Um parlamento infestado de corruptos falando em nome de uma sociedade prestes a jogar a toalha

Redação


Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Está faltando muito pouco para que a população brasileira jogue a toalha. Mesmo depois de sair às ruas pedindo pelo fim da corrupção e moralidade no Congresso Nacional, os brasileiros estão convivendo com cenas de terror, protagonizadas por políticos nomeados no governo Michel Temer. Não bastasse ter que, literalmente, engolir o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, envolvido em escândalos de desvios de dinheiro público, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, igualmente denunciado na Operação Lava Jato, nos deparamos com Romero Jucá, cuja lambança o obrigou a pedir exoneração do Ministério do Planejamento.

Agora, mais uma surpresa: o ministro Fabiano Silveira, pasmem, responsável pela pasta de combate à corrupção no governo federal foi gravado pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado em conversas na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na qual faz críticas à Operação Lava Jato e sugere estratégias de defesa a investigados por suposto envolvimento no esquema de desvios na Petrobrás.

Silveira é funcionário de carreira do Senado e chegou ao órgão do Judiciário pelas mãos de Renan Calheiros. A pasta que Silveira ocupa no governo Temer substituiu a Controladoria-Geral da União (CGU) e será responsável pelo novo marco legal para acordos de leniência do governo com empresas envolvidas em esquemas de corrupção, como as empreiteiras investigadas pela Lava Jato. E tem mais sujeira embaixo do tapete.

O mais triste de tudo isso e que a população também tem que engolir é que, no final dos telejornais de notícias, há sempre os chavões: fulano de tal desmente envolvimento; o Instituto Lula desmente a acusação; o advogado de fulano de tal afirma que tudo isso não passa de mentiras ou ilações e assim por diante. Assim como Dilma Rousseff teve dificuldades para governar com um parlamento infestado de corruptos, o presidente em exercício, Michel Temer também terá.

Conversei com algumas pessoas, de várias classes sociais, e pude observar que, embora há um naco de otimismo há, também, uma desolação em relação ao Congresso Nacional. Para essas pessoas, somente a força tarefa poderá dizer se tudo isso vai terminar em pizza ou não. Está, sim, depositado no juiz Sérgio Moro, a esperança de um país melhor.

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