“Câncer de mama: juntos, sem medo” é o tema do Outubro Rosa; 59.700 novos casos são estimados até o fim de 2019

Outubro Rosa é um movimento que acontece no mundo inteiro, que tem por objetivo a conscientização para o controle do câncer de mama. O tema deste ano: “Câncer de mama: juntos, sem medo“, pretende fortalecer as recomendações do Ministério da Saúde para o rastreamento e diagnóstico precoce da doença.

A proposta do Outubro Rosa 2019 é desconstruir o medo da doença através da divulgação de informações corretas sobre diagnóstico precoce, tratamentos e o convívio com o câncer.

Por esta razão, o INCA (Instituto Nacional do Câncer), lançou a 5ª Edição a Cartilha “Câncer de Mama: vamos falar sobre isso?” revisada e atualizada com informações sobre a doença.

Divulgação/INCA

Até o final do ano de 2019, o INCA estima 59.700 novos casos de câncer de mama, em todo o país. No Paraná a estimativa é de 3.730 novos casos, 820 somente em Curitiba.

O CÂNCER

O câncer de mama é uma doença que acomete mulheres e homens em todo o mundo. Segundo o MS (Ministério da Saúde), é o tipo de câncer mais comum entre mulheres, depois do câncer de pele não melanoma.

Uma a cada três mulheres pode ser curada se o câncer for descoberto logo no início. Todo o esforço do MS é para que mulheres e familiares falem, discutam e se informem sobre a doença, para desfazer a crença de que o câncer de mama é uma sentença de morte ou um mal inevitável, ou incurável.

O câncer se origina da multiplicação desordenada das células mamárias, que gera células anormais, formando um tumor.

No mundo, a incidência de novos casos, a cada ano, corresponde a 25%. No Brasil, o índice é de 28% dos novos casos de câncer em mulheres.

outubro rosa, campanha 2019 - inca sintomas
Reprodução/OPAS – Organização Pan-Americana da Saúde

Segundo o INCA (Instituto nacional do Câncer), há vários tipos de câncer de mama. Por isso, a doença pode evoluir de diferentes formas. Alguns se desenvolvem muito rapidamente e outros seguem um ritmo mais lento, de acordo com a característica de cada tumor. O sintoma mais comum do câncer de mama é o aparecimento de um nódulo, geralmente indolor, duro e irregular.

Outros sintomas, como o edema de pele, dor e inversão do mamilo também podem indicar o surgimento da doença.

Cerca de 80% dos casos de câncer de mama são descobertos pelas próprias mulheres. Fazer o autoexame é fundamental para o diagnóstico precoce da doença. Todos os sintomas devem ser investigados através de exames clínicos e complementares. Quando detectado precocemente é possível fazer um tratamento menos agressivo.

O câncer de mama também acomete homens, porém é mais raro e representa menos de 1% do total de casos da doença.

Desde 2010 o INCA participa do movimento Outubro Rosa, com o  objetivo de compartilhar informações, promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade. O INCA é o órgão do Ministério da Saúde responsável pelo tratamento oncológico, pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

CAUSAS DO CÂNCER DE MAMA

Vários fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Portanto, não há uma só causa. O risco de desenvolver a doença aumenta de acordo com a idade. Mulheres com mais de 50 anos estão mais propensas a desenvolver câncer de mama.

FATORES DE RISCO

São vários os fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Os fatores ambientais/sociais tais como obesidade, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas e a exposição frequente  à radiações ionizantes, como o Raio X, são alguns deles. Outros fatores como os genéticos/hereditários e o histórico hormonal também estão associados ao desenvolvimento da doença.

TRATAMENTO

Para o tratamento de câncer de mama, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece todos os tipos de cirurgia, como mastectomias, cirurgias conservadoras e reconstrução mamária, além de radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e tratamento com anticorpos.

A lei nº 12.732, de 2012, estabelece que o paciente com neoplasia maligna tem direito de se submeter ao primeiro tratamento no SUS, no prazo de até 60 dias a partir do dia em que for firmado o diagnóstico em laudo patológico ou em prazo menor, conforme a necessidade terapêutica do caso.

É importante reforçar que, para que o prazo da lei seja garantido a todo usuário do SUS, é necessária uma parceria direta dos gestores locais, responsáveis pela organização dos fluxos de atenção. Estados e municípios possuem autonomia para organizar a rede de atenção oncológica e o tempo para realizar diagnóstico depende da organização e regulação desses serviços.

O tratamento do câncer de mama é feito por meio de uma ou várias modalidades combinadas. O médico vai escolher o tratamento mais adequado de acordo com a localização, o tipo do câncer e a extensão da doença.

Fonte: Ministério da Saúde

OUTUBRO ROSA

O movimento, conhecido como Outubro Rosa, é celebrado anualmente desde os anos 90. O objetivo da campanha é compartilhar informações sobre o câncer de mama e, mais recentemente, câncer do colo do útero, promovendo a conscientização sobre as doenças, proporcionando maior acesso aos serviços de diagnóstico e contribuindo para a redução da mortalidade.

O nome da campanha remete à cor do laço que é um símbolo internacional usado por indivíduos, empresas e organizações na luta e prevenção do câncer de mama. É por esse motivo que durante esse mês a cor rosa ilumina a fachada de diversas instituições públicas e privadas iluminam suas fachadas com objetivo promover indicar a adesão ao movimento.

Saiba mais sobre a campanha aqui.

PARANÁ ROSA

O Paraná Rosa é uma campanha que será realizada dentro do Outubro Rosa e tem como objetivo atingir as 5.831.145 mulheres de todo Paraná. Durante todo mês, 43 municípios espalhados pelo Estado promoverão ações de incentivo e cuidado com a saúde da mulher.

O secretário de saúde do Estado, Beto Preto, ressaltou a importância de falar sobre o assunto durante o ano todo, mas intensificar nesse mês dedicado aos cuidados do câncer de mama. “O outubro rosa é o mês de lembrança, o mês que temos a oportunidade de mobilizar, articular, capacitar e dialogar sobre um assunto tão sério. Os exames estão disponíveis em todo o estado, durante o ano todo, mas esta é a hora de intensificar os cuidados e as 22 Regionais do Estado estarão envolvidas nesta ação no mês que vem.”

A partir desta terça-feira (1º) começam as celebrações do Outubro Rosa em todo Paraná. O movimento existe desde 1997 e promove ações voltadas à prevenção do câncer de mama e do câncer de colo de útero, além do diagnóstico precoce da doença.

O Governo do Estado, por meio da SESA (Secretaria de Estado da Saúde), e em parceria com a SEJUF (Secretaria da Justiça, Família e Trabalho), aproveita a mobilização do Outubro Rosa para chamar a atenção da mulher paranaense para o cuidado integral com a saúde. A primeira-dama do Estado, Luciana Saito Massa, idealizou e apadrinhou o evento deste ano, o Paraná Rosa.

O Paraná Rosa passará por 43 municípios, promovendo ações de incentivo e cuidado com a saúde da mulher. Serão ofertadas a coleta de exames de colo de útero, agendamentos de mamografia, testes rápidos de hepatite, HIV e sífilis, vacinas e diversas atividades, como palestras de profissionais das áreas de saúde, nutrição e educação física, o objetivo é promover a autoestima da mulher.

Além disso, as unidades móveis de atendimento itinerante à mulher em situação de violência, mais conhecidas como Ônibus Lilás, levarão orientações sobre violência doméstica e familiar, direitos da mulher e assistência social.

NÚMEROS NO ESTADO

Até o mês de junho deste ano, o Estado realizou 144.409 mamografias. Já os exames preventivos de colo de útero foram 295.676. Para oferecer os testes, o Paraná conta com 179 mamógrafos SUS distribuídos nas 22 Regionais de Saúde.

Em 2018 o número de óbitos em decorrência da doença alcançou 1.012 mulheres no Paraná.

Acompanhe as programações e ações do mês de outubro no site da SESA.

Fonte: Secretaria Estadual de Saúde do Paraná

CURITIBA

“Você não pode prever o futuro, mas pode se cuidar hoje”

Foto:Cesar Brustolin/SMCS

A abertura oficial do Outubro Rosa na capital acontece nesta terça-feira (1/10), às 10 horas, em frente ao prédio da ACP (Associação Comercial do Paraná), no calçadão da XV de Novembro, 621.

O evento, realizado pela ACP em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, tem como tema neste ano “Você não pode prever o futuro, mas pode se cuidar hoje”.

Durante todo o dia haverá uma programação especial no local, com a apresentação da banda da Polícia Militar, atividades físicas, dança, apresentações teatrais e de coral. Os profissionais de saúde da SMS participam do evento dando orientações ao público sobre a prevenção do câncer de mama. Também oferecem sessões de auriculoterapia.

“Nosso objetivo é chamar a atenção das mulheres sobre a prevenção. Por meio da alimentação e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de desenvolver o câncer de mama”, afirma a secretária municipal da saúde de Curitiba, Márcia Huçulak.

Além do evento que será realizado nesta terça-feira no calçadão da XV, durante todo o mês de outubro as unidades básicas de saúde realizam atividade especiais em alusão ao tema em suas comunidades.

Cidade tem flores rosas pra lembrar o mês da prevenção

Foram plantadas 35 mil mudas de petúnias, amores-perfeitos e begônias, em diferentes tonalidades de rosa, nos canteiros da Avenida Manoel Ribas e da Via Veneto.

As flores estão foram preparadas para atingir o ápice da florada durante o mês de outurbo. O objetivo é que a beleza no caminho  sirva para encantar e também alertar às pessoas sobre os cuidados à saúde da mulher.

Canteiros da Rua Via Veneto e Av Manoel Ribas com flores em tons de rosa dedicado a prevenção ao câncer de mama. Lucilia Guimarães/SMCS

 

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde 

Simpósio Oncologia e Espiritualidade

Simpósio discute câncer e espiritualidade em Curitiba no próximo sábado (31)

Médicos psiquiatras, psicólogos e profissionais de saúde estarão reunidos em Curitiba, neste sábado (31), para discutir espiritualidade e o câncer, no IV Simpósio de Saúde, Espiritualidade e Oncologia, que será realizado pelo CAPO (Centro de Apoio a Pacientes Oncológicos Dr. Bezerra de Menezes).

Durante o encontro serão abordados temas como os aspectos espirituais do câncer, os motivos do adoecimento, através de uma abordagem médico-espírita, a importância da saúde mental e das emoções.

Além disso, o grupo vai discutir também a depressão e os transtornos físico-emocionais, a importância da psico-oncologia, a espiritualidade no processo de cura das doenças e a como trabalhar o processo de autocura.

O Simpósio é aberto ao público e acontece no Sesc da Esquina, na Av. Visconde do Rio Branco, 969, a partir das 08h30. Confira a programação completa.

Estudo aponta aumento de câncer em população de 20 a 49 anos

O aumento dos casos de câncer na população entre 20 e 49 anos, de 1997 a 2016 chamou a atenção de especialistas. Nesse período, a incidência por ano do câncer da glândula tireóide registrou uma elevação de 8,8%, o de próstata 5,2% e o de cólon e reto 3,4%. Os dados fazem parte do estudo elaborado pelo Observatório de Oncologia, que teve como tema Câncer antes dos 50: como os dados podem ajudar nas políticas de prevenção.

O trabalho foi apresentado nesta quarta-feira (17), durante o Fórum Big Data em Oncologia, que ocorreu no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O encontro foi organizado pelo Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC).

De acordo com o estudo, houve aumento ainda na mortalidade por alguns tipos da doença. O maior percentual foi de câncer no corpo do útero, que subiu 4,2% por ano; seguido por cólon e reto com 3,2%, mama 2,5%, cavidade oral 1,2% e colo de útero 1%.

A líder do TJCC e presidente da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), Merula Steagall, disse que após pesquisas da Sociedade Americana de Câncer, divulgadas em fevereiro, nos Estados Unidos, identificando a ligação entre obesidade e o aumento nos casos de câncer em indivíduos mais jovens, especialistas do Observatório de Oncologia, que pertence ao TJCC, se dedicaram ao estudo para verificar o que ocorria no Brasil e analisaram dados gerados no setor de Saúde. Foram analisados dados do DATASUS e do Inca.

O resultado, além de um alerta, vai servir para indicar tipos de políticas que podem ser adotadas pelos gestores e impedir que a tendência tenha um crescimento maior.

“Os que aumentaram na incidência e na mortalidade eram cânceres relacionados ao tipo de vida. A gente está pressupondo que álcool, tabaco, alimentação não saudável e falta de prática de exercício podem estar refletindo no aumento de incidência”, detalhou Merula Steagall.

A pesquisadora ainda diz acreditar que o aumento da mortalidade se deu porque as pessoas procuram o tratamento em estágio avançado da doença. ”Como se espera que o câncer é uma doença depois dos 50 anos mais predominantemente, porque as células estão mais envelhecidas e começa uma produção irregular que acarreta no câncer, a pessoa entre 20 e 50 não está atenta para isso. O sistema não facilita o fluxo para ir rápido para um diagnóstico”.

Demora

No encontro, os especialistas destacaram dois fatores que contribuem para esses números: a falta de acesso a informações e aos tratamentos. “Esse fator da demora de acesso a um especialista e a um centro adequado também acarreta na mortalidade e a pessoa perde o controle da doença”, contou.

Merula acrescentou que em termos de tecnologia, nesses 20 anos, houve avanços, então, para o especialista é triste verificar que o progresso científico não teve impacto na vida das pessoas. “Não teve resultado para muitos tipos de cânceres. Dos 19 analisados, 10 aumentaram a mortalidade”, observou, destacando a importância da mídia no alerta e na divulgação da vida saudável.

“Você tem que planejar a sua terceira idade enquanto é jovem. Só que as pessoas jovens acham que a mortalidade para elas está distante. Falo isso como uma pessoa com doença genética e como a morte estava sempre próxima sempre me cuidei, me tratei, procurei fazer esportes e tive alimentação saudável. É importante alertar porque precisamos planejar o nosso envelhecimento.”

Diagnóstico

A médica mastologista, Alice Francisco, teve uma experiência própria com diagnóstico precoce. Ao fazer um exame de rotina para verificar um histórico familiar de hipotireoidismo ficou constatado, mesmo sem ter sintomas, que tinha câncer na tireóide. A avaliação foi há 12 anos, o tratamento foi feito, o tumor sumiu, mas dois anos depois voltou. “Precisei fazer novamente o tratamento. Foi uma coisa bem inesperada para a situação do meu diagnóstico naquele momento”, revelou.

Alice completou que foi muito importante ter o diagnóstico precoce e que pôde ver o quanto é relevante o impacto nos resultados dos tratamentos. A médica reforçou a necessidade de ter bons hábitos alimentares e físicos. “Para mim, isso foi muito importante e adaptar ao meu dia a dia. Hoje eu repercuto muito isso como profissional de saúde e estudo tudo. Uma das minhas linhas de estudo é a atividade física, então, mudou muito a minha forma de ser profissional depois de ter passado por isso”, indicou.

Parceria

Segundo a presidente da Abrale, o objetivo da entidade é trabalhar junto com o Ministério da Saúde para a definição, entre outras medidas, de maior divulgação de informações sobre o que é a doença, como pode ser diagnosticada e quais são os fatores de risco.

No encontro, foi apontada a diferença de acesso das informações e à disponibilidade de tratamento entre as regiões do país, com maior dificuldade no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste. O diretor do Departamento de Informática do SUS (DATASUS/SE/MS), Jacson de Barros, que participou dos debates, reconheceu que é preciso qualificar mais as equipes de atendimento, que podem apresentar um diagnóstico precoce, facilitar o tratamento e em muitos casos evitar a morte do paciente. Para ele, isso pode também reduzir as sub-notificações. “A gente quer mudar a forma de disponibilizar os dados do DATASUS para que todo mundo consiga além do acesso, poder fazer estudos longitudinais, acompanhar o desfecho. A ideia é aprimorar todo esse sistema”, disse.

O diretor afirmou que falta infraestrutura para permitir o registro adequado da informação. Um estudo do ano passado dos hospitais que têm mais de 50 leitos mostra que mais da metade não tem prontuário eletrônico, ou seja, faz o básico quando o paciente entrou, se precisou ficar internado e quantos dias permaneceu na unidade, mas não é feita uma análise clínica. “Mesmo assim, com as informações que a gente tem ainda dá para sair muito suco de laranja, mesmo não tendo as informações clínicas”, afirmou.

Para resolver o problema das regiões onde há carência de acesso à informação, ao diagnóstico e ao tratamento, o diretor disse que o Ministério da Saúde está fazendo um mapeamento para adequar o primeiro atendimento a fazer o registro adequado. “Será um mapeamento baseado na classificação do IBGE, e para cada região vamos subsidiar soluções para investimento de infraestrutura na ponta e para melhor atender e registrar”, disse.

Nanocápsulas ativadas por calor podem ajudar no tratamento do câncer

Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) desenvolveram uma nova técnica que envolve o uso de nanocápsulas pode ajudar no tratamento de tumores.

O método envolve o transporte de medicamentos antitumor por meio de cápsulas em escala nanométrica (bilionésima parte do metro) feitas com membranas de células cancerosas. Junto com os medicamentos, elas carregam materiais fotoativos (ativados pela luz), como o ouro, que aquecem ao serem irradiados com luz infravermelha, matando as células cancerosas.

“Para construir essa nanocápsula, usamos, não um material convencional como um polímero, mas a membrana de uma célula do tumor. Extraímos a membrana que reveste a célula e com ela fizemos a cápsula. Lá dentro vai um remédio – um quimioterápico – e esses nanobastões de ouro. Com isso, conseguimos entrar no tumor. O fármaco é liberado e aquecemos os nanobastões irradiando luz, fazendo com que ele destrua a célula por elevação da temperatura”, disse o professor Valtencir Zucolotto, do IFSC-USP e orientador da pesquisa.

As nanocápsulas são colocadas no sistema circulatório e, por serem feitas de membranas de células cancerosas, tendem a se incorporar nas células tumorais. Para encontrá-las, são utilizados meios como tomografia ou ressonância magnética.

Em seguida, é feito o núcleo magnético é aquecido para promover a morte do tumor. O trabalho foi desenvolvido no doutorado de Valéria Spolon Marangoni, que integra o Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano), e contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp).

Testagem
Os experimentos feitos em colaboração com o professor Wagner José Fávaro, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), utilizaram nanobastões de ouro e o quimioterápico betalapaxona, envoltos em nanocápsulas de membrana celular, para tratar tumores de bexiga induzidos em camundongos.

Os resultados, publicados na revista Applied Bio Materials, mostraram que as nanocápsulas se ligaram aos tumores e, ao serem irradiadas com luz infravermelha, se romperam e liberaram os nanobastões de ouro e a betalapaxona entre dez e 20 minutos depois de iniciado o processo. De acordo com as análises dos tecidos, nenhum dos tumores na bexiga dos camundongos cresceu e alguns regrediram.

Zucolotto destaca que ainda não há previsão para experimentos em humanos. “Normalmente, seguiria para outros tipos de ensaios clínicos fase 2, 3, e leva anos. É necessária a aprovação de todos órgãos, até que um dia, se for tudo bem, se for comprovada a eficácia, a segurança, poderá ser testado em humanos. É o caminho natural. Não sabemos quanto tempo.”

Diagnóstico de câncer em até 30 dias pelo SUS está na pauta do Plenário

Projeto de lei que garante aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com suspeita de câncer o direito a biópsia no prazo máximo de 30 dias, contados a partir do pedido médico, é uma das matérias da pauta de votações do Plenário do Senado Federal na terça-feira (14), a partir das 14h. Se for aprovado, o projeto segue para sanção presidencial. As votações da semana serão conduzidas pelo senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), 1º vice-presidente do Senado, já que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, cumpre agenda nos Estados Unidos de 13 a 15 de maio.

Da deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), o PLC 143/2018 determina que o limite de até 30 dias valerá para os exames necessários nos casos em que a neoplasia maligna (termo médico que se refere aos tumores cancerígenos) seja a principal hipótese do médico.

Se a proposta for aprovada, a mudança será feita na lei que já estipula o início do tratamento pelo SUS em no máximo 60 dias a partir do diagnóstico do câncer (Lei 12.732, de 2012). O objetivo é acelerar ainda mais o acesso a medicações e cirurgias necessárias pelos pacientes. Zanotto avaliou que a falta de prazo também para os exames diagnósticos é uma lacuna na lei atual.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que 300.140 novos casos foram registrados entre os homens e 282.450 entre as mulheres, somente em 2018. Já os últimos dados de mortalidade por câncer disponíveis apontam para 107.470 homens e 90.228 mulheres no ano passado.

Precatórios

Também pronto para ser votado está o PLS 163/2018-Complementar, que inclui os precatórios entre as exceções de controle previstos na legislação que trata de estímulos ao equilíbrio fiscal de estados e do Distrito Federal (Lei Complementar 156/2016). Essa norma concedeu prazo adicional de 240 meses para o pagamento de dívidas dos estados com a União, no intuito de atenuar os efeitos da crise fiscal.

O projeto, do senador José Serra (PSDB-SP), inclui entre as exceções as despesas referentes aos precatórios.

Tribunais de contas

Outra matéria que deve ser votada é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 2/2017, que proíbe a extinção dos tribunais de contas. A proposta já foi aprovada em primeiro turno pelo Plenário. Se for confirmada em votação em segundo turno, a PEC do ex-senador Eunício Oliveira segue para análise da Câmara dos Deputados.

Exame de diagnóstico de câncer deve ser feito pelo SUS em até 30 dias, decide CAS

O Plenário do Senado votará, em regime de urgência, projeto de lei que garante aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com suspeita de câncer o direito a biópsia no prazo máximo de 30 dias, contados a partir do pedido médico. De autoria da deputada Carmen Zanotto (PPS-SC), o PLC 143/2018 foi aprovado nesta quarta-feira (10), na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

A proposta determina que o limite de até 30 dias valerá para os exames necessários nos casos em que a neoplasia maligna (termo médico que se refere aos tumores cancerígenos) seja a principal hipótese do médico. A mudança será incluída na lei que já estipula o início do tratamento pelo SUS em no máximo 60 dias a partir do diagnóstico do câncer (Lei 12.732, de 2012). O objetivo é acelerar ainda mais o acesso a medicações e cirurgias necessárias pelos pacientes. Zanotto avaliou que a falta de prazo também para os exames diagnósticos é uma lacuna na lei atual.

O PLC 143/2018 faz parte da pauta prioritária da bancada feminina. O relator da matéria na CAS, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), ressalta que o momento da detecção do câncer impacta decisivamente no percentual de pessoas que morrem por causa da doença. Ele cita estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), segundo as quais 300.140 novos casos foram registrados entre os homens e 282.450 entre as mulheres, somente em 2018. Já os últimos dados de mortalidade por câncer disponíveis apontam para 107.470 homens e 90.228 mulheres no ano passado, disse Nelsinho Trad.

“São números realmente expressivos, que geram preocupação nas autoridades sanitárias”, afirmou o relator.

Agencia Senado

Pesquisadores da UFPR podem produzir antibióticos para tratamento de câncer

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estiveram na Serra do Amolar, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, no último mês de fevereiro, para fazer o recolhimento de materiais que podem produzir antibióticos para o controle de bactérias multirresistentes hospitalares e de células cancerígenas. Eles fizeram a coleta de libélulas, moscas, moluscos e plantas medicinais do pantanal.

Ao todo, 30 pesquisadores de diferentes regiões do Brasil participaram da primeira expedição científica organizada pelo Instituto Serra do Amolar. O objetivo foi apresentar a região para pesquisadores de instituições do país e de sociedades científicas, que fizeram reconhecimento e coleta de material para estudo e conservação da fauna.

“Foi possível coletar materiais que não existem em outro lugar do mundo, como a planta Cambará”, ressalta Chirlei Glienke, professora do Departamento de Genética da UFPR. As folhas da planta medicinal serão analisadas por docentes, mestrandos, doutorandos e estudantes de iniciação científica do Departamento. Segundo a professora Chirlei, os micro-organismos serão isolados e daqui a cerca de um ano devem produzir metabólicos secundários com atividade biológica como antibióticos e citotóxicos contra células tumorais.

Entre os resultados esperados estão novos compostos que podem ser explorados pela indústria farmacêutica para ajudar no tratamento de câncer e controle de bactérias multirresistentes hospitalares. Além disso, as linhagens entrarão nas coleções biológicas da UFPR e serão disponibilizadas na internet no projeto Taxonline. “Trata-se também da conservação da biodiversidade do pantanal”, acrescenta Chirlei.

As coletas dos grupos zoológicos de Odonata (libélulas), Diptera (moscas) e Mollusca (moluscos) também serão preparadas para depósito em coleções biológicas, identificação taxonômica e estudos em biodiversidade. “Espécies novas poderão ser reconhecidas e descritas pela primeira vez para a ciência”, diz Luciane Marinoni, professora do Departamento de Zoologia da UFPR e presidente da Sociedade Brasileira de Zoologia.

Preservação do patrimônio genético do Brasil

A pesquisadora Luciane ressalta que as coleções biológicas são importantes para a preservação do patrimônio genético natural do Brasil. “Há material depositado em coleções que não existem mais na natureza. Ter esse material em coleções ajuda no controle de doenças, entendimento da história da natureza, reconhecimento de áreas de preservação e desenvolvimento da ciência”, enfatiza.

Segundo a professora, somente instituições que possuem reconhecida excelência em estudos em biodiversidade foram convidadas a participar da expedição científica. “Esse é um reconhecimento da UFPR como uma dessas instituições”, afirma Luciane.

Anvisa reavalia glifosato e descarta risco de câncer pelo consumo de alimentos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reavaliou o risco do glifosato e concluiu que não causa mutações no DNA, no código genético humano (não mutagênico), nem nos embriões ou fetos (teratogênico), não é cancerígeno (carcinogênico) e não é desregulador endócrino (não afeta o sistema hormonal), não afetando a reprodução.

A Anvisa alertou, entretanto, que os trabalhadores que atuam em lavouras precisam ter cuidados especiais. Para isso, são importantes o uso de Equipamentos de Proteção Individual (traje/equipamentos especiais para a aplicação do produto nas lavouras), além do controle para evitar dispersão (deriva) do produto quer seja aérea, terrestre ou na água.

A agência utilizou estudos sobre os efeitos do glifosato realizados no Canadá, Estados Unidos e Europa. Também foram analisados dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que mostraram o perfil de intoxicações por glifosato no Brasil. Os dados do monitoramento de água para consumo humano no Brasil produzidos entre 2014 e 2016 também foram incluídos para ser conhecido o risco do glifosato aos seres humanos. Foram analisadas 22.704 amostras de água e em apenas 0,03% dos casos havia presença de glifosato em nível acima do limite permitido.

A Reavaliação foi iniciada em 2008, tem cerca de 400 páginas e utilizou dados nacionais sobre agrotóxicos. Entre as informações analisadas estão os números sobre a existência de resíduos destes produtos, feitos em 906 amostras de arroz, manga e uva.

A Anvisa decidiu abrir consulta pública, com prazo de 90 dias, para recebimento de sugestões à nova regulamentação de uso do glifosato no país. E já inicia com propostas de proibição de formulações do tipo EW (emulsão óleo em água) para reduzir possibilidade de inalação e absorção pela pele; rodízio de trabalhadores nas atividades de aplicação com trator (mistura, abastecimento e aplicação); equipamento de proteção individual (EPI) e carência para reentrada do trabalhador em áreas tratadas; adoção de tecnologia para redução da dispersão; faixa de segurança de 10 metros na lavoura quando houver povoações a 500 metros de distância; definição do limite de exposição e tolerância para o trabalhador rural.

O glifosato é o produto (ingrediente ativo) mais utilizado no Brasil para a eliminação de ervas daninhas, sendo usado nas lavouras de soja, milho, algodão, arroz, feijão, café, banana, cacau, cana-de-açúcar, citros, coco, fumo, maçã, mamão, nectarina, pastagem, pêra, pêssego, ameixa, seringueira, trigo, uva e nas florestas de eucalipto e pinus.

Rússia

Segundo a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, a presença alegada de glifosato em carga de soja exportada à Rússia se deveu ao fato dos russos exigirem uma dosagem muito menor na soja – 0,15 parte por milhão (PPM) – do que a determinada pelo Codex Alimentarius (código alimentar internacional) que é de 20 PPM. “O Brasil usa 10 PPM, portanto está absolutamente dentro do que o Codex prevê”.

Todas as amostras de soja que foram retiradas e que o Ministério mandou à Rússia provaram que havia muito menor quantidade de glifosato do que as fixadas pelas normas internacionais. Enfim, esse assunto está resolvido”, garante a ministra. Tereza Cristina afirmou ainda que “o produto cultivado pelo agricultor brasileiro, atestado pelos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente e Anvisa e colocado à mesa dos consumidores é absolutamente seguro”.

O coordenador geral de Agrotóxicos e Afins do Ministério, Carlos Ramos Venancio, informa que nenhum país do mundo proíbe o uso do glifosato. Além disso, não existe substituto para ele e os demais produtos usados para combater as pragas são mais tóxicos e o preço do glifosato é mais acessível com a oferta de genéricos .

Por ano, cerca de 12 mil crianças e adolescentes têm algum tipo de câncer no Brasil

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 12 mil crianças e adolescentes têm algum tipo de câncer todos os anos. A estimativa para 2019 é a mesma. Das crianças com câncer infantojuvenil, 80% têm chance de cura se diagnosticadas precocemente.

Nesta sexta-feira (15), é Dia Internacional de Luta contra o Câncer na Infância. No Paraná, o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, é referência no tratamento da doença em crianças e adolescentes. A instituição, que oferece atendimento a pacientes de 0 a 18 anos, é considerada como o maior serviço pediátrico do estado na área, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde, sendo que cerca de 80% dos tratamentos são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“O diagnóstico precoce é muito importante para o tratamento e é o caminho que leva à cura. E quando se fala sobre casos de câncer que acometem pacientes que fazem parte do público infantojuvenil, ele é essencial”, comenta a chefe do Serviço de Oncologia e Hematologia do Pequeno Príncipe, Flora Mitie Watanabe.

O Hospital também é referência no tratamento de tumores sólidos e doenças hematológicas malignas e não malignas do Brasil. “O câncer se manifesta de forma diferente nos adultos e em crianças e adolescentes. Os meninos e meninas respondem de forma melhor ao tratamento com quimioterapia. Por isso, é importante que o diagnóstico seja feito de forma precoce e a doença não seja descoberta tardiamente”, reitera a médica.

A leucemia é o tipo mais comum de câncer no público infantojuvenil, seguido de tumores do sistema nervoso central, linfomas e retinoblastoma. Os cânceres em crianças e adolescentes são considerados mais agressivos e se desenvolvem rapidamente. De acordo com o INCA, a doença é a principal causa de morte na faixa etária de 0 a 19 anos. Por outro lado, crianças respondem melhor ao tratamento e as chances de cura são maiores, se comparado com o público adulto. Portanto, os sinais de alerta e o diagnóstico precoce são tão importantes. O olhar de toda a família conta nesses momentos.

atural de Toledo, Mariana Diniz tinha apenas sete meses quando, em uma foto, ficou com o “olhar distorcido”. O lindo olho azul dir55eito deu lugar a uma luz esbranquiçada, que logo foi notada pela família. Com o diagnóstico de retinoblastoma, Mariana iniciou o tratamento com a equipe oncológica do Pequeno Príncipe. Hoje, aos 21 anos e uma perfeita prótese no olho direito, a ex-paciente, agora arquiteta, retorna apenas para visitas de agradecimento.

Sinal de alerta
Muitas vezes, os sintomas do câncer são confundidos com doenças comuns da infância. Fique atento a:
– Dores nos ossos, principalmente nas pernas, com ou sem inchaço.
– Palidez inexplicada.
– Fraqueza constante.
– Aumento progressivo dos gânglios linfáticos.
– Manchas roxas e caroços pelo corpo, não relacionados a traumas.
– Dores de cabeça, acompanhadas de vômitos.
– Perda de peso, com aumento/inchaço na barriga.
– Febre ou suores constantes e prolongados.
– Distúrbios visuais e reflexos nos olhos.

Hospital oferece tratamento gratuito para crianças com tumores cerebrais

Um projeto tem feito à diferença na vida de crianças diagnosticadas com tumores cerebrais e que não tem condições de pagar o tratamento. O INC Neuro Kids, desenvolvido pelo Instituto de Neurologia de Curitiba, oferece cirurgias neurológicas de graça para os pequenos. O projeto funciona há quatro meses e tem capacidade de atender dois pacientes por mês.

Segundo a diretora-executiva do INC, Regina Ramina Montibeller, os principais critérios para a seleção dos pacientes são a gravidade do caso, a urgência e a renda familiar. “Nós selecionamos crianças pré-diagnosticadas ou com suspeita de tumor cerebral. A gente pede que essas famílias mandem para nós os exames, que são analisados por um equipe de neurocirurgiões. E também a parte social. O projeto é focado nas crianças carentes”, explica.

“Escolhida essa criança, ela passa por todo tratamento, desde o pré, durante a cirurgia, pós-cirúrgico, tratamento que eventualmente tenha que fazer de quimio ou radioterapia, tudo que tenha que fazer, tudo gratuito”.

Os custos dos profissionais de saúde, dos exames, dos internamento e de todos os procedimentos são arcados pelos médicos, pelo Instituto e por empresas que apadrinham as crianças. “A parte médica é doação do médico, que faz gratuitamente. A parte de estrutura do hospital, também é o hospital que banca, é tudo gratuito. Mais ou menos 20% do custo das cirurgias, eu tenho ido buscar junto aos empresários de Curitiba doações”, conta.

De acordo com a diretora, os valores são mínimos em vista da diferença na vida das crianças. É pela certeza do futuro que os pequenos podem ter ao passar pelo tratamento, como de uma paciente que veio do norte do país. O diagnóstico era desanimador, mas os médicos conseguiram reverter o quadro.

“Tivemos, há duas semanas, uma criança que veio de Macapá com o diagnóstico de que era um tumor inoperável. Essa criança veio para cá, fez a cirurgia, nem precisou passar por um tratamento, ficou conosco uma semana, recebeu tudo do bom e do melhor, melhores equipamentos, melhores médicos e hoje ela está curada. Está em Macapá, na escola. Isso que é importante para a gente, saber que a gente pode fazer a diferença na vida dessas crianças”.

As famílias e empresas que se interessaram pelo projeto podem entrar em contato com o INC pelo telefone (41)3373-7723 ou pelo e-mail incneurokids@hospitalinc.com.br.