Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Bebianno, o malandro que se atrapalhou com a malandragem

O vereador carioca e filho do presidente talvez nem imaginasse a crise que fosse criar ao governo do pai, mas esse minis..

Pedro Ribeiro - 21 de fevereiro de 2019, 10:17

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, chega ao ministerio da Justiça e Segurança Pública, para reunião com o ministro, Sergio Moro. Valter Campanato/Agência Brasil
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, chega ao ministerio da Justiça e Segurança Pública, para reunião com o ministro, Sergio Moro. Valter Campanato/Agência Brasil

O vereador carioca e filho do presidente talvez nem imaginasse a crise que fosse criar ao governo do pai, mas esse ministro afastado Gustavo Bebianno parece o tipo que se acha mais esperto que os outros, malandro que se atrapalha no meio de tanta malandragem. Deu com os burros na água, apesar de Carlos, o filho recruta 02, ter metido o bedelho onde teoricamente não deveria, e de não ter consciência do tamanho de sua cadeira, para plagiar o puxão de orelha dado pelo vice-presidente, general Hamilton Mourão, num recado para toda a prole do presidente.

Os áudios vazados para a Revista Veja, por iniciativa do ex-ministro desafeto, soou como tiro pela culatra, demonstrou apenas que o espírito do malandro estava incorporado na investidura do cargo, com aquela linguagem malemolengue de capitão daqui, capitão dali, de quem vai se enredando com fala mansa. Serviram apenas para demonstrar que o presidente Jair Bolsonaro já andava com implicância com o sujeito e com forte e plausível desconfiança que ele agia como quinta coluna, dissimulado, vazando informações para a imprensa do que ocorria no âmbito do governo.

Analisando pelo histórico do ex-ministro, que usou de todos os artifícios para se aproximar do presidente dois anos antes, sem sequer conhece-lo, já dá uma certa demonstração desconfiada de oportunismo, com objetivos que talvez somente ele soubesse. Como diria o poeta paraibano, Zé Limeira : “ Chulé não é defeito, é da pessoa!. Parece que o deboche do poeta paraibano também se enquadra nesta cena toda de sobressaltos que tomou conta da rusga entre o ex-ministro e o presidente.

Se ele pretendia, com o vazamento posterior dos áudios, dizer que o presidente mentiu ao negar que tivesse conversado com ele por três ou mais vezes em dias anteriores, esse fato foi subjugado por uma evidência bem maior. Bolsonaro de fato desconhecia e não teve qualquer envolvimento com o esquema ilícito de uso de laranjas pelo PSL para fornir os cofres ou os bolsos de seus veteranos dirigentes, como o do pernambucano Bivar.

O presidente pressentiu que o malandro queria repartir o ônus, com uma cumplicidade involuntária no episódio que agora está sendo investigado, até que surgiu o filho vereador do Rio e mandou o torpedo, chamando-o de mentiroso. E deu no que deu.

O importante é que daqui para a frente, a prole do presidente se acalme, ache as cadeiras que sirvam aos tamanhos de seus quadris, como observou o vice-presidente, e não criem mais confusão que podem comprometer as reformas necessárias ao País. Se perceberem que há entre os membros da equipe do pai, muitos malandros cheios de esperteza, é só monitorar porque eles se atrapalham sozinhos. Ou então ficar em estado de sempre alerta, como fazem os escoteiros, porque o pai está cercado de generais que passaram desse estágio e com eles o buraco é mais embaixo.

É o que todos esperamos porque, embaixo do buraco, estamos nós!