Polícia investiga grupo que planejava resgatar detentos em penitenciária no Paraná

Mariana Ohde


Três homens foram presos na última sexta-feira (24) suspeitos de elaborar um plano de fuga para detentos da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), na região metropolitana de Curitiba. Áudios encontrados no celular de um dos detidos revelam que a intenção era explodir o muro da penitenciária e resgatar os presos, utilizando “armas de guerra”.

Policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), unidade de elite da Polícia Civil do Paraná, receberam informações sobre o plano e conseguiram localizar e prender o trio. Com eles, foram apreendidos 80 kg de maconha e explosivos, que seriam usado no resgate dos detentos.

Os setores de inteligência das policiais do Paraná, assim como do Departamento de Execução Penal do Paraná (Depen), repassaram informações ao Cope que ajudaram na prisão dos três envolvidos no plano de fuga de presos. “A troca de informações dos setores de inteligência foi fundamental para frustrar este plano de fuga de presos. Imediatamente as polícias se mobilizaram e o Cope conseguiu prender o trio”, elogiou o secretário da Segurança Pública, Wagner Mesquita.

Presos

Foram detidos em flagrante Johny da Silva, de 31 anos, Marcelo Gramella Bueno, também de 31 anos, e Wagner José Vital, de 35 anos. Apenas Bueno não tinha passagem pela polícia, os demais já tinham sido presos pelo crime de tráfico de drogas.

Vital, que é conhecido como “Psico”, estava foragido do sistema penitenciário e contra ele havia um mandado de prisão por tentativa de homicídio qualificado. É ele quem aparece nos áudios recebendo orientações para executar o plano.

“No celular do Psico encontramos um vídeo e fotos de armas de grosso calibre, como fuzil e uma calibre 12, além de troca de conversas que revela um ousado plano de fuga na PEP. Eles iam reunir homens fortemente armados que iriam colocar o explosivo no muro da penitenciária e promover a fuga de presos desta quadrilha que atuam dentro e fora dos presídios”, explicou o delegado titular do Cope, Rodrigo Brown.

Em um áudio encontrado no celular de Psico, um homem ainda não identificado diz que está aguardando o resgate: “Sorte para todos nós, que a gente consiga fazer ai o que diz a nossa cartilha, o que diz o nosso lema entende mano? Desde sempre ai o crime fortalecendo o crime. É isso que vocês estão fazendo, fortalecendo o crime. É poucos que faz o que vocês estão fazendo. Vindo buscar parceiro de vocês, mas vindo buscar também cara que vocês nunca viu. Tá ligado mano? Mas você pode ter certeza que nos é bandido parceiro. Nós é o crime. Hoje vai ser um dia de sorte pra nós. Vai ser um dia de glória para nós irmãozão. É nóis. Tamo junto. Tamo no aguardo de vocês”.

Psico foi o primeiro a ser preso, quando se preparava para vender droga num posto de gasolina na BR-116. “Primeiramente recebemos uma informação de que haveria neste posto de gasolina uma transação de drogas. Depois soubemos do plano de fuga e nos deslocamos até uma chácara em São José dos Pinhais. Lá, encontramos 80 kg de maconha e explosivos”, explicou o delegado do Cope Guilherme Maurício Wall Fagundes.

Investigação

A polícia agora trabalha para identificar as outras pessoas possivelmente envolvidas no plano de fuga. Segundo o secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, o foco agora é a identificação dos suspeitos e a apreensão dos armamentos. “Existem mais pessoas identificadas nos áudios, citadas nos áudios e nos vídeos, inclusive [falando sobre] a utilização de armamento pesado, armamento de guerra. Agora o foco permanece na identificação dessas pessoas, na prisão e na apreensão dessas armas de guerra. Nós estamos finalizando as pesquisas para poder determinar qual é a tecnologia mais adequada para fazer o bloqueio”, afirma. A polícia suspeita que os três homens presos fazem parte de uma organização criminosa que atua dentro e fora dos presídios. Os três detidos prestaram depoimento, mas ficaram em silêncio.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal