Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Morte anunciada: desabastecimento das famílias, paralisação nas indústria e risco para produção no campo

  A paralisação dos caminhoneiros que entra nesta quinta-feira no seu quarto dia, já ameaça desabasteci..

Pedro Ribeiro - 23 de maio de 2018, 20:30

 

 

A paralisação dos caminhoneiros que entra nesta quinta-feira no seu quarto dia, já ameaça desabastecimento das famílias, principalmente hortis, falta de combustíveis em postos de gasolina, freio na indústria e produção no campo, com a falta de ração para os criadores de gado e frango. E pode provocar caos no trânsito nas grandes cidades, além de afetar o transporte público.

Todo mundo sabia dessas consequências e ninguém teve coragem de dizer isso ao presidente da Petrobras, Pedro Parente, que insiste em manter a política de preços para os combustíveis. Até mesmo o presidente Michel Temer ficou silencioso e apenas pediu mais prazo para as lideranças do movimento que se espalhou por todo o país.

Nesta quarta-feira, o juiz federal Marcelo Rebello Pinheiro, do Distrito Federal, atendeu ao pedido da União e concedeu liminar para assegurar a imediata liberação do tráfego em seis rodovias federais: BR-040, BR-050, BR-060, BR-070, BR-080 e BR-251.

“Não se cuida, sob nenhuma perspectiva, de impedir o direito de manifestação daqueles que atualmente ocupam as rodovias, apenas necessária intervenção judicial para coibir o excesso nas condutas noticiadas, sobretudo no que se refere à obstrução total do tráfego de veículos nas regiões indicadas”, afirmou o juiz federal em sua decisão.

Marcelo Rebello Pinheiro também autorizou a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal a adotarem “medidas indispensáveis ao resguardo da ordem e, principalmente, para segurança das pessoas afetadas com o movimento paredista”, como pedestres, motoristas, passageiros e os próprios participantes do movimento.

Os caminhoneiros pedem que uma série de reivindicações apresentadas ao governo sejam atendidas. A principal é a redução da carga tributária sobre o diesel.  Os motoristas pedem a zeragem da alíquota de PIS/Pasep e Cofins e a isenção da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).Esses impostos representam quase a metade do valor do combustível na refinaria. O diesel representa 42% do custo do frete.

Nos últimos 12 meses, o preço do diesel na bomba subiu 15,9%. O valor  está bem acima da inflação acumulada em 12 meses, em 2,76%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O aumento é resultado da nova política de preços da Petrobrás, que repassa para os combustíveis a variação da cotação do petróleo no mercado internacional, para cima ou para baixo.

A Petrobrás diz que as revisões podem ou não refletir para o consumidor final - isso depende dos postos. Mas os donos de postos também apoiam a reivindicação dos caminhoneiros, pois dizem estar perdendo margens com os aumentos de preços.

A estatal sustenta que não é a responsável pela alta de preços ao consumidor e diz que o valor cobrado pela empresa corresponde a cerca de um terço dos preços praticados nas bombas. A maior parte do valor cobrado pelo consumidor final engloba principalmente tributos, estaduais e municipais, além da margem de lucro para distribuidoras e revendedores.