nesta quinta-feira, e não pelo coronel, que sempre negou as acusações.

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