Um duro golpe na Operação Lava Jato

Redação


 

A decisão do ministro Dias Tofolli de suspender a prisão do ex-ministro Paulo Bernardo, acusado de desvios de R$ 100 milhões em esquema com créditos consignados para servidores públicos federais, acabou jogando um balde de água fria na Operação Lava Jato, pelo menos do ponto de vista do observatório da sociedade. Não há dúvidas de que Bernardo voltará à prisão, mas fica, também, a dúvida de que o Supremo Tribunal Federal (STF) parece não está disposto ou interessado em punir com o rigor da lei políticos que sangraram os cofres da União e lesaram o povo brasileiro.

 

Nos 59 inquéritos, envolvendo 134 investigados, até agora enviados pela Operação Lava Jato ao Supremo Tribunal Federal, nenhum caso foi levado a julgamento e, portanto, ninguém foi condenado. Nem há previsão para que isso aconteça tão cedo, observa, com propriedade, o jornalista Ricardo Kotscho.

 

Entre os políticos, o único que já se tornou réu é o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha. Na quarta-feira, por unanimidade, os onze ministros do STF acataram nova denúncia feita pela Procuradoria Geral da República. Cunha é acusado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica para fins eleitores, mas continua circulando livremente, dá entrevista coletiva transmitida pela TV Câmara e ninguém sabe quando seu processo entrará na pauta para ser finalmente julgado.

É bem provável que antes disso o deputado seja cassado pelo plenário da Câmara por ter mentido na CPI da Petrobras, perdendo assim o foro privilegiado, e seu caso seja enviado para a primeira instância, em Curitiba, onde o juiz Sergio Moro já julgou e condenou 105 réus da Lava Jato.

Dois anos e três meses após o início das investigações da Operação Lava Jato, fica cada vez mais evidente o contraste entre a celeridade dos julgamentos que levam a condenações em massa, em Curitiba, e a lentidão dos processos envolvendo réus com direito a foro privilegiado, em Brasília. Entre a primeira e a última instância da Justiça, balança o destino de Eduardo Cunha e surgem as inevitáveis perguntas de Kotscho:

* Quando é que o STF vai colocar em pauta o julgamento do primeiro político investigado na Lava Jato?

* Será que não é hora de acabar com o foro privilegiado dos políticos, já que o STF não dá conta da clientela?

 

 

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