Sem-terra é morto em assentamento do MST

Fernando Garcel


Redação com Narley Resende

Um membro do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) foi morto a tiros na madrugada desta terça-feira (25) em Quedas do Iguaçu, no Sudoeste do Paraná. O caso do sem-terra morto será investigado pelo delegado Daniel Leite. Sem gravar entrevista, o delegado afirmou que já tem uma linha de investigação e o caso deve ficar em sigilo.

Esse é o 20º assassinato de um membro do MST no Brasil somente em 2017. Na última sexta-feira (21) nove trabalhadores sem terra foram torturados e mortos por homens encapuzados no município de Colniza (MT). A principal suspeita é que fazendeiros tenham encomendados os assassinatos.

No caso paranaense, João Maria Deonel dos Santos, de 41 anos, foi morto dentro do Acampamento Celso Furtado, que fica na comunidade de São Jorge, em Quedas do Iguaçu. O local é um assentamento do MST e abriga quase 1100 famílias. As terras foram desapropriadas por decisão da Justiça no ano passado em uma ação movida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária para criação do assentamento.

Em abril do ano passado, no acampamento Dom Tomás Balduíno, também em Quedas do Iguaçu, dois trabalhadores rurais sem terra foram mortos por policiais em um suposto confronto que também deixou outros sete feridos. Na época, a Força Nacional chegou a ser deslocada para pacificar o município.

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Em junho do ano passado, um casal também foi morto a tiros em um caso ainda não resolvido.

Desde o fim de 2016, um acordo mediado pelo Ministério Público Federal (MPF) pôs fim aos conflitos entre a empresa Araupel, que explora parte das terras em disputa judicial, o MST e autoridades locais.

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Pelo menos 20 sem-terra foram mortos em 2017

De acordo com a Comissão Pastoral da Terra, órgão ligado à CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – além dos casos do Mato Grosso e Paraná, também houve mortes de sem-terra nos últimos dias em Alagoas, Maranhão, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rondônia. Nos quatro primeiros, houve uma morte em cada. Já em Rondônia, foram registradas seis mortes.

A chacina do Mato Grosso, onde houve maior número de mortes neste ano, aconteceu na semana que marcou 21 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 sem-terra foram mortos e mais de 70 ficaram feridos em uma operação desastrosa, ordenada em 1996 pelo governo do Pará e executada pela Polícia Militar.

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