Battisti admite pela 1ª vez atuação em assassinatos; Bolsonaro ataca esquerda

O terrorista italiano Cesare Battisti, 64, extraditado à Itália em janeiro, admitiu em um depoimento à Justiça que foi responsável pelo assassinato de quatro pessoas na década de 1970 -quando militava no grupo Proletários Armados pelo Comunismo.

Foi a primeira vez que Battisti confessou os crimes pelos quais foi condenado à prisão perpétua na Itália.

No interrogatório, Battisti confessou que é responsável por quatro homicídios, três ferimentos graves e uma série de roubos. “Vou falar do que eu sou responsável e não vou falar de mais ninguém”, disse o italiano segundo os meios de comunicação locais.

Battisti afirmou que, dos quatro assassinatos, foi o executor de dois. Ele ainda pediu desculpas às famílias das vítimas durante o interrogatório que durou nove horas.
Na década de 1980, o italiano fugiu do país, tendo vivido na França até 2004, quando veio ao Brasil.

Sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Battisti obteve status de refugiado político. O ex-presidente Michel Temer (MDB) decidiu extraditá-lo e obteve aval do STF (Supremo Tribunal Federal) em dezembro do ano passado.

O italiano, porém, fugiu mais uma vez, tendo sido encontrado em janeiro, na Bolívia, onde foi preso e extraditado para a Itália.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL), que defendeu a extradição do italiano em sua campanha, afirmou nesta segunda-feira (25) pelas redes sociais que o Brasil não será mais “paraíso de bandidos”. Ele também criticou a esquerda por ter abrigado o terrorista.

“Battisti, ‘herói’ da esquerda, que vivia colônia de férias no Brasil proporcionada e apoiada pelo governo do PT e suas linhas auxiliares (PSOL, PCdoB, MST), confessou pela primeira vez participação em quatro assassinatos quando integrou o grupo terrorista Proletários Armados pelo Comunismo”, afirmou Bolsonaro.

“Por anos denunciei a proteção dada ao terrorista, aqui tratado como exilado político. Nas eleições, firmei o compromisso de mandá-lo de volta à Itália para que pagasse por seus crimes. A nova posição do Brasil é um recado ao mundo: não seremos mais o paraíso de bandidos!”, completou.

Os assassinatos cometidos pelo PAC, grupo de luta armada de esquerda, sob responsabilidade de Battisti aconteceram entre 1977 e 1979. Foram mortos o agente penitenciário Antonio Santoro, o joalheiro Pierluigi Torregiani, o açougueiro Lino Sabadin e o agente policial Andrea Campagna.

Três assassinatos em 12 horas marcam Fazenda Rio Grande; veja vídeo

Três homicídios em 12 horas marcaram a quarta-feira (14) em Fazenda Rio Grande, região metropolitana de Curitiba. Todos estão sendo investigados  pela Delegacia de Fazenda Rio Grande.

A primeira ocorrência aconteceu no bairro Eucaliptos, por volta das 16h. O vídeo (abaixo) mostra o momento que um homem de 24 anos foi alvejado por mais de 30 disparos de armas de fogo. Já a segunda aconteceu no bairro Iguaçu, quando a vítima, identificada como um ex-presidiário, sofreu cinco tiros na cabeça. Não há testemunhas e nem imagens do crime. Por fim, o terceiro caso foi na zona rural, localizada no Passo Amarelo. Um rapaz de 25 anos que estava voltando do futebol foi morto com dois tiros no rosto.

 

Com mais de 61 mil assassinatos, Brasil tem recorde de homicídios em 2016

Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil

O Brasil registrou 61,6 mil mortes violentas em 2016, de acordo com o Anuário Brasileiro da Segurança Pública divulgado hoje (30). O número, que contabiliza latrocínios, homicídios e lesões seguidas de morte, representa um crescimento de 3,8% em comparação com 2015, sendo o maior patamar da história do país. Em média, foram contabilizados 7 assassinatos por hora. Com o crescimento do número de mortes intencionais, a taxa de homicídios no Brasil por 100 mil habitantes ficou em 29,9.

O Rio de Janeiro é o estado com maior número de vítimas (6,2 mil) e registrou o segundo maior crescimento na quantidade de casos, 24,3% em relação a 2015. Foram registrados 37,6 homicídios para cada 100 mil habitantes no estado.

A maior taxa de assassinatos foi, no entanto, verificada em Sergipe com 64 casos para cada grupo de 100 mil. Em números absolutos, o estado teve 1,4 mil mortes violentas em 2016, uma alta de 11,5% em relação ao ano anterior.

A maior elevação no número de assassinatos ocorreu no Amapá que teve 250 casos em 2015 e chegou a 388 em 2016, uma alta de 52,1%. O Rio Grande do Norte foi o terceiro em crescimento no número de mortes (18%). Com 1,9 mil casos, o estado tem a segunda maior taxa de assassinatos para cada 100 mil habitantes no estado – 56,9.

Violência contra a mulher

O anuário trouxe ainda, pela primeira vez, os dados dos feminicídios e assassinatos de mulheres. Em 2015 entrou em vigor a legislação nacional que determinou que assassinatos cometidos contra mulheres em razão de gênero se tornassem agravante do homicídio. Em 2016, foram registrados 533 casos em todo o país que tiveram enquadramento na nova lei. Desses, 96 ocorreram no Rio Grande do Sul.

Os crimes violentos contra mulheres somaram 4,6 mil casos em 2016, o que representa uma média de um assassinato a cada duas horas. Os estupros totalizaram 49,5 mil ocorrências, um crescimento de 3,5% em comparação com 2015.

Soluções

A partir de experiências que conseguiram reduzir a violência em outros países, como no Reino Unido, o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Rafael Alcadipani, defendeu políticas que atuem para diminuir a reincidência e melhorar a qualidade de vida da população mais pobre. “A pessoa mais educada, com uma vida melhor, vai ter menos a gramática da violência no seu cotidiano. No caso do Reino Unido, novas gerações que vieram de lares mais estruturados devido ao desenvolvimento econômico que houve no país nas décadas de 1980 e 1990 tem a gramática da violência menos presente”, destacou.

Ainda sobre os resultados obtidos na Inglaterra, o professor apontou como um bom exemplo o uso da liberdade condicional, em que os condenados são observados por funcionários especializados. “Em vez de ser preso, ele vai ter uma pena que vai ser mudar o comportamento da sua vida”, explicou. Enquanto no Brasil, Alcadipani vê como infrutífera a política de encarceramento adotada como regra. “Você não tem nenhuma efetividade de ação que impeça que esse sujeito continue no meio do crime”, enfatizou.

Para reduzir o poder do crime organizado, o Brasil precisa, na opinião do especialista, também discutir a legalização das drogas. “O que resolve problema de fuzil e segurança pública não é controlar fronteira, porque ninguém controla a sua fronteira. O Estados Unidos têm muito mais dinheiro e tecnologia e não controla a sua fronteira. O que controla esse tipo de crime é justamente a regulamentação do mercado das drogas. Se tem muito fuzil, muita arma pesada, você tem muito dinheiro na mão do crime hoje”.