Policiais civis cruzam os braços e doam sangue em protesto por maior efetivo

Fernando Garcel


Os policiais civis do Paraná, organizados pelo Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol-PR), cruzam os braços nesta segunda-feira (1º) em protesto por aumento de efetivo e para reivindicar melhores condições de trabalho. Para blindar a categoria, o grupo organizou uma doação de sangue em massa em todo o estado, o que garante o dia de folga por força de lei.

Durante a paralisação somente os flagrantes serão atendidos com a presença de delegados. “Faremos apenas a entrega dos alimentos fornecidos pelo estado, flagrantes, homicídios e violência sexual (atendimento às vítimas)”, diz o comunicado do Sinclapol. As visitas e o atendimento ao público geral não serão realizados. Os atendimentos devem ser normalizados nesta terça-feira (2).

Na capital, cerca de 200 policiais se reúnem em frente ao Instituto de Identificação do Paraná e depois seguem para o Palácio do Governo onde devem entregar os seus coletes balísticos vencidos ao governador Beto Richa (PSDB) em um ato simbólico, assim como aconteceu nas delegacias do interior do estado.

Doação de sangue em Londrina
Doação de sangue em Londrina

Na semana passada, a categoria notificou a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (SESP) de que não vão mais executar atividades carcerárias, que fogem das atribuições previstas na lei. De acordo com o presidente da Sinclapol, André Luiz Gutierrez, muitos policiais exercem dupla função e chegam a trabalhar além da carga horária prevista, sem receber hora extra. Segundo ele, cerca de 4 mil agentes trabalham nas 500 delegacias do Paraná, algumas já desativadas, mas o ideal seria que o efetivo fosse, pelo menos, de 8 mil servidores.

“Cada delegacia deveria ter quatro equipes, sendo um delegado, um escrivão e dois investigadores, no mínimo, por equipe. Então seria necessário dois mil delegados, dois mil escrivães e oito mil investigadores. Nós não temos isso nem de perto”, diz Gutierrez.

Além do aumento de efetivo e das funções exercidas, os servidores também questionam o número de presos em delegacias do Paraná. De acordo com Gutierrez, as delegacias do Paraná abrigam cerca de 10 mil presos. Destes, grande parte já foram julgados e condenados e deveriam estar em presídios e em casas de custódia. Como fazem trabalhos relacionados aos cuidados com os presos, o atendimento à população, investigações ficam em segundo plano. “Nós não estamos atendendo ao cidadão por essa inércia, não só do Executivo, mas também do Judiciário e do Ministério Público, em ver que essas ilegalidades estão ocorrendo e todos se reunir para resolver o problema”, diz o representante da categoria.

Agora pela manhã, devem se reunir com representantes do governo estadual para dar início a uma negociação. Caso não haja acordo, a categoria não descarta a possibilidade de greve.

 

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