Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Ninguém aguenta mais o gigantismo do Estado, que só tira recursos da sociedade

 No Fórum do Estadão, realizado na segunda-feira (21), para debater a reforma política, três temas tomaram c..

Pedro Ribeiro - 23 de agosto de 2017, 09:14

 

No Fórum do Estadão, realizado na segunda-feira (21), para debater a reforma política, três temas tomaram conta dos debates: financiamento de campanhas, modelo eleitoral e sistema de governo. Para o relator, Vicente Cândido (PT), o resultado da reforma política, tal como está sendo conduzida neste momento, será mais um arremedo do que uma solução.

Cândido sabe que os eleitores querem que o Congresso resolva os problemas imediatos do País, e certamente os parlamentares, de olho nas urnas em 2018, estão cientes disso. “Não vai ser distritão, distritinho ou distrital puro que vai salvar o Congresso. Ou o Congresso se debruça sobre uma pauta da vida real das pessoas ou não serão esses modelos que salvarão esse Congresso”, disse.

Na análise do debate, o Estadão entendeu que é provável que as mudanças a serem aprovadas sirvam tão somente para satisfazer necessidades políticas e financeiras imediatas dos atuais partidos e de seus candidatos na eleição do ano que vem, em detrimento do que realmente importa para o País.

Mais uma vez, corre-se o risco de perder a oportunidade de discutir o estabelecimento de um modelo estável, que resgate o sentido de representação política dos eleitores, que reaproxime candidatos e cidadãos e que faça dos partidos sólidos porta-vozes de interesses ideológicos e políticos claramente reconhecíveis.

Como ficou claro no Fórum Estadão, observa o jornal em editorial, a premência maior hoje, do ponto de vista dos políticos e dos partidos, é como obter recursos para bancar a campanha do ano que vem. Vários dos debatedores presentes concordaram que muito dificilmente o fundo de financiamento em discussão na Câmara prosperará, porque “o povo vai ser contra”, como disse o petista Vicente Cândido.

Os senadores Ricardo Ferraço (PSDB-ES) e Lelo Coimbra (PMDB-ES) concordaram com o colega. O ministro Gilmar Mendes resumiu o problema sobre o “custeio da democracia” ao sugerir que, num eventual plebiscito sobre o tema, o eleitor rejeitaria tanto o fundo público como a volta do financiamento empresarial. “Então, como fica?”, perguntou o presidente do TSE.

Em face das previsíveis dificuldades para obter recursos públicos para as eleições – não apenas porque se trata de uma óbvia distorção da democracia, mas especialmente em razão da grave escassez de recursos do Estado –, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que “a maioria dos políticos entenderá que vivemos uma outra realidade”. Segundo declarou no Fórum Estadão, “ninguém aguenta mais o gigantismo do Estado, que só tira recursos da sociedade”. pedro.ribeiro