Testemunha muda versão sobre morte de menino de dez anos em São Paulo

Mariana Ohde


O garoto que estava junto com o menino de 10 anos morto pela Polícia Militar na última quinta-feira (2), em São Paulo, mudou a sua versão sobre os fatos. Em novo depoimento, feito na noite de sexta-feira (3), ele disse que não houve confronto com a polícia e que três disparos foram feitos com o carro em movimento, e nenhum com o carro parado, durante a abordagem da polícia.

No novo depoimento, o garoto diz que o tiro que matou o menino foi disparado por um policial da Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas (Rocam) imediatamente após o carro ter colidido e parar. Disse ainda que o mesmo policial que atirou o deitou no chão e deu um tapa no seu rosto. Segundo o relato do jovem, os policiais disseram ainda que seria morto caso não tivesse pai e mãe.

Segundo advogado Ariel de Castro Alves, do Conselho Estadual de Direitos Humanos, a ação pode ser considerada uma execução, de acordo com o relato da criança no depoimento. “O principal é que não houve confronto no desfecho, no momento que o carro parou”, disse Ariel, que acompanhou o segundo depoimento.

De acordo com nota da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a criança morta e a outra, de 11 anos, teriam furtado um carro dentro da garagem de um condomínio na região do Morumbi. Policiais perceberam a ação e saíram em perseguição ao veículo, um Daihatsu Terios.

Pela versão policial, o menino foi baleado em confronto após ter atirado três vezes contra os policiais com uma arma calibre 38. Os primeiros dois tiros foram dados com o veículo ainda em movimento, antes de o carro bater contra um ônibus e, depois, contra um caminhão que estava estacionado. Um terceiro tiro teria sido disparado pelo menor após as colisões. Vídeos de câmeras de segurança mostram um policial se aproximando do veículo e atirando.

O garoto sobrevivente prestou dois depoimentos à polícia. No primeiro, acompanhado apenas pela mãe, ele disse que o outro menino atirou duas vezes contra os policiais e que, depois da batida do carro, disparou novamente, pouco antes de ser baleado e morto.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal