Policial suspeito de participar de chacina tem pedido de liberdade negado

Fernando Garcel


O pedido de liberdade provisória do soldado Wilson Alex Bianchi, um dos policiais suspeitos de ter participado da chacina em Londrina no dia 30 de janeiro, foi negado pelo juiz Abelar Baptista Pereira Filho.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão temporária, 25 de busca e apreensão e seis de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para prestar depoimento. Entre os investigados estão soldados da 4ª companhia da Polícia Militar.

O grupo é apontado como o responsável por pelo menos 12 mortes entre os dias 29 e 30 de janeiro deste ano, depois que um policial militar foi assassinado na zona norte do município.

Além dos mortos, as unidades de saúde de Londrina registraram a entrada de pelo menos 16 pessoas baleadas no mesmo período. A chacina teria acontecido em retaliação a morte do PM.

“Quem matou os 20?”

Em abril, um grupo de ativistas da periferia de Londrina, norte do Paraná, pichou dois dos principais edifícios do centro da cidade, nessa quarta-feira (6), com a pergunta “quem matou os 20?”.  O manifesto faz referência às pessoas mortas no último final de semana de janeiro na maior chacina registrada na história do município de 550 mil habitantes, e a maior do Brasil em 2016.

Policial

Naquela data, uma ação coordenada, aparentemente aleatória, resultou em 12 pessoas mortas inicialmente, 11 feridas, entre 20 baleados, incluindo um policial militar. O PM Cristiano Luis Botino, 34 anos, foi o primeiro a ser morto, ainda na noite de sexta-feira, dia 29 de janeiro. O ataque, segundo fontes do setor de segurança pública, tem autoria comprovada de membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Seis pessoas foram presas suspeitas de participar da morte do policial. As outras mortes daquela noite ocorreram na sequência, na madrugada de sábado, e ainda estão sem solução.

Uma das linhas de investigação é retaliação deliberada após a morte do policial. Homens encapuzados invadiram residências e bares, e disparavam a esmo, segundo testemunhas. Dos dez civis mortos naquela noite, havia uma mulher. Os demais são homens, entre 19 e 36 anos. Entre eles, ao menos cinco tinham antecedentes.

A população recebeu uma espécie de toque de recolher supostamente enviado por policiais e criminosos por meio do aplicativo WhatsApp. Os textos e áudios alertavam para o iminente confronto nas ruas entre PCC e Polícia Militar (PM), com previsão de “tiroteio, blitz e sangue”. Os boatos, apesar de negados pela PM, foram suficientes para deixar a cidade praticamente deserta.

Investigação

Depois dos assassinatos, a Secretaria de Segurança reforçou a segurança na cidade. De acordo com a Polícia Civil, os casos são de alta complexidade e conclusões precipitadas podem atrapalhar as investigações, eles alegam que cerca de 20 inquéritos foram abertos. Testemunhas e vítimas foram ouvidas e imagens gravadas por mais de 80 câmeras de videomonitoramento analisadas. A Sesp informou que os inquéritos são sigilosos.

Impunidade

As pichações no Edifício Palácio do Comércio e na Concha Acústica, foram assumidas pelo PME (Pixo Manifesto Escrito), um grupo anônimo de pichadores que atua no Paraná e em outros Estados.

PME-3O coletivo funciona como uma espécie de “tribunal do pixo” – surgiu durante as Jornadas de Junho com o objetivo de “cobrar todo tipo de irregularidade em questões políticas e uso indevido da pixação por parte de charlatões e aproveitadores”.

No dia 1º de fevereiro, o comandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Mauricio Tortato, afirmou que uma das linhas de investigação considera a participação de policiais nos assassinatos. “Essa é uma das linhas de investigação que estamos trabalhando. A Polícia Militar não é condescendente com nenhuma forma de vingança, nossa pauta é pela legalidade e pelo cumprimento dos diretos humanos. Se identificarmos que há a participação de militares em ações não pautadas pela lei, para vingar a morte de quem quer que seja, todos os procedimentos previstos serão adotados”, disse o coronel.

Entre a noite de sexta-feira e a manhã de sábado, 12 pessoas morreram, segundo o Instituto Médico Legal (IML), e pelo menos outras 20 pessoas foram baleadas. Entre as vítimas internadas nos hospitais da região, seis morreram nos dias seguintes.

Entre os mortos, dez morreram na hora após serem atingidos por disparos de arma de fogo, três deles estavam na mesma casa. Duas crianças estavam na casa e não se feriram. A série de ataques foi registrada em todas as regiões de Londrina, além das cidades de Cambé, Ibiporã e Arapongas.

(Com informações da BandNews FM Curitiba)

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