Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Ministro Sérgio Moro já não tem tanta certeza e sente cheiro de enxofre

 O bravo e destemido ministro Sérgio Moro demorou menos de dois meses para descobrir que a verdade tem dois ..

Pedro Ribeiro - 22 de fevereiro de 2019, 09:51

CURITIBA, PR, 05.11.2018 - O juiz federal Sérgio Moro, indicado como ministro da Justiça pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) participa de palestra de abertura da conferência Smart Energy e GreenBuilding Brasil que reúne a 5º Smart Energy Ciei &#038 Expo e a 9º Greenbuilding Brasil Conferência Internacional &#038 Expo e o Fórum de Eficiência Energética da Ashrae. A palestra tem como tema “O Brasil que queremos”, realizada no auditório da FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), em Curitiba (PR). (Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress)
CURITIBA, PR, 05.11.2018 - O juiz federal Sérgio Moro, indicado como ministro da Justiça pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) participa de palestra de abertura da conferência Smart Energy e GreenBuilding Brasil que reúne a 5º Smart Energy Ciei &#038 Expo e a 9º Greenbuilding Brasil Conferência Internacional &#038 Expo e o Fórum de Eficiência Energética da Ashrae. A palestra tem como tema “O Brasil que queremos”, realizada no auditório da FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), em Curitiba (PR). (Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress)

 

O bravo e destemido ministro Sérgio Moro demorou menos de dois meses para descobrir que a verdade tem dois ou mais lados, depende de quem a olha, quem a interpreta. Já não é mais a verdade absoluta da caneta e da decisão solitária de um juiz que estava acostumado a lavrar suas sentenças pelo arbítrio muito próprio da interpretação das letras frias das leis.

Moro descobriu que na política a verdade é relativa, tem várias faces e que mesmo ele sendo agora ministro da Justiça e da Segurança Pública, teoricamente com mais poderes que um juiz, sua decisão solitária já não tem a mesma importância que antes. O presente, na investidura do novo cargo, está lhe trazendo o ônus do comportamento anteriormente autocrático e determinado.

Como juiz, ele considerava o caixa dois de campanhas eleitorais um grave crime que, embora inconfessáveis pelos que não foram apanhados nas teias das leis, pode-se dizer que é pratica comum e corriqueira de todos os que dispõe hoje de um mandato parlamentar ou de cargo executivo.

Agora, suas decisões como ministro tem que passar pela aprovação dessa mesma turma, useira e vezeira desse artifício, o que o fez recuar e deixar de reconhecer o caixa dois como um dos crimes que antes estava incluído no pacote apresentado por ele para a aprovação do Congresso Nacional.

Talvez o ex-juiz tenha pensado que a investidura do cargo de ministro o manteria equidistante do cheiro de enxofre e das lamas dos pântanos e que sua vida continuaria sendo uma confraria como antes, com seus ex-pares reunidos para uma roda singela de cafezinho e troca de amenidades. Não parece que ele fosse ingênuo o suficiente para considerar que o novo cargo lhe permitiria descontrações como as reuniões para as rodadas de chás às 5 horas da tarde alegre, respeitoso e contrito, com saudável companhia de freiras em algum convento dessas dezenas de congregações religiosas espalhadas pelo País.

A confraria com a qual o ex-juiz Sérgio Moro tem que se habituar, e ele parece ter percebido o ambiente em que se meteu, em nada se assemelha ao das congregações religiosas. Ainda que não se cometa exageros em dizer que ela está mais próxima à lupanares de beiras de estrada, com alegres e delinquentes convivas, também não se pode negar que é preciso tapar o nariz e segurar a respiração quando se transita por determinados escaninhos em convívio com vistosas ou obtusas figuras do mundo político.

Moro deve aprendido rápido a recomendação de Dante, na Divina Comédia, quando Virgilio se refere aos círculos do inferno e pede a quem o acompanha para tapar o nariz porque iam iniciar a descida.

Mas não se pode culpar o xerife Moro pelas mudanças de opiniões, ainda que nelas se reconheçam recuos. Somente os estúpidos é que não mudam de opiniões e não são capazes de rever seus conceitos, mesmo a contragosto. O pacote que enviou ao Congresso pode conter equívocos, mas certamente é o primeiro passo para sairmos do imobilismo e da inércia do Estado diante da criminalidade.

O Brasil precisa encontrar sua própria verdade, ainda que ela seja relativa. Moro deve ter entendido que é a verdade possível!