Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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A presidente do PT e o desenho que ela não viu

  Ao ver, pela mídia, que a deputada federal paranaense, Gleisi Hoffmann, mandou um recado ao president..

Pedro Ribeiro - 05 de janeiro de 2019, 18:41

CURITIBA, PR, 17.04.2018 – LULA-SENADORES: Coletiva dos Senadores que foram visitar o ex-presidente Lula, na superintendência da Polícia Federal de Curitiba, onde o ex-presidente está preso há 10 dias por conta de sua condenação no caso triplex do Guarujá na Operação Lava Jato. Na  foto os senadores: Ângela Portela (PDT-RR), Fátima Bezerra (PT-RN), Gleisi Hoffmann, Humberto Costa (PT-PE), João Capiberibe (PSB-AP), José Pimentel (PT-CE), Lídice da Mata (PSB-BA), Lindbergh Farias, Paulo Paim (PT-RS), Paulo Rocha (PT-PA), Regina Sousa, Telmário Mota (PTB-RR) e Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM). (Foto: Ana Pozzi/Photo Press/Folhapress)
CURITIBA, PR, 17.04.2018 – LULA-SENADORES: Coletiva dos Senadores que foram visitar o ex-presidente Lula, na superintendência da Polícia Federal de Curitiba, onde o ex-presidente está preso há 10 dias por conta de sua condenação no caso triplex do Guarujá na Operação Lava Jato. Na foto os senadores: Ângela Portela (PDT-RR), Fátima Bezerra (PT-RN), Gleisi Hoffmann, Humberto Costa (PT-PE), João Capiberibe (PSB-AP), José Pimentel (PT-CE), Lídice da Mata (PSB-BA), Lindbergh Farias, Paulo Paim (PT-RS), Paulo Rocha (PT-PA), Regina Sousa, Telmário Mota (PTB-RR) e Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM). (Foto: Ana Pozzi/Photo Press/Folhapress)

 

 

Ao ver, pela mídia, que a deputada federal paranaense, Gleisi Hoffmann, mandou um recado ao presidente Jair Bolsonaro – como se ela fosse a mais destacada e importante das parlamentares – que reagirá contra todas as ações do governo no Congresso Nacional, não pude deixar de registrar, também, sua curiosidade em relação à conversa entre o presidente e um general.

Gleisi Hoffmann anda encafifada com a declaração que o presidente eleito fez ao homenagear o comandante  do Exército, general de Exército Eduardo Dias Villas Boas. Quer saber qual foi o teor da conversa que o presidente empossado, Jair Bolsonaro, disse ter mantido com o general e que “morreria com eles”,  quando também agradeceu dizendo  que foi causa dele que agora ocupa o mais alto cargo da nação.

Há um provérbio chinês que diz; “cuide bem das tuas palavras para que elas sejam melhores que o teu silêncio”. No caso do presidente empossado e do comandante do Exército, fragilizado por grave doença, o silêncio de ambos sobre o teor da conversa poderia ser apenas um segredo se a presidente do PT tivesse inteligência mais aguçada e além daquilo que apenas interpreta com verbalização de palavras.

Mas seguramente não é pela sua impulsão de militância ou por eventual desconexão cognitiva que a presidente do PT faz a provocação para saber o que foi conversado. A provocação que ela faz é para que seja explicitado o que é de sentimento implícito de grande parcela da população sobre verdadeiros fatos  acontecidos  no ano que findou, a julgar pelos movimentos que incendiaram a politica nacional.

Ainda que se admita eventual ignorância sobre determinada atualidade, o que é improvável, a presidente do PT não tem culpa de não saber o que se passou, o que aconteceu e que não foi dito, porque o silêncio do provérbio chinês se impôs sabia e cautelosamente. Ela poderia ter sido auxiliada pelos veículos de comunicação assim que fechou o ano, mas também na grande imprensa os verdadeiros fatos que poderiam ter mudado a face da nação parecem ter passado em branco.

Pode ter escapado á minha leitura ou aos meus olhos, mas nenhum veiculo de comunicação do País fechou suas edições dedicadas a retrospectivas do ano de 2018 abordando o que de mais expressivo pode ter de fato  acontecido no país.

Não seria suspeita desprovida que em vários momentos os sinais emitidos apontavam para a ameaça de um retrocesso institucional do País, e se a presidente do PT não se recorda, não custa lembrar a ela mensagem pelo twitter que o então comandante do Exército disparou em abril, dizendo que as Forças Armadas estavam alertas para que não houvesse impunidade. Era véspera do julgamento de recurso para impedir a prisão do ex-presidente Lula, contestando  a prisão decretada em segunda instância da Justiça.

Em julho do mesmo ano – se a presidente do PT também não se recorda – foi a vez da ministra e então presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmem Lucia fazer declaração enigmática, de que “ se o brasileiro soubesse tudo o que eu sei, seria difícil dormir”.

Mas ela não disse.

Nem precisava.

Fato é que o próprio STF parece ter mudando de postura desde então, postergou a análise do julgamento de condenação de segunda instância para abril deste ano. Sobrevieram decisões solitárias, como do desembargador Rogério Favreto, do TRF, em plantão de final de semana, também em julho, três meses após o twitaço do general. Para encurtar, a criminosa e covarde facada que Bolsonaro recebeu em Juiz de fora, sobre a qual paira ainda uma sombra sobre verdadeiros mandantes.

Não é preciso ser vidente para saber, mesmo em tardia retrospectiva, o que se passou no país e o que pode ter sido a conversa do presidente com o general.

O silêncio do presidente e do comandante do Exército é como aquele provérbio chinês, melhores que as palavras.

Ou será que a presidente do PT precisa que alguém desenhe para ela?