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Brasil e Alemanha firmam acordo de cooperação no setor agrícola

Os governos do Brasil e da Alemanha assinaram um memorando de entendimento para Diálogo Agropolítico Alemão-Brasileiro. O acordo de cooperação no setor agrícola foi firmado entre as ministras Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e Julia Klöckner (Alimentação e Agricultura da Alemanha), em Berlim.

O acordo prevê cooperação técnica, intercâmbio de informações (seminários, feiras, cursos), visitas técnicas e publicação de material conjunto em diversos setores da agricultura, como bioeconomia, gestão sustentável (solo e água), cadeias agroalimentares sustentáveis, financiamento rural, política agrícola e conectividade. Um grupo, formado por representantes dos dois países e de setores do agro brasileiro e alemão, irão traçar um plano de trabalho e coordenar a execução. O acordo tem duração de três anos, podendo ser prorrogado.

“Esse acordo vai aproximar mais os dois países, trocaremos conhecimento e nós poderemos mostrar a tecnologia que desenvolvemos para criar a agricultura tropical brasileira”, disse Tereza Cristina.

A assinatura do acordo de cooperação no setor agrícola ocorreu após reunião de ministros da Agricultura que participam do Fórum Global da Alimentação e da Agricultura (GFFA), com a participação de mais de 200 ministros e secretários de todo o mundo. No encontro, Tereza Cristina reforçou que apenas 2,3% do território da Amazônia são usados para produção agrícola e 10,5% para pecuária, ou seja, mais de 85% do bioma estão preservados. Ela destacou que o Brasil irá difundir o modelo de sistema de plantio direto, que passou a ser bastante usado no país nas últimas décadas, por propiciar a produção com menor impacto no solo e maior rentabilidade ao produtor.

No final do encontro, a ministra voltou a destacar que é preciso buscar o equilíbrio entre a produtividade agrícola e a sustentabilidade, além de defender que agricultura não pode ser apontada como a vilã dos problemas ambientais ocorridos no mundo.

Os ministros assinaram uma declaração final em que se comprometeram na busca por uma agricultura sustentável para atender a demanda global por alimentos.

Com o fim dos compromissos na Alemanha, a ministra segue para a Índia onde terá uma agenda com seus colegas locais antes de integrar-se à comitiva do presidente Jair Bolsonaro. Antes, Tereza Cristina faz uma parada na Itália, para um encontro bilateral no Ministério da Agricultura local.

Em Berlim, nessa sexta-feira (17), Tereza Cristina teve reuniões bilaterais com Argentina, Holanda, Organização Mundial do Comércio (OMC) e com o diretor-geral da FAO, Dongyu Qu.

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Preço da carne cai para o consumidor, diz Ministério da Agricultura

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está divulgando que a cotação da arroba (15 quilos) do boi gordo diminuiu de valor no final de dezembro, queda média de 15%. Conforme levantamento periódico do Mapa, a arroba do boi gordo estava cotada a R$ 180 no último dia 30. No início do mês passado, chegou a R$ 216.

Conforme o ministério, o preço da carne vai reduzir para o consumidor final. O cenário “indica uma acomodação dos preços no atacado, com reflexos positivos a curto prazo no varejo”, descreve nota que acrescenta que a alcatra teve “4,5% de queda no preço nos últimos sete dias.”

Segundo projeções do Mapa, a arroba vai ficar entre R$ 180 e R$ 200 nos próximos meses, dependendo da praça. A queda do valor interrompe a alta de 28,5% que salgou o preço da carne nos últimos seis meses. A perspectiva, porém, é de que o alimento não volte ao patamar inferior. “Estamos fazendo a leitura de que isso veio para ficar, um outro patamar do preço da carne”, avalia o diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento do Mapa, Sílvio Farnese.

“Eu tenho certeza que o preço não volta ao que era”, concorda Alisson Wallace Araújo, dono de dois açougues e uma distribuidora de carne em Brasília. Segundo ele, no Distrito Federal, o quilo do quarto traseiro do boi estava custando para açougues e distribuidoras de carne R$ 13,50 há seis meses. Chegou a R$ 18,90 em novembro, e hoje está em R$ 17,70.

ESTABILIZAÇÃO DE PREÇO

Há mais de uma razão para a provável estabilização dos preços em valores mais altos do que há um ano. O mercado internacional tende a comprar mais carne brasileira, os produtores estão tendo mais gastos ao adquirir bezerros e a eventual recuperação econômica favorece o consumo de carne no Brasil.

No último ano, beneficiado pela perda de rebanhos na China e pela alta do dólar, o Brasil ganhou mercado e vários frigoríficos foram habilitados para vender mais carne no exterior. Só em novembro, mais cinco frigoríficos foram autorizados pelos chineses a exportar carne. Em outros países também houve avanços. Mais oito frigoríficos foram aceitos pela Arábia Saudita no mesmo mês.

A carne brasileira é competitiva no mercado internacional porque é mais barata que a carne de outros países produtores, como a Austrália e os Estados Unidos, cujo o gasto de criação dos bois é mais oneroso por causa do regime de confinamento e alimentação. O gado brasileiro é criado solto em pasto.

O Brasil produz cerca de 9 milhões de toneladas de carne por ano, 70% é consumida internamente. Mas a venda para o exterior é atrativa para os produtores e pressiona valores. “A abertura de um mercado que comece a receber um produto brasileiro ajuda o criador na formação de preço”, descreve Farnese.

A alta recente dos preços do boi está viabilizando a renovação do gado quando o preço dos bezerros está valorizado. A compra dos bezerros é necessária para repor o gado abatido nos últimos anos, inclusive de vacas novilhas.

Além disso, em época de chuva, com pasto mais volumoso, os pecuaristas vendem menos bois e mantém os animais em engorda, o que também repercute na oferta e no preço do alimento. “Os criadores não se dispõem a vender porque têm alimento barato para o gado”, assinala o diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento do Mapa, Sílvio Farnese.

O comerciante Alisson Wallace Araújo acredita que com a recuperação da economia e diminuição do desemprego, haverá mais demanda por carne ao longo do ano. “É uma crescente”, diz Araújo. Ele, no entanto, não acredita em alta nos próximos meses. Em sua opinião, o consumo de carne diminui em janeiro por causa das férias e gastos sazonais das famílias (como impostos e material escolar) e depois do carnaval por causa da quaresma (período em que os católicos diminuem o consumo de carne).

Emendas parlamentares garantem R$ 154 milhões à agricultura familiar

A Secretaria da Agricultura e Abastecimento prepara para o início de 2020 a entrega de equipamentos e veículos adquiridos com recursos de quatro emendas parlamentares da bancada federal do Paraná. As emendas somam R$ 154,50 milhões – dos quais R$ 7,2 milhões em contrapartida do governo estadual.

Essas emendas vão beneficiar em torno de 13.400 agricultores familiares do Paraná. Equipe técnica do Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável (Deagro) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento analisa os convênios e prepara as licitações para compra de equipamentos.

Outra emenda parlamentar da bancada federal, no valor de R$ 57,9 milhões, está prevista para ser executada em 2020. Ela permitirá a compra e repasse às prefeituras de mais tratores, máquinas, veículos e caminhões para obras de melhoria e manutenção de estradas rurais.

PECUÁRIA LEITEIRA 

A primeira emenda, de autoria do deputado federal Felipe Francisquini, visa estimular a pecuária leiteira praticada pela agricultura familiar de oito municípios – Alto Piquiri, Piên, Andirá, Porecatu, Primeiro de Maio, Reserva, Salgado Filho e Terra Roxa. Serão investidos R$ 1,59 milhão na compra de oito conjuntos de equipamentos, que vão compor a Patrulha do Leite.

Os conjuntos serão compostos por uma ensiladeira, uma carreta agrícola e um trator, devendo beneficiar cerca de 400 produtores.

Esse projeto visa apoiar os agricultores familiares para que sejam incluídos no mercado formal. Para isso, os agricultores beneficiários podem se profissionalizar com foco em qualidade, volume de produção, competitividade e responsabilidade ambiental. Esse convênio está sendo ajustado para ser iniciado em janeiro de 2020. Serão R$ 1,44 milhão do governo federal e mais R$ 144 mil do governo estadual.

Os equipamentos serão repassados às associações de produtores da agricultura familiar dos municípios, via termo de cessão e uso. Segundo o Deagro, até junho todos os equipamentos deverão estar entregues.

CADEIAS PRODUTIVAS 

Outra emenda visa o fortalecimento da agricultura familiar com a compra de 222 tratores agrícolas, com potência mínima de 100 cavalos de potência e equipado com cabine fechada.

O investimento está estimado em R$ 31 milhões, oriundos do Ministério do Desenvolvimento Regional – MDR, dos quais R$ 600 mil será contrapartida do governo do Estado. Os tratores serão destinados para uso coletivo e prestação continuada, devendo atender 150 municípios e beneficiar um total de 2.000 produtores. Serão atendidos os projetos de estruturação das cadeias produtivas potenciais.

ESTRADAS RURAIS

Outras duas emendas, que somam R$ 123 milhões, visam a aquisição de máquinas e equipamentos para serem utilizados em obras de melhorias das estradas rurais.

As obras vão beneficiar as famílias de agricultores e a comunidade em geral que terão acesso facilitado a escolas, postos de saúde, além de boas estradas para escoar a produção agrícola com mais facilidade rumo às cooperativas e às indústrias.

Uma das emendas, no valor de R$ 90 milhões (R$ 5,6 milhões em contrapartida do Governo do Paraná), vai atender cerca de 8 mil produtores em 211 municípios e mais um consórcio municipal do Estado.

Serão comprados 36 caminhões basculantes, três caminhões comboio, 109 tratores agrícolas com potência mínima de 100 cavalos, 20 escavadeiras hidráulicas, 14 motoniveladoras, 80 retroescavadeiras, 23 rolos compactadores. O Deagro já está fazendo a licitação de compra dos equipamentos, que começarão a ser entregues em fevereiro de 2020.

Outra emenda, no valor de R$ 33 milhões (sendo R$ 831,8 mil em contrapartida), também será utilizada na continuidade da adequação, manutenção e melhorias das estradas rurais e estruturação das cadeias produtivas potenciais.

Com os recursos dessa emenda, serão comprados 16 caminhões basculantes, 13 minicarregadeiras, oito escavadeiras hidráulicas, três motoniveladoras, 16 pás carregadeiras, 50 retroescavadeiras e 6 colos compactadores.

A emenda será um convênio com o pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que já aprovou o projeto, a ser executado em 108 municípios do Estado, devendo beneficiar mais de 3.000 agricultores familiares de associações de produtores e de assentamentos. Em janeiro de 2020, serão abertos os processos de licitação para compra dos equipamentos.

COOPERATIVAS

Estão previstas, ainda, uma emenda parlamentar do deputado federal Assis do Couto, no valor total de 780 mil, com R$ 15,6 mil em contrapartida) que visa fortalecer as cooperativas da agricultura familiar com interação solidária.

A emenda estabelece a compra de um caminhão Truck pesado, uma câmara fria frigorífica, um caminhão toco semipesado e um veículo. Os veículos serão destinados aos municípios atendidos pela Unicafes/PR.

Do deputado federal Enio Verri vem a emenda que aloca R$ 511 mil (R$ 11 mil em contrapartida). Ela prevê a compra de 2 tratores agrícolas com potência mínima de 100 cavalos e dois veículos novos.

Eles serão repassados para o município de Antonina, através da Associação de Pequenos Produtores Rurais para Sustentabilidade da Mata Atlântica, devendo beneficiar 50 famílias de produtores rurais da comunidade.

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Bolsonaro dá segurança jurídica para produção agropecuária na Mata Atlântica

O presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciou hoje (19), durante transmissão ao vivo na internet, que a Advocacia-Geral da União (AGU) emitiu parecer para dar segurança jurídica a produtores rurais que desenvolvem atividades no bioma Mata Atlântica.

Segundo a AGU, “o parecer destaca que o Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) admite a produção agropecuária na Mata Atlântica, uma vez que os artigos 61-A e 61-B da norma preveem a continuidade de atividades agropecuárias em áreas de preservação ambiental que tenham sido fixadas no bioma até 22 de julho de 2008”.

O presidente Jair Bolsonaro disse, durante sua live semanal no Facebook, que o parecer beneficia mais de 200 mil agricultores em 936 municípios de 10 estados do país, que também poderão ter multas extintas com a mudança de entendimento.

“Esse parecer atinge aproximadamente 220 mil agricultores no Brasil, que poderão voltar a produzir nas suas terras. E o mais importante, quem foi multado lá atrás pode recorrer agora e, em função desse parecer, vai ficar isento de multa”, afirmou.

Em reunião no Palácio do Planalto com parlamentares e produtores rurais, o advogado-geral da União, André Mendonça, afirmou que parecer jurídico traz impacto social importante, ao beneficiar produtores que atuavam em áreas que já estavam consolidadas para a agricultura.

“Esse parecer reconhece que o Código Florestal tem aplicabilidade como norma geral em relação a área de Mata Atlântica e que áreas que já estavam consolidadas como produtivas até julho de 2008 não só podem como devem ser utilizadas para a produção”, pontuou.

Agricultura familiar emprega mais de 10 milhões de pessoas, mostra Censo

A agricultura familiar emprega mais de 10 milhões de pessoas, o que representa 67% do total de pessoas ocupadas na agropecuária em 30 de setembro do ano passado, de acordo com dados do Censo Agropecuário de 2017, divulgados na última sexta-feira (25) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O levantamento foi feito em mais de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários de todo o país e destaca, dentre outras, informações sobre agricultura familiar, mecanização, pessoas ocupadas e acesso à internet. O primeiro Censo Agropecuário foi publicado em 2006.

A edição de 2017 aponta que 77% dos estabelecimentos agropecuários foram classificados como agricultura familiar. Em extensão de área, a agricultura familiar ocupava no período da pesquisa 80,9 milhões de hectares, o que representa 23% da área total dos estabelecimentos agropecuários brasileiros.

A agricultura familiar também foi responsável por 23% do valor total da produção dos estabelecimentos agropecuários.

Conforme o censo, 15,1 milhões de pessoas estavam ocupadas em estabelecimentos agropecuários em 2017, redução de de 1,4 milhão em comparação ao levantamento de 2006. Na agricultura familiar, a população ocupada caiu 2,166 milhões. Nos demais estabelecimentos, o oferta de trabalho cresceu e a população ocupada subiu mais 702,9 mil no período analisado (2006 a 2017).

De 2006 para 2017, cresceu em 143% a contratação de mão de obra para os estabelecimentos agropecuários com intermediação de terceiros (empreiteiros, cooperativas e empresas), passando de 251.652 para 611.624 no período.

INOVAÇÃO

Em 2017, 502.379 estabelecimentos informaram que usavam algum tipo de irrigação, um aumento de mais de 50%. O total da área irrigada cresceu 47,6% e somou 6,69 milhões de hectares.

Em relação ao acesso à internet no campo, 1.430.156 produtores declararam ter acesso (659 mil banda larga e 909 mil por internet móvel), um incremento de 1900%. Em 2006, apenas 75 mil estabelecimentos tinham acesso. O acesso a telefone passou de 1,2 milhão para 3,1 milhões.

No Censo Agro 2017, o IBGE investigou pela primeira vez a cor ou raça dos produtores rurais: 52,8% deles eram pretos ou pardos e 45,4% eram brancos, numa distribuição semelhante à da população do país, segundo a PNAD Contínua.

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Ministra da Agricultura autoriza a suspensão da vacinação contra febre aftosa no PR

O Paraná pretende se tornar, até o final do ano, livre de febre aftosa e sem vacinação.

Dessa maneira, produtores agropecuários devem economizar até R$ 30 milhões ao ano – valor estimado em gastos com vacinas e manejo dos animais.

O principal benefício deve ser comercial, já que alguns mercados asiáticos só compram carne de áreas sem vacinação. São mercados considerados mais exigentes e que poderiam pagar mais pela carne exportada pelo Paraná.

Atualmente, esses países também deixam de aceitar aves e porcos – mesmo que não exista risco de o frango ser contaminado pela doença e apesar de não existir registro de casos em suínos.

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, assinou hoje (15) a Instrução Normativa que autoriza a suspensão da vacinação contra a febre aftosa no estado a partir de novembro.

O Ministério fará o monitoramento do Paraná para avaliar a atuação dos postos de fiscalização nas divisas e, após isso, deve reconhecer nacionalmente o estado como área livre da febre aftosa sem vacinação.

No entanto, até lá, devem ser contratados médicos veterinários e técnicos para atuação na vigilância. Um posto de fiscalização agropecuária, na divisa com São Paulo, deve ser construído.

Essa etapa está dentro do objetivo brasileiro de aumentar gradualmente as áreas sem vacinação contra a doença no país, previsto no plano estratégico 2017-2026 do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa. O governador Ratinho Júnior considera que a medida deve ampliar o mercado do agronegócio.

As doses de vacinas contra a febre aftosa estocadas no Paraná serão remanejadas pela iniciativa privada para os estados que ainda irão aplicar o produto. Com isso, a partir do mês que vem, o rebanho de 9,2 milhões de bovinos e bubalinos do estado não será mais vacinado contra a aftosa.

Além de suspender as campanhas de vacinação, que eram feitas anualmente sempre em maio e novembro, a Instrução Normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento proíbe o uso e a comercialização dessa vacina no Paraná já a partir do dia 31 de outubro. E a partir de 2020, será proibida a entrada de animais vacinados, bovinos e bubalinos, no Paraná.

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Paraná é destaque nacional na produção de erva-mate

A produção de erva-mate no Paraná tem destaque nacional. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o estado concentrou 87% de toda a produção de erva-mate do país durante o ano passado.

Ou seja, do total de quase 400 mil toneladas produzidas no Brasil, cerca de 345 mil saíram do Paraná.

O setor garante o emprego e a renda para ao menos 100 mil famílias. São Mateus do Sul foi o município que registrou o maior volume de erva-mate extrativa no ano, com 70 mil toneladas, o que representa 17,8% do total nacional. Para se ter noção, a cidade produz mais que Rio Grande do Sul e Santa Catarina somados.

O secretário de Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, destaca a diversidade de produtos que são feitos com a erva.

“A indústria desenvolve novos produtos, especialmente na área de bebidas, cervejas, fármacos, cosméticos… O que acaba valorizando mais esse esforço do Paraná. O estado é líder da produção brasileira porque boa parte são de ervais nativos, que confere um sabor menos amargo. Mas também cultivamos a erva mate em ambiente natural, sem sombreamento. As somas das duas produções mantém o Paraná na liderança da produção”, comenta.

O cultivo da erva-mate movimentou mais de R$ 460 milhões de reais no ano passado no Brasil. A erva-mate é o principal produto florestal não madeireiro e o cultivo é totalmente agroecológico, não exigindo desmatamento. Um selo de qualidade foi entregue neste ano para os produtores dos municípios de São Mateus do Sul, Antônio Olinto, Mallet, Rebouças, Rio do Sul e São João do Triunfo.

Ao todo, 136 cidades cultivam o produto no Paraná. Segundo o Departamento de Economia Rural, o estado exportou 3 mil toneladas de erva-mate no ano passado.

Deral - Grãos - Safra - Paraná

Deral estima crescimento de 18% na primeira safra de grãos no ciclo 19/20

O segundo maior produtor de grãos do país projeta com otimismo o ciclo 2019/2020 em suas lavouras. Segundo o Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria da Agricultura do Estado do Paraná), o estado deve colher 23,3 milhões de toneladas dessas culturas em sua primeira safra, número 18% superior ao ano passado.

Esse índice coloca o Paraná com chances de superar sua safra histórica de 2014/2015, quando os produtores estaduais colheram 38 milhões de toneladas de grãos nas duas etapas do plantio. Como comparação, o ciclo 2018/2019 tem a expectativa de ser encerrado com 36,8 milhões.

Na visão do diretor do Deral, Salatiel Turra, os preços de algumas culturas têm motivado os produtores do estado. “As cotações para soja e milho estão interessantes. O produtor utiliza muito esses valores para a tomada de suas decisões. Isso porque os preços precisam cobrir os custos de produção para gerir lucro para as propriedades”, explica.

A soja deve puxar o bom rendimento do setor. O Deral estima que a área de plantio seja de 2,4 milhões de hectares, com aumento de 1% em comparação ao ciclo anterior. Mas a projeção de colheita é de 19,7 milhões de toneladas, número 22% maior que a safra 2018/2019.

Atenção ao clima

Um dos fatores que mais impactam na produção é o clima. O ciclo 2018/2019 sofreu com secas durante os meses de novembro e dezembro do ano passado e teve sua produtividade puxada para baixo. As projeções da próxima safra não conseguem calcular essas variáveis, que novamente podem prejudicar a produtividade no Paraná.

“No ano passado a estimativa era semelhante com a desse ano, entretanto problemas climáticos na fase de formação dos grãos, principalmente com falta de chuva no oeste do Paraná, que é o principal polo produtor da cultura no estado, puxaram os números para baixo”, analisou o diretor do Deral.

O plantio da primeira safra começou nessa quarta-feira (11), tendo duração até o dia 31 de dezembro. Mas o início dessa etapa já tem verificado perspectiva de atraso, justamente por problemas climáticos nas regiões Oeste e Norte do Paraná.

“As chuvas não foram uniformes e com isso os produtores não se sentiram seguros para a fase de germinação dos grãos plantados. Esse atraso acaba apertando e pressionando os produtores para que eles consigam colher dentro do período”, finalizou Turra.

Valor da produção agrícola tem alta de 8,3% e bate recorde

A agricultura brasileira bateu recordes em várias culturas importantes no ano passado, que fizeram com que o valor de produção atingisse o recorde de R$ 343,5 bilhões, alta de 8,3% em relação ao ano anterior. A informação foi divulgada hoje (5), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na publicação Produção Agrícola Municipal (PAM 2018).

Segundo o IBGE, o valor de produção é o mesmo que valor bruto de produção. Eles pegam o chamado “preço de porteira”, que é o preço livre de fretes e impostos, e multiplicam pelo total produzido. O resultado é o valor de produção.

De acordo com o gerente de Agricultura do IBGE, o engenheiro agrônomo Carlos Alfredo, as principais explicações para o recorde no valor de produção foram as condições climáticas, boas no início do ano para algumas culturas. O clima foi ruim para a segunda safra do milho mas, em termos de valor, a falta do milho fez com que o preço do produto subisse, explicou à Agência Brasil. “Então, impactou também nesse valor da produção”, disse Alfredo. Foram plantados ao todo 78,5 milhões de hectares, redução de 0,6% na comparação com 2017.

O gerente de Agricultura observou que quando se olha o grupo dos grãos, principais produtos na categoria de cereais, leguminosas e oleaginosas, percebe-se que não conseguiu ser batido em 2018 o recorde de 2017, quando o clima foi excelente para as culturas. “Mesmo assim, a gente teve uma produção de 227,5 milhões de toneladas. É uma queda de 4,7% em relação ao ano anterior, mas, mesmo assim, foi uma produção boa”. Em termos de valor da produção, que atingiu para essa categoria de produtos R$ 198,5 bilhões, foi apurada expansão de 13,6%. “É a questão dos preços, que aumentaram bastante em 2018”. Carlos Alfredo disse que apesar da queda de 16% na produção de milho, ocorreu aumento de 14,1% no valor.

As dez principais culturas (soja, cana-de-açúcar, milho, café, algodão herbáceo, mandioca, laranja, arroz, banana e fumo) representaram quase 85,6% de todo o valor gerado no ano passado. A soja liderou, com participação de 37% no valor da produção, seguida pela cana-de-açúcar (15%) e milho (11%). A soja teve R$ 127,5 bilhões arrecadados, expansão de 13,6%; cana-de-açúcar, R$ 52,2 bilhões (-3%); e milho, R$ 37,6 bilhões (+14,1%).

Alta em 25 anos

A PAM 2018 revela que desde o Plano Real, em 1994, a soja liderou o ‘ranking’ de culturas nacionais em termos de valor da produção, à exceção de 1996, quando foi substituída pela cana-de-açúcar. Em 25 anos, a soja subiu de um patamar anual de R$ 3,8 bilhões para R$ 127,5 bilhões, em 2018, incremento de 3.222,1%, com a área colhida evoluindo 201,6% (de 11,5 milhões de hectares para 34,8 milhões de hectares. A produção de soja cresceu 372,8% no período (de 24,9 milhões de toneladas para 117,9 milhões de toneladas). A cana-de-açúcar também ampliou o valor da produção em 25 anos em 1.539,6% (de R$ 3 bilhões para R$ 52,2 bilhões), enquanto o milho aumentou o valor arrecadado em 1.111,7% (de R$ 3,1 bilhões para R$ 37,6 bilhões). Houve crescimento também da área plantada de cana-de-açúcar, de 4,4 milhões de hectares para 10 milhões de hectares; e de milho, de 14,5 milhões de hectares para 16,5 milhões de hectares.

Também no café foi registrada safra boa, com recordes na produção (3,6 milhões de toneladas produzidas, alta de 32,5% ante o ano anterior) e no valor de produção (R$ 22,6 bilhões, expansão de 22%). Carlos Alfredo salientou que “a questão climática ajudou bastante” nos resultados apresentados por essa cultura. A espécie café arábica teve um ano de bienalidade positiva em 2018, de alta produção. “A gente teve um recorde na produção de café no ano passado”. Ele explicou que no caso do café, houve queda no preço, que vem caindo nos últimos anos, provocando reclamações dos produtores, que se ressentem do aumento do custo de produção, enquanto os preços não acompanham esse aumento.

O gerente de Agricultura do IBGE afirmou que o mercado internacional está cheio de café, o que fez com que o preço dessa ‘commoditie’ (produtos agrícolas e minerais comercializados no exterior) fosse reduzido. Além disso, o Brasil enfrenta a concorrência da Colômbia e da Indonésia, que têm produzido bastante. “Isso tem aumentado muito a quantidade de café no mercado”.

Também o algodão herbáceo (em caroço) elevou muito a produção no ano passado, alcançando o recorde de 3 milhões de toneladas (aumento de 29%), considerado o maior da série histórica iniciada em 1974. Também o valor da produção subiu 52,3% (R$ 12,8 bilhões). “A demanda por algodão tem sido muito grande, principalmente por causa da China, cujos estoques caíram bastante. Eles estão recompondo os estoques e aí aumentaram bastante a demanda. E mesmo tendo muito algodão, o preço continua alto, diferente do café”, disse o gerente do IBGE.

Mapa vai fiscalizar rastreabilidade de vegetais em sete centrais de abastecimento

Sete centrais de abastecimento de hortigranjeiros do país serão fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na próxima semana para verificação do cumprimento da rastreabilidade desses produtos pelos agricultores. A ação será realizada entre os dias 2 e 5 de setembro em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás.

Na prática, os fiscais do Ministério irão parar alguns caminhões na entrada das centrais para verificar os dados das notas fiscais e dos rótulos das caixas de mercadorias, que têm que estar em conformidade com a legislação.

Segundo o coordenador geral de Qualidade Vegetal do Mapa, Hugo Caruso, a fiscalização será feita em parceria com os serviços de vigilância sanitária dos estados e municípios que atuarão nos supermercados. “O objetivo da rastreabilidade é garantir a segurança alimentar ao consumidor. Não deverá implicar em aumento de preço dos alimentos, pois estudos demonstram que o produto rastreado fica até mais barato, pois o produtor evita o desperdício com uso excessivo de insumos. O custo para o agricultor será com as etiquetas e a rotulagem”.

Entre os produtos que serão fiscalizados que terão de estar identificados estão os cítricos, maçã, uva, batata, alface, repolho, tomate, pepino, cenoura, batata doce, beterraba, cebola, alho, couve, agrião, almeirão, brócolis, chicória, couve-flor, pimentão, abóbora e abobrinha, melão, morango, coco, goiaba, caqui, mamão, banana e manga.

Nos próximos meses, será feita nova fiscalização nas centrais com a coleta de amostras dos produtos que não tiverem a rastreabilidade, para a análise dos resíduos de agrotóxicos. Em caso de irregularidade os comerciantes serão responsabilizados. “A ideia é fazer com que os comerciantes exijam a rastreabilidade dos produtores”, explica Caruso.

As dez centrais de abastecimento do país respondem pela comercialização de 74% das frutas, legumes e verduras. A Ceagesp é a maior com 22% do total, equivalente a 7,5 milhões de toneladas por ano. Depois dela vem a do Rio de Janeiro, com 3,5 milhões de toneladas anuais, e a de Minas com 2,7 milhões de toneladas.

O coordenador informa que os produtores podem obter maiores informações com as superintendências do Ministério nos estados, sindicatos rurais e associações. No endereço eletrônico do Ministério também estão disponíveis perguntas e respostas sobre a rastreabilidade dos vegetais.