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Testemunha que deu origem à Operação Vortex é assassinada com 17 tiros

Uma testemunha chave da Operação Vortex, que investiga casos de corrupção policial, foi assassinada nesta quinta-feira (..

Redação - 21 de abril de 2016, 01:09

Uma testemunha chave da Operação Vortex, que investiga casos de corrupção policial, foi assassinada nesta quinta-feira (25) de manhã, com 17 tiros, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. De acordo com o Corpo de Bombeiros, Milton Stigler, de 58 anos, foi morto dentro do estabelecimento comercial dele às margens da Avenida dos Expedicionários no, bairro Bom Jesus. Segundo testemunhas, homens fugiram do local em um carro da marca Fusion.

O Siate chegou a ser acionado, mas os bombeiros já encontraram o homem morto. Inicialmente, foram constatados 17 disparos na vítima. Policiais militares e civis isolaram o local hoje (25) de manhã.

Miguel Stigler era testemunha da operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrada em 2013, e que investiga cumplicidade de policiais da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio, a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos e o 6º Distrito Policial em desmanches de veículos, em Curitiba e região.

Stigler era dono de um ferro velho e também foi denunciado por corrupção ativa. Contra ele pesa a acusação de receptação de peças de carros roubados. No início de 2013, ele denunciou que estava sendo extorquido por policiais para que não fosse preso por receptação.

Segundo o procurador Leonir Batisti, coordenador do Gaeco em Curitiba, as primeiras informações estão sendo apuradas e inicialmente a Polícia Civil deve investigar a morte da testemunha.

“Ele foi uma pessoa que fez uma denuncia de que estaria recebendo pressões por parte de policiais para pagar dinheiro, por tal razão houve uma operação por parte do Gaeco que resultou na prisão de policiais e posteriormente em um processo. Neste processo o Milton também acabou sendo denunciado como corruptor ativo. É um processo que continua tramitando na Justiça. Nós soubemos agora lamentavelmente da morte desta pessoa, a princípio se trata de um homicídio e portanto nós estamos tendo maiores informações, mas a priori as investigações vão ser da Polícia Civil”, afirmou ao Paraná Portal.

Denúncia

Após quase dez meses de investigação, o Ministério Público encaminhou à Justiça denúncia contra 23 pessoas: quatro delegados, 15 investigadores, um agente de apoio e três comerciantes.

Na denúncia, são relatados 24 fatos criminosos: 3 concussões (exigência financeira mediante ameaças), um abuso de direito, uma denunciação caluniosa, uma lavagem de dinheiro, 3 corrupções ativas e 15 corrupções passivas. Os policiais também foram denunciados pelo crime de quadrilha.

As investigações apontam que na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, vinculada à Divisão de Crimes contra o Patrimônio, atuava uma quadrilha que visava angariar dinheiro de comerciantes do setor de ferro-velho mediante corrupção.

O Gaeco sustenta que “policiais da área atuavam endurecendo a fiscalização para criar condições de exigir dinheiro, ou mesmo para que comerciantes tomassem a iniciativa de oferecer dinheiro”.

Operação Vortex

Em abril de 2013, o Gaeco e a Corregedoria da Polícia Civil cumpriram 18 mandados judiciais de busca e apreensão, em Curitiba e na Região Metropolitana. Três membros da Polícia Civil foram presos em flagrante, por porte de armas sem registro. Com um dos detidos foram apreendidos US$ 98 mil, além de munição de uso restrito.

As investigações do Gaeco duraram cerca de oito meses, com o objetivo de apurar suposta corrupção na Polícia e, ainda, ilegalidades relacionadas a desmanche de veículos.

A operação teve como foco a Divisão de Crimes Contra o Patrimônio, a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos e o 6º Distrito Policial. Os mandados foram cumpridos nessas unidades, casas de policiais e de comerciantes de ferro-velho, e também abrangeram estabelecimentos de revenda de peças de veículos usadas.

Delegados

Entre os denunciados na Operação Vortex, estão os delegados Gerson Machado, Anderson Franco, Marco Antônio de Góes e Luiz Carlos de Oliveira. Na época, ambos foram presos e posteriormente encaminhados para funções administrativas, e retirados das delegacias em que atuavam. Hoje, porém, todos estão de volta ao trabalho, normalmente, em delegacias.

De acordo com a assessoria da Polícia Civil, os delegados e policiais denunciados na operação responde processos criminais na Justiça e administrativos na Corregedoria da Polícia Civil. Ninguém foi condenado até agora.