Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Ministro acusado de advogar para o PCC e o medo da barbárie

 Hoje, terça-feira, recebi, pela manhã, uma ligação na redação do Paraná Portal de uma senhora que, pela con..

Pedro Ribeiro - 17 de janeiro de 2017, 09:26

 

Hoje, terça-feira, recebi, pela manhã, uma ligação na redação do Paraná Portal de uma senhora que, pela conversa, me pareceu articulada do ponto de vista da situação social e política do país. Me perguntou sobre como nós, jornalistas, estávamos avaliando a complexidade do problema penitenciário e do tráfico de drogas, porque, segundo ela, seus filhos, uma menina e um menino, adolescentes – 14 e 16 anos – estão com medo até mesmo de sair de casa. Respondi que, nós, como jornalistas, temos como obrigação o de relatar os fatos que vem acontecendo embora também tenhamos a obrigação de analisar emblemático problema que, realmente, assusta.

Como disse ontem, aqui, neste espaço, a população continua, assustada, chocada e com medo de fugas da bandidagem que dominaram todo o sistema penitenciário aos olhos das nossas autoridades do setor. Em Piraquara, por exemplo, houve até um recado, em forma de bilhete, enviado à direção e aos agentes do complexo, alertando de que haveria uma fuga e que a artilharia seria pesada. Oras bolas, não deram bolas ao aviso e a ameaça foi confirmada.

Neste circo de horrores, o que mais nos chama a atenção é a falta de critérios, por exemplo, para a escolha de um ministro para comandar a questão da Justiça e Cidadania em nosso país. Vejam bem: no site do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ainda consta que o atual ministro da Justiça, Alexandre Moraes, continua advogando, com várias ações que tramitam na área civil, o que é totalmente contra as normas da legislação do Executivo brasileiro. Advogados do ministro negam.

Pois bem. Segundo reportagem do jornal O Estadão, em 2015, o nome do ministro apareceu como suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital, o famigerado PPC, como defensor de uma ação de cooperativa de vans que atuava em São Paulo e que viria a ser comandada pela bandidagem. À época, o ministro conseguiu uma liminar na justiça paulista que obrigou as plataformas do Google e do Facebook a excluírem toda e qualquer publicação que o apontava como advogado do PCC. Seus advogados também contestam.

Diante desse quadro, voltamos à pergunta da leitora do Paraná Portal. Como a sociedade pode absorver tamanha aberração como esta? Um ministro da Justiça que, supostamente, defendeu a maior organização criminal do País que controla o sistema penitenciário e de onde comandam ações criminosas em todo o país e ainda avisam, através de porta-vozes, que possuem dinheiro, aramamento e que vão, literalmente, incendiar a nação.

Entram em cena, numa disputada armada e travada com requintes de selvageria. Foi o que assistimos, eu, você, a leitora e seus filhos, aos recentes episódios que aconteceram no Rio Grande do Norte, em Natal, Roraima e aqui no Paraná. O de Manaus, no ria primeiro de janeiro, quando presos di grupo Família do Norte (FDN), aliado ao Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, matou 60 presos do PCC de São Paulo, e o de Boa Vista, cinco dias depois, quando o PCC se vingou com a matança de 33 presos. A briguinha continuou na Penitenciária do Rio Grande do Norte.

Cara leitora: é muito provável que essa guerra de bárbaros continue e que também continuaremos a ouvir dos nossos governantes, que a “situação está sob controle”. Uma ova. Depois do que aconteceu em Piraquara, é melhor que a população fique preparada para o pior, porque eu, como jornalista e cidadão, não vejo luz no fim do túnel, embora ainda acredite que haverão homens de boa vontade no comando da Nação que colocarão um basta nisso e que governo federal não fique jogando aos governos dos estados a responsabilidade. É preciso agir.

 

 

 pedro.ribeiro