Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
Compartilhar

Renan Calheiros está com o rabo entre as pernas

 Qualquer resultado de uma disputa ou de alguma posição tomada no âmbito da política, notadamente quando as ..

Pedro Ribeiro - 05 de fevereiro de 2019, 16:47

 

Qualquer resultado de uma disputa ou de alguma posição tomada no âmbito da política, notadamente quando as consequências podem envolver o espectro mais amplo da sociedade, desperta logo uma quantidade de opiniões e teorias dos que se acham entendidos no assunto, articulistas de jornais, sociólogos e cientistas sociais. Invariavelmente partem para a complexidade da interpretação, às vezes em relação aos atos mais prosaicos, num malabarismo intelectual que pouca essência se extrai além da percepção de uma vaidade expressa no texto do seu autor.

Nessa prospecção da selva intelectual própria e solitária, desenvolvem os pensamentos que passam ao largo da obviedade que se lhes apresenta à sua frente e que não percebem. O caso mais recente é em relação à eleição circense do presidente do Congresso Nacional, ocorrido na última semana, que assanhou e contrariou principalmente a caterva de senadores acostumada a fazer e desfazer no poder da República. Muitos desses articulistas e escribas de outras espécies desenham cenário de vingança daqui para a frente do gangster e corrupto Renan Calheiros, por ele ter sido humilhado com sua quadrilha na disputa e obrigado a renunciar à sua candidatura à presidente do Senado. Dizem que vai pautar sua atuação com retaliações ao governo.

Pura bobagem.

Bandidos e marginais como ele não conseguem ficar longe de cenas de crimes e muito menos afastados de situações que podem lhe trazer benefícios escusos. São iguais moscas varejeiras que sempre rondam excrementos. Está no faro e na índole dessa gente. Não vai retaliar coisa nenhuma, e se este gangster assim o fizer, sabe que o seu Estado, o de Alagoas, pode ter o troco do governo. Seu filho e governador, Renan Filho, vai ter que roer rapadura dos engenhos de cana-de-açucar da região, para extrair o mel que alimentará a família. E, sem recursos do governo federal, Alagoas, que já é um estado pobre, vai passar os próximos quatro anos no oxigênio básico.

Como todo rufião alfabetizado na escola do crime do patrimonialismo de Estado e dos recursos desviados de cofres públicos, sejam eles federal ou estadual, Renan Calheiros vai tentar apenas manter as aparências com seu grupo de quadrilheiros, sempre ávidos por prebendas. Com a índole que os caracterizam, a doutrina desses larápios se resume a um pensamento apenas: é melhor comer mel em dois do que merda sozinho. No caso do Renan, vai tentar se lambuzar com o filho e isso só vai conseguir se não houver retaliação ou represália do governo diante de uma oposição inconsequente e magoada do gangster alagoano.

O resto é conversa para boi dormir. A menos que o Congresso Nacional, sob a presidência de um jovem que ninguém conhecia, vindo do Amapá, em seu primeiro mandato, não tenha pulso e articulação necessária para conduzir a Casa nas propostas de reformas almejadas pelo governo para tirar o País do buraco. É até possível, o que daria margem para que a quadrilha liderada pelo alagoano conquistasse novos filiados, inviabilizando as votações e colocando o governo contra a parede. Mas se isso acontecer, não será por mérito do gangster Renan Calheiros.

A realidade das coisas, mesmo na política, as vezes é cristalina, fácil de entender e perceber. Não há necessidade de torna-la mais complexa, o que normalmente acontece quando se trata mais de confundir do que explicar. Renan Calheiros está com o rabo entre as pernas, simples. Pode ser que o solte mais à frente. Mas por enquanto, está mais para guaipeca assustado com  rojão que para pitbull raivoso.