Dono de posto de combustível é preso acusado de mandar matar fiscal que denunciava fraudes

Francielly Azevedo


Três homens foram presos pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil do Paraná, suspeitos de participação na morte do empresário Fabrizzio Machado da Silva, de 34 anos. Ele investigava fraudes no setor de combustíveis. Entre os detidos estão o suspeito de executar o fiscal e o mandante do crime.

Segundo o secretário de segurança Wagner Mesquita, o mandante do crime é dono de quatro postos de combustíveis. O autor dos disparos teria recebido cerca de R$ 20 mil reais, além de uma parcela em drogas, para efetuar o crime. Já o terceiro detido, ajudou no planejamento do assassinato.

“Nesse primeiro momento ao que se tem motivação é o trabalho feito pelo Fabrizzio na fiscalização de fraudes contra combustíveis. O mandante é um dono de posto de combustível, que também estava sendo investigado na Operação Pane Seca. Este é o primeiro vínculo que nós temos entre a investigação da morte do fiscal Fabrizzio e a Operação Pane Seca”, relatou o secretário.

Foto: SESP-PR
Foto: SESP-PR

De acordo com o delegado, Cássio Conceição, que conduziu a investigação, várias denúncias anônimas ajudaram na elucidação do caso. “Existem outras pessoas que estão sendo investigadas e podem ser presas no decorrer das investigações”, afirmou.

Os três suspeitos estão presos temporariamente e aguardam a conclusão do inquérito para que tenham o pedido de prisão preventiva feito à Justiça.

O crime

O empresário foi assassinado por volta de 22h do dia 23 de março quando chegava de carro em casa, no bairro Capão da Imbuia. O autor do crime bateu na traseira do carro do fiscal. Ao descer do veículo para saber o que tinha acontecido, Fabrízzio foi baleado na cabeça.

Uma ambulância do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) foi acionada, mas a vítima não resistiu aos ferimentos. O empresário morreu antes da chegada do serviço médico. Toda ação foi registrada por câmeras de segurança.

 

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Um dia depois, policiais encontraram um veículo incendiado, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. O carro era roubado e possuía as mesmas características do que foi utilizado pelo assassino.

 

Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

 

Fraudes nos combustíveis

Fabrizzio era presidente da Associação Brasileira de Combate a Fraudes de Combustíveis (ABCF). O empresário atuava junto ao poder público para identificar empresas que adulteravam as bombas e a composição da gasolina em São Paulo, Santa Catarina e Paraná.

Dois dias após o assassinato, em 26 de março, a Polícia Civil deflagrou a primeira fase da Operação Pane Seca. A ação resultou na interdição de nove postos de combustíveis de Curitiba e região metropolitana. Seis pessoas foram presas e outras seis permanecem foragidas. Outros mandados foram cumpridos, no dia 29 de março, na segunda etapa da operação.

A fraude consistia na instalação de dispositivos nas bombas que interrompiam o fluxo de combustível sem interromper a medição da quantidade de litros a ser paga pelo consumidor.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.