Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Governo confuso e a torcida para sair do atoleiro

 Convenhamos, nunca houve início de governo tão confuso como este de Jair Bolsonaro, em que pese toda a torc..

Pedro Ribeiro - 15 de janeiro de 2019, 11:13

Brasília - Deputado Jair Bolsonaro discursa durante sessão para eleição do presidente da Câmara dos Deputados e demais membros da mesa diretora (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Brasília - Deputado Jair Bolsonaro discursa durante sessão para eleição do presidente da Câmara dos Deputados e demais membros da mesa diretora (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

 

Convenhamos, nunca houve início de governo tão confuso como este de Jair Bolsonaro, em que pese toda a torcida de sociedade e de seus eleitores, agora com ele presidente, para que acerte o rumo e tire o País desse atoleiro que o sindicalismo populista e irresponsável nos meteu.

Não adianta as pessoas solidárias reclamarem de críticas, mas a realidade é quie está um governo confuso, de fluxo e refluxo, de decisões que se toma e que depois se volta atrás, de trapalhadas atrás da outra, parece que não conseguem sair do trabalho de parto.

Nem mesmo na transição do governo militar para a democracia, do trágico governo Sarney que se seguiu, até desembocar no primeiro impeachment da República e apear do cargo o canastrão caçador de marajá, Fernando Collor de Melo, houve tantas trapalhadas. Até na sucessão da nossa inacreditável e inaudível enciclopedista, Dilma Roussef, em outro impedimento, na fase em que o vice, Temer, assumiu o posto.

O mais estranho disso tudo é que as principais confusões na área administrativa são geradas por ministros que teoricamente, pela experiência parlamentar, no caso de alguns, e do ambiente de Brasília, no caso de outros, poderiam ser evitadas.

O ministro Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, por exemplo, ex-deputado de vários mandatos, surpreende com seu modo atabalhoado. Demitiu todos os funcionários em cargos em comissão da Casa Civil, em uma política de “despetizaçao”, teve que reconsiderar algumas demissões porque não havia sobrado ninguém para fazer atos de exoneração e nomeação a serem publicadas em Diário Oficial.

O próprio vice-presidente, general Hamilton Mourão, acha que ele deveria ser mais “carinhoso” em seus atos, mais cauteloso em outras palavras, porque não se desmonta do dia para a noite uma burocracia ideológica formada em 16 anos de comendo do poder pelo PT. O que surpreende, com as devidas ressalvas, como é o caso do general Mourão dizer que nada tem a ver com a nomeação do filho para cargo com alto salário no Banco do Brasil, é que são justamente os militares, até o momento, que se demonstram mais sintonizados e prudentes na esfera administrativa do governo Bolsonaro.

O próprio presidente deveria usar luvas permanentes, sem divisão de dedos, para se conter em sua impulsão de usar o Twitter toda hora. Junto com declarações intempestivas, ele tem apenas criado mais desgastes, parece que não percebeu que a campanha eleitoral terminou.

A mais recente volta atrás é que agora o novo governo decidiu participar do Acordo de Paris, que antes havia anunciado estar se retirando. Voltou atrás também na destrambelhada intensão de “enquadrar” a China, a maior consumidora de produtos brasileiros, responsável por 80 bilhões de dólares dos 239 bilhões das nossas exportações.

Foram os militares que demoveram presidente de ceder área em Alcântara (MA) para a instalação de uma base militar americana no país. Foram eles que avalizaram o acordo da Boeing com a Embraer. Atribui-se a eles também a criação de um conselho de ministros agora para a discussão de assuntos internacionais, uma maneira e controlar e não deixar que o lunático ministro das Relações Exteriores, Eduardo Araújo, faça e fale mais besteiras. Estes e outros ministros do mesmo time, parece que não terão muito fôlego pela frente.

Isso tudo, só aumenta as dores do parto.

Mas não se faz reforma Ministerial em governo recém montado.

E, se há uma coisa a que militares não gostam e não tem vocação, é a de exercer serviços de parteiras.

Não dará seis meses e teremos reforma nesse Ministério.

Alguém duvida?