Sem categoria
Compartilhar

Silêncio de suspeitos do caso Tayná sobre tortura incomoda defesa de policiais

Os quatro suspeitos de matar a jovem Tayná Adriane da Silva, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, em 2013, p..

Narley Resende - 16 de agosto de 2016, 22:13

Os quatro suspeitos de matar a jovem Tayná Adriane da Silva, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, em 2013, prestaram depoimento nesta terça-feira (16) na Corregedoria da Polícia Civil, em Curitiba. A audiência é referente ao julgamento dos 21 policiais civis, um policial militar, dois guardas municipais e dois presos de confiança acusados de torturar os quatro rapazes, que eram funcionários do parque de diversões instalado perto da casa da adolescente de 14 anos.

Os depoimentos do inquérito da Corregedoria chegaram a ser adiados quatro vezes neste ano. Depois de serem torturados para confessarem o crime, os quatro foram incluídos no Programa Federal de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas. Eles chegaram nesta terça à Corregedoria escoltados em um carro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público.

Entre os investigados no caso de tortura, alguns foram denunciados por falso testemunho, outros lesão corporal de natureza grave, por abuso de autoridade e crime de natureza sexual. O depoimento desta terça-feira é referente ao processo disciplinar dos policiais, sob responsabilidade do corregedor Ronald de Jesus.

Segundo o advogado André Luis Romero, que representa sete acusados de tortura, o corregedor deve agora marcar uma data para o depoimento de testemunhas de defesa no processo administrativo.

"Se recusaram a responder qualquer indagação da autoridade processante, bem como da defesa, se reportando ao que já tinham dito anteriormente na fase de inquérito policial. O depoimento se restringiu a dizer que eles não responderia a nenhuma pergunta. Agora estamos no aguardo que a autoridade designe uma nova data para ouvir as testemunhas arroladas pela defesa", reclama.

Processo criminal

O processo criminal do caso de tortura aguarda a apresentação de alegações finais do Ministério Público e depois da defesa. Depois disso o juiz responsável já poderá emitir uma sentença.

"O Estado quer saber se aconduta atribuída a eles, eles transgrediram ao estatuto da Polícia Civil. O processo criminal corre na Vara Criminal de Colombo, está aguardando a apresentação de alegações finais pelo Ministério Público, tão logo apresente a defesa o fará e a o juiz apresentará a sentença dele", programa.

Caso sem solução

Três anos depois, o caso da morte de Tayná continua sem solução. Em junho de 2013, após dois dias desaparecida, a garota foi encontrada morta em um terreno baldio em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Alguns dias depois, quatro funcionários de um parque de diversões foram presos. Na época, a polícia informou que eles confessaram que estupraram e mataram a garota. No mesmo dia, moradores da região invadiram e atearam fogo no parque de diversões.

Dois dias depois, uma perita da Polícia Científica afirmou que não foram encontrados indícios de estupro no corpo da menina. Toda a equipe que estava responsável pela investigação do caso foi afastada e, em seguida, houve a denúncia de que a confissão do crime (dos quatro suspeitos) havia sido feita sob tortura e 14 pessoas foram presas, entre elas policiais e delegados envolvidos no caso.

Em outra perícia foi encontrado sêmen em roupas íntimas de Tayná, mas não compatível com nenhum dos quatro suspeitos envolvidos no caso, de acordo com os exames de DNA. O corpo de Tayná foi exumado e passou novamente por exames para solucionar questões pendentes durante a investigação.

O caso segue em segredo de Justiça. O caso já passou pela tutela de quatro delegados. O inquérito tem mais de três mil páginas e está sob responsabilidade do delegado Marcelo Lopes da delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa.