Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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O Paraná, o dinheiro investido e as concessões por 30 anos

Meu neto mais velho têm 18 anos. Quando ele fizer 48 anos ele poderá ficar livre da Compagás, empresa do Governo do Estado que deverá ficar por três décadas nas mãos de uma concessionária

Pedro Ribeiro - 25 de fevereiro de 2022, 11:06

Foto/AEN
Foto/AEN

 

Meu neto mais velho têm 18 anos. Quando ele fizer 48 anos, ou seja, daqui a 30 anos, quem sabe, ele poderá ficar livre da Compagás, empresa do Governo do Estado que deverá ficar por três décadas nas mãos de uma concessionária. Isto se não tiver aditivo ou prorrogação de contrato. Em resumo, sua liberdade de livre escolha para ter seu gás em casa não existirá durante todo este período.

Não sabemos como será o mundo daqui a 30 anos, notadamente agora, com uma insana guerra promovida pela potência russa. Há, também, previsões e até projeções otimistas que apontam um bilhão de carros elétricos circulando pelo mundo e os veículos de combustão como peças de museu. Haverá mais avós que netos e a riqueza global será controlada mais pelas mulheres do que pelos homens.

Entre as projeções futuras, há uma certeza: Nas próximas três décadas grandes grupos econômicos oligopolistas vão dominar setores estratégicos com a exploração da energia, transporte (aéreo, terrestre e marítimo) e até da natureza. É uma aposta.

Vejamos o exemplo das concessões impostas ao Paraná pode ser mais reveladora do que grandes investimentos anunciados. Os principais aeroportos foram entregues à iniciativa privada por 30 anos. 

Vejam bem. O caso mais recente, do Aeroporto de Foz do Iguaçu. Foram investidos mais de R$ 130 milhões, dinheiro público, na ampliação e reforma do terminal e da pista, além da duplicação do acesso. Depois disso, entregue por 30 anos à uma concessionária que pode levar ainda parte das rodovias paranaenses e um parque nacional.

Ainda em Foz do Iguaçu, a concessão do Parque Nacional do Iguaçu é também de 30 anos. Ainda não se sabe do que se pode descobrir, para bem da humanidade, do seu banco genético da fauna e flora. Além da tentativa de excluir o acesso dos moradores da região e os brasileiros com a cobrança de tarifas exorbitantes.

Nota-se que nas duas concessões, a outorga (dinheiro para fazer caixa do governo federal) fica na casa de R$ 2,2 bilhões, embora a comemoração efusiva dos agentes públicos de grande parte deste momento vai ficar no Paraná. Só faltam acreditar em papai noel.

O mesmo deve acontecer com as concessões das rodovias paranaenses - 3,5 mil km de estradas com 42 praças de pedágio (15 a mais) - e com a outorga disfarçada como aporte de recursos. De novo, serão 30 anos de exploração nas rodovias paranaenses. Agora, tem gente que acredita no coelhinho da páscoa.

No caso da Compagás, podem ser R$ 508 milhões de outorga apesar do esperneio do setor produtivo e de alguns deputados. Já a Nova Ferroeste a concessão será superior com plano de investimento de R$ 25 bilhões. Bem, depois disso, o paranaense já começa acreditar em mula sem cabeça.

Disso, se esperava que os investimentos em tantas concessões por 30 a 60 anos seriam dos grupos, consórcios e empresas vencedoras do leilão. Ledo engano, o BNDES já abriu linha de crédito de R$ 500 milhões aos interessados em participar das concessões do parque nacional. 

O retorno, a ver navios ou para inglês ver.