Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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A ex-presidente Dilma não vai pagar essa conta

Não deixa de ser curioso e muito estranho que a ex-presidente Dilma Roussef e o presidente da Petrobrás na época ..

Pedro Ribeiro - 01 de fevereiro de 2019, 17:50

Foto: Fernando Donasci
Foto: Fernando Donasci

Não deixa de ser curioso e muito estranho que a ex-presidente Dilma Roussef e o presidente da Petrobrás na época de seu governo, Sérgio Gabrielli, gozem de plena liberdade e não sejam responsabilizados, indiciados e intimados a prestar depoimentos sobre um dos maiores escândalos na história brasileira de exploração de Petróleo. São eles os dois principais símbolos de um dos maiores deboches oficiais já praticados contra o povo brasileiro e ponto alto do descaso com que sempre trataram dos interesses do País enquanto dominavam o poder.

Nesta semana, a Petrobrás vendeu a Refinaria de Pasadena pela bagatela de US$ 500 milhões, diante da cifra de US$ 1,15 bilhão que pagou por ela, num escandaloso rombo de US$ 650 milhões aos cofres da estatal. E os petistas ainda tem a ousadia em dizer que houve golpe em tirá-la da presidência da República,  e fecham os olhos para esse golpe que deve ter enriquecido muita gente.

O que estranha em tudo isso é que a Lava Jato ainda não tenha alcançado os cangotes de Dilma e do então ex-presidente da Petrobrás, para que expliquem essa vergonhosa compra de uma refinaria, instalada na Califórnia, cujos equipamentos em grande maioria já estavam obsoletos, segundo avaliação de técnicos.

Que dificuldade encontra a operação Lava Jato diante de um rombo e de uma negociação fraudulenta escancarada como esta, além do que já foi surrupiado à mão grande de dentro dos cofres da Petrobras? Porque a ex-presidente não prestou ainda depoimento e se explicou, junto com seu subalterno, ela que presidia o Conselho de Administração da Petrobrás. Isso sem contar com o dinheiro que a Petrobrás deve ter investido para manter os equipamentos e as instalações da refinaria, mesmo ela não operando. Considerando isso, o valor real do rombo  torna o caso ainda mais escandaloso.

A operação Lava jato já recuperou para os cofres da Petrobrás, desde que iniciou suas operações ha quase cinco anos, a quantia nada modesta de R$ 2,5 bilhões, segundo cifra estimada pelos procuradores do Ministério Público Federal de Curitiba. Dinheiro recuperado com as delações premiadas que os pilantras e gatunos fecharam para amenizar as penas a que foram condenados, mas muita coisa ainda deve estar encoberta e o tempo vai revelar se estamos apenas ainda no início ou no meio desse novelo de escândalos a que o PT se acostumou a navegar.

Mas para uma turba de desmiolados e acometidos de síndrome de esquecimento e de uma devoção febril e irracional, sempre quando se trata da questão da Refinaria de Pasadena, há um argumento de que a ex-presidente era apenas presidente do conselho da estatal e nada sabia sobre questões técnicas. É o auto-engano conveniente e conivente, tudo em nome da ilusão de que esse bando de sindicalistas aliado a uma esquerda oportunista, estava desenvolvendo um projeto socialista para a nação brasileiro. E não o mais réles populismo sindical enquanto esvaziavam as burras do tesouro nacional.

Seguem como bezerros seduzidos pelo talento de quem tocava o berrante até pouco tempo atrás e que agora está confinado e tocando desafinado dentro de uma cela da Polícia Federal em Curitiba. Mas, para os ouvidos dessa turba, o que importa a eventual descoberta de que, na verdade, a desafinação era o que sempre ouviram porque nunca tiveram a capacidade de distinguir o som de uma nota musical?  E assim continuam.

Mas quem vai pagar a conta desse rombo?