Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Chineses mostram a deputados brasileiros como os gatos caçam os ratos

         Não importa cor do gato desde que ele cace o ratos.A frase do líder reformista Deng Xiao-Ping, que ..

Pedro Ribeiro - 20 de janeiro de 2019, 11:03

 

        Não importa cor do gato desde que ele cace o ratos.

A frase do líder reformista Deng Xiao-Ping, que iniciou a abertura econômica da China na década 70, está definitivamente incorporada pela sua diplomacia. Com o pragmatismo tem caracterizado suas lideranças, o país asiático, hoje transformado em uma das grandes potencias econômicas em expansão do planeta, não perde tempo. Mal o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro foi empossado no posto, logo  trataram de levar  deputados eleitos pelo  PSL para uma visita à China.

Quase não se houve dos chineses a lenga-lenga do proselitismo político-ideológico que tem caracterizado outras potencias rivais, como o próprio Estados Unidos que não se cansa de falar em defesa de direitos humanos e liberdades democráticas como forma de mascarar seus interesses geopolíticos do mundo. Os chineses exercem o poder em  países sob  área  de influência de forma objetiva, sem perda tempo em converter outros ao seu sistema de governo. Na realidade, a China há tempos abandonou o comunismo e se transformou em  capitalismo de estado comandado por firme ditadura e continua a manter controle sobre parte da Ásia. Mas conquistam o mundo de outra forma.

O convite feito aos parlamentares da base do governo do presidente empossado revela a estratégia colocada em prática, sem perda de tempo, de neutralizar ou dificultar o alinhamento automático que o novo governo sinaliza com os Estados Unidos. E também mostrar aos deputados de sua base de apoio, a importância e a necessidade de se manter as relações comerciais entre os dois países e eventualmente ampliar tratados de cooperação.

A China hoje é a principal parceira comercial do Brasil e não pretende perder esta posição, depende muito do fornecimento dos produtos brasileiros, notadamente das commodities como soja e minérios de ferro, entre outros. A previsão neste ano é de exportação de 77 bilhões de dólares dos 232 bilhões previstos nas vendas externas.

O Brasil é importante para a China, mas a China, neste momento de recessão profunda que passamos, é mais relevante ainda, e esta constatação não deve ter sido omitida na visita dos parlamentares ao país. A visita gerou mal estar, críticas do guru do bolsonarismo, o filósofo Olavo de Carvalho, a quem parece que muitos lunáticos prestam reverência. Talvez porque os chineses não o procuraram, por inferirem que seria inútil.

Os chineses ensinaram seus gatos a  não perderem tempo.