Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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A política apodreceu, desapareceram as lideranças e os novos ainda não se posicionaram

A vida política brasileira apodreceu de tal forma que lançou pela caixa de descarga todas as lideranças que antes conhec..

Pedro Ribeiro - 12 de fevereiro de 2019, 16:25

A vida política brasileira apodreceu de tal forma que lançou pela caixa de descarga todas as lideranças que antes conhecíamos, esfacelou as representações que haviam e deixou o país tateando por um novo rumo. Estamos vivendo uma fase profunda de transição na concepção e no conceito político, uma época de formação de novas lideranças que estão para surgir mas que ainda não deram as caras.

O País está doente e carente de estadistas e não é por culpa do governo do presidente Jair Bolsonaro, ele é apenas reflexo, diagnóstico de comprovação dessa fase em que estamos. Nunca na nossa História estivemos tão órfãos, com angustiante expectativa do que virá pela frente, confiantes sem termos certeza, amedrontados na aposta do que nos resta de esperança, com um entusiasmo mas cheio de involuntárias dúvidas.

O país passa por profundas modificações com decisões que estão para serem tomadas e que podem alterar o modo em que vivemos e não se vê e nem se ouve uma única voz do que acreditávamos serem lideranças políticas. Elas já não se aventuram a dar opiniões ou se manifestarem a respeito. Apodreceram junto, sumiram, se esconderam, já não tem mais o que dizer, acuadas em seus fracassos e desilusões, já pouco servem como referência na formação de uma parcela que seja de opinião pública a respeito desses novos tempos.

Mesmo lideranças que se apresentavam como o novo no cenário político estão mudas, pouco aparecem, quando se manifestam é timidamente e o País continua nesse enredo confuso e desordenado. Vamos precisar de algumas décadas, talvez, para nos depararmos com políticos com formação, com lideranças genuínas e perfis de estadistas, que nos façam acreditar na possibilidade de haver um projeto nacional, uma percepção visionária de futuro que seja capaz de despertar nosso ânimo e entusiasmo.

O governo do presidente Jair Bolsonaro, goste-se dele ou não, parece ter se transformado na única luz que brilha nesse cenário de escuridão da política brasileira, todas as outras se apagaram, se esconderam. A única representação política que se manifesta, de forma pobre, caricata, em meio aos destroços do que dela sobrou é o PT com seu acervo de desgraças em que mergulhou o País. E que fez gerações e gerações se desgostarem e se desiludirem da ideologia romântica de um socialismo, comprovadamente inexequível, utópico.

O debate do novo País se dá por especialistas em áreas fragmentadas, gente que conhece determinado assunto, como o da própria Previdência Social que está para ser apresentada em novo projeto, mas é só. Não permeia mais a esfera de lideranças políticas que pudessem ter uma visão abrangente de estadista, de um projeto nacional, como se acreditava e que acabou se revelando não existirem, deixando o País nu em frente ao seu próprio espelho.

Até mesmo o radicalismo estimulado pelo engodo de um projeto socialista que alimentou o populismo sindical durante os anos de poder do PT, parecer aos poucos compartilhar com a percepção dessa terra arrasada que restou no território brasileiro. A ponto de retroceder, como fez a Central Única dos Trabalhadores, ao procurar o general Hamilton Mourão em sua interinidade como presidente da República para expor suas preocupações legítimas em relação à reforma da Previdência. Ainda que tenha errado o foco e não procurado obter audiência para tratar do assunto com o presidente Jair Bolsonaro, cujo governo havia dito que não reconheceria.

Chegamos a um ponto de apodrecimento do mundo político nacional em que o governo do presidente Jair Bolsonaro forçosamente, e também com apoio de seus eleitores, se transformou no depositário das esperanças do povo brasileiro, na possibilidade de existência de um País que não esteja sob ameaça de desintegração. A um ponto em que ele, cada vez mais, também por força dessa degradação e desintegração, se torne a ponte segura de uma transição para um futuro melhor. Com a torcida de todos para que seu governo dê certo e possibilite o surgimento de um novo País, com novas lideranças.

Lideranças verdadeiras e que não sejam depois também despejadas pela descarga  abaixo  junto com outros dejetos.

O Brasil já não pode mais perder seu tempo!