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Policial que matou jogador de futebol amador é ouvido pela Justiça nesta sexta

O policial militar acusado de matar um jogador de futebol amador pelas costas em julho deste ano na Grande Curitiba vai ..

Jordana Martinez - 29 de setembro de 2016, 17:09

O policial militar acusado de matar um jogador de futebol amador pelas costas em julho deste ano na Grande Curitiba vai ter a primeira oitiva na Justiça nesta sexta-feira (30). Trata-se de uma audiência de instrução, marcada para começar às 9 horas, que também vai servir para que testemunhas e policiais que participaram da ocorrência falem no processo.

Devem depor ainda os envolvidos na tentativa de “plantar” a arma apresentada como sendo da vítima.

> Com tiro pelas costas e arma ‘plantada’, PM vira réu por morte de jogador

O soldado Eurico Gerson de Araújo Pires é acusado de matar a tiros Gilson Camargo, de 28 anos, logo após uma confusão em campo. O PM foi denunciado por homicídio qualificado mediante surpresa – tendo dificultado a defesa da vítima –, e fraude processual e, diante disso, pode ser levado a júri popular. "Será um dia muito importante para este caso. Serão realizadas oitivas da acusação e defesa e, por fim, será a primeira oportunidade do acusado de se manifestar no processo. Ele será interrogado em juízo e vai dar sua versão", diz o advogado assistente da acusação Brunno Pereira.

Os primeiros depoimentos serão das testemunhas. Já o depoimento do soldado deve ser colhido no fim do dia.

O advogado fala ainda de outra investigação, que corre no âmbito militar, e afirma que o caso pode ter desdobramentos na esfera criminal se restar comprovado que houve ajuda para o atirador tentar forjar uma situação de legítima defesa. "É uma situação um tanto peculiar. Outros policiais estão respondendo uma situação em âmbito militar que apura o que aconteceu neste dia que consta como indiciados não só esse policial como outros policiais que estiveram lá no dia", conta Brunno.

O caso foi registrado no bairro Santa Rosa, em Campina Grande do Sul, em 17 de julho. O soldado integra a Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel) e é lotado no 22º Batalhão e afirmou que Gilson Camargo havia ameaçado outras pessoas e reagido a uma ordem de abordagem. Ele apresentou um revólver calibre 38 com a alegação de que pertencia à vítima, mas as investigações comprovaram que isso era mentira. Na verdade, a arma foi levada até ele por outro policial dentro de uma mochila com roupas enviada pela esposa de Pires.

Para o Ministério Público, o PM agiu com a intenção de matar. Ele foi preso em 21 de julho, em caráter temporário, mas, no fim de agosto, quando a Justiça aceitou a denúncia, a prisão foi convertida em preventiva, ou seja, sem prazo para soltura. Ele está na carceragem do Batalhão de Polícia de Guarda, em Piraquara, também na Região Metropolitana.