Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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No Brasil os cínicos e trapaceiros se protegem

  O Brasil continua mesmo sendo o paraíso dos cínicos, trapaceiros e maniqueísta, nada muda nestas lati..

Pedro Ribeiro - 31 de janeiro de 2019, 09:07

Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

 

 

O Brasil continua mesmo sendo o paraíso dos cínicos, trapaceiros e maniqueísta, nada muda nestas latitudes do traço do equador. É um país do faz de conta onde o jeitinho é determinante, a verdade é relativa, os indícios são escancarados mas pouco importam e as versões esfarrapadas valem mais que escandalosas evidências. É um país onde rufiões se protegem em criminosa confraria, sob qualquer pretexto ou mentira, quando o universo está sob ameaça, e pouco importa diferenças que existe entre seus membros. É institucional.

Querem exemplos?

Lula demonstrou frágil sentimento de dor fraterna com o falecimento de seu irmão Vavá, quando recusou aceitar liberdade temporária e vigiada em quartel para se encontrar com familiares e lamentar a perda, queria antes participar do enterro em condições e circunstâncias de um cidadão comum. Diante das restrições impostas pelo presidente do STF, o ex-petista Dias Tófoli, Lula recuou em estampado cinismo, enquanto sua turma gritava que o impedimento era ato de desumanidade. Quando pode ir, não foi! Mas quase deu certo!

Enquanto a segurança pública nacional tentava se mobilizar para caso Lula fosse a São Paulo, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann apagava de seu twitter convocatória para comício no cemitério num ato político que nada tem a ver com solidariedade família ou do próprio Lula.

No mesmo território do cinismo trapaceiro e diante de gritantes e contundentes evidências, não dá para ignorar o caso do senador eleito, Flávio Bolsonaro, filho do presidente, pego na artimanha de depósitos sob suspeição de ilicitudes em sua conta bancária quando era deputado fluminense. E de suas declarações negando envolvimento com milícias, caso que se aproxima perigosamente da morte da vereadora Mariele Franco, fuzilada junto com seu motorista no Rio de Janeiro há 11 meses, sem que se tenha descoberto seus autores. Nem se fala de seu motorista Fabrício Queiroz, que teria empregado mãe e filha de líder de milícia foragido, antes homenageado pelo ex-deputado.

Nessa conta, cabe um batalhão de cínicos e se puxarmos pela memória poderíamos agregar nomes importantes como o ex-presidente Michel Temer que se mantem feito um lorde, com pomposa compostura, enquanto rebocadores do Porto de Santos avançam cada vez mais em sua direção com montanhas de dinheiro. Aécio Neves, já virou figurinha carimbada, faz companhia a outros cínicos de relativa exposição, outros tantos figurões que transitaram pelo poder da República, com bandeiras de quase todos os partidos, que roubaram à mão grande e se safaram por que são apenas indícios, mesmo fortes, de ilicitudes, mas não conseguem vencer o cinismos e a trapaça.

Para quem acha que isso só acontece no planalto central do País, então fez com que os olhos não se voltassem ao Paraná, onde o ex-governador Beto Richa está preso pela segunda vez. Mas onde? No quartel da Polícia Militar em confortáveis acomodações. Denunciado pelo Ministério Público e indiciado em outros escândalos de rufianismo enquanto ocupada o cargo, obteve este privilégio por obra e graça de sua advogada. Isso mesmo, ela que impediu que o ex-governador fosse para o Complexo Médico Penal de Pinhais, o que causou estranheza mesmo ao MP. Mas foi a cínica e singela explicação que se deu, e fica por isso mesmo neste episódio em que a trapaça parece se associar à conveniência.

Não se mencione a alta magistratura, ilibada e proba, com seus ministros todos eles dando exemplos de cidadania e de mais elevada honestidade, vestem suas togas em defesa dos interesses mais genuínos da nação. Vez que outra, porque ninguém é de ferro, soltam um corrupto aqui, outro ali, porque faltam as denúncias com fortes evidências, os casos não demonstram materialidade, mesmo com as cuecas nos varais com grandes manchas de batom. Mas é preciso endurecer sem perder a ternura, diria o ídolo de uma juventude transviada.

Como o Ministério Público já mandou prender uma grande quantidade de cínicos, trapaceiros e maniqueístas, alguns falsos outros verdadeiros, talvez as comportas possam se abrir novamente e um desses ministros do STF, ouvindo as vozes e os sopros dos arcanjos, mande soltar o ex-governador Beto Richa em breve Antes até que ele seja equivocadamente transferido para fazer companhia a membros de sua confraria no presídio de Pinhais.