Banana - FAO - Fungo - Epidemia

Fungo coloca em risco produções de banana em todo mundo

A banana, uma das frutas mais consumidas do mundo, está sob a ameaça da expansão global de uma nova variedade do Mal-do-Panamá –um tipo de fungo cientificamente batizado de Fusarium oxysporum, cujos estudos identificaram a existência de quatro raças.

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), esse fungo pode contaminar mais de 80% das espécies de bananas cultivadas no mundo e seu poder de destruição é tal que pode levar à perda de 100% do campo cultivado.

O fungo se hospeda no solo e é extremamente persistente, sobrevivendo por até 30 anos. As bananeiras infectadas sofrem o amarelamento das folhas, murcham e morrem –daí um dos apelidos da doença ser murcha de Fusarium.
A disseminação é feita por mudas ou solo contaminado, que pode ser carregado por maquinário, ferramentas e até sola de botas. As bananas não chegam a ser afetadas, nem há risco à saúde humana, mas dizima as plantações.

O Fusarium já é um velho inimigo da fruta. Entre os anos de 1900 e 1960, a raça 1 afetou plantações de banana do sub-grupo Gros Michel, o principal tipo exportação daquela época. Nos anos 30, destruiu cerca de um milhão de pés de bananas em Piracicaba, interior de São Paulo.

A banana que comemos hoje não é a de 50 anos atrás, já que a Gros Michel teve de ser substituída por variedades resistentes da Cavendish, como a nanica.

Em caso de uma epidemia global, os bananicultores do mundo podem novamente ter de trocar suas plantações por novos tipos, o que significaria um enorme prejuízo.

“Isso pode levar à substituição de variedades de bananas mais consumidas por outras de menor aceitação pela população e que não tenham características para cultivo comercial –de resistência ao transporte, exportação– como as Cavendish, mas que tenham resistência ao fungo”, conta Josiane Takassaki, pesquisadora do Laboratório de Doenças Fúngicas em Horticultura do Instituto Biológico de São Paulo.

A ameaça global em curso é liderada pela raça 4 do fungo, o R4T, que não tem registro no Brasil.

Sua expansão teve início na década de 1990, em bananeiras da Ásia. Os primeiros registros ocorreram em Taiwan, Malásia e Indonésia.

Na década de 2000, se alastrou rapidamente pelo Sudeste da região e, então, alcançou o Oriente Médio e a Austrália. O sinal de alerta foi acionado em 2013, quando a doença contaminou plantações em Moçambique, na África.

As medidas de contenção da praga, como isolamento das áreas de cultivo e destruição dos bananais, não foram suficientes para evitar que ela chegasse às Américas, com o primeiro caso confirmado na Colômbia, em junho deste ano.

Segundo o ICA (Instituto Colombiano Agropecuário), as seis áreas infectadas no departamento de La Guajira, ao norte, foram isoladas e parte das plantações destruídas.

A suspeita é de que a contaminação tenha se dado por importação de maquinário sujo. A região de La Guajira fica na costa do Mar do Caribe, onde estão importantes produtores da fruta, como Panamá, Costa Rica e Honduras.

O Ministério da Agricultura brasileiro diz que, após a confirmação do caso na Colômbia, proibiu a importação de mudas e intensificou a vigilância na região fronteiriça. A fronteira com a Colômbia tem mais de 1.600 km de extensão, permeada por rios.

Em agosto, foram vistoriadas propriedades em Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte, no Amazonas, na região da tríplice fronteira com Peru e Colômbia, sem que fosse detectado nenhum caso suspeito.

O presidente da Conaban (Confederação Nacional dos Bananicultores), Jeferson Magário, diz que a entidade enviou ofício ao Ministério da Agricultura solicitando uma reunião para alinhar medidas de controle fitossanitários e mais informações sobre a doença, mas não obteve resposta.

O Ministério informou que o ofício foi recebido e que vai se organizar para realizar a reunião solicitada na maior brevidade possível.

Brasil pode ter dificuldade de identificar praga Uma das principais medidas para a contenção de uma nova doença em cultivos é sua rápida identificação e contenção, o que seria um problema no Brasil.

Os bananais do país convivem há décadas com a raça 1 do Fusarium, que afeta principalmente as bananas dos tipos maçã e prata.

“O que se faz hoje é manejar a cultura com controle biológico, de cultivo e testar outras variedades”, diz o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Fernando Haddad.

Segundo o pesquisador, a versão 4 atinge todas as variedades suscetíveis à raça 1, mas é ainda mais agressiva e contaminante, apesar de os sintomas serem os mesmos.

“Se houver uma introdução do R4T por um bananal de prata ou maçã, nós não vamos diferenciá-los visualmente, e talvez não façamos a contenção na velocidade necessária para evitar que ela se espalhe”, explica.

O Brasil tem mais de 500 mil hectares de banana plantados. No Vale do Ribeira (SP), uma das principais regiões produtoras do país, com 25 mil hectares e uma produção anual de 1,1 milhão de toneladas, os agricultores se preocupam com uma rápida expansão da R4T, ainda sem frutas resistentes à doença.

“Somos uma região com 270 mil habitantes, onde a principal atividade econômica é a bananicultura, para alguns municípios chega a representar 80% do PIB (Produto Interno Bruto). O que a gente espera é que o governo mantenha as barreiras fitossanitárias nas fronteiras e dê apoio ao produtor na prevenção”, diz Jeferson Magário, da Conaban (Confederação Nacional dos Bananicultores), que também é presidente da Abavar (Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira).

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) mantém um programa de melhoramento genético de mudas e variedades, com bons resultados para a raça 1 do Fusarium, mas ainda não há variedades resistentes à raça 4 no mundo.

A esperança pode vir da engenharia genética.

Mudas geneticamente modificadas da variedade Grand Naine produzidas pela Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, mostraram resistência em solos infectados com R4T.

Os resultados, porém, ainda são preliminares.

Software pode melhorar a produtividade dos bananais paranaenses

Por Emater

A bananicultura está presente em diversas regiões do país e em todo o Paraná. Apesar da importância econômica, o cultivo de banana ainda padece de baixa produtividade. Segundo dados do IBGE, na safra passada o país colheu 14,6 t/ha de banana, em média.

Esse resultado permanece inalterado há décadas, enquanto países como a Indonésia, Costa Rica e Guatemala têm produtividade média acima de 50 t/ha. A principal causa do baixo rendimento dos bananais brasileiros é o manejo nutricional inadequado das áreas de plantio.

Para ajudar nessa tarefa de correção do solo e adubação, o extensionista José Aridiano Lima de Deus, em conjunto com pesquisadores, desenvolveu um software capaz de identificar o que a planta está precisando para se tornar mais produtiva.

O software CND-Banana é gratuito e pode ser acessado pelo site. “Essa ferramenta tem por objetivo auxiliar os técnicos e bananicultores, dando agilidade na tomada de decisão quanto ao manejo nutricional.  O software facilita a interpretação dos dados de análise foliar para diagnóstico de deficiências e excessos de nutrientes na planta. Como consequência, otimiza o uso de insumos agrícolas  e aumenta a eficiência do uso de corretivos e fertilizantes”, explicou o extensionista.

Para desenvolver o  software CND-Banana, José Aridiano firmou parceria com os professores e pesquisadores: Danilo Eduardo Rozane (UNESP/UFPR); William Natale (UNESP/UFC); Júlio César Lima Neves (UFV); Márcio Cleber de Medeiros Corrêa (UFC); Fabrício Martinazzo Regis de Albuquerque (Sítio Barreiras Fruticultura LTDA); Eduardo Maciel Haitzmann dos Santos (UFPR) e o professor Léon-Étienne Parent (LavalUniversité – Canadá) criador do método mundialmente conhecido “CompositionalNutrientDiagnosis – CND”.  O software CND contempla outras importantes culturas agrícolas como goiaba, manga, uva, atemoia, citrus, tomate e milho doce.

Potencial produtivo

Apesar da boa  produtividade dos bananais paranaenses,  23,3 t/ha, a produção  ainda tem pouca representatividade no cenário nacional.  Quando se analisa a área colhida, o estado é o 17º do país.  Considerando-se o volume de produção, o Paraná é o 11º entre os estados produtores de banana.

De acordo com José Aridiano,  há um grande potencial a ser explorado no estado, principalmente em regiões como o Arenito Caiuá. Para o extensionista, a expansão das áreas de plantio e o aumento da produtividade de áreas já implantadas podem aumentar consideravelmente a produção de banana do estado.

“Para isso é preciso fazer uso de boas práticas de manejo nutricional e conservação do solo”, ressaltou.

José Aridiano informou que estudos recentes têm apontado que a baixa produtividade nos pomares de banana no país, se deve em grande parte ao manejo nutricional inadequado dos bananais.

“Práticas de correção da acidez das áreas de plantio e adubações não são realizadas em conformidade com a análise de solo. Raramente o produtor usa a análise foliar que é uma ferramenta de extrema importância para o diagnóstico do estado nutricional de qualquer cultura agrícola, inclusive a da banana”, destacou o extensionista.

José Aridiano acredita que o software pode contribuir para tornar os cultivos do estado mais produtivos e aumentar a representatividade da cultura da banana no cenário nacional.

Produtores do Litoral buscam registro de origem das mercadorias

Produtos tradicionais do Litoral do Paraná, cachaça, barreado, balas de banana e farinha de mandioca já são reconhecidos nacional e internacionalmente pela sua qualidade, mas ainda falta um tempero nessa história: a certificação de Indicação Geográfica.

Os produtores buscam a chancela do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), vinculado do Ministério da Economia, porque o selo agrega valor, amplia a visibilidade e abre mercado para os empresários expandirem seus negócios. A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Emater e a Agência de Defesa Agropecuária (Adapar) dão apoio e assistência técnica para que os produtores se organizem para conseguir o reconhecimento.

“É um certificado importante não só para ampliar o comércio dos produtos, mas também um estímulo ao reconhecimento regional”, destaca o secretário da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara. Ele ressalta que a iniciativa atende aos compromissos do governador Carlos Massa Ratinho Junior de fomentar cadeias produtivas e o turismo.

A cachaça, por exemplo, tem registros de produção no Litoral paranaense desde 1733, época do Brasil Imperial, quando Dom Pedro II permitiu a instalação de um engenho em Morretes. No século 19, com a imigração italiana, mais de 50 produtores caseiros passaram a tirar da cana-de-açúcar a sua essência simbólica, rito que perdura até os dias de hoje. Não à toa alguns dicionários brasileiros indicam o verbete morretiana como sinônimo do tradicional produto do Paraná.

Morretes lidera a produção de cachaça do Litoral e contribui com 30% de todo mercado estadual. A cidade de 15 mil habitantes conta atualmente com quatro produtores com todos os registros oficiais do Ministério da Agricultura e produz cerca de 10 mil litros por mês.

PLATAFORMA 

Para a roda comercial ficar completa, os produtores litorâneos apostam no recém-criado Fórum de Indicações Geográficas e Marcas Coletivas do Paraná (Origens Paraná), plataforma que integra empresários e o Sebrae-PR e luta pelo alvorecer dos produtos tradicionais.

O Paraná é o terceiro Estado que mais possui produtos com esse selo (seis), atrás apenas de Minas Gerais e Rio Grande do Sul (oito). Já receberam o aval federal o café do Norte Pioneiro, a erva-mate de São Mateus do Sul, o mel de Ortigueira e do Oeste do Paraná, a goiaba de Carlópolis, a uva fina de mesa de Marialva e os queijos da Colônia Witmarsum, em Palmeira.

O processo de obtenção dos registros para as cachaças de Morretes começou a tramitar em esfera federal em 2015 e há expectativa de definição ainda neste ano. O produtor local de cachaça Sadi Poletto explica que o selo assegura segurança ao consumidor final. “Nós não aprendemos a contar e valorizar a nossa história. Morretes é o berço da cachaça, onde ela nasceu. Plantamos uma variedade única e centenária de cana chamada Baianinha. A Indicação Geográfica pode aumentar essa exposição no mercado nacional”, destaca.

No mercado internacional o reconhecimento já é uma realidade. Há poucos anos a versão premium envelhecida em barril de carvalho de um rótulo morretiano foi eleita a melhor cachaça do Brasil. Três rótulos também já foram premiados com medalhas no Concurso Mundial de Bruxelas.

BALA DE BANANA

As balas de banana de Antonina também pleiteiam o reconhecimento do processo iniciado em 1979 e aprimorado na década de 80. As duas principais empresas da cidade produzem cerca de 16 toneladas por ano para o mercado local.

Segundo Maristela Mendes, dona de uma das fábricas, o intuito, além do retorno financeiro, é a consequência positiva que a indicação pode gerar para toda a região, em especial para os setores do turismo. “Há diversos exemplos de lugares que ficaram conhecidos após a Indicação Geográfica, como Caxias do Sul (RS), Gramado (RS), Canela (RS), Franca (SP).

“O reconhecimento da bala de banana e do Litoral do Paraná pode aumentar todo um circuito”, explica. “Também quer dizer que é um produto 100% natural, certificado e típico dessa região do país”. As empresas das balas são reconhecidas por estimular a visitação ao Litoral, apesar de terem conquistado espaço em lojas comerciais de Curitiba e região metropolitana.

BARREADO

Indicação um pouco diferente pode ter o barreado, tradicional prato de carne bovina desfiada do Litoral. O pedido de registro não leva em consideração apenas a receita, mas todo o serviço gastronômico, das tradições que datam mais de 200 anos ao empratamento. O pedido escapa dos buffets que oferecem o produto, por exemplo, para focar nos restaurantes que preservam a culinária açoriana.

“Foram reunidos diversos produtores para indicar o jeito tradicional, desde a escolha da carne, dos temperos, forma de preparo, tempo de cozimento, das panelas de barro, da farinha de mandioca correta. O reconhecimento de Indicação Geográfica virá para essa prática secular”, aponta Maurício Madalozo, produtor local e proprietário de um restaurante. Segundo seus cálculos, Morretes, Antonina e Paranaguá têm oito estabelecimentos capazes de servir o produto nesses moldes.

Além da seleção das carnes e da herança tropeira e fandanga, a panela de barro é um elemento muito tradicional do prato, sendo apontado como o melhor recipiente para preservar o gosto dos alimentos. O serviço também tem as suas especificidades, que fazem parte de seu folclore, e são típicos dos restaurantes do Litoral paranaense.

FARINHA 

A farinha é um produto artesanal do Litoral, da agricultura familiar, com forte tempero cultural. A identidade é atribuída ao processo de produção, que não remove o amido. Alia-se a isso o fato da matéria-prima utilizada ser produzida sem adição de insumos químicos, em decorrência do grande número de unidades de conservação ambiental existentes na região. Ela também é mais grossa, tem gosto peculiar e é usada nos barreados da região.

O secretário da Agricultura e Abastecimento destaca que o Governo do Estado oferece suporte para qualificar os produtores do Litoral que se dedicam ao cultivo e processamento da mandioca. “Temos o máximo interesse na melhoria dos processos”, afirma Norberto Ortigara.

INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

A Indicação Geográfica do INPI é dividida em dois subgrupos: indicação de procedência, quando uma região é reconhecida como centro de produção, fabricação ou extração de determinado produto, levando em conta um modus tradicional; e a denominação de origem, relacionado a um produto proveniente de um meio geográfico específico que exerce influência sobre as características da produção.

No Paraná, o processo de registro dos produtos iniciou com o Sebrae-PR, que fez um diagnóstico em 2013 para identificar potenciais produtos que pudessem ser reconhecidos por sua origem, e passou a orientar as indicações de 12 deles.

A consultora do Sebrae-PR Maria Isabel Guimarães explica que produtos locais com tradição, história e cultura podem pleitear o registro de Indicação Geográfica. Há inclusive um estímulo do governo federal de fomentar os registros no país, que ainda não passam de 51. “Levamos em consideração a notoriedade. Existe uma história nesses produtos. Tem algo que os difere. São pessoas, histórias por trás de tudo”, afirma.

De acordo com o Origens Paraná, além do ganho representativo, os produtos indicados também geram valor agregado e custam em média 30% a mais do que os comuns. “Para se ter uma ideia, segundo as nossas projeções, o meu produto com indicação geográfica teve 100% de valorização nos mercados de fora da região. O quilo do produto é vendido com 100% de valorização”, explica Helinton Lugarini, presidente da Associação dos Amigos da Erva-Mate de São Mateus do Sul e do Origens Paraná.

O empresário destaca a origem comprovada, capacidade de rastreabilidade e boas práticas agrícolas ou de produção como as principais razões para o valor agregado.

Segundo o Instituto Emater, pertencente à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, a Indicação Geográfica concluiu uma cadeia de criação, produção e distribuição. “A certificação mostra ao consumidor que aquele produto foi feito com todos os requisitos técnicos necessários, com padrões de produção rígidos e que o produtor se dedicou a seguir protocolos técnicos definidos. Isso garante a qualidade e a segurança alimentar do produto”, resume o diretor-presidente do instituto, Natalino Avance de Souza.

Litoral do Paraná se destaca na produção de banana

O Paraná é um dos maiores produtores de frutas do Brasil e no Litoral do Paraná, o destaque é a bananicultura, desenvolvida por cerca de 400 famílias moradoras da localidade de Cubatão, no município de Guaratuba. São 3 mil hectares dedicados ao cultivo da banana. A produção anual chega a 96 mil toneladas e representa um ganho de 65 milhões de  reais por ano.

A Engenheira Agrônoma, Elaine Cristine Estólfi Corrêa é bananicultora há 12 anos. Ela herdou o interesse pela cultura do pai dela, que produz bananas há 30 anos. Juntos com outras 70 famílias eles integram a Associação Pró-Agricultura Sustentável de Guaratuba. Elaine é responsável técnica da Associação e fala da importância do cultivo para a economia do Estado.

“Guaratuba é o município com a maior produção de banana do estado. A nossa produção de banana seria suficiente, de acordo com a média brasileira de 7kg per capita, para alimentar o estado todo e ainda sobraria para outro estado. Os produtores começaram a investir mais na qualidade e produtividade, porque a concorrência com a banana importada seria bastante complicada, porque eles utilizam insumos e venenos que nós não podemos utilizar”, explicou.

Em Guaratuba, as variedades mais produzidas são a caturra e a prata. O frio rigoroso, o custo dos insumos e a competitividade do mercado são alguns dos desafios enfrentados pelos agricultores de Guaratuba.

“Em 2018, a gente continua com a super safra. Apesar da qualidade estar boa, ainda o consumo está baixo. Para piorar a situação o custo dos insumos aumentou demais, porque o dólar aumentou muito. A gente já está esperando uma queda de qualidade e uma queda na produtividade pelo menos aqui no sul. Em Guaratuba, pelo fato de estarmos dentro de uma área de conservação, precisamos utilizar técnicas mais saudáveis”, afirmou.

A crise que atingiu o Brasil a partir de 2012 também prejudicou a produção de bananas. Mesmo com a produção constante, o consumo caiu. Para a representante dos produtores, o preço da banana comercializada com o agricultor não chega ao consumidor final, inibindo ainda mais o consumo. Há variedades que são vendidas pelo agricultor a 1,40 o quilo e chega ao mercado custando 3,50 o quilo.

“As vezes a gente tá com uma quantidade muito acumulada, não conseguimos escoar e precisamos jogar fora, porque o preço bom não chega no consumidor. Então estamos em conversa com os supermercados para fazer com que o consumidor seja beneficiado com os preços baixos da roça também”, disse.

Para ampliar o uso da produção e evitar o desperdício, os produtores de banana de Guaratuba vendem as FRUTAS que seriam descartadas para fábricas de Santa Catarina. Uma produz polpas que são exportadas para o Japão e a outra fabrica alimentos para o mercado interno.

Outra parte da produção que é descartada é vendida para zoológicos. A nutricionista Carolina Lens lembra que a banana é uma ótima fonte de energia e é rica em Potássio, substância que ajuda no tratamento da fraqueza muscular, câimbras e formigamento.

“Fácil de levar, é só descascar ela e comer. Não precisa de nenhum outro utensílio, só descascar e descartar a casca. Também é bem utilizada na gastronomia, já que uma banana bem madura pode ser utilizada como substituta do açúcar em uma preparação culinária”, ressaltou.

A banana é a fruta mais popular do mundo, com produção anual de 70 milhões de toneladas. O Brasil é o terceiro maior produtor de banana do mundo, ficando atrás de Índia e Equador. No ranking nacional, o Paraná está entre os dez principais fornecedores.

Emater reúne produtores para debater sustentabilidade da cultura da banana

Com Emater

A Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) realiza, nesta quinta-feira (3), um encontro técnico em Guaratuba para debater a adoção de soluções tecnológicas eficientes e sustentáveis para o controle das doenças Sigatoka Amarela e Sigatoka Negra e da praga do nematóide que atacam a cultura da banana no litoral.

O evento é promovido em conjunto com a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e Associação Pró Agricultura Sustentável de Guaratuba (Apasg).

O engenheiro agrônomo Sebastião Bellettini, coordenador regional da Emater em Paranaguá, conta que a região é o maior polo produtor da fruta no estado e a presença desses dois problemas –Sigatoka e nematóides– coloca em risco a sobrevivência da atividade como negócio economicamente viável para os agricultores da região.

“São dois entraves que comprometem a produtividade das plantações, aumentam os prejuízos a cada ano e são de difícil controle”.

O técnico da Emater explica que, durante o encontro, deve chamar a atenção dos participantes a apresentação de alternativas de enfrentamento do problema, com destaque para o controle biológico do nematóide e o uso de helicóptero para a realização de pulverizações com fungicidas visando o tratamento da Sigatoka.

“Em relação ao controle da praga que ataca a raíz, o nematóide, existem já dois experimentos sendo conduzidos em Guaratuba, com resultados promissores. É um trabalho que envolve a Universidade Estadual de Maringá e algumas empresas da iniciativa privada e que pode levar a uma convivência com a praga diminuindo os prejuízos provocados por ela sobre as plantações”.

O litoral tem, hoje, cerca de 640 famílias de agricultores dedicados à cultura da bananeira. Elas plantam pouco mais de 4 mil hectares, com produção anual que chega a 88 mil toneladas. Guaratuba, sede do encontro, é responsável pela colheita de 70% da safra regional, tem 250 produtores e 2,8 mil hectares plantados.

Sustentabilidade da cultura da banana é tema de debate no litoral

Um encontro técnico vai debater no dia 3 de agosto, em Guaratuba, no litoral, a adoção de soluções tecnológicas eficientes e sustentáveis para o controle das doenças sigatoka amarela e sigatoka negra e da praga do nematóide que atacam a cultura da banana no litoral do estado. A promoção do evento é da Emater, Adapar e Associação Pró-Agricultura Sustentável de Guaratuba (Apasg).

O engenheiro agrônomo Sebastião Bellettini, coordenador regional da Emater em Paranaguá, conta que a região é o maior polo produtor da fruta no estado, e a presença desses dois problemas (sigatoka e nematóides) coloca em risco a sobrevivência da atividade como negócio economicamente viável para os agricultores da região. “São dois entraves que comprometem a produtividade das plantações, aumentam os prejuízos a cada ano e são de difícil controle”.

O técnico explica que durante o encontro vai chamar a atenção dos participantes para apresentação de alternativas de enfrentamento do problema, com destaque para o controle biológico do nematóide e o uso de helicóptero para pulverizações com fungicidas visando o tratamento da sigatoka.

“Em relação ao controle da praga que ataca a raiz, existem já dois experimentos sendo conduzidos em Guaratuba, com resultados promissores. É um trabalho que envolve a Universidade Estadual de Maringá e algumas empresas da iniciativa privada e que pode levar a uma convivência com a praga diminuindo os prejuízos provocados por ela sobre as plantações”.

O litoral do estado tem hoje cerca de 640 famílias de agricultores dedicados à cultura da bananeira. Elas plantam pouco mais de 4 mil hectares, com produção anual que chega a 88 mil toneladas. Guaratuba, sede do Encontro, é responsável pela colheita de 70% da safra regional, tem 250 produtores e 2,8 mil hectares plantados.

A Emater já tem cerca de 100 produtores inscritos para participar do Encontro técnico que acontece no início do próximo mês.

Mapa prepara plano de contingência contra o Mal do Panamá

Até o final de agosto, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Embrapa Mandioca e Fruticultura devem anunciar o Plano Nacional de Contingência para o Mal do Panamá – doença considerada a principal ameaça aos bananais em todo o mundo.

Em 2016, as exportações brasileiras da fruta somaram US$ 21,04 milhões, o equivalente a 64,4 mil toneladas. O Brasil é um dos maiores produtores da fruta.

De acordo com o Departamento de Sanidade Vegetal (DSV) do Mapa, o plano prevê a adoção de medidas para evitar a introdução da raça 4 tropical do fungo causador do Mal do Panamá no Brasil. Essa nova raça está provocando grandes perdas no sul da Ásia, Oriente Médio e Moçambique.

O Brasil convive desde a década de 1950 com a raça 1 do fungo, lembra o chefe da Divisão Prevenção e Vigilância e Controle de Pregas do DSV, Ricardo Kobal. “A raça 1 do Mal do Panamá atinge a variedade de banana maçã, causando grandes perdes na produção”.

No continente americano, a raça 4 ainda não foi encontrada e a sua introdução poderia trazer sérios problemas à produção da fruta. A raça 4 provoca danos às variedades prata, nanica, nanicão, que representam quase 90% das variedades de bananas plantadas no Brasil.

Por meio do plano de contingência, o Mapa e a Embrapa vão dar informações aos produtores e ao público em geral sobre quais precauções devem tomar para prevenir a entrada da doença no território nacional. Brasileiros que pretendam viajar ao sul da Ásia, Oriente Médio e Moçambique, locais de maior ocorrência do fungo, também precisam estar evitar trazer objetos feitos com palha de bananeira, por exemplo. “Também é importante que as pessoas limpem o que fica de terra nos sapatos e lavem as roupas antes de embargar de volta ao Brasil.”

O mal do Panamá é causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense que está disseminada em regiões produtoras de banana do mundo. O fungo pode sobreviver no solo por mais de 20 anos ou ainda em hospedeiros intermediários (ervas daninhas específicas).

As principais formas de disseminação são plantas doentes, solo contaminado com o fungo, transporte de terra em máquinas agrícolas, uso de ferramentas de desbaste infectada com o fungo e água de irrigação com presença de esporos do fungo.

Governo trabalha em plano de contingência contra fungo que ameaça plantações de banana

Mal-do-Panamá é o nome popular de doença causada pelo fungo de solo Fusarium oxysporum fsp cubense (Foc), nova raça de fungos (raça 4 tropical), que está causando grandes perdas no sul da Ásia, Oriente Médio e Moçambique e é considerada a maior ameaça para a cultura da banana no mundo.

O Brasil é livre da raça 4 tropical que atinge as variedades prata, maçã, nanica e nanicão. No continente americano, a raça ainda não foi encontrada e a sua introdução poderia trazer sérios problemas para a produção de bananas, alimento básico e considerado chave para a segurança alimentar.

Diante da propagação dessa raça de fungo e o que representaria para a cultura de banana no Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio do Departamento de Sanidade Vegetal (DSV), juntamente com pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura estão desenvolvendo o Plano Nacional de Contingência, que prevê a adoção de medidas capazes de evitar a sua introdução no território nacional.

Segundo o diretor substituto do departamento, Marco Antônio Alencar, “como até o momento não existem variedades resistentes à praga, a melhor medida de controle é a exclusão, ou seja, evitar que o fungo seja introduzido no território”.

Com esse objetivo, será realizada ampla campanha de informação, direcionada aos produtores e ao público em geral, visando alertar viajantes que se dirigirem àqueles países com ocorrência da raça 4 tropical, que evitem trazer material vegetal e adotem medidas de mitigação de risco, como a realização da limpeza dos vestuários ou de qualquer outro material, a fim de evitar contaminação.

“É preciso impedir a introdução, no país, de mudas de bananeiras sem garantias fitossanitárias adequadas, porque mesmo mudas assintomáticas podem estar contaminadas pelo fungo. Caso a raça 4 tropical seja detectada no país, medidas de erradicação de plantas, interdição de propriedades, restrições ao comércio de vegetais, a partir das áreas com a ocorrência do fungo, deverão ser adotadas, objetivando evitar a disseminação para novas áreas”, explicou Alencar.