Dia de campo comprova segurança na pulverização aérea

A simulação de uma pulverização aérea, conduzida em Goioerê, no Noroeste do Paraná, comprovou que a adoção de um conjunto de boas práticas garante segurança total nessa modalidade de aplicação de defensivos. Na ação, a deriva – deslocamento de gotículas pulverizadas para fora da faixa-alvo da aplicação – não chegou a 50 metros: distância pelo menos cinco vezes menor que a área de segurança definida por lei. A demonstração fez parte do dia de campo “Boas práticas na aplicação aérea”, promovida pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR, além de outras empresas e entidades.

Na demonstração, o avião fez as aplicações ao longo de uma faixa linear de 400 metros de extensão, em uma lavoura de soja. Para comprovar as áreas em que houve deposição – onde as gotículas efetivamente caíram –, posicionaram-se papelotes a cada cinco metros, a partir da faixa de aplicação, até se chegar a um raio de 100 metros (veja o infográfico). Para pulverizar o produto, a aeronave fez voos rasantes, a alturas entre três e cinco metros, a partir do topo da cultura.

A análise dos papeis comprovou que a deposição se concentrou na faixa de aplicação. A partir de 30 metros desta DEMONSTRAÇÃO área, já não se verificava concentração considerável do produto. Dos 50 metros em diante já não havia vestígios das gotículas pulverizadas. O índice de deriva verificado se encontra, com grande margem, dentro da área de segurança estabelecida pela Instrução Normativa (IN) 2/2008, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A norma estabelece que as aplicações aéreas sejam feitas a uma distância mínima de 500 metros de cidades ou bairros, ou de 250 metros de mananciais e moradias isoladas.

“As boas práticas minimizam os riscos na aplicação aérea, a ponto de praticamente eliminá-los. Qualquer pulverização dentro dessas boas práticas vai ser completamente segura para a sociedade. Os parâmetros ficam dentro da legislação vigente, dentro do considerado aceitável pelos órgãos ambientais e das diretrizes do Mapa”, observou o professor Ulisses Rocha Antuniassi, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), especialista em aplicação aérea e que conduziu a prática.

Outro ponto que chama a atenção é que a aplicação se mostrou segura – com deriva dentro da margem de segurança definida em lei – mesmo com a demonstração tendo sido feita em condições meteorológicas adversas. Durante o voo, o vento chegou a 21 quilômetros por hora, quando o ideal é inferior a 9 quilômetros por hora. “Se fosse para fazer uma aplicação convencional, o avião nem teria decolado, porque o vento pode favorecer a deriva. Nós fizemos, por se tratar de uma demonstração. E ainda com o vento superior, a deriva ficou bem abaixo do limite estabelecido”, disse o professor.

Para a técnica do Departamento Técnico da FAEP Elisangeles Souza, que monitora temas diretamente relacionados ao controle de agroquímicos, o evento atesta que a IN 2/2008 garante, com folga, que a pulverização aérea não implique em riscos ambientais nem às comunidades no entorno das propriedades. “A legislação fala em 250 [metros] e em 500 metros, como área de segurança. Se comprovou que a deriva ficou em uma área pelo menos cinco vezes menor. Isso quer dizer que a legislação é bem segura em relação a essa questão de prática no campo”, apontou.

Pilares da segurança

Para se chegar a esse resultado, no entanto, o professor Ulisses Antuniassi destacou que, além de seguir as determinações da legislação, é imprescindível adotar uma série de boas práticas – que ele divide em “três pilares”. O primeiro é a gestão da informação. Neste aspecto, o produtor e a empresa aérea devem fazer um levantamento do entorno – identificando eventuais áreas sensíveis e de segurança – e estabelecer um mapeamento da aplicação, respeitando as faixas de segurança.

O segundo ponto é adequar o plano de aplicação aos aspectos meteorológicos. Ou seja, deve-se proceder a pulverização apenas diante de condições de tempo consideradas ideais, observando, por exemplo, a temperatura e a umidade, além da direção e da força do vento. Tudo isso, levando-se em conta o tipo de produto a ser aplicado e as especificações que constam da bula.

O terceiro pilar, segundo o especialista, é a adoção de técnicas que reduzem a possibilidade de haver deriva. Neste ponto, a empresa deve levar em conta a composição da cauda do avião e a altura do voo de pulverização, de acordo com as condições do tempo e do tipo de lavoura. Entre os aspectos técnicos, o professor destaca o ajuste do espectro de gotas, que dimensiona a espessura das gotículas que serão pulverizadas sobre a plantação. “Quer reduzir a deriva, tem que se evitar gotas menores, que estão mais suscetíveis ao vendo e às condições atmosféricas. É muito melhor optar por gotas médias”, pontuou.

Bom senso

Ainda segundo o professor, a cada safra, cerca de 25% das aplicações de defensivos no Brasil são feitas por aviões. Para o especialista, o tema merece ser analisado com serenidade e bom senso. Ele observa, por exemplo, que é preciso analisar o tipo de cultura, dimensão e a área em que se encontra a lavoura, para definir qual é o melhor método de controle de pragas. A aplicação de defensivos por meio de aviões é inviável, por exemplo, a pequenas propriedades, mas é indispensável a plantações extensas, principalmente a culturas como soja, algodão, milho e cana-de-açúcar.

“Em muitas culturas, em muitas regiões, não precisa de aplicação aérea. Mas em outras, é imprescindível. Na cana, por exemplo, depois que ela atinge dois metros, não tem como fazer aplicação, sem ser pela plataforma aérea. Mais de 60% das aplicações em cana adulta têm que ser feitas por avião, porque não dá para fazer de outra forma”, ressaltou. “Do ponto de vista técnico, eu posso dizer que o controle químico é seguro. Do ponto de vista de sociedade, digo que é fundamental que coexistam técnicas diferentes, como agricultura orgânica e controle químico, para que possam se complementar e que a gente possa gerar segurança alimentar para a sociedade”, apontou.

A técnica da FAEP destacou que o evento representou mais uma oportunidade de se disseminar informação técnica e qualificada, em relação a um tema que é alvo de uma série de preconceitos por parte de segmentos da sociedade. “É importante a gente trabalhar com informação segura e favorecer esse nivelamento de informação”, disse Elisangeles Souza.

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Logística reversa de embalagens de agroquímicos do Brasil é a melhor do mundo

Por André Amorim

O produtor rural paranaense já sabe: depois de utilizar um produto agroquímico, precisa lavar a embalagem três vezes (tríplice lavagem) e encaminhá-la para a reciclagem. Desde o ano 2000 essa prática faz parte da rotina do homem do campo, que consolidou o Brasil como o maior recolhedor deste tipo de embalagem no mundo.

No centro deste trabalho está o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), entidade sem fins lucrativos formada pelas associações das indústrias de agroquímicos no Brasil, para dar conta de uma legislação que obriga os fabricantes a realizarem a logística reversa das embalagens. Ou seja, as empresas precisam dar o encaminhamento ambientalmente correto destes materiais após o seu uso no campo.

De acordo com o coordenador regional de operações do InpEV no Paraná, Fábio Macul, essa história começa ainda antes do ano 2000. Na época do então governador Jaime Lerner foi criado o projeto “Terra Limpa”, que levou o Estado a se tornar o primeiro do país a manter um programa de recolhimento, armazenamento e reciclagem de embalagens de agroquímicos. “Só que o governo estadual descobriu que não tinha o que fazer com aquelas embalagens. E o volume era muito grande”, recorda.

Logo na sequência, a Lei Federal 9.974/00, promulgada em junho de 2000 e regulamentada em 2002, trouxe novidades para o setor ao atribuir a cada agente da cadeia agrícola – produtor, comerciante, fabricante e poder público – a responsabilidade pela devolução das embalagens usadas dos produtos agroquímicos. Nesse contexto, o InpEV surgiu para integrar todos os elos desta cadeia produtiva e gerenciar o sistema de logística reversa.

Desde que entrou em funcionamento, em 2002, o instituto já recolheu mais de 537 mil toneladas de embalagens. O número pode ser conferido no “Embalômetro”, sistema de contagem disponível no site do InpEV (www.inpev.org.br) que aumenta a cada minuto, conforme mais material é recolhido.

Hoje, segundo Macul, o índice de devolução das embalagens usadas no Brasil é de 94%. Para efeito de comparação, em segundo lugar no ranking mundial vem a Alemanha, com 70%, e, na sequência, o Canadá, com 65%. “Nós somos reconhecidos no mundo como excelência no tratamento desses resíduos. Recebemos visitas de outros países para entender como a gente promove a gestão desse negócio num país continental”, diz o coordenador do InpEV.

O Paraná é o segundo Estado brasileiro em volume total de entregas, atrás somente do Mato Grosso. De acordo com Macul, isso poderia se explicar pelo consumo maior destes produtos no Estado do Centro-Oeste. O índice de entregas paranaense é de 98% do utilizado, acima da média nacional.

Do total recolhido, 97% são encaminhados à reciclagem, onde se tornam novos produtos, como embalagens de produtos agroquímicos, fechando o ciclo de vida dos produtos. Os 3% restantes, que por algum motivo não podem ser reciclados, são incinerados.

Para realizar o recolhimento, o InpEV dispõe de uma rede formada por postos e centrais, presentes em diversos municípios. No Paraná são 51 postos de recebimento e 13 centrais, além de 3 mil locais de entrega.

Outra forma de destinar as embalagens é o recebimento itinerante, por meio do qual as associações especificam um calendário para o recolhimento. Desta forma, o produtor sabe que naquele dia será feita a coleta num local perto dele. Basta entrar no site do InpEV e verificar o calendário na região. Em todo Brasil são mais de 5 mil postos de recebimento.

Entrega correta

Parte da responsabilidade no processo de logística reversa cabe ao produtor rural. Antes de destinar a embalagem vazia ao InpEV, é preciso realizar a tríplice lavagem (veja abaixo como efetuar o procedimento). Esse processo é indispensável para a reciclagem e deve ser feita conforme norma específica (NBR 13.968) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

No ato de entrega das embalagens, o produtor deve retirar o comprovante de devolução. O documento, que precisa ficar guardado por cinco anos, é a prova de que o produtor fez a destinação correta da embalagem.

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Coordenadas geográficas em receita agronômica passam a ser obrigatórias

Os profissionais responsáveis por emitir receituários agronômicos no Paraná passam a ser obrigados a incluir no documento as coordenadas geográficas de um ponto dentro da propriedade onde será feita a aplicação de defensivos agrícolas. A medida visa aumentar a precisão das informações sobre o uso de agroquímicos no Estado, de modo a aprimorar o monitoramento e controle fitossanitário nas lavouras paranaenses.

A obrigatoriedade foi implementada por meio da Portaria 103 de 2019, da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Inicialmente, a exigência passaria a valer no fim de junho, 60 dias após a publicação em Diário Oficial – que ocorreu no dia 26 de abril. Mas, para fornecer mais tempo para os envolvidos se adaptarem às novas exigências, o órgão estadual prorrogou o início da exigência para o dia 10 de setembro, por meio da Portaria 188, de 24 de junho de 2019.

A novidade não implica em qualquer alteração na rotina dos produtores rurais, enfatiza o coordenador do Sistema de Monitoramento de Agrotóxicos (Siagro) da Adapar, Luiz Angelo Pasqualin. “Ao produtor não haverá qualquer mudança. O produtor deve observar que os defensivos sejam aplicados de acordo com o recomendado nas receitas. A fiscalização continuará exigindo as mesmas documentações na propriedade”, reforça.

Confira a entrevista com Pasqualin sobre a nova exigência.

BI – Por que foi instituída a obrigatoriedade das coordenadas geográficas na receita agronômica e o que essa medida muda na rotina do produtor rural?

LAP – A obrigatoriedade da localização da propriedade na receita agronômica é exigida desde 2002, de acordo com o artigo 66 do Decreto Federal 4074/02. A complementação desta informação textual com uma coordenada geográfica, funciona como um “CEP”, visto que muitas vezes existem propriedades de mesmo nome no mesmo município e localidade.

De quem é a responsabilidade de indicar as coordenadas geográficas no receituário agronômico?

Assim como todos os demais campos existentes na receita agronômica, esta informação é de responsabilidade do profissional habilitado.

Arrendo uma gleba de 10 hectares para plantar soja dentro de uma propriedade de 20 hectares. Nesses outros 10 hectares, o proprietário também cultiva soja. O que devo fazer?

Não há problema algum. O proprietário comprará seus produtos com uma receita, e o arrendatário com outra receita.

Nesse mesmo caso envolvendo arrendamento, quem deve colocar a indicação?

Em ambos os casos, o responsável técnico pela receita é que vai indicar a localização.

Tenho duas propriedades, posso colocar a latitude e a longi- tude de apenas uma delas no receituário?

Sendo duas propriedades distintas, cada uma requer uma receita própria, portanto com dados de localização distintos. A existência de uma receita para cada propriedade é uma segurança adicional para o produtor, pois os produtos somente podem ser utilizados para a propriedade indicada na receita. Assim é de direito que o produtor cobre de seu responsável técnico que faça as receitas para cada uma das propriedades.

Qual é o local de onde devem ser indicadas as coordenadas geográficas? No talhão específico da aplicação, na sede da propriedade ou em qual- quer ponto da propriedade. Por quê?

Não se exige nenhum local específico, podendo ser adotado qualquer ponto que apenas pertença a propriedade. Como já foi dito, este ponto tem apenas a função de localizar melhor a propriedade, e não de ser o ponto de aplicação.

Existe algum lugar específico no receituário onde o profissional responsável precisa colocar as coordenadas?

O profissional deverá colocar esta informação no campo onde normalmente já informa o nome da propriedade e sua descrição de localidade, adicionando ao final a coordenada em graus minutos e segundos.

O que acontece se meu receituário não tiver latitude e longitude? Quais são as sanções que o produtor vai sofrer?

Não há qualquer sanção ao produtor rural, pois a obrigação de indicar corretamente a propriedade é do profissional de agronomia.

Quais obrigatoriedades o produtor deve cumprir para atender às novas exigências?

Ao produtor não haverá qualquer mudança. O produtor deve observar que os produtos sejam aplicados de acordo com o recomendado nas receitas.

Vai haver alguma mudança em relação à fiscalização das propriedades?

Não há mudança alguma nas regras de fiscalização.

O que o produtor deve estar preparado para mostrar nessa fiscalização? O que exatamente será vistoriado?

A fiscalização continuará exigindo as mesmas documentações na propriedade, ou seja, que todos os produtos tenham suas devidas receitas e notas fiscais, além disso que seja observado o uso de acordo com o que foi prescrito na receita. Deve ser observado que a legislação prevê que estes documentos estejam disponíveis ao fiscal por, pelo menos, dois anos.

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Registros de agroquímicos não têm relação com volume aplicado nas lavouras

Uma das falácias mais recorrentes dos últimos tempos nas mídias digitais e nos demais meios de comunicação diz respeito a uma suposta relação entre os registros de novos produtos agroquímicos e um maior uso destas substâncias na agricultura. Na internet, não raramente encontramos acusações afirmando que esse processo teria por fim “envenenar a população” e outras que, não apenas distorcem a realidade, tentam traçar uma relação maliciosa de causa e efeito. Mas nada tem de verdadeiro.

Primeiro é preciso deixar claro que para chegar até o ponto de ser registrado, um produto agroquímico passa por uma série de análises e testes até que não reste dúvida quanto à sua eficiência e segurança. Além do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), estes produtos são avaliados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que analisa os possíveis riscos à saúde humana, e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que verifica eventuais impactos ao meio ambiente.

Além disso, basta uma análise breve dos dados oficiais para constatar que esta relação entre os números de registros e de vendas de agroquímicos não se sustenta. Vale lembrar que dentre os produtos aprovados este ano, a grande maioria se trata dos mesmos ingredientes ativos que já estavam no mercado brasileiro, apenas com marcas comerciais diferentes.

Segundo especialistas e técnicos ouvidos pela reportagem, o que poderia influenciar o volume de vendas destes produtos é a incidência de pragas, doenças e também o clima, de modo que o número de novos produtos registrados não influencia o volume de vendas dos mesmos.

“Do ponto de vista técnico, isso não é verdadeiro. A quantidade de registro destes produtos não tem essa relação direta com o uso de agrotóxicos no campo”, observa o professor do curso de Agronomia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Arthur Arrobas.

Segundo o docente, o que pode ocorrer é o inverso. “Ao não dispor de uma variedade de produtos com ações diferentes de controle, o produtor, muitas vezes, por conta de quantidade escassa de informação, busca alternativas como utilizar dois produtos, ao invés de apenas um, para ter eficácia”, aponta. Desta forma, uma oferta maior de alternativa de controle poderia resultar num uso mais eficiente e por consequência menor de produtos agroquímicos.

Descompasso

Um bom exemplo de como o número registros não acompanha o volume comercializado é a variação ocorrida entre os anos de 2012 e 2013. Enquanto o número de produtos registrados caiu de 168 para 110, o volume comercializado neste período cresceu de 477,7 mil toneladas para 495,7 mil ton. Neste período o número de registros diminuiu, porém, o consumo aumentou.

A explicação é simples. Em 2013, muitos lembram da lagarta Helicoverpa armigera, que assustou milhares de produtores na época. Depois de causar estragos significativos em lavouras da Bahia, a lagarta apareceu em diversas regiões, destacando-se pelo apetite voraz. Por mais que a praga não encontrasse a mesma força em outras regiões, sua incidência influenciou o maior uso de agroquímicos naquela temporada.

De outra forma, é possível verificar que entre 2016 e 2017 o número de registros passou de 277 para 405, enquanto no mesmo período a comercialização de defensivos caiu de 541,8 mil toneladas para 539,9 mil toneladas. Como se constata, não há relação direta entre uma coisa e outra.

Quanto à aprovação do registro de novos produtos este ano, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) veio a público para esclarecer alguns pontos. Segundo a instituição, “é preciso explicar que há dois tipos de produtos que foram aprovados: os técnicos e os formulados. O primeiro grupo – que representa cerca de metade dos registros de 2019 – refere-se à matéria-prima, ou seja, produtos que serão utilizados na fabricação de um produto formulado, o que significa que não serão comercializados diretamente para utilização no campo”.

O Sindiveg também aponta que, em relação à quantidade de produtos formulados, vale destacar que todos os registros se tratam de novas marcas comerciais de produtos que já eram disponibilizados no mercado anteriormente. “Isso significa mais opções para o agricultor e não um aumento na quantidade de produtos utilizados no campo”, afirma a entidade.

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Paraná reduz em até 50% uso de agroquímicos na soja

O Instituto Emater e a Embrapa Soja obtiveram bons resultados no manejo de pragas e doenças nas últimas safras de soja no Paraná. A redução no uso de agroquímicos chegou a 50% em determinados casos. A perspectiva é melhorar ainda mais os números com o uso de uma nova plataforma web.

Para desenvolver a plataforma web, foi assinado um protocolo de intenção entre Emater, Embrapa Soja, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campi Cornélio Procópio e Dois Vizinhos, e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). A previsão é de que a plataforma esteja em pleno funcionamento na próxima safra 2019/2020.

De acordo com o gestor estadual do Projeto Grãos da Emater, Edivan Possamai, o Instituto e a Embrapa Soja estão há seis anos trabalhando em conjunto na área de manejo de pragas e doenças. “Temos as unidades de referência que adotam o manejo integrado de pragas. Nelas, o extensionista da Emater segue um protocolo técnico, estabelecido entre pesquisa e extensão, para que o resultado seja positivo”, esclarece Possamai.

Segundo ele, nas últimas safras reduziu-se pela metade a aplicação de inseticida nas áreas onde foi realizado o manejo integrado de pragas. “É um resultado bastante expressivo. O agricultor teve uma redução no custo de produção sem perder produtividade, o que aumentou a rentabilidade da lavoura”, salienta o gestor. No manejo integrado de doenças o resultado também foi bom. Nas últimas três safras a redução no uso de fungicidas foi de 35%.

*Informações da AEN*

Normativa que sistematiza registro de uso de agroquímicos em Minor Crops completa cinco anos

Os setores brasileiros de frutas e hortaliças têm motivos para comemorar. No dia 16 de junho completa cinco anos da publicação da Instrução Normativa Conjunta (INC) 1/2014, que sistematizou e simplificou o processo de registro de agroquímicos para o manejo das Culturas com Suporte Fitossanitário Insuficiente (CSFI), também conhecidas como Minor Crops. A medida representa um avanço significativo na legislação, que trouxe maior legalidade e segurança aos hortifruticultores.

A INC é um divisor de águas. Sem produtos próprios registrados para diversas culturas, os produtores tinham duas escolhas: se arriscar na ilegalidade, aplicando defensivos usa dos em outras culturas; ou manejar sua produção sem recorrer às tecnologias disponíveis para combater pragas e doenças. Não se trata aqui de culturas irrelevantes ou exóticas, mas sim campeãs de consumo, como berinjela, abobrinha, melancia, repolho, e muitas outras que figuram diariamente na mesa da família brasileira, mas que não eram contempladas com produtos próprios para o seu manejo.

De autoria conjunta do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a INC 1/2014 permitiu que muitos produtos tivessem seu uso extrapolado para outras culturas, possibilitando controlar pragas e doenças, além de tirar diversos produtores da situação de ilegalidade involuntária em que se encontravam.

“Ter produtos legalizados gera mais segurança na produção de alimentos, já que eles tiveram a chancela do Mapa na questão de ciência agronômica, da Anvisa, revisando os parâmetros toxicológicos, e do Ibama, verificando o impacto ambiental do produto”, observa a técnica do Sistema FAEP/SENAR-PR Elisangeles Souza. Segundo ela, desde que a medida entrou em vigor até hoje, é possível contabilizar diversas vitórias. “De acordo com informações da Anvisa, já são mais de 1,5 mil Limite Máximo de Resíduos (LMR) estabelecidos; mais de 100 culturas beneficiadas e cerca de 150 marcas comerciais registradas pela INC 1/2014”, afirma.

Esses resultados têm repercussão direta no dia a dia do produtor. “Temos muita salsinha no município que antes não tinha nada e hoje temos alguns produtos registrados. Na mandioca salsa, não tinha nenhum herbicida. Graças ao trabalho iniciado pela FAEP, agora nós temos”, observa Paulo Ricardo da Nova, presidente do Sindicato Rural de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. “Quem plantava essas culturas era sempre visto como um criminoso. Esse trabalho tirou todo esse povo da ilegalidade”, avalia o dirigente.

Mudança de imagem

Além de segurança para produzir, a normativa também  melhorou a imagem do setor de frutas e hortaliças perante o público consumidor. “Quando os programas de avaliação de uso de agroquímicos encontravam algum produto não registrado nas hortaliças, eles classificavam como não conforme e divulgavam isso na mídia. Então para o consumidor que não está familiarizado com as questões agronômica e legal, é como se o alimento estivesse contaminado e pudesse colocar a vida dele em risco”, observa o diretor presidente do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort), Stefan Adriaan Coppelmans.

Opinião semelhante tem o representante da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e coordenador do Grupo Técnico de Fitossanidade da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), Tom Prado. “Em termos de saúde não há riscos, assim atesta a própria Anvisa, por meio do último resultado divulgado pelo PARA [Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos]. O grande problema é a percepção equivocada da população de que esta ausência de autorização de uso para algumas pequenas culturas represente risco a saúde”, diz.

A insuficiência de produtos registrados para atender estas culturas também trazia dor de cabeça para os técnicos do setor. “Facilitou bastante a vida. Agora nós temos o que recomendar para o produtor”, avalia o engenheiro agrônomo Hugo Vidal, especialista em hortifrútis. Na sua opinião, a situação anterior à normativa beirava o absurdo. “O produtor podia plantar, mas não podia tratar. O pimentão é da mesma família botânica do tomate. Mas o tomate tinha 50 produtos registrados e o pimentão nenhum, estava condenado à morte. Era uma discrepância tremenda”, analisa.

Neste cenário, as culturas que mais sofrem com a falta de produtos são as pequenas. O próprio nome “Minor Crops” se refere a “pequenas culturas”. São aquelas que ocupam pouca área em comparação às grandes culturas, como soja e milho. O problema delas é que a indústria de agroquímicos dificilmente encontrará vantagem financeira em iniciar um processo de extrapolação de uso de algum produto, pois esse tipo de pesquisa costuma ter altos custos.

“O principal gargalo é a sustentabilidade econômica do registro de pequenas culturas. Os estudos que precisam ser feitos pela indústria são caros e demorados”, avalia Coppelmans.

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Novas regras: saiba como descobrir a latitude e a longitude da sua propriedade

A partir de julho, todas as receitas agronômicas no Paraná deverão obrigatoriamente conter a indicação geográfica das  propriedades nas quais serão feitas aplicações de defensivos agrícolas. A medida visa aumentar a precisão das informações sobre como, onde e quando em relação ao uso de agroquímicos no Estado, o que serve para aprimorar o monitoramento e o controle de possíveis problemas fitossanitários nas lavouras paranaenses. A nova norma foi implementada por meio da Portaria 103 de 2019, da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), divulgada no dia 26 de abril de 2019, com entrada em vigor 60 dias após a publicação.

O que muda na prática, com a nova exigência, é que o engenheiro agrônomo passa a ser obrigado a indicar a latitude e a longitude da propriedade na receita, ou seja, onde irá ocorrer a aplicação de defensivos (veja como encontrar esses dados no quadro ao lado). Luiz Angelo Pasqualin, coordenador do Sistema de Monitoramento de Agrotóxicos (Siagro) da Adapar, enfatiza que não se trata do ponto geográfico exato do talhão, mas uma referência que permite localizar a propriedade. “É muito fácil obter essa informação. Ela pode ser pega até por meio do Google Maps. Na prática, a indicação será tirada uma vez só e, nas próximas, para aquela propriedade específica, será a mesma indicação”, explica.

Outra mudança importante é que o produtor não precisará mais fazer cadastro de usuário de agrotóxicos na Adapar. “Nós aproveitamos o que já existe na estrutura dentro do Siagro. Desde 2010, já existe o campo para inclusão das coordenadas geográficas nesse sistema. Só que como não era obrigatório, não era todo mundo que preenchia o campo. Agora, essa informação da localização irá chegar por meio do receituário agronômico, mediante dados incluídos na receita, município, nome da propriedade, entre outros dados. Acreditamos que a dinâmica do campo será melhor contemplada pelas informações que vêm via receituário”, espera Pasqualin.

Veja como encontrar a latitude e a longitude da sua propriedade no Boletim Informativo.

Entrevista: Pesquisador fala sobre o mito do agroquímico

Em entrevista concedida ao Sistema FAEP/SENAR-PR, o professor Caio Carbonari discorre sobre os mitos que cercam o tema agroquímicos. Carbonari leciona na Universidade Estadual Paulista (Unesp), é pós-doutor e livre docente em Agronomia e Proteção de Plantas. Leia a entrevista:

BI: O senso comum diz que o Brasil é o líder mundial no uso de agrotóxicos. Por que esta afirmação é equivocada? Que tipos de dados ou estudos podem subsidiar isso?

CC: Quando comparamos simplesmente o valor total do mercado de agrotóxicos, o Brasil aparece em primeiro lugar no valor comercializado. No entanto, essa informação é irrelevante, se não compararmos os dados normalizados, ou seja, correlacionarmos o consumo por área ou por produção.

Em outras áreas do conhecimento, questões similares já foram solucionadas. Por exemplo, o número de crimes, acidentes e incidência de enfermidades são expressos por 1.000 ou 100.000 habitantes. Uma vez que o Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo, quando comparamos o consumo por área, o consumo do Brasil é inferior ao de muitos países desenvolvidos, como Japão, Coreia do Sul, Alemanha,
França, Itália e Reino Unido. O consumo brasileiro é compatível com muitos países importantes do ponto vista de produção agrícola mundial.
Isso em um ambiente de produção tropical que favorece substancialmente a ocorrência de pragas, plantas daninhas e doenças.

Há algum parâmetro para aferir se uso de defensivos agrícolas é indiscriminado no Brasil?

Quando fazemos uma análise ampla sobre o uso de agrotóxicos no Brasil, com as estatísticas e critérios adequados, os indicadores mostram um uso seguro de defensivos agrícolas no Brasil.

Uma das ferramentas já consolidadas e com grande aceitação por agências reguladoras e instituições de pesquisa no mundo todo é o EIQ (environmental impact quotient of pesticides – quociente de impacto ambiental), desenvolvido em 1992 por pesquisadores do New York State Integrated Pest Management (Kovach et al, 1992). O EIQ permite quantificar e estabelecer comparações quanto ao risco do consumo de defensivos agrícolas, levando em consideração uma série de fatores como a dose de ingrediente ativo aplicada, características físico-químicas e toxicológicos e dinâmica ambiental de cada composto. Essa ferramenta permite ainda avaliar o risco associado a diferentes componentes,
sendo eles o consumidor dos produtos agrícolas, o trabalhador envolvido na manipulação e aplicação e o ambiente.

Segundo um estudo que conduzimos, os valores de EIQ representando o risco para o consumidor, trabalhador e para o ambiente, vêm caindo no período de 2002 a 2015 e são compatíveis ou inferiores aos observados em muitos países desenvolvidos.
Nós entendemos que o uso do EIQ poderá representar um grande avanço para a avaliação dos riscos associado ao consumo de agrotóxicos e também permitirá informar melhor a população sobre os riscos reais.

Qual a relação que existe entre o fato de o Brasil ter um clima tropical e o uso de agroquímicos na produção?

O clima tropical potencializa a ocorrência de pragas, doenças e plantas daninhas, uma vez que as condições climáticas favoráveis ocorrem o ano todo. O clima tropical tem um aspecto positivo, pois nos permite fazer mais de uma safra por ano, mas aumenta a ocorrência dos problemas fitossanitários, exigindo maiores esforços no manejo. Apesar disso, como mencionado acima, muitos países importantes do ponto de vista de produção agrícola e com clima temperado fazem uso de maiores quantidades relativas de defensivos agrícolas quando comparados ao Brasil.

O Brasil é, hoje, é o maior exportador de soja e um dos maiores produtores de grãos do mundo. Essa produtividade seria possível sem os defensivos?

Na escala que produzimos não é possível, mas é possível trabalharmos continuamente pela redução dos riscos e pela legalidade do uso dos defensivos, o que vem sendo feito no Brasil. Se quisermos aprimorar a abordagem, podem ser estabelecidas metas para a redução dos riscos e as unidades de EIQ são um bom indicador, já utilizadas em outros países. Vale reforçar que quando comparamos os dados normalizados, por produção ou área, temos consumo e risco compatíveis com os de vários outros países desenvolvidos e de importância na produção de alimentos e em relação aos nossos concorrentes no mercado da soja.

Proporcionalmente, o Brasil usa menos agroquímicos que países desenvolvidos, como Japão, Alemanha e França. Que leitura podemos fazer desses dados?

Mesmo usando menos defensivos proporcionalmente, temos níveis elevados de produtividade e temos posição de destaque mundial na produção sustentável de alimentos fibras e bioenergia, o que mostra que temos feito a “lição de casa” quanto ao desenvolvimento de sistemas cada
vez mais sustentáveis de produção e manejo de pragas, plantas daninhas e doenças.

O consumo de agrotóxicos por tonelada produzida no Brasil está bem abaixo do que em países desenvolvidos. O que isso indica?

Novamente, esse dado nos indica a eficiência da nossa agricultura, nossa produtividade vem aumentando todos os anos e o uso de defensivos sequer aumentou na mesma proporção. Isso é mais um indicativo que o uso de defensivos no Brasil é bastante racional, quando comparamos a outros países relevantes quanto a produção agrícola mundial.

Considerando que há essa visão predominante que o uso de agrotóxicos é exagerado no Brasil, qual a saída para este debate?

Isso é atribuído à falta de informações e mesmo à falta de estatísticas confiáveis. Muitas vezes as informações amplamente disseminadas não são construídas a partir do conhecimento técnico e científico disponível. Grande parte das avaliações e julgamentos são de cunho ideológico e genéricos. Quem quiser opinar sobre o assunto deve fazê-lo de modo objetivo e à luz da ciência e do conhecimento. Devemos continuar trabalhando para disponibilizar informações corretas e confiáveis, construídas a partir do conhecimento técnico e científico, sobre o uso de defensivos agrícolas e coloca-las a disposição da nossa sociedade.

FAEP reforça necessidade da prorrogação da redução do ICMS

Uma medida que desonera a aquisição de insumos agropecuários corre o risco de acabar caso não seja renovada imediatamente. O Convênio ICMS nº 100/1997 reduz a base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incide sobre uma série de produtos rurais (agroquímicos, sementes, fertilizantes, defensivos, rações, etc.) nas transações interestaduais. Em 2017, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) prorrogou o convênio até o dia 30 de abril de 2019. Se não for prorrogado novamente, o benefício acaba, trazendo graves consequências à produção de alimentos no Brasil.

No dia 18 de março, a FAEP encaminhou um ofício ao secretário estadual da Fazenda, Rene de Oliveira Garcia Junior, solicitando o apoio do órgão no processo de renovação. O documento destaca que “criar empecilhos ao uso de insumos que favorecem o processo produtivo é atuar na contramão do desenvolvimento econômico do país e na sustentabilidade dos sistemas de produção”.

“O produtor rural brasileiro já convive com um custo de produção altíssimo. Se este convênio não for renovado, as consequências serão grandes, não apenas para o agronegócio, mas no custo do alimento para o consumidor final”, observa o presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette.

Para que o convênio seja mantido é necessário que seja referendado por unanimidade pelos secretários estaduais da Fazenda que integram o Confaz. A próxima reunião está marcada para o dia 5 de abril.

Impacto

Segundo o coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Renato Conchon, além de elevar o custo de produção do agronegócio brasileiro, o aumento do imposto irá refletir em aumento da inflação. O impacto do fim do convênio foi dimensionado pela entidade em um aumento de até 15% no custo de produção, dependendo do Estado e da cultura analisada, por conta da alta dos preços dos insumos. No feijão produzido no Paraná, por exemplo, o impacto no custo de produção com o fim do convênio seria de 9,2%.

Vale lembrar que algumas commodities comercializadas no mercado internacional vivem uma condição de concorrência perfeita, isto é, os valores são determinados pelo mercado já que a negociação ocorre na bolsa. “Nos casos da soja e do milho, que têm preços balizados pelo mercado internacional, o que acaba fazendo a diferença no bolso do produtor é o quanto ele gasta para produzir. É aí que ele vai trabalhar a sua margem. Se o custo de produção subir e o preço internacional permanecer o mesmo, o que vai encolher é o resultado”, avalia o coordenador do Departamento Técnico Econômico (DTE) da FAEP, Jefrey Albers.

Jogando contra

Esta não é a primeira medida do atual governo federal que pode impactar negativamente a produção agropecuária nacional. No início deste ano, o ministro da Economia, Paulo Guedes ordenou a retirada da tarifa antidumping incidente sobre o leite importado da Nova Zelândia e União Europeia, enriquecido com subsídios, que concorria em deslealdade com o produto nacional. Na ocasião, o governo recuou, argumentando que criaria um novo tributo para compensar o fim da tarifa, medida que até o presente momento não foi criada efetivamente.

Também foi aventado recentemente o fim da Lei Kandir que isenta de ICMS a exportação de produtos básicos, como a soja. Caso a isenção seja derrubada, o impacto no agronegócio será brutal.

Curso sobre defensivos agrícolas é o mais procurado da história do SENAR-PR

A preocupação com a saúde dos trabalhadores e a conservação do meio ambiente é uma constante entre os produtores rurais. Inúmeros fatos demonstram quanto os agropecuaristas são cautelosos em relação ao tema. Diante deste cenário emblemático, desde 1994, quando o SENAR-PR ofereceu suas primeiras formações, o curso ‘Trabalhador na Aplicação de Agrotóxico’ é o mais procurado entre todas as opções de formações. De lá para cá, o catálogo de cursos disponíveis já conta com mais de 250 formações, mas ainda assim a capacitação é a mais demandada.

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Flaviane Medeiros, técnica do SENAR-PR e responsável pelo curso, enfatiza que apenas em 2018 foram mais de 500 turmas promovidas, para trabalhadores e produtores rurais. “O curso trata principalmente de aspectos que interferem na saúde e segurança do trabalhador, além da destinação correta de embalagens vazias. Inclui tudo o que a norma regulamentadora prevê. São três dias de treinamento que o participante dedica ao tema”, explica. “Também aborda a tecnologia de aplicação, que não é uma exigência da norma regulamentadora, mas que o SENAR-PR disponibiliza como um diferencial”, complementa.

Instrutor do SENAR-PR desde as primeiras turmas do curso, Alcione José Ristof, de Medianeira, no Oeste do Paraná, lembra que a realidade dos defensivos agrícolas nos anos 1990 era bastante diferente. “Os produtos disponíveis na época possuíam níveis de toxicidade mais altos e ainda não havia tanta facilidade no acesso a Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs). Para se ter ideia, não era possível comprar uma unidade de um determinado EPI, apenas de 10 em 10. Então começamos a trabalhar com distribuidores para haver maior disponibilização”, cita.

Leia a matéria completa no Boletim Informativo.