Polícia pede que população denuncie autores de estupro coletivo no Rio de Janeiro

Mariana Ohde


A Polícia Civil pede que qualquer pessoa com informações sobre o caso da jovem que sofreu um estupro coletivo e teve imagens publicadas na internet entre em contato para denunciar os autores. A menina de 16 anos prestou depoimento à polícia nesta quinta-feira (26) e disse ter sido drogada e estuprada por 33 homens após ter ido visitar seu namorado, em uma comunidade do bairro de Jacarepaguá.

Segundo ela, na madrugada desta quinta-feira (26), quando acordou em um imóvel na comunidade, viu os homens armados com pistolas e fuzis. As investigações estão sendo feitas pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática do Rio de Janeiro (DRCI), que abriu investigação para apurar o vídeo, postado na última quarta-feira (25) no Twitter. As imagens postadas na rede social mostram uma menina desacordada, com os órgãos genitais expostos, e geraram indignação. No próprio vídeo um homem diz que “uns 30 caras passaram por ela”. Militantes feministas levaram o caso para o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) e foi feita uma denúncia anônima com o vídeo e capturas de tela das redes sociais.

A conta que inicialmente divulgou o vídeo foi bloqueada do Twitter após uma série de denúncias.

A Safernet, organização sem fins lucrativos dedicada à defesa e promoção dos direitos humanos na internet, pede que as imagens não sejam compartilhadas para não expor ainda mais a vítima, e diz que também está tomando providências.

De acordo com informações da DRCI, a vítima já foi ouvida e as investigações estão em andamento. O delegado Alessandro Thiers pede a quem tenha qualquer informação que possa auxiliar na identificação dos autores que entre em contato através do seu endereço pessoal de e-mail: alessandrothiers@pcivil.rj.gov.br.

O cidadão que tiver qualquer informação que possa contribuir com a investigação, especificamente endereços dos suspeitos ou novas provas do fato, também pode entrar em contato com a Polícia Civil através da Central de Atendimento ao Cidadão (CAC) pelos telefones (21) 2334-8823, (21) 2334-8835, pelo chat online ou pelo Disque Denúncia 2253-1177.

A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro divulgou nota repudiando o crime e se prontificou a oferecer apoio à jovem e sua família: “A OAB, por intermédio da Comissão Permanente OAB Mulher, vem a público expressar seu mais profundo repúdio ao ato de barbárie cometido contra a adolescente moradora de Santa Cruz. Um estupro coletivo, com requintes de crueldade, no qual vários indivíduos perpetuaram a humilhação expondo, nas redes sociais, a dor da vítima”.

Suspeitos identificados

Até agora, a Polícia Civil já identificou quatro homens suspeitos de terem participado do estupro. Entre eles, dois são suspeitos de terem divulgado as imagens nas redes sociais; um é o rapaz que tinha um relacionamento com a jovem; e o quarto identificado aparece no vídeo ao lado da garota.

O Ministério Público do Rio (MPRJ), que acompanha o caso, através da 23ª Promotoria de Investigação Penal, informou que a Ouvidoria da instituição já recebeu cerca de 800 denúncias sobre os criminosos e que já encaminhou o material retirado das redes sociais para os órgãos de investigação do crime.

Em nota, a Polícia Civil informa que a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) estão trabalhando de forma integrada na investigação do crime. A Subchefia Operacional e o Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) colocaram suas unidades à disposição para auxiliar na investigação.

A vítima do estupro coletivo foi levada na manhã de ontem (26) para o setor de ginecologia do Hospital Maternidade Maria Amélia, no centro do Rio, onde fez exames e tomou medicamentos para evitar doenças sexualmente transmissíveis e Aids.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal