Explosão de dinamite provocou tragédia em Curitiba no ano de 1976

 

Em setembro de 1976, o estrondo de uma explosão foi ouvido em toda a cidade. Um caminhão, que transportava uma tonelada e meia de dinamite,  pegou fogo e depois explodiu, deixando dois mortos e dezenas de feridos no bairro Cabral.

O jornalista Ney Hamilton foi um dos primeiros a chegar. Ele trabalhava no Instituto de Biologia (Depois Tecpar) , que ficava na Rua dos Funcionários, a uma dez quadras.  Com o estrondo os vidros do laboratório cairam no chão.

Ele foi ver o que tinha acontecido, pensando ser uma queda de avião. Mais perto, pela coluna de fumaça, imaginou ser a explosão de um posto na Avenida Munhoz da Rocha. Ficou impressionado pelo numero pássaros mortos ao longo do caminho. E com os vidros de casas que quebraram, a quase um quilometro, em ondas de maior ou menor intensidade.

No local o caminhão em pedaços não era mais identificado, havia uma cratera e um pedestre morto, atingido por parte do motor do caminhão. Ao redor as casas de madeira estavam destruídas ou destelhadas, e os fios de luz estavam no chão. Parte do motor do caminhão foi parar em cima da marquise da Fábrica de Biscoitos Lucinda, que ficava a mais de 100 metros do local da explosão. A tragédia só não teve mais vítimas porque o motorista e o ajudante do caminhão viram o fogo,  e sairam gritando para alertar os moradores. Veja mais detalhes no vídeo abaixo.

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Vídeo da Band Paraná sobre o caso.

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Contato com José Wille.

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jose.wille

TRF 4 nega embargos de declaração do ex-governador e do ex-secretário de gestão do RJ

Do TRF4

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negou ontem (9/8) o recurso de embargos declaratórios do ex-governador do estado do Rio de Janeiro (RJ) Sérgio de Oliveira Cabral Santos Filho. Os embargos haviam sido interpostos contra a decisão do tribunal de manter a condenação do político por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato. Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho, ex-secretário de gestão do RJ, também teve o mesmo tipo de recurso negado na mesma sessão de julgamento.

O ex-governador foi condenado, em 1ª instância, pela 13ª Vara Federal de Curitiba, especializada em crimes financeiros e de lavagem de dinheiro, a uma pena de 14 anos e dois meses de reclusão em 13 de junho do ano passado. Já Carvalho foi sentenciado a 10 anos e oito meses de reclusão pela prática dos mesmos dois crimes.

Conforme a sentença, a empresa Andrade Gutierrez pagava propina ao ex-governador por meio do ex-secretário e do sócio de Cabral, Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, para garantir o contrato de terraplanagem do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ), celebrado com o Consórcio Terraplanagem COMPERJ, integrado pela empreiteira e a Petrobrás.

Os réus recorreram das condenações ao TRF4. No entanto, em 30 de maio deste ano, a 8ª Turma da corte, por unanimidade, negou provimento aos recursos de apelação criminal e manteve as mesmas penas para ambos.

Dessa decisão, tanto Cabral quanto Carvalho ajuizaram embargos de declaração, recurso que, segundo o artigo 619 do Código de Processo Penal, serve para esclarecer ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão nas sentenças.

A 8ª Turma, na sessão de ontem, por unanimidade, negou provimento aos embargos e manteve o mesmo entendimento do acórdão de maio. Para a relatora dos recursos na corte, juíza federal convocada Bianca Geórgia Cruz Arenhart, apesar das defesas dos condenados apontarem uma série de omissões e contradições que teriam ocorrido no julgamento, a análise do processo mostra que é “inexistente qualquer omissão ou contradição, mas mera inconformidade dos embargantes com os fundamentos condutores do julgado e consequente tentativa de rediscutir teses defensivas já exaustivamente expostas, analisadas e afastadas, o que deve ser tratado na via recursal própria”.

Ao negar o recurso para Cabral e Carvalho, a magistrada acrescentou que os embargos de declaração têm lugar exclusivamente nas hipóteses de ambiguidade, omissão, contradição ou obscuridade da decisão recorrida, “não se prestando para fazer prevalecer tese diferente daquela adotada pelo órgão julgador ou para reavaliação das conclusões surgidas da livre apreciação da prova”.

Em protesto por prisão no Paraná, Cabral se recusa a falar a Bretas

FELIPE BÄCHTOLD/ RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) se recusou a responder perguntas em um interrogatório para o juiz Marcelo Bretas, nesta terça-feira (27), e disse ser vítima de cerceamento de defesa ao ser mantido preso no Paraná.
O depoimento de Cabral ocorreria por videoconferência e abordaria uma denúncia de recebimento de propina paga pela Odebrecht no exterior por meio dos doleiros Renato e Marcelo Chebar.
Assim que Bretas abriu o depoimento, o ex-governador pediu a palavra e disse que “não há nenhum preso em Curitiba com 20 processos no Rio de Janeiro” e reclamou que está longe de sua família.
“Não tive com o meu advogado nenhum dia sequer aqui em Curitiba por essas razões, nenhuma reunião reservada com ele. Portanto, meu direito de defesa está prejudicado.”
Cabral e seu advogado, Rodrigo Roca, dizem que não há como ter uma rotina de visitas para tratar da defesa no Paraná enquanto sua equipe tiver que cuidar de prazos de mais de 20 ações penais no Rio.
INTERFONE
Roca falou na audiência que o trabalho da defesa recebe “demanda em escala industrial” e que só pode conversar com o ex-governador por meio de interfone na cadeia paranaense.
Bretas questionou a defesa e o réu se as autoridades do Paraná negaram a visita em algum momento. “Vou entender a resposta como: não impediram, mas as circunstâncias fáticas dificultam um contato mais efetivo”, disse então o juiz.
“Ratifico o desejo de responder aí [no Rio] esse processo ao senhor como réu, olho no olho”, disse o ex-governador.
Cabral foi levado para o Complexo Médico Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, em janeiro.
A transferência ocorreu devido a suspeitas de que ele recebia regalias no sistema prisional do Rio. Ele está preso desde novembro de 2016.
O depoimento foi encerrado depois de sete minutos. A defesa já usou até a intervenção federal na segurança do Rio para tentar transferi-lo de volta ao Estado.
Também foram ouvidos na audiência outras cinco pessoas, que respondem a mesma ação penal.
OUTROS RÉUS
Também foram ouvidos na audiência outras cinco pessoas, que respondem à mesma ação penal.
Carlos Miranda, hoje delator, disse que cuidava de pagamentos de empresas para a organização de Cabral e que os volumes de dinheiro cresceram tanto na época em que o emedebista esteve no governo que foi preciso pedir auxílio para os irmãos Chebar, que gerenciaram os recursos fora do país.
Miranda disse que Cabral ficou “muito assustado” quando, já preso, acompanhou os desdobramentos da fase Eficiência da Lava Jato do Rio, deflagrada em consequência da delação dos Chebar.
O delator também falou sobre descoberta da mais recente fase da operação, a Jabuti, que prendeu o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, na sexta-feira (23). Miranda afirmou que sua mãe e mulher foram contratadas do Sesc-Senac por Diniz, a mando de Cabral, sem nunca comparecer para trabalhar. “Foi uma forma que tinha de [Diniz] apoiar o Sérgio”, falou.
Outro delator a prestar depoimento durante a tarde, Renato Chebar estimou em US$ 126 milhões o total de recursos no exterior que Cabral e seus aliados Miranda e Wilson Carlos (ex-secretário estadual) chegaram a manter fora do país.
O delator disse ter entregue dinheiro vivo ao ex-governador fora do país para bancar gastos pessoais, em Londres e Nova York.
“Não tinha estrutura para tomar conta daquilo tudo”, falou. A saída, disse, foi procurar auxílio dos operadores Vinicius Claret e Claudio Barbosa, também alvos da Lava Jato do Rio.

Desembargadores do TRF4 mantêm Cabral preso em penitenciária do Paraná

Pedro Rafael Villela – Repórter da Agência Brasil

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral teve o pedido de transferência de prisão negado por unanimidade pelos desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre, nesta quarta-feira (21).

Os advogados do ex-governador queriam seu retorno à cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, no Rio de Janeiro, sob a alegação de violação de direito de defesa, já que 19 dos 21 processos penais contra ele tramitam justamente na 7ª Vara Federal, na capital fluminense.

A transferência de Cabral do presídio de Benfica para o complexo médico-penal de Pinhais (PR), onde estão presos outros condenados da Lava Jato, foi decretada no dia 18 de janeiro pelo juiz Sergio Moro, titular da 13ª Vara Federal, em Curitiba (PR). O magistrado acatou pedido do Ministério Público Federal (MPF), que argumentou que o ex-governador estaria recebendo tratamento diferenciado na prisão do Rio de Janeiro, incluindo visitas fora dos horários determinados e reforma na cela que ocupava.

O pedido de habeas corpus da defesa de Sérgio Cabral já havia sido rejeitado, em decisão liminar, pelo desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato na segunda instância, e agora foi confirmado pelos demais integrantes da 8ª Turma, composta também pelos desembargadores Leandro Paulsen (presidente) e Victor Laus.

Condenado em quatro processos, as penas de Cabral na Lava Jato já somam 87 anos de prisão. Ele ainda responde a outras ações penais sem sentença deferida.

Deputado transferido

O TRF4 autorizou hoje (21) a transferência do deputado federal João Rodrigues de Porto Alegre para Brasília, onde ele ficará preso Centro de Detenção Provisória da capital federal. O parlamentar foi condenado em 2009 pelo tribunal a cinco anos e três meses de detenção em processo relacionado ao período em que exerceu o cargo de prefeiro interino do município de Pinhalzinho (SC), em 1999.

Na decisão, o juiz federal Rony Ferreira determinou que se oficie o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre início do cumprimento da pena de João Rodrigues no Distrito Federal.

Gilmar Mendes decide soltar ex-secretário de Saúde de Cabral

REYNALDO TUROLLO JR.
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes decidiu, em caráter liminar (provisório), em pedido de habeas corpus, soltar Sérgio Côrtes, ex-secretário de Saúde do Rio no governo de Sérgio Cabral (MDB) que foi preso nos desdobramentos da Operação Lava Jato no Estado.
Côrtes deixou a prisão no Rio por volta de 15h30 desta quinta (8).
A prisão foi substituída por outras medidas cautelares: proibição de manter contato com os demais investigados, proibição de deixar o país e recolhimento domiciliar à noite e nos fins de semana. A decisão é de terça-feira (6).
Segundo o Ministério Público Federal no Rio, Côrtes, como secretário de Cabral, que também está preso, participou de uma organização criminosa que desviou milhões de reais de contratos públicos no Rio, inclusive na área da saúde.
A defesa do ex-secretário argumentou a Mendes que o caso dele é semelhante ao do empresário Miguel Iskin, que foi solto pelo STF em dezembro. Ambos são investigados no mesmo suposto esquema.
“A referida prisão preventiva [de Côrtes] da mesma forma [que a de Iskin] não atendeu aos requisitos do art. 312 do CPP [Código de Processo Penal], especialmente no que diz respeito à indicação de elementos concretos, os quais, no momento da decretação, fossem imediatamente incidentes a ponto de ensejar o decreto cautelar [de prisão]”, escreveu Mendes na decisão.
O artigo 312 do CPP trata dos requisitos para a decretação de prisão preventiva. “A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria”, diz a lei.
Em maio do ano passado, Côrtes, Iskin e outro empresário foram denunciados pela Procuradoria sob acusação de obstrução da Justiça. Segundo a acusação, o ex-secretário teria pressionado um delator para que mudasse sua versão.

Justiça aceita mais três denúncias contra ex-governador Sérgio Cabral

Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil

A juíza Caroline Vieira Figueiredo, substituta da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, onde atua o juiz Marcelo Bretas, aceitou nesta quarta-feira (10) mais três denúncias contra o ex-governador Sérgio Cabral, que se tornou réu pela 20ª vez. As denúncias foram apresentadas no dia 19 de dezembro pelo Ministério Público Federal (MPF).

A primeira denúncia inclui ainda Wilson Carlos da Silva, Luiz Carlos Bezerra e Georges Sadala Rihan, que também se tornaram réus na ação e é. segundo o MPF, resultado das operações Calicute e Eficiência, desdobramentos da Lava Jato no Rio de Janeiro. Nas investigações foi possível identificar mais um braço do esquema criminoso que atingiu o governo do estado, na gestão de Sérgio Cabral. O grupo agiu na prestação de serviços especializados relacionados ao Programa Poupa Tempo, do governo estaddual.

O empresário Georges Sadala é integrante do grupo econômico acusado de repassar R$ 1.331.000,00 de propina à organização criminosa, obtendo, desta forma, benefícios para empresas de sua organização, entre as quais a Gelpar Empreendimentos e Participações Ltda. A Gelpar é acusada pelo MPF de ter recebido, entre os anos de 2009 e 2013, o total de R$ 32.412.276,00 e ser uma das maiores empresas contratadas pelo governo do estado no ramo de prestação de serviços do Poupa Tempo.

O MPF diz ainda que o operador da quadrilha, Carlos Bezerra, recebia a propina paga por Georges Sadala e a repassava para Sérgio Cabral e o então secretário de Governo, Wilson Carlos.

Outra denúncia

A segunda denúncia envolve, além de Cabral, o ex-chefe da Casa Civil Régis Fitchner e o operador do esquema, Luiz Carlos Bezerra. Conforme a denúncia, entre janeiro de 2007 e abril de 2014, Fitchner recebeu um total de R$ 1,56 milhão, divididos em valores que  variavam de R$ 100 mil a R$ 400 mil, pagos por Carlos Bezerra por meio da Federação de Transportes do Rio de Janeiro (Fetranspor) como forma de viabilizar as necessidades das empresas de transporte público que atuam no Estado.

Arco Metropolitano

O ex-governador Sérgio Cabral é denunciado também junto com o ex-secretário de Obras Hudson Braga, o operador Wagner Jordão e os donos da empreiteira Oriente, Alex Sardinha da Veiga e Geraldo André de Miranda Santos. Segundo a denúncia, a empreiteira ofereceu propina para participar da construção do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro. Da obra participou também a Delta Construtora, do empresário Fernando Cavendish, que se encontra atualmente em prisão domiciliar. Eles também participaram de obras de infraestrutura em municípios da Baixada Litorânea e de obras emergenciais nas cidades de Araruama e Maricá, além dos consórcios Iguaçu e Águas Limpas.

A juíza Caroline Figueiredo diz, na decisão, que “de modo consciente, voluntário e estável, os réus constituíram, financiaram e integraram uma organização criminosa que tinha por finalidade a prática de corrupção ativa e passiva em detrimento do estado do Rio de Janeiro”.

Cabral é denunciado pela 20ª vez na Operação Lava Jato

Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro apresentou mais uma denúncia envolvendo o ex-governador Sérgio Cabral por corrupção passiva. Esta é a 20ª denúncia contra Cabral: uma foi apresentada pela força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba e as outras 19 pelo MPF no Rio, como desdobramentos da operação de Curitiba. O ex-governador já tem quatro condenações pela Justiça Federal.

Também foram alvo da denúncia o ex-secretário de Obras Hudson Braga, Wagner Jordão Garcia (apontado como operador financeiro do esquema criminoso), Alex Sardinha da Veiga (ex-coordenador de licitações da empresa Oriente Construção Civil) e Geraldo André de Miranda Santos (diretor e atual administrador da Oriente).

Os procuradores afirmam que esta nova denúncia apresentada em decorrência das operações Saqueador e Calicute abrange esquema criminoso de corrupção em torno dos contratos celebrados pelo governo do estado do Rio com a construtora Oriente.

Segundo a denúncia, ao menos entre 2010 e 2014, Cabral, por meio de Braga e Garcia, solicitou e recebeu propina de Alex Sardinha e Geraldo André. Em geral, o valor cobrado era de 1% dos contratos celebrados.

“Com efeito, o pagamento de propina em relação às obras públicas executadas pelo governo do Rio de Janeiro na gestão de Sérgio Cabral e Hudson Braga era prática generalizada, que certamente gerou o pagamento de dezenas de milhões de reais em propina”, afirmam os procuradores na denúncia.

Em 21 de dezembro, Cabral foi denunciado outras duas vezes junto com o ex-chefe da Casa Civil Régis Fichtner e o empresário Georges Sadala. Também foram alvo das duas denúncias Luiz Carlos Bezerra e Wilson Carlos, que, segundo o MPF, eram os operadores da organização.

Em nota, o advogado de Sérgio Cabral, Rodrigo Rocca, afirmou que a denúncia se baseia apenas nas palavras de delatores e não apresenta qualquer elemento de prova que possa confirmar a tese da acusação.

“Sérgio Cabral nunca compactuou e nunca participou, direta ou indiretamente, de qualquer ato de corrupção em seu governo ou fora dele. Caso a denúncia seja recebida, a defesa impetrará um habeas corpus para bloqueá-la, seja por sua absoluta falta de provas, seja pelo emprego abusivo e equivocado da Lei da Delação Premiada”, disse o advogado.

Cabral é condenado mais uma vez pela Justiça Federal

Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral foi condenado hoje (19), mais uma vez, pela 7ª Vara Federal Criminal. O político, que está preso desde novembro do ano passado, foi condenado com base em investigações da Operação Eficiência, um desdobramento da Lava Jato, pelo crime de lavagem de dinheiro.

Segundo decisão do juiz Marcelo Bretas, Cabral foi condenado a 15 anos de reclusão e 480 dias-multa por seis crimes de lavagem de dinheiro. A pena foi agravada pelas acusações de que o ex-governador liderava o esquema e de que a prática criminosa envolvia uma organização.

No processo, Cabral é acusado de chefiar um esquema que resultou na ocultação e lavagem de quase R$ 40 milhões e mais de US$ 100 milhões no Brasil e no exterior.

Esta foi a quarta condenação de Cabral. As penas somadas nas quatro condenações chegam a 87 anos de prisão. Ontem (18), a Justiça Federal aceitou mais uma denúncia contra o ex-governador. Agora, ele responde a 17 processos.

Também foi condenada a mulher do ex-governador, Adriana Ancelmo, pelo mesmo crime do marido, a oito anos de prisão em regime semiaberto. Adriana Ancelmo inclusive, deixou nesta terça-feira (19), por volta das 10h, a cadeia de Benfica, com o benefício da prisão domiciliar concedido pelo Supremo Tribunal Federal.

Outros condenados hoje por Bretas foram Carlos Emanuel de Carvalho Miranda (12 anos de reclusão), Luiz Carlos Bezerra (quatro anos), Sergio de Castro Oliveira (oito anos e oito meses), Ary Ferreira da Costa Filho (seis anos e oito meses), Thiago de Aragão Gonçalves Pereira e Silva (sete anos e quatro meses), Álvaro Novis (13 anos e três meses), Renato Hasson Chebar (17 anos e três meses) e Marcelo Hasson Chebar (17 anos e três meses).

De iogurte a camarão: MP apreende regalias de presos da Lava Jato

O Ministério Público do Rio de Janeiro apreendeu, nesta sexta-feira (24), diversas iguarias, como camarão, iogurte e bolinho de bacalhau, no presídio de Benfica, zona norte do Rio.

De acordo com os promotores, os alimentos apreendidos pertenciam aos presos da Lava Jato. Segundo a promotora Andréa Amin, muitos alimentos foram encontrados na cela do ex-governador Sérgio Cabral.

Em Benfica também estão presos os ex-governadores Antonhy Garotinho, o presidente afastado da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, e os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, do PMDB.

O MP vai comunicar o fato à 7ª Vara Federal Criminal e à Justiça Eleitoral de Campos dos Goytacazes, responsáveis pelas prisões dos réus flagrados com alimentos irregulares em suas celas, para serem adotadas as medidas cabíveis. Os servidores da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) que tenham colaborado para a entrada da comida também serão responsabilizados.

Outro lado

Em nota, a defesa de Sérgio Cabral criticou a operação feita na carceragem. “Sérgio Cabral já é perseguido até pelo que come. Daqui a pouco será pelo que pensa”, diz a defesa. Além de afirmarem que a medida foi ilegal e atingiu a dignidade e a imagem do ex-governador, os advogados ironizaram a iniciativa do Ministério Público: “É lamentável se ver a mobilização de todo o aparato estatal em perseguição ao cardápio de um detento. Parecia que o Ministério Público tinha coisas mais importantes a fazer no Estado do Rio de Janeiro, que fiscalizar comida de presídio”.

Secretaria vai doar home theater que seria instalado em cadeia onde está Cabral

Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) decidiu doar todos os equipamentos da videoteca que seria instalada na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, zona norte do Rio, onde está preso o ex-governador Sérgio Cabral. Os aparelhos serão encaminhados para a organização Casa do Menor São Miguel Arcanjo, que funciona em Tinguá, no município de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.

O material deve chegar na instituição ainda hoje (1°). O equipamento é composto de uma televisão de 65 polegadas, home theater, aparelho de DVD, além de centenas de filmes que seriam usados pelos internos da cadeia pública, que recebeu vários políticos do estado presos na Operação Lava Jato.

Nesta terça-feira (31), o Ministério Público Estadual abriu inquérito para investigar a instalação do equipamento na cadeia pública de Benfica. De acordo com a Seap, os eletroeletrônicos seriam doação da Igreja Batista do Méier. No entanto, a instituição esclareceu, por meio de nota, que não autorizou doação de aparelho eletrônico a qualquer complexo penitenciário.

A igreja disse ainda que investigará se algum membro da congregação se envolveu no episódio. “A Igreja tem por hábito rejeitar quaisquer ofertas, doações e legados, quando estes tenham origem, natureza ou finalidade que colidam com os princípios éticos e cristãos exarados na Bíblia Sagrada”, destacou em nota.