Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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O recado do capitão Bolsonaro

 O candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro e seu coordenador de campanha no Paraná, deputado fe..

Pedro Ribeiro - 30 de março de 2018, 09:19

 

O candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro e seu coordenador de campanha no Paraná, deputado federal Fernando Francischini, não estão apenas em uma campanha política. Estão em guerra. Uma guerra com todos os seus horrores contra o comunismo e àqueles que destruíram o país.

Um capitão do Exército e um delegado de Polícia estão tocando terror nos que chamam de comunistas, recado dado com todas as letras a Luiz Inácio Lula da Silva, Gleisi Hoffmann e Roberto Requião. Estes são, pelo menos, os alvos no Paraná.

Roubo...furto...latrocínio. Para Bolsonaro, não existe diferença. São todos iguais e, portanto, merecem o mesmo tratamento. Quer dizer, na bala. Direitos humanos passa longe do pensamento desses políticos que pregam, em primeiro lugar, a honra a pátria. “O que você prefere. Um papel na bolsa ou uma pistola”, disse Bolsonaro sobre feminicídio.

“Hoje estou aqui diante de mais de mil pessoas e quero voltar a este mesmo lugar e ver mais de 200 de vocês com porte de arma para defender suas casas e suas famílias”, bradou Bolsonaro. “Vamos fazer como os americanos, liberar a compra de armas e agilizar os portes”.

São mais de 60 mil mortes por ano, disse Francischini que já foi secretário de Segurança Pública do Paraná. Em um telão aparecia o rombo de R$ 13 bilhões dados pelo governo do PT na Petrobras, o que era repetido nos inflamados discursos.

- Vamos acabar com o terrorismo implantado no Paraná pelo Movimento Sem-Terra... São bandidos... Vamos defender a pátria com todas as nossas forças...Esse foi o tom do discurso do candidato que lançou o deputado federal Delegado Francischini pré-candidato ao Senado Federal pelo Partido Social Liberal (PSL).

No final de seu discurso, que pouco falou sobre ações que possam vir a mudar o Brasil na área social, cultural e econômica, Bolsonaro recebeu um presente: um quadro com sua fotografia, vestido com a faixa de Presidente da República e um fuzil na mão.

Bolsonaro em Curitiba, como candidato à Presidência da República, é notícia e não mais nota de rodapé. Ainda mais no mesmo dia em que Lula também pisa a terra da Lava Jato. Bolsonaro não foi até as escadarias da Universidade Federal do Paraná, na Praça Santos Andrades, no centro da capital, para lavar a sujeira que Lula teria deixado no dia anterior, como prometeu e anunciava à imprensa, os coordenadores de sua campanha e de sua visita a Curitiba.

A imprensa foi e encontrou as escadarias com pouco mais de 20 pessoas que assistiam a um ensaio de peça teatral do Festival de Teatro de Curitiba  e ainda com cartazes pregados nas pilastras de estrutura do prédio com dizeres: cadê as provas. É golpe.

A comitiva de Bolsonaro passou pela praça, viu que não havia público, e resolveu transferir a entrevista coletiva para o restaurante Madaloso, em Santa Felicidade, onde compareceram pouco mais de mil pessoas para almoço e ouvir o candidato da ultra direita. Justificou a ausência na praça, dizendo que não queria atrapalhar o ensaio cultural.

Na entrevista à imprensa, as mesmas perguntas de sempre e iguais respostas. Nada de novo. Ataques ao ex-presidente e seu principal concorrente: “Lula quis transformar o Brasil em um galinheiro e vem colhendo os ovos. Na cara”, disse Bolsonaro.

Criticou até as “diretas já”, orgulho dos paranaenses que lotaram a rua XV de Novembro, na chamada Boca Maldita, e deu início às mudanças na democracia brasileira. Disse que foi apenas mais um fato político e que pouco resolveu.

A histeria feminina e masculina também tomou conta do lotado salão de eventos do restaurante Madaloso. A cada frase com forte efeito contra a violência ou uso de arma de fogo, o povo aplaudia e diz, em coro: lindo...lindo...

Fui, portanto, ver o que essa onda Bolsonaro tinha para falar ao povo curitibano. Talvez em uma próxima.