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Funcionários da BRF são denunciados por adulterar composto de rações para engorda animal

Onze funcionários da empresa BRF foram denunciados pelo Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) por supostas irregularidades cometidas na fabricação de rações e de um composto adicionado às rações entre os anos 2014 e 2018.

De acordo com a denúncia, há provas robustas de que os funcionários empregavam substâncias proibidas pela legislação brasileira na fabricação do composto PREMIX ou utilizavam substâncias permitidas, mas em dosagem diversa do que a declarada às autoridades e constante dos rótulos dos produtos.

As rações e o PREMIX eram distribuídos aos integrados da empresa, responsáveis pela criação e engorda de aves e suínos, os quais, fechando o ciclo produtivo, são abatidos pela BRF e processados para destinação aos mercados interno e externo.

Ainda segundo o Ministério Público Federal no Paraná, para garantir que a prática não fosse detectada, os denunciados ainda agiram conscientemente para burlar a fiscalização federal, operando outras fraudes, como a remoção de estoques de substâncias usadas na fabricação do PREMIX em datas próximas das quais se realizariam auditorias in loco.

Para o MPF/PR, os crimes não eram exceções ou meros desvios de conduta pontuais de alguns funcionários, mas praticado de forma consciente e sistemática, constituindo-se como verdadeira política da empresa e realizada em diversas escalas de empregados.

Os funcionários foram denunciados pelos crimes de estelionato qualificado, falsidade ideológica, invólucro ou recipiente com falsa indicação, falsificação de substância ou produto alimentício, falsificação de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais e associação criminosa.

NOTA 

Em nota, a BRF informou que “que tem total interesse no esclarecimento de todos os fatos, uma vez que os princípios que guiam a Companhia são baseados na transparência, respeito à legislação e tolerância zero com qualquer tipo de conduta indevida”.

Também garantiu que “nenhum membro da administração, diretor ou executivo em posição de gestão atual na BRF foi denunciado” e que “dentre os onze denunciados, um colaborador da área técnica foi afastado na data de hoje” e que “os demais não fazem parte do quadro da empresa”.

Por fim, reiterou que “cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos de segurança alimentar, controles de qualidade e não compactua com práticas ilícitas”.

carne de frango brf

Bolsonaro deve pedir à Arábia Saudita que volte a importar frango da BRF

O presidente Jair Bolsonaro deve pedir ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, que seu país volte a importar da fábrica da BRF nos Emirados Árabes Unidos.

No início deste mês, a Arábia Saudita restringiu drasticamente as compras de alimentos produzidos na unidade da BRF em Abu Dhabi em meio aos esforços do país para reduzir sua dependência na importação de carne de frango.

Segundo apurou a reportagem, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, conversou com Bolsonaro sobre o assunto durante a visita presidencial à Pequim na China e pediu que ele interceda pela empresa se houver oportunidade.

O presidente já chegou a Abu Dhabi, terceira parada do tour pela Ásia. De lá segue para Doha, no Catar, e chega em Riade, na Arábia Saudita, na segunda-feira (28) à noite. Na terça-feira (29), tem encontros previstos com a família real e participa da conferência conhecida como “Davos no deserto”.

Inaugurada em 2014, a fábrica da BRF nos Emirados importa frango desossado do Brasil e processa em Abu Dhabi, produzindo itens industrializados como “nuggets”. Cerca de 30% da produção local é destinada à Arábia Saudita, o maior cliente da empresa na região.

A intervenção presidencial se tornou necessária porque a BRF não está conseguindo resolver o impasse com os sauditas. A empresa já se prontificou a instalar uma nova fábrica no país, mas não foi suficiente.

As autoridades locais informaram que não desejam uma unidade nos moldes da que está localizada em Abu Dhabi e estão pressionando a BRF para abater os animais no país e não apenas processar a carne que chega do Brasil. A Arábia Saudita tem uma meta de abastecer 60% da demanda doméstica com produção local de frango a partir de 2020.

O problema é que a estratégia não é economicamente viável para a BRF. O frango produzido na Arábia Saudita não tem competitividade em relação ao criado no Brasil. Isso porque os dois principais insumos da atividade -milho e água- são escassos em solo saudita e abundantes no mercado brasileiro.

operação romanos pf BRF

Carne Fraca: 4ª fase apura R$ 19 milhões de propinas da BRF a auditores fiscais

A 4ª Fase da Operação Carne Fraca, chamada de Operação Romanos, foi deflagrada pela Polícia Federal desta terça-feira (1). A ação apura que a BRF (Brasil Foods), grupo empresarial do ramo alimentício, teria feito pagamentos de propina que chegam aos R$ 19 milhões para, pelo menos, 60 fiscais agropecuários federais.

Ao todo, vão sendo cumpridos 68 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Federal de Ponta Grossa. São nove estados envolvidos: Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Um dos mandados cumpridos é na empresa União Avícola, do ex-senador Cidinho Santos, do Mato Grosso. A empresa seria a responsável por intermediar os pagamentos da BRF aos fiscais.

O delegado Maurício Moscardi Grillo, coordenador da operação, ressaltou que a cooperação da BRF não é um acordo de leniência, ou seja, um acordo que a empresa ganha algum tipo de benefício.

“Está dissociado de qualquer acordo de leniência do ponto da empresa ganhar algo. É [colaboração] descompromissada de alguns ganhos que a empresa poderia ter de alguma forma”, ressaltou na entrevista coletiva realizada durante a manhã.

“Quanto as ações, a empresa queria ter conforto no sentido de não ser incomodada. Você tem uma legislação extremamente complexa e um auditor poderia causar esse tipo de situação em cada detalhe da empresa”, completou o delegado da PF, abordando das vantagens obtidas pela empresa.

PROPINA NA OPERAÇÃO ROMANOS

O nome da operação faz referência a diversas passagens bíblicas do Livro de Romanos que tratam de confissão e Justiça.

Nessa quarta fase, a BRF passou a atuar como colaboradora espontânea e indicou que ao menos 60 auditores fiscais agropecuários teriam sido favorecidos com vantagens indevidas.

Os R$ 19 milhões envolvidos eram pagos em espécie, por meio do custeio de planos de saúde e até mesmo por contratos fictícios firmados com pessoas jurídicas que representavam o interesse dos fiscais.

A prática ilegal teria sido interrompida no ano de 2017, quando o grupo passou por uma reestruturação interna.

“Hoje foco é os fiscais, mas a busca de provas e mais elementos vem exatamente no sentido de ampliar os focos da operação”, finalizou Moscardi.

 

Suspensão de abates pela BRF deixa avicultores do Paraná apreensivos

A BRF anunciou no início do mês de abril que vai suspender os abates de frangos em sua planta de Carambeí, nos Campos Gerais, por cinco meses. A medida, que passa a valer a partir do dia 27 de maio, pegou produtores da região de surpresa. Agora, o clima entre quem fez investimentos altos para produzir e terá de deixar estruturas ociosas por praticamente meio ano, é de preocupação e apreensão.

Tiago Grombek está há dois anos com uma estrutura chamada de modal, que consiste em quatro aviários de 16 metros de largura por 150 metros de comprimento. O valor investido por ele foi de R$ 4,4 milhões na estrutura. A capacidade de alojamento é de 47 mil cabeças por barracão, ou seja, quase 190 mil aves por lote.

Mas a partir do fim do fim de maio, serão cinco meses sem nenhum frango no local. “Desde que eu comecei, na verdade, peguei apenas dois lotes regulares, com intervalos normais. Depois foi diminuindo a frequência. Em vez de alojar 8,3 lotes por ano, nesses dois anos inteiros tive 13 lotes. A gente fez o investimento para estar produzindo, não para estar parado.

Estamos apreensivos, esperando uma posição concreta, não sabemos se vai ser mesmo só cinco meses, isso está vago”, comenta. O presidente da Comissão de Avicultura da FAEP, Carlos Bonfim, revela que a unidade da BRF que vai ficar com atividades suspensas já chegou a abater 550 mil frangos por dia, do tipo Griller (produto voltado à exportação). Isso foi antes das operações da Polícia Federal (PF), entre elas Trapaça e Carne Fraca. Depois, segundo Bonfim, esse volume de produção vem oscilando, a ponto de agora estar em 260 mil por dia.

“Para atender a demanda de produção dessa planta de Carambeí, são em torno de 350 a 400 produtores em toda a região dos Campos Gerais e entorno. Fomos pegos de surpresa, não imaginávamos que isso aconteceria, estamos apreensivos. A princípio são cinco meses, mas não sabemos o que vai acontecer amanhã ou depois.

Temos problemas sérios, o que vamos fazer para honrar nossos funcionários nesse período?”, questiona. Bonfim revela que a empresa se prontificou a pagar uma indenização diária aos produtores durante o período de paralisação. Serão R$ 84 por dia aos avicultores que têm barracões convencionais, de 1200 m2, e R$ 420 por dia aos avicultores que têm núcleos fechados (modal), compostos por quatro barracões em um total de 9.400m2. “A indenização é muito importante, mas cobre apenas os custos de subsistência, o avicultor precisa viver nesse período”, pondera.

Leia a matéria completa no Boletim Informativo.

BRF tem resultado abaixo do esperado no 4º trimestre

A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, teve prejuízo líquido pelo segundo trimestre seguido nos últimos três meses de 2018. Companhia sentiu impacto de embargo comercial, investigações e recuperação lenta da economia do país, que ofuscaram os esforços de reestruturação da companhia. A empresa teve prejuízo líquido de R$ 2,1 bilhões de outubro a dezembro, 12,5 vezes maior do que a estimativa média de analistas.

O resultado teve influência de uma perda contábil elevada, relativa a vendas de ativos na Argentina, na Europa e na Tailândia, feitas por valores menores do que os registrados na contabilidade da empresa.

Executivos da BRF afirmaram que uma perda contábil adicional de 800 milhões de reais ligada a variações cambiais, será computada nos dois próximos trimestres, quando a empresa espera concluir as vendas de ativos após aprovações de autoridades.

A BRF levantou R$ 4,1 bilhões com vendas de ativos em 2018, apoiando estratégia de prolongar vencimentos e reduzir custo de dívida. O presidente-executivo da companhia, Pedro Parente, afirmou que as vendas de ativos marcaram o início de um ciclo positivo após um dos anos mais desafiadores para a BRF em uma década. “O ciclo de ajustes para lidarmos com fatores adversos está terminado”, disse Parente. “Agora precisamos de disciplina para executar nosso plano estratégico.”

Antonio Barreto, analista do Itaú BBA, afirmou em nota que os resultados da BRF “são negativos à primeira vista”. Segundo ele, o Ebitda, um indicado de lucro operacional, ficou praticamente em linha com as estimativas, mas a questão é como melhorá-lo diante de tantos desafios. Entre eles está o embargo europeu a 12 fábricas brasileiras da companhia após a BRF ter se envolvido em denúncias de fraude em inspeções sanitárias apuradas pela Polícia Federal.

O embargo gerou excesso de oferta de carne de frango e suína no Brasil, num momento de preços maiores de grãos, o que fez as margens de lucro da BRF ficarem sob forte pressão, disse a BRF.
A empresa afirmou que espera que o preço de grãos fique estável em 2019 após subir 30 por cento em 2018. Diante da situação da economia do Brasil e excesso de oferta, a companhia não foi capaz de repassar aumentos de custos para os clientes.

No ano passado, a BRF teve prejuízo líquido de 4,46 bilhões de reais, terceiro ano consecutivo de resultado negativo anual.

carne bovina - eua - tereza cristina

BRF tenta acordo de leniência em investigações da Operação Carne Fraca

Dona das marcas Sadia e Perdigão, a BRF iniciou tratativas para um acordo de leniência com o MPF (Ministério Público Federal) e o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU).  As negociações envolvem crimes investigados na Operação Carne Fraca, deflagrada no ano passado pela Polícia Federal, que apontou pagamento de propinas a servidores do Ministério da Agricultura por alguns dos maiores frigoríficos do país, em troca de facilidades diversas.

Dezenas de investigados, entre eles funcionários públicos e executivos das empresas, incluindo a BRF, foram indiciados por corrupção, crimes contra a ordem econômica e falsificação de produtos alimentícios, entre outros crimes.

A operação teve forte impacto sobre o setor, afetando em alguns momentos as exportações brasileiras, em razão de suspeitas sobre a eficiência do controle sanitário dos produtos.

Espécie de delação premiada para pessoas jurídicas, a leniência permite que empresas envolvidas em esquemas ilícitos se livrem de multas e da declaração de inidoneidade, sanção que impede a participação em licitações abertas pelo governo federal e a obtenção de crédito em bancos públicos.

Em troca, elas têm de colaborar com as investigações, revelar fatos novos, desconhecidos pelas autoridades, e ressarcir integralmente os eventuais danos causados ao erário.

A informação sobre a tentativa de acordo foi divulgada pelo “Valor Econômico” nesta quarta (17) e confirmada pela Folha de S.Paulo com pessoas que têm acesso às negociações.

As comissões para tratar do acordo com representantes da BRF estão sendo formadas. A concessão dos benefícios dependerá do sucesso dessas conversas.  No caso da Lava Jato, o entendimento com algumas empreiteiras levou anos para se concretizar.

A proposta da BRF é a de detalhar os principais esquemas citados em relatórios da PF, entre eles o pagamento de propinas a fiscais da Agricultura para facilitar o licenciamento de frigoríficos e para conseguir a edição de normas que facilitassem suas exportações.

Em março deste ano, outra frente de investigação da Carne Fraca, denominada Operação Trapaça, apurou fraudes em análises laboratoriais dos produtos comercializados e a apresentação de dados falsos ao Ministério da Agricultura.

Na última segunda (15), a PF indiciou 41 pessoas por participar desse suposto esquema, entre elas o empresário Abilio Diniz, acionista e ex-presidente do Conselho de Administração da BRF, e o ex-diretor-presidente do grupo Pedro de Andrade Faria. Eles são suspeitos de cometer crimes contra a saúde pública, estelionato, falsidade ideológica e organização criminosa.

A BRF não se pronunciou sobre a tentativa de um acordo de leniência. Informou apenas que colabora com as autoridades competentes. A CGU não se manifestou.
A assessoria de Abilio sustenta que que o empresário não cometeu nenhuma irregularidade na BRF.

Já a BRF alega estar colaborando com os investigadores e que afastou preventivamente seus funcionários sob suspeita.

Mulher é abordada com mais de 200 celulares contrabandeados

Uma brasileira foi abordada com 226 celulares de fabricação chinesa, no último fim de semana, em um táxi paraguaio tentando passar pela Aduana e entrar no Brasil. A abordagem aconteceu no âmbito da Operação Fronteira Integrada, que reuniu servidores da Receita Federal, policiais do Batalhão de Polícia de Fronteira e da Força Nacional.

No sábado (18), por volta das 15h, um táxi paraguaio foi abordado ao atravessar a Aduana. O carro estava ocupado pelo condutor e uma passageira brasileira. Ao iniciar a fiscalização, a mulher foi questionada sobre o que transportava. Segundo a Receita Federal, a mesma alegou que estaria levando uma certa quantidade de eletrônicos.

Ao realizarem a abordagem, as equipes encontraram uma sacola com 226 celulares de fabricação chinesa. Ao ser questionada, a mulher informou que não sabia de toda a quantidade de celulares e que somente levaria a mercadoria até a rodoviária em Foz do Iguaçu e que receberia R$20,00 pelo transporte.

Os itens apreendidos foram avaliados em aproximadamente R$ 135 mil. A mulher foi liberada. Porém, o caso foi enviado ao Ministério Público para uma representação fiscal para fins penais para apuração dos ilícitos.

Reflexos da Carne Fraca: BRF anuncia fechamento de unidades para levantar R$ 5 bi e pagar dívida

A empresa de alimentos BRF, alvo da Operação Carne Fraca, anunciou nesta sexta-feira (29) que pretende arrecadar pelo menos R$ 5 bilhões com um plano de reestruturação operacional e financeira da companhia. Estão previstas as vendas das unidades da empresa na Europa, Tailândia e Argentina. O plano também abrange a venda de ativos imobiliários e não operacionais, e de participações minoritárias em empresas. No fim do primeiro trimestre, a dívida líquida da BRF somava R$ 14 bilhões.

“O ponto de partida desse plano é a decisão da empresa de focar suas operações no mercado doméstico brasileiro, na Ásia e no mercado muçulmano”, diz a nota. Em relação a venda das unidades na Europa, Tailândia e Argentina a empresa ressaltou que o fato não exclui a exportação para esses mercados.

Dona das marcas Sadia e Perdigão, a companhia também informou que dará continuidade no plano de reestruturação fabril, que adéqua a produção de acordo com a demanda de mercado, com a melhor gestão de estoques de matéria prima.  “Em andamento desde março deste ano, a iniciativa incluiu readequação nas linhas de produção, férias coletivas e a redução de cerca de 5% do quadro de funcionários nas operações fabris no Brasil”, diz o comunicado.

A BRF também destacou que vai reduzir o número de vice-presidências de 14 para 10, divididas em três grandes áreas.

BRF NA OPERAÇÃO CARNE FRACA

Entre 2012 e 2015, um frigorífico do Paraná e dois de Goiás ligados à BRF Brasil Foods teriam omitido a presença da bactéria Salmonella em carne de frango para garantir a exportação do produto. Entre os países consumidores estavam a China, África do Sul e a Rússia. Nesses países, a tolerância à presença da Samonella é quase zero, diferente do Brasil que, por causa da produção em grande escala, estima e aceita que até 20% das mercadorias tenham presença da bactéria. As fraudes teriam ocorrido somente em produtos destinados ao mercado externo.

1ª fase

Na primeira fase, iniciada em março de 2017, foram cumpridos 309 mandados judiciais, 27 pedidos de prisão preventiva e 11 de prisão temporária, em seis estados mais o Distrito Federal. A Polícia Federal investigou cerca de 30 frigoríficos por depoimentos e escutas telefônicas. Segundo as investigações, os funcionários ofereciam propinas por certificados de qualidade adulterados.

A JBS, dona da Friboi e Seara, e a BRF, proprietária da Sadia e Perdigão, estavam entre as empresas envolvidas na operação.

2ª fase

Batizada de Antídoto, a segunda fase foi deflagrada em maio de 2017. Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva em Goiás. O principal alvo era Francisco Carlos de Assis, ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Estado de Goiás. Assis foi gravado conversando sobre a destruição de provas da Operação.

3ª fase

Batizada de Trapaça, a terceira fase da Carne Fraca foi deflagrada no último mês de março, focada exclusivamente na BRF. Foram cumpridos 11 ordens de prisão temporária, 27 mandados de condução coercitiva e 53 mandados de busca e apreensão em unidades da companhia.

As investigações apontaram que cinco laboratórios e setores de análises da BRF fraudavam resultados de exames entre 2012 e 2015 com conhecimento de executivos da empresa. A denúncia teria sido feita por uma ex-funcionária que processou a companhia.

Foram presos o ex-presidente da BRF, Pedro de Andrade Faria, e o ex-vice-presidente Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnior.

Parente pode ser o novo presidente-executivo da BRF

Depois de deixar a Petrobras, Pedro Parente pode ser o novo presidente-executivo da BRF, gigante de alimentos resultado da fusão de Sadia e Perdigão.

Parente assumiu recentemente o comando do conselho de administração da empresa no lugar do empresário Abilio Diniz, e é grande a torcida dentro da BRF para que ele passe para a presidência-executiva, cargo que hoje está vago.

Dois membros do conselho de administração da companhia disseram à reportagem, sob condição de anonimato, que gostariam de ver Parente no comando da BRF, mas que ainda não sabem se ele topa o desafio ou se vai preferir não assumir outro cargo executivo agora.

Parente vem promovendo uma reestruturação no comando da empresa, que atravessa uma forte crise, após seguidos prejuízos e as acusações de fraude da Operação Carne Fraca.

Após proibição, BRF concede férias coletivas aos funcionários de Toledo
Analista da BRF que alterava fórmulas das rações é solta pela Justiça

A seu pedido, a BRF contratou as consultorias BCG e McKinsey, para rever sua estrutura organizacional. A empresa possui hoje 14 pessoas -entre vice-presidentes e diretores- reportando diretamente ao CEO, número considerado excessivo pelo atual conselho.

Mapa vai ingressar na OMC contra restrições da UE à importação de aves

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, anunciou nesta terça-feira (17) que irá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a União Europeia que está descredenciando frigoríficos da BRF como exportadores de carne de aves para países do bloco econômico.

A decisão foi tomada no retorno da viagem que realizou à Bruxelas, onde defendeu a autoridades, como o comissário para a Agricultura e Desenvolvimento Rural da Comissão Europeia, Phil Hogan, a sanidade do produto brasileiro.

De acordo com o ministro, trata-se de guerra comercial da UE. “Estão aproveitando para nos tirar do mercado em nome da sanidade, o que não é verdadeiro”, afirmou. Decisão de suspender parte das exportações de apenas três frigoríficos havia sido tomada pelo próprio Mapa depois que a Polícia Federal realizou operação envolvendo análises laboratoriais que atendiam à BRF. Mas deverá se estender a todos os estabelecimentos da empresa, por iniciativa da UE.

Blairo Maggi lembrou que a preocupação com a presença de salmonella alegada no bloco não tem justificativa técnica uma vez que é possível exportar cortes de frango in natura para os países da comunidade europeia, com proibição para apenas dois tipos da bactéria, desde que seja paga tarifa adicional de 1.024 euros por tonelada.

O ministro destacou medidas adotadas pelo ministério para retirar qualquer influência política e dar maior transparência aos processos de fiscalização de um ano para cá.

O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Luís Rangel, disse que, apesar da União Europeia ter aumentado para 100% a inspeção da carne de aves desde março do ano passado, o índice de alertas sobre a presença de salmonella está no mesmo nível de um ano atrás, quando apenas 20% da carga era avaliada.

Rangel disse que, uma vez que a carne de frango não é consumida crua, a presença de salmonella não implica em risco à saúde humana. Controles sobre presença de salmonella nas carnes de aves são estabelecidos pelo Mapa desde 2003 seguindo padrões internacionais, mediante o Programa de Redução de Patógenos Monitoramento Microbiológico e Controle de Salmonella em carcaças de frangos e perus.