Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Não mexam com o “meu gordinho”

 A decisão do Comando do Exército de não punir o general e ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, foi, no m..

Pedro Ribeiro - 05 de junho de 2021, 10:08

Antonio Cruz/Agência Brasil
Antonio Cruz/Agência Brasil

 

A decisão do Comando do Exército de não punir o general e ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, foi, no mínimo. Desastrosa, pois o militar desafiou a hierarquia e a disciplina ao participar de ato político do presidente Jair Bolsonaro. Foi, ainda, jocosamente chamado de “meu gordinho” por um capitão hoje ocupando a Presidência da República.

Explicação do Exército em relação à não punição do general não teve sustentação diante de uma estrutura que, de certa forma, é a pilar da segurança e soberania do povo brasileiro. Foi mais uma decisão política a pedido de Bolsonaro que não mede consequências em promover ciladasd às Forças Armadas.

Segundo comenta o jornal O Estadão em editorial deste sábado, a “defesa” de Pazuello cumpriu apenas uma formalidade. Bolsonaro havia deixado claro que receberia como uma afronta à sua autoridade de comandante supremo das Forças Armadas qualquer punição a seu fidelíssimo “gordinho”.

Para esnobar ainda mais o Exército com sua “autoridade”, Bolsonaro deu um cargo especial ao “gordinho” no Palácio do Planalto. Ou mandou um recado: ele é meu e boi não lambe.

Ao se calar, o Exército se torna um partido para Bolsonaro, e ninguém garante que os militares doravante não se dividirão em facções incontroláveis. Se o Exército não se manifestar pela manutenção da ordem constitucional e, afinal, pela manutenção da paz civil, como espera a maioria da Nação e dos cidadãos responsáveis, as Forças Armadas deixarão de ser o Grande Mudo.

Bolsonaro criou uma crise praticamente insolúvel, qualquer que seja o resultado. Rompe-se o preceito lembrado pelo marechal Castello Branco às vésperas da eclosão do movimento de 31 de março de 1964: se a alguns oficiais é dado apoiar o presidente da República na pugna política, a outra facção terá o mesmo direito de criticar e repudiar o mesmo presidente.

Isso significa a quebra da ordem civil, o fim das instituições tal como as conhecemos desde 1988 (a rigor, desde 1985) e a ruptura do sentimento de irmandade dentro do País.