Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Bolsonaro diz que come o pão que o diabo amassou

 O presidente Jair Bolsonaro está mudando o tom da conversa e visivelmente apelando para o sentimentalismo. ..

Pedro Ribeiro - 31 de maio de 2019, 18:18

Foto: Marcos Corrêa/PR
Foto: Marcos Corrêa/PR

 

O presidente Jair Bolsonaro está mudando o tom da conversa e visivelmente apelando para o sentimentalismo. “Estou comendo o pão que o diabo amassou”, disse em almoço com caminhoneiros em um restaurante à beira da Estrada, próximo a Anápolis (GO).

“Eu estou comendo o pão que o diabo amassou. Não loteamos ministérios, bancos oficiais e estatais. (...) Só muda se alguém cassar o meu mandato”, afirmou, insinuando que falta boa vontade em Brasília.

Segundo informações do Estadão, Bolsonaro chegou ao restaurante ‘Presidente - Posto e Churrascaria’ por volta de 12h30. Rodeado por cerca de 30 caminhoneiros, Bolsonaro incentivou o grupo a dar entrada no pedido de porte de arma de fogo, se comprometeu a acabar com os radares móveis - “para dar uma folga para o policial rodoviário” - e disse que pretende aumentar a validade da carteira de motorista para dez anos e passar o limite de pontos para 40. Na maior parte do almoço, Bolsonaro ficou em silêncio comendo rodízio de carne. A maioria das perguntas feitas pelos caminhoneiros foi respondida pelo ministro da Infraestrutura.

Ao entrar no tema “porte de arma de fogo”, Bolsonaro perguntou para um grupo de caminhoneiros que estava sentado à sua frente na mesa quantos eram favoráveis à medida. Três levantaram a mão em resposta ao presidente.  “No decreto, eu acabei com a comprovação da efetiva necessidade. Por enquanto, está um pouco caro ainda, mas vamos diminuir isso aí. Mas já abriu as portas, dá entrada... Tem um tempo de dois ou três meses para conceder o porte. Eu coloquei lá como profissão de risco (caminhoneiros). Quanto mais arma, mais segurança. Se tiver arma de fogo, é para usar”, explicou.

O final do encontro, Bolsonaro disse que a conversa foi “bastante cordial”. “Eles têm seus problemas. Passam por nós muitos deles. E para muitos estamos buscando soluções e, para outros, buscaremos”, contou a jornalistas após o almoço. Questionado sobre os protestos contra o contingenciamento de verbas na educação realizados pelo País nesta quinta-feira, 30, disse: “Ah, vamos falar sobre caminhoneiros, vai…” (Estadão).