Greta Thunberg é eleita personalidade do ano pela Time

Fórum de Davos: Greta é grande destaque; Doria e Huck farão discurso

O Fórum Econômico Mundial em Davos sucumbiu à pirralha. É da ativista ambiental sueca Greta Thunberg, 17, a voz mais esperada no encontro que reúne a partir desta segunda (20), nos Alpes Suíços, a elite financeira e política global.

Ao celebrar sua 50ª edição neste ano, o evento criado por Klaus Schwab em 1971 consolida a forma que vinha tomando nos últimos anos, com líderes nacionais e empresariais de cinco continentes circulando entre ativistas, artistas, acadêmicos e outros representantes da sociedade civil.

A participação de Greta em três sessões do evento sela essa transformação.

Depois de dois anos de estreia presidencial no evento, um com Michel Temer (MDB) e outro com Jair Bolsonaro (sem partido), o Brasil baixou a graduação de sua comitiva, que será chefiada pelos ministros Paulo Guedes (Economia) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde), ladeados por parte da equipe econômica.

A missão de Guedes será apresentar aos investidores dados que possam convencê-los de que o Brasil engrenou um novo ciclo de crescimento.

Gustavo Montezano, presidente do BNDES, que tem destacado a importância das parcerias internacionais, faz sua estreia em Davos. Também acompanha a comitiva, Wilson Ferreira Júnior, presidente da Eletrobras, a estatal que encabeça a lista de privatizações do governo.

Dois aspirantes ao Planalto, porém, comparecerão – o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e o apresentador Luciano Huck falarão ao público na quinta (23), o primeiro sobre cidades do futuro e o último sobre a ebulição das ruas da América Latina.

Sem o presidente, a lista de empresários e executivos brasileiros também minguou, resumindo-se quase que a presidentes de bancos. A comitiva da área financeira brasileira conta com Itaú Unibanco, Bradesco, BTG Pactual e Safra.

Mas não foi só Bolsonaro que abriu mão do convite.

CHEFES DE ESTADO 

A lista de chefes de Estado e de governo neste ano está bem mais magra do que em seu auge, 2018, quando as calçadas escorregadias do resort de esqui de 11 mil habitantes que inspirou Thomas Mann a escrever “A Montanha Mágica” (1924) foram tomadas por mais de 70 comitivas de presidentes, premiês e monarcas.

Desta vez, serão 43, sendo 25 delas de europeus.

Com a adesão de última hora do americano Donald Trump, aumentaram as expectativas e o quórum. Sua ida, anunciada no início da semana, permanecia nos planos da Casa Branca e da organização até o início deste sábado (18). Mas estando Trump em pleno processo de impeachment, não se pode ter certeza.

A viagem ao exterior neste momento é talhada para ser lida como sinal de confiança de que o processo naufragará em um Senado de maioria republicana, o que é mesmo mais provável. Concretizada, porém, sua presença em Davos pode causar saias-justas.

Nos corredores acarpetados do centro de convenções o americano deve cruzar com (1) Greta, com quem mantém uma guerra verbal; (2) o vice-premiê chinês Han Zheng, com cujo governo trava uma guerra comercial em incipiente armistício; (3) o presidente iraquiano Barham Salih, cujo país foi usado pelos EUA como trampolim para uma quase-guerra com o Irã.

E (4) com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, pivô da guerra política que Trump enfrenta em casa após virem à tona telefonemas em que exigia do europeu a cabeça de inimigos políticos para manter os aportes financeiros americanos a Kiev.

Saia-justa é o que Bolsonaro parece evitar ao desistir do evento e reduzir a delegação logo antes de seu amigo americano confirmar presença.

Com as queimadas na Amazônia e os incêndios em curso na Austrália para mantê-las vivas no debate, o brasileiro seria inevitavelmente cobrado por sua inação ambiental, já que, sob o tema “Interessados em um mundo sustentável e coeso”, a ecologia e a sustentabilidade são o trilho principal do encontro neste ano (com saúde, trabalho, desigualdade social e os de praxe: negócios, tecnologia, geopolítica).

E ainda poderia ter que ouvir um sermão de Greta, a quem definiu como “pirralha”.

É sintomático e estratégico, portanto, que esteja na delegação o cientista Carlos Nobre, presidente da Academia Brasileira de Ciência e respeitado pesquisador do aquecimento global, mas não o ministro do Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles.

O governo parece já ter suficientes escândalos com os quais lidar, e expor Salles a perguntas sobre a Amazônia de gente como Greta, Al Gore e o príncipe Charles não ajuda.

Nobre, por sua vez, foi escalado para três sessões oficiais sobre clima e ambiente. É o mesmo número da estrela da equipe, Paulo Guedes, que falará sobre indústria na terça, crescimento e inclusão social na quarta e dólar na quinta.

O que faz Davos ter o peso que tem para definir a agenda de política e negócios do ano que começa, entretanto, é menos os palcos e mais seus corredores, que fervilham com encontros bilaterais.

O governador de São Paulo não ficou muito atrás. A agenda preliminar de Doria somava 17 encontros bilaterais com executivos e representantes de governo, além de almoços e jantares de negócios.

Ao falar da viagem na sexta (17), o tucano alfinetou Bolsonaro ao dizer que é o único no Executivo do país a participar do evento três vezes seguidas.

No vídeo para convencer investidores estrangeiros a colocarem dinheiro em São Paulo, nova cutucada: a produção elétrica que descreve o estado como ponto de convergência global mostra São Paulo praticamente independente do Brasil e seus problemas, e enfatiza o respeito ao Acordo de Paris sobre o Clima, que Bolsonaro desdenha e a nova cartilha empresarial ama.

O palco principal do evento, porém, não deve apresentar maiores emoções. Além de Trump e do vice-premiê chinês, os demais líderes a discursar ali serão o iraquiano Salih, a alemã Angela Merkel, que deixa a política no ano que vem, o espanhol Pedro Sánchez, que acaba de sobreviver a uma crise doméstica, o italiano Giuseppe Conte, o paquistanês Imran Khan e o príncipe Charles, num furacão familiar após seu filho caçula se afastar da realeza.

Greta ainda não pisa ali – por ora.

AGENDA 

Veja os discursos” em www.weforum.org
Terça (21)
7h30: Donald Trump (EUA)
10h15: Han Zheng (China)*

Quarta (22)
7h: Pedro Sánchez (Espanha)
10h40: Pr. Charles (R. Unido)
11h30: Imran Khan (Paquistão)
14h: Barham Salih (Iraque)

Quinta (23)
10h15: Angela Merkel (Alem.)
12h: Giuseppe Conte (Itália)

Ativista que ajudava vítimas de João de Deus se suicida

A ativista social Sabrina Bittencourt, que recebeu as primeiras denúncias de assédio sexual contra o médium João de Deus, se suicidou na noite deste sábado (2).

A morte foi confirmada em uma nota divulgada pelo grupo Vítimas Unidas, ONG de apoio a vítimas de abuso do qual Sabrina fazia parte.

Segundo a nota, assinada pela presidente da organização, Maria do Carmo Santos, e pela fundadora, Vana Lopes, Sabrina morreu por volta das 21h, em Barcelona, onde vivia.

“A luta de Sabrina jamais será esquecida e continuaremos, com a mesma garra, defendendo as minorias, principalmente as mulheres que são vítimas diárias do machismo”, afirma a nota.

Às 20h05 deste sábado, Sabrina publicou em seu perfil do Facebook um texto dizendo que iria se unir à vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018.

“Eu fiz o que pude, até onde pude. Meu amor será eterno por todos vocês. Perdão por não aguentar, meus filhos. Vocês terão milhares de mães no mundo inteiro”, disse o texto.

Sabrina deixa três filhos. No Facebook, seu filho mais velho, Gabriel Baum, escreveu na manhã deste domingo: “Ela só se transformou em outra matéria. Nós seguiremos por ela. Foi isso que minha mãe me ensinou e ninguém vai poder tirar de mim. Não permitam que manchem o nome dela.”

Ele continua dizendo que estava com a mãe quando Marielle foi assassinada. “Minha mãe me passou o ano todo me preparando, mas nunca estamos preparados mesmo”, afirmou.

Ativista de topless tenta arrancar estátua de Jesus de berço no Vaticano

Da Agência Brasil 

Uma ativista do grupo feminista Femen, de topless (roupa que não cobre o corpo da cintura para cima), tentou arrancar a estátua do bebê Jesus do cenário de Natividade da Praça São Pedro, no Vaticano, hoje (25), mas foi impedida pela polícia enquanto agarrava a estátua. A mulher pulou sobre os trilhos de segurança e correu para o cenário de Natividade gritando “Deus é mulher”. Ela tinha o mesmo slogan pintado em suas costas.

De acordo com o Femen, o ato foi pelo direito das mulheres ao próprio corpo. Em particular, o protesto foi contra a política da Santa Sé associada à proibição do aborto e da contracepção.

Para o Femen, a política do Vaticano é “um forte ataque medieval à liberdade das mulheres e a seus direitos naturais”, diz nota publicada na pagina do Femen, que acrescenta: “Uma criança não vem de um deus, mas de uma mulher”.

Um policial do Vaticano impediu a mulher de roubar a estátua, e a ativista foi detida. O incidente ocorreu duas horas antes de o papa Francisco fazer a tradicional mensagem de Natal para cerca de 50 mil pessoas na praça.

site do grupo Femen identificou a mulher como Alisa Vinogradova e a chamou de “sextrista”. De acordo com o site, o objetivo do grupo, que foi fundado na Ucrânia, é “completar a vitória sobre o patriarcado”.