PER 2019 divulga os 10 projetos finalistas

A banca avaliadora do Programa Empreendedor Rural (PER) elegeu os 10 projetos finalistas da edição 2019. As três melhores iniciativas serão premiadas durante o Encontro Estadual de Empreendedores e Líderes Rurais, que acontece no dia 22 de novembro, no espaço Expotrade, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

Nesta edição, a região de Guarapuava, no Centro-Sul do Estado, teve destaque por concentrar metade dos 10 projetos finalistas. Quatro saíram do próprio município e outro de Candói. Os demais estão em Francisco Beltrão, Terra Roxa, Nova Prata do Iguaçu, Maringá e Faxinal (confira a lista completa de finalistas abaixo).

Ao todo, foram 53 trabalhos avaliados pela banca, que teve duração de dois dias e contou com participação de especialistas, também responsáveis pela atualização do programa. “A banca é formada por uma equipe com vasta experiência na avaliação de projetos, com reforço de técnicos do Sistema FAEP/SENAR-PR e consultor do Sebrae-PR. A participação de diferentes instituições e a avaliação de um mesmo projeto por, no mínimo, quatro membros da banca são os métodos utilizados para garantir isenção na escolha dos classificados”, explica a técnica do Sistema FAEP/SENAR-PR e coordenadora do PER, Mariana Assolari.

O PER é uma iniciativa do Sistema FAEP/SENAR-PR em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PR) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep) que estimula o empreendedorismo rural em todo o Estado. Ainda, o programa premia os melhores projetos de melhorias nas propriedades rurais e gerenciamento de oportunidades de negócios.

Finalistas PER 2019 (*ordem alfabética por título do projeto):

Projeto: Aumento da produção de leite
Autor: Cristiano Fankhauser
Município: Francisco Beltrão

Projeto: Galinha Feliz – Sítio do Caju
Autores: Arno Hoffmann e Valentina Hoffmann
Município: Terra Roxa

Projeto: Implantação Compost Barn – Sítio Sepultura
Autores: Alexsandro B. Rodrigues e Gilso Mis
Município: Candói

Projeto: Implantação de agroindústria e biodigestor na Fazenda Vassoural Autores: Ana Carolina Araújo Abreu e Elouise Cristine Rodrigues
Município: Guarapuava

Projeto: Implantação de um confinamento na Fazenda São Pedro
Autores: Laíz Mara Vassoler Coletta e Marcelo Coletta
Município: Faxinal

Projeto: Migração da avicultura para confinamento de ovinos de corte
Autor: Thais Fernanda Gavlak
Município: Guarapuava

Projeto: Multiplicação e comercialização de sementes de aveia preta
Autor: Paloma Detlinger
Município: Guarapuava

Projeto: Otimização de terras através da integração: pecuária/ovinocultura/floresta
Autores: Igor Gabriel Modesto Dalgallo e Mariane Koepke
Município: Guarapuava

Projeto: Projeto incremental “Cachaça artesanal Nova Prata”
Autor: Ana Paula Rodrigues
Município: Nova Prata do Iguaçu

Projeto: Sítio Camilo & Coelho: Implantação sistema de rotação de pastagens e piqueteamento
Autor: Eduardo Camilo Coelho
Município: Maringá

FAEP pede solução sobre a falta de crédito rural

Nesta terça-feira (15), o presidente da FAEP, Ágide Meneguette, enviou um ofício à ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, solicitando interveniência junto aos bancos oficiais e ao Ministério da Economia para solucionar o problema da falta de crédito rural.

No documento, o presidente ressalta a preocupação dos produtores rurais com a indisponibilidade de recursos para financiamento de custeio e investimentos nos bancos oficiais. “Esse fato pode prejudicar a safra atual, que já vem sofrendo os efeitos da seca e pode impactar negativamente no plantio de inverno”, afirma.

O crédito rural é uma das ferramentas mais importantes para o desenvolvimento das atividades agropecuárias. Além de auxiliar na melhoria da produtividade, os recursos incentivam os pequenos produtores, proporcionando geração de renda às famílias e mais qualidade de vida no campo.

Adversidades climáticas impulsionam mercado de seguro rural

O produtor rural Luiz Eduardo Veiga Lopes, de 77 anos, começava mais uma rotina cotidiana antes de seguir para o trabalho no campo. Acordou cedo, tomou seu café da manhã e pegou seus aparatos pessoais. Quando estava prestes a sair de casa, no município de Palmeira, na região dos Campos Gerais, se deparou com uma forte chuva, que em minutos se transformou em granizo. Imediatamente veio à mente as lavouras de soja e milho, em plena fase de floração.

Era 15 de dezembro de 2017, período em que as plantações na região dos Campos Gerais, onde está localizada a propriedade de 1,7 mil hectares, estão em um período importante de desenvolvimento. Poucos minutos de granizo foram suficientes para devastar os 92 hectares dedicados ao milho naquela safra de verão. Por sorte, a intempérie climática não pegou em cheio os 358 hectares cobertos com a oleaginosa.

Perdas agrícolas por conta do mau humor de São Pedro como as do produtor de Palmeira são mais corriqueiras do que se imagina. Somente no ano passado, o mercado de seguros [agrícola,
pecuário, florestas e aquícola] indenizou produtores de todo o Brasil no valor de R$ 842 milhões, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

“Independente de safras recordes, todas as regiões agrícolas registram perdas. E o produtor está se convencendo disso, fazendo com que o seguro rural avance bastante no país”, conta Paulo Hora, diretor técnico de seguros rurais do Grupo Segurador BB/Mapfre.

No caso do produtor de Palmeira, o processo de indenização ocorreu de forma ágil, o que garantiu o repasse de R$ 312 mil, quantia suficiente para o pagamento do financiamento da safra junto a instituição financeira, e ainda sobra de R$ 15 mil. “Quando houve o incidente, o banco foi rápido em registrar a perda. Depois teve que esperar um pouco o processo correr até o pagamento. Esse dinheiro foi fundamental para planejar a safra seguinte. Do contrário, eu teria que usar recurso próprio”, destaca Lopes, que há sete anos contrata seguro agrícola. “Sou uma pessoa precavida. Sempre que tive oportunidade, fiz seguro. Inclusive o da próxima safra já está efetivado”, complementa.

Os 450 hectares dedicados aos grãos na propriedade de Lopes fazem parte de um universo que só cresce no país, apesar de o governo federal ter reduzido de 2015 para cá o apoio ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. (PSR), coordenado pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). No ano de 2014, auge do PSR, R$ 693 milhões foram liberados, permitindo a cobertura de 9,9 milhões de hectares por meio de 118 mil apólices. Em 2017, com apenas R$ 371 milhões destinados ao programa, 4,8 milhões de hectares acabaram segurados. Num primeiro momento parece pouco tamanha a força do agronegócio nacional. Porém, olhando para uma década atrás, é mais que o dobro dos 2,2 milhões de hectares contratados em 2007.

Leia a matéria completa no Boletim Informativo.

Confira dicas de prevenção à violência no campo

O governo do Paraná, com o apoio da FAEP e do SENAR-PR, elaborou uma cartilha sobre segurança rural que traz dicas de segurança no campo. O material é fruto de estudos realizados pela Polícia Militar, com base em dados da corporação, além de relatos de moradores, produtores e sindicatos rurais. Depois de visitas para analisar algumas propriedades vítimas de furtos, roubos e outros ilícitos, o material foi desenvolvido.

A cartilha mostra, de forma didática, como algumas mudanças relativamente simples podem reduzir os índices de violência. A Polícia Militar orienta desde sugestões para adequações estruturais até aspectos de comportamento. “Criando-se uma cultura de prevenção, que seja baseada em medidas simples e sem custo na maioria dos casos, teremos níveis muito melhores de segurança e paz neste setor fundamental para a sociedade: o meio rural”, aponta o material.

Entre os principais pontos tratados está o da mudança na arquitetura da propriedade. Nesse ponto, como ensina o material, entra o aspecto da melhoria da visibilidade no local com a desobstrução da paisagem causada por elementos como cercas vivas, paredões verdes, muros muito altos e falta de iluminação. A manutenção constante das áreas comuns também auxilia a afugentar pessoas mal-intencionadas.

O material também enfatiza a importância de se desenvolver uma vizinhança solidária. É crucial conhecer e manter sempre contato com pessoas de confiança nas redondezas da propriedade. Em caso de alguma situação suspeita, a Polícia Militar e os vizinhos devem ser avisados de forma imediata. Uma rede de contatos, com telefones, grupo de Whatsapp ou similares, deve ser formada e usada com frequência para que se crie o hábito e se mantenha ativa essa rede.

Confira alguns destaques da cartilha Segurança Rural

• Iluminação: visibilidade reduzida favorece o bandido;
• Casa: as residências precisam ter a melhor visibilidade da propriedade;
• Portão: reforçado, pintado com cores claras e com sinalização de propriedade particular;
• Dispositivos eletrônicos: câmeras e alarmes com manutenção sempre em dia;
• Rebanhos: não deixe animais próximos a estradas e/ou longe das sedes;
• Galpões: devem ser posicionados em locais visíveis da sede e sempre trancados;
• Animais de guarda: cães adestrados e até mesmo aves como gansos podem ser úteis para auxiliar na segurança;
• Em caso de assalto: jamais reaja e não tente enganar o assaltante.

Leia mais notícias no Boletim Informativo.

STJ debate o Agronegócio

O Instituto Justiça e Cidadania, em parceria com o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e apoio da FAESP/SENAR-SP, irá realizar o simpósio ‘O Agronegócio na Interpretação do STJ’, no dia 26 de setembro, das 8h30 às 13 horas, no auditório do STJ, em Brasília. O encontro será aberto oficialmente, às 8h30, pelo Ministro João Otavio de Noronha, Presidente do STJ, e pelo Ministro Humberto Martins, Corregedor Nacional de Justiça. Também participarão da abertura o advogado Claudio Lamachia, Presidente da OAB Nacional; o advogado Frederico Price Grecchi, Presidente da Comissão de Direito Agrário e Urbanismo do Instituto dos Advogados Brasileiros; e o Embaixador Li Jinzhang, Embaixador da República Popular da China no Brasil. A coordenação científica é dos Ministros Luis Felipe Salomão, Moura Ribeiro e Paulo de Tarso Sanseverino, do STJ, e do advogado Marcus Vinicius Furtado Coêlho.

O evento será dividido em três painéis. O primeiro terá início às 9 horas com o tema ‘O Agronegócio Brasileiro no Cenário Mundial’, que será discutido por especialistas como o Presidente do Instituto Pensar – Agropecuária, Fabio Meirelles Filho. A mesa será presidida pelo Ministro Antonio Carlos Ferreira, do STJ.

No segundo painel, às 10 horas, o assunto será ‘Arrendamento Rural’, com participação do Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, do STJ, e da professora Giselda Hironaka, da USP. Nesse painel a mesa será presidida pelo Ministro Raul Araújo, do STJ.

Já o terceiro e último painel irá discutir a ‘Recuperação Judicial das Empresas Agrícolas’, tendo como palestrantes o advogado Marcus Vinicius Furtado Coêlho e o Ministro Moura Ribeiro, do STJ, e como presidente a Ministra Nancy Andrighy, também do STJ. As considerações finais do encontro ficarão a cargo do Ministro Luis Felipe Salomão, um dos coordenadores científicos do simpósio.

O agronegócio é parte importante da economia brasileira e tem demonstrado ser uma valorosa ferramenta para o desenvolvimento e o crescimento do Brasil, contribuindo para as conquistas, os desafios e a competitividade do país na globalização. Pela importante contribuição na geração de empregos e por sua significativa participação no Produto Interno Bruto (PIB), é extremamente relevante abrir canais para falar sobre a importância do segmento e os desafios que ele tem a superar para continuar contribuindo com o crescimento sustentável do Brasil.

A participação no evento ‘O Agronegócio na Interpretação do STJ’ é gratuita e deverá ser confirmada, para fins de certificação, por meio de inscrição no site do STJ – www.stj.jus/eventos.

Serviço

O Agronegócio na Interpretação do STJ

26 de setembro, de 8h30 às 13h

Auditório do Superior Tribunal de Justiça, SAFS, quadra 6, lote 1, trecho III, Brasília(DF)

Entrada gratuita. Inscrições: www.stj.jus.br/eventos

Artigo: O papel da FAEP na política de seguro rural

O seguro rural faz parte do discurso dos parlamentares e de ministros de Estado, e consta nos programas dos presidenciáveis. Apesar dos avanços do tema no Brasil, falta se consolidar em ações que proporcionem a previsibilidade do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, criado por lei em 2003, mas que somente em novembro de 2005 começou a ser operacionalizado pelo Ministério da Agricultura. O programa de 13 anos e é a política agrícola mais tímida do governo federal.

De todas as despesas da União com Agricultura, o programa de seguro rural representa apenas 2% do total de gastos. Em 2018, R$ 380 milhões foram liberados, com a contratação de 70 mil apólices e menos de 8% da área agrícola. É pouco para um país continental que sofre com clima e preços. O mercado de seguros faz a sua parte, inclusive criando o seguro de receita para soja, milho e café. Outras modalidades estão em desenvolvimento.

O produtor adquiriu a cultura do seguro, mas o governo ainda não. Os gastos federais com crédito rural ultrapassam os R$ 9 bi/ano. Mas esse mesmo crédito está sendo feito com pouco acesso ao seguro rural, deixando um risco enorme, pois o produtor inadimplente – em caso de catástrofe climática deixa de pagar bancos, agroindústrias, revendas, além do comércio local. Essa situação gera um efeito multiplicador de empobrecimento da economia, deixando de girar o dinheiro do campo nas cidades. O seguro rural tem importância para toda a sociedade.

A FAEP sempre teve como prioridade o seguro rural. Desde a década de 90, seus técnicos realizam missões em países onde o seguro rural teve êxito, trazendo na bagagem a experiência onde há uma parceira pública privada, com forte presença do Estado subvencionando e apoiando o produtor para que tenha condições de acessar o seguro desenvolvido por empresas privadas.

No Paraná, a FAEP promoveu caravanas entre 2007 e 2009, levando seguradoras e governo para debater com os produtores e sindicatos. Em 2009, o governo do Paraná criou o Programa Estadual de Subvenção ao Prêmio, complementar ao programa federal. Em 2012, a FAEP foi uma das patrocinadoras de um estudo da MBAGRO que mostra a importância econômica do seguro rural para o Brasil. Essas ações aumentaram a cultura pelo seguro rural.

A FAEP foi a pioneira em lutar por um seguro rural eficiente nos programas federal e estadual de apoio ao produtor e na articulação junto as seguradoras por melhores condições de coberturas dos principais riscos da agropecuária. As ações da FAEP por melhorias proporcionaram aos produtores paranaenses a liderança na contratação de seguros rurais no país com conquistas entre 2006 e 2017 (em valores atualizados):

– Economia de R$ 1,4 milhão nas taxas-prêmio do seguro de 286.717 apólices. Ou seja, houve economia média ao produtor de R$ 4,9 mil por apólice, 56,7% do valor total da taxa-prêmio, viabilizando a contratação das apólices.

– As companhias seguradoras pagaram R$ 1,1 bilhão em indenizações aos produtores entre 2006 e 2016 no âmbito do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) somente no Paraná (dados de 2017 ainda não foram divulgados). Ou seja, os produtores deixaram de renegociar esse valor graças ao seguro rural. Se somadas as indenizações ao valor recebido em subvenção ao prêmio, os produtores tiveram benefícios de R$ 2,5 bilhões e desembolsaram em taxa-prêmio R$ 1 bilhão.

– Aumento da cultura da necessidade dos seguros rurais. Em 2005, o seguro era insignificante e apenas quatro companhias atuavam no segmento.

Pouco se falava desse instrumento. Em 2018, já são 11 companhias ofertando para mais de 80 atividades e culturas, atendendo só no Paraná em torno de 26 mil apólices por ano. A área segurada do Estado está entre 1,5 milhão a 2 milhões de hectares, dependendo do ano.

A FAEP teve papel decisivo revertendo situações em que o governo cortava o orçamento do programa. A Federação continua atuante em prol de melhorias para os produtores. Fez nos últimos anos eventos para disseminar a cultura e atrair seguradoras para o Estado, além de ter criado o primeiro Guia de Seguros Rurais e Proagro do país em 2016.

Neste ano está discutindo com as seguradoras a criação de novas modalidades e aperfeiçoamento das já existentes. Além disso, a FAEP participa com propostas ao Plano Trienal do Seguro Rural (PTSR), que define as regras de subvenção e as diretrizes da política de seguro do Mapa para o triênio 2019-2021. Há muito por se fazer e os produtores têm na FAEP a defensora do desenvolvimento do seguro rural no país.

Pedro Loyola, consultor da FAEP e presidente da Comissão dos Entes Privados do Seguro Rural do Mapa

Nota sobre proibição do glifosato

A FAEP e outras instituições estão esperando uma decisão do Tribunal Regional de Brasília cassando a decisão da 7ª Vara Federal que proíbe o uso de defensivos agrícolas a base de Glifosato, Tiram e Abamectina em todo o país, a partir do próximo dia 31.

As entidades dos produtores rurais e a Advocacia Geral da União (AGU) estão tentando anular aquela decisão, até agora sem sucesso.

Segundo informações que temos, fornecedores de defensivos estão procurando produtores rurais que adquiriram os produtos para que os retirem dos estabelecimentos vendedores até sábado, dia 1° de setembro.

A FAEP recomenda que os produtores rurais se atenham ao que foi estabelecido em contrato, bem como a necessidade de receituário agronômico para sua retirada do estabelecimento do vendedor e não tenham pressa. Ocorre que se os produtos continuarem proibidos – no caso de insucesso das ações para anular a decisão do juiz – os produtores também não poderão utilizar em suas lavouras, sob pena de autuação.

Organização no campo garante conquistas ao setor

A organização dos produtores rurais do Paraná, que ocorre há décadas, é um dos pilares para que o Estado seja referência mundial na produção de alimentos. É comum no território paranaense encontrar sindicatos que já passaram dos 50 anos de história de prestação de serviços e defesa dos interesses do campo. Mas se hoje é fácil perceber o quanto das conquistas se deve a essa parceria, na década de 1960 essa máxima ainda não era tão evidente. Mesmo assim, o produtor Edson Bastos, de Guarapuava, na região Centro-Sul, apostou que a filiação ao sindicato rural local renderia bons frutos à propriedade e a todo o setor na região. Deu certo!

“No início cheguei a ser vice-presidente do sindicato e desde aquele tempo fizemos coisas diferenciadas para a época. Um dos exemplos foi a contratação de inseminação artificial para o rebanho leiteiro da região, algo incomum até então. Fazíamos reuniões com produtores para identificar as demandas do campo, sempre destacando a importância do movimento sindical, representativo da classe produtora”, relembra Bastos.

O agronegócio de lá para cá se transformou e levou o Paraná à liderança nacional de produção em diversas culturas e atividades. Mas alguns problemas que afetam os produtores vêm sendo combatidos desde aquela época e exigem mais do que nunca o apoio do sistema sindical. “Nós temos até hoje uma necessidade de sermos entendidos pelo setor urbano, que em grande parte não considera o valor do produtor rural. Não existe essa conscientização da necessidade de convivermos em harmonia, com respeito. Temos que ter a consciência de continuarmos contribuindo voluntariamente com nossas instituições para mantermos a estrutura dos sindicatos, da FAEP e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) que nos representam nos níveis municipal, estadual e federal, em todos os sentidos”, diz o produtor de Guarapuava.

Bastos enfatiza que uma organização efetiva, além de compartilhar as conquistas com todos, também é a base para respostas imediatas a problemas regionais. “As conquistas obtidas pelo sistema sindical são coletivas, contínuas. Mas a organização também foi crucial quando nós tivemos problemas localizados na região. Tivemos uma época de invasões de terras, período no qual foi necessária uma mobilização do sindicato para a defesa da lei e da ordem. E tivemos sucesso na nossa região, graças a união dos produtores foi possível superar essa dificuldade”, recorda.

Leia mais sobre as conquistas do agronegócio paranaense aqui.

Sindicato Rural de Clevelândia comemora cinco décadas de conquistas

Conhecida como a ‘Mãe do Sudoeste’, Clevelândia tem na agropecuária um dos principais pilares da economia regional. Neste cenário, o Sindicato Rural local, que completou 50 anos de existência no dia 6 de maio, tem importante papel no desenvolvimento do setor, defendendo os interesses dos produtores rurais e promovendo a capacitação do homem do campo por meio dos cursos do SENAR-PR. A data foi comemorada com festa, que reuniu diretores, associados, produtores e autoridades da região. Na ocasião, o diretor financeiro da FAEP, João Luiz Rodrigues Biscaia,
representou a entidade e entregou um quadro comemorativo homenageando o Sindicato Rural de Clevelândia.

Do alto das suas cinco décadas de existência, o Sindicato Rural de Clevelândia participa ativamente dos debates estratégicos para o desenvolvimento da cidade e região. “O Sindicato é muito bem respeitado, inclusive pelo poder executivo. A participação da entidade em questões pontuais é permanente, muitas vezes representando a região Sudoeste”, ressalta o José Augusto Pacheco, diretor da entidade. Hoje, o Sindicato conta com uma diretoria bastante unida, onde as decisões são tomadas de forma colegiada. “Todos pegam as questões para se envolver e têm o mesmo nível de decisão. Ninguém, manda mais que ninguém. Ao contrário, todos participam ativamente do processo”, diz Pacheco

Leia a matéria completa dos 50 anos do Sindicato Rural de Clevelândia aqui.

“Alimentos convencionais são extremamente seguros”

O jornalista especializado em agronegócio Nicholas Vital é um dos nomes mais lembrados quando o assunto é o uso de defensivos na agricultura. Conseguiu essa relevância graças ao livro ‘Agradeça aos agrotóxicos por estar vivo’, lançado no ano passado. De lá para cá, a obra rapidamente ganhou os holofotes e se tornou assunto obrigatório nas rodas de discussão sobre agronegócio. Ao tratar de um dos principais mitos que envolvem a cadeia produtiva – o de que os agroquímicos são um mal a ser combatido –, Vital traz à tona uma série de questões a respeito do futuro do setor. O autor fala sobre alguns deles nesta entrevista exclusiva, concedida ao Boletim Informativo.

BI: Sobre o livro, como surgiu a ideia?

NV: Eu sou de São Paulo, urbano e cresci ouvindo histórias sobre agrotóxicos, venenos, intoxicação e todo esses mitos que a gente já conhece. Só que ao entrar nesse mundo do agro e passar a visitar fazendas e conhecer produtores, falar com agrônomos, eu vi que a realidade é bem diferente. Eu não via ninguém passando mal no campo, pessoas com doenças. O que eu via era o defensivo agrícola como um insumo fundamental para a produção. E as pessoas no campo têm no produto uma ferramenta de trabalho que deve ser bem utilizada de acordo com as recomendações. E a ideia do livro surgiu porque isso é muito diferente daquilo que vemos no dia a dia dos jornais, na televisão. Então resolvi contar essa história e para isso eu entrevistei mais de 50 especialistas entre médicos toxicologistas, engenheiros agrônomos, biólogos, entre outros.

Quais foram as principais conclusões que você tirou com o livro?

Uma delas é que essa história está muito mal contada. Existe, sim, muito problema, mas devido ao uso incorreto dos agrotóxicos. Mais uma vez, devido à falta de informação. Mas não é esse vilão todo que vemos na TV. É só você parar e fazer contas. As pessoas falam muito de resíduos dos agrotóxicos nos alimentos, só que ninguém dá parâmetros. Na minha pesquisa, cheguei à conclusão que os resíduos não causam problema nenhum. A gente consome todo tipo de resíduo de produtos muito mais tóxicos. O nosso organismo está preparado para isso. Quando a gente toma algum tipo de remédio, é a mesma coisa, pois está absorve esses elementos e depois o corpo mesmo elimina. Então o que eu fiz foi contextualizar a história, mostrar como funciona, como o agrotóxico age, quais são as quantidades, como funciona a questão do resíduo. Desmistificar um pouco também essa questão da agricultura orgânica, que é até endeusada. Mas eles também usam produtos químicos na produção, mas isso ninguém conta.

Leia a entrevista completa aqui.