Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Os Marajás dos cargos em comissão e o desafio de Ratinho Junior

 Em entrevista que concedeu nas primeiras horas em que assumiu o cargo, o governador do Paraná se disse posi..

Pedro Ribeiro - 05 de janeiro de 2019, 09:22

PR - DIPLOMACAO/PARANA - POLÍTICA -  O governador eleito no Paraná Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), é diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral nesta terça-feira (18), no Teatro Positivo em  Curitiba (PR).
Foto: Geraldo Bubniak/AGB
PR - DIPLOMACAO/PARANA - POLÍTICA - O governador eleito no Paraná Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), é diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral nesta terça-feira (18), no Teatro Positivo em Curitiba (PR). Foto: Geraldo Bubniak/AGB

 

Em entrevista que concedeu nas primeiras horas em que assumiu o cargo, o governador do Paraná se disse positivamente surpreso ao saber que o Estado tem "apenas" 3.300 cargos em comissão em sua máquina administrativa. Todos os que os ocuparam foram exonerados por ele para reavaliação. Como contraponto, mencionou o Distrito Federal que, segundo ele, tem em sua estrutura nada menos que 16 mil funcionários em cargos comissionado

De fato, se for usar o Brasil como parâmetro, o Estado do Paraná pode estar em situação privilegiada em comparação a outros da Federação. Mas esse número que positivamente impressionou nosso governador é escandalosamente elevado para qualquer comparação de Nações civilizadas e demonstra como a voracidade irresponsável tomou conta das estruturas administrativas dos Estados nas últimas décadas no Brasil.

O novo governador do Paraná não tem culpa de estar assumindo um Estado com essas distorções, elas vem se acumulando pelo absoluto descontrole e falta de compromisso que a classe política sempre teve com os gastos públicos. O Brasil não é referência nesta seara e se for considerar o que se passa no governo federal, é de cair o queixo, quando se compara com outros países.

O governo federal tem hoje em torno de 23 mil cargos em comissão, de DAS, e se for somado a outras nomenclaturas que se assemelham, como cargos em confiança e gratificações, este número chega às alturas, nada menos que 99 mil servidores.

Se alguém acha que "apenas" 23 mil cargos em comissão é pouco para a administração da máquina federal em um país de tamanho continental como é o Brasil, então é melhor sentar. Pode se assustar quando comparar com os Estados Unidos, por exemplo, maior que o Brasil em extensão, com 50 Estados em vez dos nossos 27 e com população em mais de 100 milhões superior a nossa.

Lá, os americanos administram o Pais com apenas 7 mil servidores nomeados em cargos de comissão, o equivalente a menos de um terço do que há no Brasil. Aqui, esses servidores todos, somados aos outros mencionados, consomem cerca de R$ 800 milhões por ano.

Se compararmos com a Alemanha, então, é um escândalo ainda mais gritante. São 400 os cargos em comissão do governo da Alemanha e, apenas para ficarmos ainda no continente europeu, no Reino Unido o número baixa para algo em torno.de 300, iguais a outros países.

O governador Ratinho Junior, com esse contingente que o surpreendeu ao assinar o ato de exoneração de todos os que estavam ocupando os cargos, poderia governar a Europa inteira. E administrar um Produto Interno Bruto de fazer cócegas no Paraná, ainda que dividisse suas tarefas com administradores regionais.

Ratinho Junior fez o principal neste primeiro momento em dar uma canetada e desocupar os cargos em comissão que têm sob sua responsabilidade. Deveria a partir de agora repensar a máquina pública, enxugar a estrutura do Estado, extinguir ou fundir órgãos do governo, se desfazer  de ativos que oneram o tesouro e dar também um basta aos lobbies de deputados e corporações de servidores que desejam para si um Paraná patrimonialista e opulento provedor Ia sobrar recursos para investimentos necessários em Saúde e Educação, por exemplo.

Tem o governador do Paraná a oportunidade de colocar em prática o discurso de campanha e a experiência acumulada como administrador, para que o Paraná seja de fato um estado de primeiro mundo, como promete.

Nestes anos em que esteve na periferia do Palácio Iguaçu, deve ter aprendido também como não se governa e como não se deve tratar o Estado como patrimônio de família, com parentes distantes ou não.