Sintonia Fina - Pedro Ribeiro
Compartilhar

Senador critica mudanças na Petrobras e alerta sobre armas

Senador Oriovisto Guimarães (Podemos) volta a criticar a gestão do presidente Bolsonaro e alerta sobre a liberação de armas no Brasil. O Brasil vai mal, isse.

Pedro Ribeiro - 25 de maio de 2022, 13:00

Foto/Reprodução
Foto/Reprodução

 

O senador Oriovisto Guimarães (Podemos) alertou mais uma vez, nesta terça-feira, 24, sobre a difícil situação por que passa o Brasil, durante pronunciamento no Senado Federal. Ele chamou a atenção pelas desastrosas medidas de trocas de presidentes da Petrobras.

“A sensação que me dá é que, no mínimo, o presidente Bolsonaro e seus assessores não devem jamais fundar uma agência de headhunter, são muito ruins para nomear um presidente para a Petrobras. Nomearam três, este já é o quarto, e, como os preços continuam a subir, eles colocam a culpa no presidente da Petrobras e o demitem. Isso é uma lógica da política, isso não é lógica da economia; isso revela que este Governo não tem política”. Disse.

Segundo o senador, em sua fala, via vídeo conferência, “não se pode pretender que essa empresa faça política social, falsifique preço. Os acionistas privados têm todo direito do mundo de entrar na Justiça e pedir reparo, e isso vai acontecer aqui, em Nova York, porque a Petrobras captou poupança de gente lá de fora do Brasil também. Então, é uma coisa sem lógica nenhuma”.

Em dura crítica à gestão do governo federal, o senador paranaense alertou, dizendo que “o Brasil precisa ter um projeto. Um Presidente precisa ser capaz de apresentar um projeto junto com seus ministros e assessores e com os competentes presidentes que a Petrobras já teve. Esse jogo de ficar colocando a culpa em alguém por algo que nós não temos a competência de resolver, já cansou”.

Continuou o senador: “Olha, eu me lembro muito de uma frase de Tertuliano, no ano 200, que em latim dizia assim: credo quia absurdum, creio porque é absurdo. Essa frase foi usada depois por Voltaire também. O Brasil é um país em que a gente tem que acreditar em tudo que for absurdo. Trocamos ministros da saúde várias vezes. Por quê? Por quê? Porque queríamos um ministro da saúde – eu não, eu não queria –, o presidente queria um ministro da saúde que professasse a cura para a covid em que ele acreditava e não a que a ciência colocava. A mesma coisa acontece agora com a Petrobras. Troca-se o Presidente porque se quer um presidente mágico que contrarie as leis do mercado e que a Petrobras segure o preço do combustível, que está subindo no mundo inteiro. Não se tem política, não se tem análise mais profunda. É a lógica da política, não é a lógica dos fatos. É um desrespeito à inteligência do povo brasileiro. O nosso país vai muito mal”.

Oriovisto Guimarães também alertou sobre o que chamou de “o próximo passo, o próximo absurdo que eu sei que vai ser aprovado neste Congresso, em que nós também vamos dar a nossa contribuição para o absurdo, vai ser a PEC 63, que vai criar o quinquênio para o setor do funcionalismo público mais bem remunerado: a Justiça, os desembargadores. Aliás, devia ser então estendido para todos. Eu já recebi pedido do Superintendente da Polícia Federal, porque eles também merecem. Aliás, todos merecem! Aliás, as pessoas que ganham menos merecem mais ainda! O problema não é de merecer; a lógica da economia é outra. Tem dinheiro para isso? Essa é a prioridade? Não, não tem dinheiro e não é a prioridade. O país deve cada vez mais, se afunda cada vez mais, mas exatamente por isso vai ser aprovado pelo Senado”.

“Eu estou antecipando aqui: o Senado vai aprovar a PEC 63 e vai dar o quinquênio, e esse quinquênio vai significar R$7,5 bilhões de gasto por ano para beneficiar os funcionários públicos mais bem remunerados da República! Assim caminha este nosso país! Assim caminha este nosso país! É uma tristeza!”.

O senador também abordou sobre o tema que tomou conta da mídia nesta terça-feira: “um atirador numa escola primária, nos Estados Unidos, no Texas, matou 14 alunos e uma professora. Um jovem de 18 anos, com um rifle e com um revólver. As armas aqui no Brasil vão ser liberadas, sim. Vão ser! Este país é o país do absurdo, e nós estamos dando a nossa colaboração diária para que esse absurdo permaneça”, pontuou.