Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
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Saúde, maior preocupação do brasileiro

  Pesquisa realizada pelo DataFolha aponta que entre as profissões com maior confiança e credibilidade ..

Pedro Ribeiro - 24 de novembro de 2016, 10:13

 

 

Pesquisa realizada pelo DataFolha aponta que entre as profissões com maior confiança e credibilidade são médicos (26%), professores (24%) e bombeiros (15%). Ao mesmo tempo, no ponto inverso da tabela aparecem os políticos, com 0,3%. Entre as instituições e atividades, a Medicina e as Escolas aparecem em primeiro lugar, com 19%. Na outra ponta, o Congresso, também com 0,3%.

A mesma pesquisa, que foi encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) indica que hoje a saúde é o maior problema do brasileiro, alcançando o índice de 37% dos entrevistados. Em segundo lugar aparece a corrupção, com 18% e, em terceiro, o desemprego, com 15%. Além disso, a avaliação ruim e péssima dos serviços públicos de saúde no Brasil é elevada em todas as regiões. Para reverter tais estatísticas, os entrevistados apontaram as seguintes ações que o governo deveria adotar: diminuir a corrupção, aumentar o número de profissionais na saúde e aumentar o número de leitos para internações.

"A pesquisa que mostra o médico entre os profissionais de maior credibilidade é o indicativo do reconhecimento da população ao esforço empreendido em prol da atenção à saúde, em que pesem todos os obstáculos que se apresentam, em especial as más condições de trabalho oferecidas. Enche-nos de orgulho, mas, ao mesmo tempo, exige que não nos desviemos de nossas responsabilidades de fazer o melhor pelos nossos pacientes". As palavras são do presidente do CRM-PR, Luiz Ernesto Pujol.

Na contramão

Ao fazer uma breve leitura dessa estatística, entro numa outra seara. Deixando para outro capítulo a responsabilidade dos gestores públicos, que igualmente se encaixam na condição de políticos como essa avaliação de desprezo, atenho-me por ora à questão dos nossos políticos legisladores, sejam eles da Câmara Federal, das Assembleias Legislativas ou das Câmaras Municipais.

Com a saúde historicamente liderando as estatísticas de maior preocupação de nossos cidadãos, o que nossos políticos mais fazem é abusar de atitudes demagógicas e eleitoreiras. E isso continua muito presente entre os nossos legisladores aqui do Paraná que, na carona de boa imagem engata propostas de lei que, quando não soam ridículas, vêm desprovidas de análises técnicas apuradas, de desconexão com a nossa realidade social e econômica e também com total inviabilidade de custeio, seja pelos entes públicos ou privados.

Com muita frequência brotam na Assembleia Legislativa do Estado ou nas câmaras municipais propostas mirabolantes para a área de saúde que, na prática, pouco ou nada impactam de forma positiva nos indicadores assistenciais, epidemiológicos e de morbidade. Não raros, por falta de consulta a especialistas e serviços sanitários, impõem fatores de risco ou gastos econômicos que influenciarão no já curto orçamento público da saúde.

Antes de propor projetos de fachada e pouca eficácia, nossos parlamentares deveriam começar criando uma lei que imponha zelo no trato com a saúde de nossa população. Por certo são salutares e de boa intenção muitas iniciativas, mas convém a nossos políticos filtrar as reais necessidades de nosso povo na área de saúde, ouvindo de especialistas e profissionais de cada área as demandas que se voltem aos interesses coletivos e não os corporativos ou que formam clientelas.pedro.ribeiro