Torcedor do Coritiba se apresenta à polícia após briga de torcidas

Mariana Ohde


Com CBN Curitiba

Um torcedor do Coritiba se apresentou na Delegacia Móvel de Atendimento ao Futebol e Eventos (Demafe), nesta segunda-feira (19). Ele é um dos torcedores que foram filmados agredindo um torcedor corintiano no domingo (18), em frente ao Estádio Couto Pereira, antes do jogo entre Coritiba e Corinthians, em Curitiba.

O torcedor foi ouvido pela equipe da delegacia e liberado. Ele não foi preso porque não houve flagrante.

Agressor preso

No domingo, a polícia prendeu um dos integrantes da torcida organizada Império Alviverde que foi identificado nas imagens que circularam nas redes sociais. Segundo o delegado Clóvis Galvão, João Carlos de Paula, de 24 anos, confessou a agressão. “Ele confessou o crime aqui na delegacia. Temos a confissão e a materialidade, não resta dúvida”, afirma o delegado.

João Carlos de Paula deve responder por crime de tentativa de homicídio, podendo pegar de oito a vinte anos de prisão. Ele permanece à disposição da Justiça.

Agora, as investigações seguem com o intuito de identificar outros agressores. Segundo o delegado responsável, três já foram identificados no dia do incidente pelas imagens.

Vítima

O torcedor agredido, identificado como Jonatan José Gomes Souza da Silva, de 29 anos, chegou a ser levado ao hospital e foi liberado em seguida. Ele voltou para São Paulo no domingo. Segundo a Polícia Militar (PM), seis pessoas foram atendidas pelo Siate e levadas a hospitais da capital. Todas já receberam alta.

Confronto intencional

Segundo as autoridades, o confronto entre as torcidas foi intencional. Ele teria acontecido porque três ônibus e uma van que transportavam torcedores do Corinthians não se cadastraram no esquema de segurança, chegaram mais cedo e não tiveram escolta policial para se aproximar do estádio.

Eles teriam desembarcado os torcedores nas proximidades da sede da Império Alviverde, onde as torcidas rivais se encontraram e o confronto teve início.

Veja as imagens da briga:

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Brigas recorrentes

A briga reacendeu a discussão sobre a punição aos torcedores que se envolvem em confrontos. O sociólogo Mauricio Murad, professor da Universidade Salgado de Oliveira, no Rio de Janeiro, é um dos principais especialistas no país sobre violência no futebol.

Para ele, episódios como o de domingo são reflexo do aumento da violência no Brasil e também da impunidade. “Nos três últimos anos – 2014, 2015 e 2016 – somente 3% de todos os crimes que ocorreram no universo do futebol – depredação, agressão, mutilação, racismo, mortes – foram punidos até as últimas consequências”.

 

Mauricio Murad ainda comentou sobre a nota publicada pela torcida Império Alviverde, citando defesa de domínios e de que para toda ação existe uma reação. “Se a torcida do Corinthians passou ali para provocar, isso é uma coisa grave e eles deveriam chamar a autoridade policial para enquadrar, nos termos da lei, a torcida do Corinthians. Eles não podem agredir alegando território. Isso é absolutamente ilegal”, disse.

Toda punição no caso da briga de domingo vai ficar na esfera penal. O procurador-geral do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná, Gilson Goulart Junior, esclarece que a Justiça Desportiva não tem competência de analisar a ocorrência no entorno do Couto Pereira. “Esse é um problema, na realidade, da polícia, que tem que resolver isso, eventualmente localizar os infratores e buscar a punição na Justiça comum. A Justiça Desportiva se preocupa com os eventos dentro da praça esportiva”, explica.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal