Carnaval movimentou R$ 3,78 bilhões no Rio de Janeiro

O carnaval de 2019 reuniu mais de 7 milhões de foliões no Rio de Janeiro e movimentou R$ 3,78 bilhões em receitas na economia da cidade, divulgou nesta segunda (11) a prefeitura, que comemorou os números, considerados recordes. O balanço considera os dias entre a sexta-feira de carnaval (1º) e o último fim de semana (9 e 10), quando ainda havia megablocos desfilando na cidade. As informações são da Agência Brasil.

A receita gerada para os setores de comércio e serviços aumentou 26% em comparação com 2018. A cidade recebeu mais de 1,6 milhão de turistas, que ficaram no Rio durante uma média de sete a 11 dias.

Outro número positivo informado pela prefeitura foi a queda no número de atendimentos nos postos de saúde. Foram 16,4% menos pacientes recebidos nessas unidades.

A temperatura mais amena foi um dos motivos apontados, já que o carnaval teve clima nublado e chuva na maior parte do tempo.

Essa movimentação gerou um número 14% maior de lixo na cidade, segundo a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). Foram 1.227 toneladas de resíduos, se contabilizados os blocos de rua, o Sambódromo, os bailes de carnaval e outras festividades.

Equipes do programa Lixo Zero aplicaram 231 multas para quem descartou lixo de forma irregular e 999 para os famosos “mijões”, que tiveram que desembolsar R$ 563,30.

A Guarda Municipal atuou com quase 5,5 mil agentes nos blocos de rua e quase 3,5 mil no Sambódromo e efetuou 26 prisões em 18 ocorrências de crime. A maioria dos registros ocorreu durante os blocos de rua. A Secretaria de Ordem Pública (Seop) rebocou 2.528 veículos durante o Carnaval, uma média de 14 por hora. Neste ano, a secretaria aumentou o número de reboques de 18 para 50 -os proprietários dos veículos removidos devem procurar os depósitos municipais no Recreio dos Bandeirantes ou São Cristóvão para retirá-los, das 8h às 17h.

Também no balanço da prefeitura consta que a Secretaria de Fazenda apreendeu 10 mil itens irregulares com ambulantes até domingo (10). O rol de apreensões inclui bebidas diversas, vidro, isopores, cigarros, mesas, caixa de som, botijão de gás, churrasqueiras, triciclos e carrinhos, que foram lacrados pela Coordenadoria de Controle Urbano e levados para o depósito da Prefeitura, onde podem ser recuperados com a apresentação de nota fiscal.

Bolsonaro compartilha vídeo obsceno para atacar blocos de Carnaval

Por Guilherme Seto

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) publicou nesta terça-feira (5), em sua conta oficial no Twitter, um vídeo de uma cena que causou polêmica no Carnaval paulistano. Um homem aparece dançando sobre um ponto de táxi após introduzir o dedo no próprio ânus. Na sequência, surge outro rapaz que urina na cabeça do que dançava.

Em sua publicação, Bolsonaro diz que não se sente “confortável em mostrar”, mas argumenta que tem “que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conslusões [conclusões]”.

Nos comentários à publicação do presidente, críticos do presidente e até mesmo alguns que se identificam como apoiadores dele têm lamentado a iniciativa de publicar o vídeo.

“O cara usa o Twitter para falar com as crianças que votam nele e posta um vídeo desses. JÁ DENUNCIEI. TwitterBrasil bloqueia logo a conta desse incapacitado!”, diz um usuário.

Após a publicação do vídeo, Bolsonaro postou ou compartilhou conteúdo cinco vezes em um intervalo de pouco mais de uma hora. Todo o conteúdo posterior é corriqueiro, sem polêmicas.

O vídeo foi gravado na segunda-feira (4) em um bloco chamado Blocu, no centro de São Paulo. A repercussão da cena nas redes sociais iniciou antes mesmo do tuíte de Bolsonaro. A reportagem conversou com várias pessoas que presenciaram a cena e que disseram que o ocorrido foi um momento isolado no evento.

Diversos usuários têm escrito que denunciarão o tuíte de Bolsonaro como conteúdo impróprio.

Nas regras do Twitter, que incluem a política de privacidade e os termos de serviço que os usuários têm que respeitar para usar a plataforma, há uma série de diretrizes sobre conteúdo adulto.

“Consideramos conteúdo adulto qualquer mídia que seja pornográfica ou destinada a causar excitação sexual. Alguns exemplos incluem, mas não estão limitados a representações de: nudez total ou parcial, incluindo closes dos órgãos genitais, nádegas ou seios; simulação de ato sexual; ou relação sexual ou qualquer outro ato sexual envolvendo seres humanos, representações de animais com características humanas, desenhos, hentai ou animes”, dizem as regras do Twitter.

Mídias com conteúdo adulto devem ser marcadas como mídia sensível, o que não foi feito inicialmente no vídeo de Bolsonaro. Dessa forma, a depender do rigor da análise do Twitter, o presidente pode sofrer alguma punição, que pode variar desde a retirada do conteúdo do ar até a suspensão da conta, caso seja entendido que ele cometeu grave infração.

Cerca de duas horas após a publicação do vídeo foi colocada a marcação de mídia sensível, que funciona como um filtro prévio que requer que o usuário confirme que deseja ver o conteúdo.

A lei 1.079 da Constituição Federal, que dispõe sobre os crimes de responsabilidade, inclui entre os crimes contra a probidade na administração “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”.

A reportagem procurou os organizadores do bloco para comentar o ocorrido, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

O Twitter afirmou que “tem regras que determinam os conteúdos e comportamentos permitidos na plataforma, e eventuais violações estão sujeitas às medidas cabíveis”.

Blocos contra Bolsonaro

O incômodo do presidente com os blocos de Carnaval pode ser entendido, em certa medida, a partir das manifestações contrárias a ele que têm se disseminado nesses eventos pelo país.

A relação de Bolsonaro e de seus filhos com o ex-policial militar Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), deram o tom da folia politizada.

Alguns foliões se enfeitaram com adereços na cabeça ou adesivos nas roupas com a frase Lula Livre. Outros usaram a fantasia para protestar. Diversas placas com a frase “O PT destruiu a minha vida” faziam piada com o eleitorado de Bolsonaro.

No bloco Ladeira Abaixo, em Belo Horizonte, os foliões cantaram em coro debaixo de chuva “ai, ai ai ai, ai ai ai ai ai ai ai, Bolsonaro é o carai”, mesmo refrão repetido no bloco Eu Acho É Pouco, em Olinda. Pelo menos a cada meia hora, o refrão se repetia na capital mineira. Em alguns momentos, era seguido por outro: “Ei, Bolsonaro, vai tomar no cu”, e até o antigo refrão “olê olê olê olá, Lula, Lula” apareceu.

Em São Paulo, no Tarado ni Você, fantasias de laranjas satirizaram a relação do filho de Bolsonaro com Queiroz.

Referências ao kit gay, polêmica que surgiu com o Projeto Escola sem Homofobia, da gestão petista, e as fake news apareceram com força. Uma delas virou adereço: as “mamadeiras de piroca” -mamadeiras com pênis de borracha na ponta. Na campanha de 2018, a informação de que Fernando Haddad (PT) pretendia distribuir o item em creches -o que se comprovou ser falso- inundou a internet.

Sem status de celebridade, rainha da Mangueira ouviu de professora que não teria profissão

Por Sarah Mota Resende

Na contramão das escolas de samba que convidam artistas e celebridades para ocupar o posto de rainha de bateria, um dos ofícios mais visados antes e durante os desfiles, a Mangueira mantém na função, desde 2014, a passista Evelyn Bastos, 25 anos, profissão professora e estudante.

“Eu sempre vejo isso [de ser rainha de bateria] por um lado de responsabilidade cultural. A nossa cultura precisa ser alimentada, precisa ser nutrida para as crianças que acompanham a gente. Cada mulher que tem a coroa de rainha de bateria precisa ter essa consciência. Ter uma rainha da comunidade é a forma mais bonita de manter essa cultura viva no coração das crianças da própria comunidade”, defende Evelyn.

Na Mangueira desde que tinha quatro anos, Evelyn é filha de uma ex-rainha de bateria da escola, Valéria Bastos, que esteve à frente dos ritmistas da agremiação de 1987 a 1989.

“Comecei na Mangueira quando era muito pequenininha, seguindo a minha mãe, que sempre teve uma história toda vinculada ao samba. Ela me fez crescer ali dentro da escola de samba, dentro dos projetos sociais da escola. Então quando eu me dei conta por gente eu já conhecia a Mangueira e a escola já fazia parte da minha vida. Eu cresci ali dentro”, disse à reportagem.

Formada em educação física pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Evelyn agora cursa história numa instituição particular. Em paralelo, ela também toca um projeto de dança chamado “Quadril de Mola”, uma espécie de workshop de samba que corre o mundo ensinando o ritmo.

“No ensino médio, uma vez uma professora perguntou aos alunos o que queríamos ser, qual profissão queríamos seguir. Na minha vez, ela olhou para mim e disse, como se eu fosse um objeto: ‘Eu não te vejo em nenhuma profissão, eu te vejo casando com um gringo e morando fora do Brasil’. Eu tinha 16 anos e fiquei quieta. Eu estava naquele colégio desde que tinha 11 anos e não queria que meus colegas me vissem daquela maneira que ela me reduziu.”

Sexta escola a desfilar na Sapucaí, no Rio de Janeiro, na segunda noite de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, a Mangueira entrou sambódromo na madrugada desta terça-feira com um enredo de cunho político intitulado “História para Ninar Gente Grande”, que homenageia mulheres corajosas do Brasil -o que inclui a ex-vereadora Marielle Franco, assassinada há quase um ano.

“Eu venho representando Esperança Garcia, que foi a primeira advogada do Piauí. Ela foi uma das primeiras escravas alfabetizadas. Então ela tem uma história de muita coragem, de muita bravura”, afirma Evelyn.

Empregador pode pedir compensação de folgas do Carnaval

Por Marcela Marcos

O Carnaval não consta na lei nº 662, de 1949, que determina quais são os feriados oficiais no país. Portanto, os trabalhadores devem ficar atentos, já que a dispensa não é obrigatória, mesmo que os empregadores geralmente concedam folgas na segunda, na terça-feira e na Quarta-feira de Cinzas.

A primeira pergunta que vem à cabeça, então, é: posso ser descontado por não trabalhar nessas datas? Em São Paulo, esses dias de folia são considerados pontos facultativos, como explica o advogado Alan Balaban.

“Em tese, são dias naturais de trabalho, mas se houver liberação, não pode haver o desconto”, afirma.

O empregador também pode propor que o empregado compense os dias parados mais à frente. A lei trabalhista não obriga que esse acordo seja feito por escrito, mas o ideal, na opinião de Balaban, é que o trabalhador tenha alguma comprovação.

Um email do patrão sobre a data, por exemplo, é uma forma de assegurar o combinado para não ter surpresas no holerite.

De acordo com a advogada Mayara Gaze, nos estados e municípios onde o Carnaval é feriado oficial (como no Rio de Janeiro, conforme a lei nº 5.243, de 2008), o trabalhador que não é dispensado deverá receber o pagamento daquele dia em dobro.

Mas outro tipo de compensação poderá ser combinada previamente em um acordo coletivo de trabalho, como uma anotação no banco de horas, por exemplo.

Faltas podem render demissão?

Não, mas, se a empresa pedir que o funcionário trabalhe normalmente nos dias do Carnaval e ele faltar, pode haver três tipos de punição:
> desconto do dia
> perda do descanso semanal remunerado
> advertência

Como fica o salário?

O pagamento do dia de trabalho é normal, sem direito a adicionais

A folga precisa ser compensada depois?

Se houver um acordo entre a empresa e seus funcionários sobre a folga, não há necessidade de compensá-la

Como ter certeza de que não serei descontado?

O ideal é conferir o calendário do município e confirmar com o patrão se haverá a dispensa e em quais dias.

Geralmente as empresas concedem folgas no período de Carnaval na segunda, na terça e na Quarta-feira de Cinzas até o meio-dia

Emoção, luxo e ousadia marcam segundo dia do Grupo Especial

A São Clemente abriu os desfiles do segundo dia do Grupo Especial com irreverência e foi seguida por uma performance luxuosa da Vila Isabel e uma calorosa homenagem da Portela a Clara Nunes, depois União da Ilha, Mangueira, Mocidade e Paraíso do Tuiuti. Após a noite, de sábado (2), em que a chuva preocupou as escolas de samba do Rio de Janeiro, as agremiações do Grupo Especial que entraram no sambódromo na segunda-feira encontraram a pista seca e o tempo bem menos instável.

Consagrada por suas críticas sociais e bom humor, a São Clemente foi a primeira a desfilar ontem (4). A escola reviveu um samba de 1990 em que criticava os rumos do carnaval carioca, cheio de famosos, ingressos caros e efeitos especiais. “Virou Hollywood”, ironiza o samba, que criticava também a falta de espaço para o povo participar da festa.

A comissão de frente da São Clemente trouxe os cartolas do samba definindo o futuro do carnaval em uma virada de mesa, referência que já tinha aparecido no desfile da Grande Rio. As duas escolas lembraram a permanência da própria Grande Rio e da Império Serrano no Grupo Especial, depois de uma decisão em plenário da Liga Independente das Escolas de Samba ter suspendido os rebaixamentos do ano passado.

Ídolos Pop

Fantasiado de Michael Jackson e Madonna, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira apontava a invasão de ícones culturais norte-americanos no carnaval. No abre-alas, o destaque a Marylin Monroe reforçava essa crítica. Marylin apareceu de aplique loiro e sutiã de ícone – marcas da artista na vida real.

A escola ironizou também o luxo dos camarotes e a distribuição de credenciais para amigos de poderosos verem os desfiles, enquanto o povo fica de fora da Sapucaí. O segundo carro mostrou a programação dos camarotes, representando uma festa com DJ e música eletrônica em plena passarela do samba.

Discussões antigas do amantes de carnaval como os enredos e fantasias pagos, a influência da TV e o ego dos carnavalescos e estrelas também voltaram na reedição do enredo de 1990. Com a atualização do tema, as redes sociais entraram na lista, com a proliferação de “especialistas do samba” e intrigas espalhadas sobre as escolas.

Investimentos

A escola defendeu ainda o investimento em cultura,  criticando os cortes de verbas que as escolas de  samba sofreram nos últimos anos. A São Clemente terminou o desfile em clima de nostalgia, lembrando antigos carnavais. O carnavalesco Jorge Silveira disse que o desfile cheio de críticas e irreverência foi um reencontro da escola com sua essência. Segundo ele, é necessário cuidar para, como diz o enredo, o samba não sambar.

“Muita coisa que ameaçava a gente naquela época continua ameaçando. A coisa só se potencializou. Mas o que mais fere o sambista é deixar o povo fora da jogada. O carnaval é do povo e ele é o protagonista”.

Vila Isabel

A Vila Isabel subiu a serra e homenageou Petrópolis no carnaval deste ano. O enredo promoveu o encontro da cidade imperial com a comunidade do Morro dos Macacos e teve seu desfile iniciado por uma visita ao Museu Imperial, principal ponto turístico da cidade serrana.

O palácio foi retratado pela comissão de frente, em que estátuas se moviam e convidavam o público a entrar. No abre-alas, três luxuosos carros acoplados representavam cavalos puxando a carruagem e a coroa real, seguidas por alas que retratavam a corte e os anjos a acompanhar São Pedro de Alcântara, antigo padroeiro do Brasil Imperial.

Da opulência da coroa, o desfile seguiu para a beleza natural da serra que já pertenceu aos índios. O desfile passa ainda pela chegada dos imigrantes europeus e árabes à região, à ferrovia e à presença da cidade nos primeiros passos brasileiros no cinema.

Tempo

A Vila Isabel correu contra o tempo, mas não conseguiu encerrar o desfile no limite de 75 minutos, o que pode render penalidade na pontuação. Apesar do contratempo, o carnavalesco Edson Pereira considerou o desfile um sucesso. “Até se [o atraso] comprometeu, nossa satisfação foi ter feito um carnaval de qualidade e mostrar para a comunidade que a gente está vivo.”

No último setor, o desfile lembrou o papel da Princesa Isabel na assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil. A escola falou da luta por justiça e contra a desigualdade racial, e a família da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada em março de 2018, desfilou no último carro.

A irmã, o pai e a filha da vereadora levavam uma faixa escrito “Marielle Presente”, e a irmã Anielle se emocionou ao comentar o desfile em um carro que representou uma das bandeiras que Marielle defendia. “Estar aqui com o povo negro foi muito forte. Ela [Marielle] era isso. Era carnaval. Não tem jeito de não ficar com um nó na garganta.”

Portela

O terceiro desfile da noite foi da Portela, escola tradicional de Madureira que decidiu homenagear uma de suas grandes estrelas, a cantora Clara Nunes. Em vez de contar a biografia da cantora, a Portela escolheu explorar sua brasilidade e falou de sua formação religiosa, da infância no interior e do encontro de Clara com o subúrbio do Rio de Janeiro, onde conheceu a Portela.

A comissão de Frente, coreografada por Carlinhos de Jesus, trouxe as Guerreiras de Iansã. O coreógrafo comemorou que tudo saiu como planejado. “A ideia era homenagear a mulher brasileira por meio da figura da Clara Nunes, que foi uma das pioneiras a bater no peito e assumir uma série de posicionamentos. E isso foi muito importante, porque a Clara tem essa voz.”

O desfile teve outros elementos  de religiões de matriz africana, ao mesmo tempo em que carros sobre a fé católica trouxeram igrejas barrocas e a imagem de Nossa Senhora Aparecida. No abre-alas, a icônica águia da Portela veio neste ano com asas reluzentes, voando sobre outras aves da fauna brasileira.

O desfile também falou da criatividade do povo brasileiro e contou, em um abre-alas, a história de um comerciante de Madureira que mandou decorar um coreto do bairro como se fosse a Torre Eiffel. A pintora Tarsila do Amaral testemunhou a cena e a eternizou no quadro Carnaval em Madureira, considerada uma importante obra do modernismo brasileiro.

Para o presidente do Conselho Deliberativo da escola, Fábio Pavão, a Portela foi iluminada por sua estrela. “A Clara Nunes iluminou a escola, iluminou seus componentes e todos passaram com muita garra. Agora é esperar o resultado”, disse. Segundo ele, problemas como a dificuldade de tirar o abre alas da dispersão não afetaram o desfile. “A gente foi no braço. A Portela é isso”.

Unidos da Tijuca fecha primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do Rio

A Unidos da Tijuca encerrou hoje (4) o primeiro dia do desfile do Grupo Especial com um desfile emocionante e é forte concorrente ao título de campeã de 2019. Os componentes cantaram o samba em tom de deferência como se fosse uma oração. O público nas arquibancadas também se deixou levar pela mensagem de união que a escola propôs com o enredo “Cada macaco no seu galho”.

O samba-enredo defendeu o amor ao próximo e a ideia de que se cada um desempenhar a sua função no mundo, a vida da humanidade pode ser melhor.

As encenações à frente de cada alegoria, criadas pelo ator e diretor Jan Oliveira, provocaram impacto, principalmente, a que veio na frente do carro “Comendo o pão que o diabo amassou” que é em forma de um navio negreiro.

Clique aqui para ver a galeria de fotos da Unidos da Tijuca.

Emoção

Outra encenação que se destacou foi a do “Cristo carregando a cruz” e sendo açoitado, que estava na frente da alegoria Multiplica o sagrado pão, onde nas laterais senhoras vestidas de Nossa Senhora cantavam o samba em tom de clamor em direção do público.

Aos prantos, Hélcio Paim, desabafou. “Estou muito emocionado”, disse. “Desfile emocionante. Mostramos que estamos recuperados e disputando o título com muita dignidade”, disse Marcus Paulo, outro integrante da comissão de carnaval.

O presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, destacou que o forte canto da escola se deve a grande presença da comunidade do Borel. “O meu componente é diferenciado a gente ficou aqui até essa hora da manhã e eles ainda estão aí contentes com alegres”, disse.

Orixá

Emoção também foi o que se viu no desfile do Salgueiro que entrou na avenida com toda a força de Xangô, orixá da justiça e padroeiro da escola. O canto forte e a animação dos seus 3,5 mil componentes em 30 alas empolgaram o público.

O intérprete Quinho, que voltou ao Salgueiro, vibrou com o retorno.” É a mesma coisa do que ser convocado pela primeira vez pela seleção brasileira ou então fazer um gol em final de copa do mundo”, indicou.

Contado em cinco setores, o enredo da vermelho e branco da Tijuca, que foi a quarta escola a desfilar, foi contado ao longo do desfile com o apoio de cinco alegorias. No sincretismo Xangô tem como representação de São Jerônimo e o santo católico apareceu na alegoria da comissão de frente.

“Foi uma emoção muito grande até porque sou filho de Xangô no candomblé”, disse Eduardo Lopes, que há 10 anos integra a comissão de frente.

Clique aqui para ver a galeria completa do Salgueiro.

Alegoria

Na figura de Xangô no alto da alegoria da comissão de frente, o ex- passista Quinho, levantou o público em vários momentos da coreografia em que fazia a dança do orixá utilizando dois machados, símbolo de Xangô.

“Parecia que não era eu e alguma coisa estava me conduzindo ali. Foi muito emocionante. Chorei o tempo todo. É a minha escola. Desfilo desde 2012”, afirmou Quinho.

Para o carnavalesco Alex de Souza, a escola de samba tem um papel social. “O país que carece tanto de soluções, a gente trouxe o povo no fim com duas bandeiras de luta”, disse o carnavalesco.

Saudações

Ao pisar na passarela do samba, a Beija-Flor foi saudada pelo público do setor 1 como bicampeã. A torcida concentrada na área mais popular da Marquês de Sapucaí se emocionou com o intérprete da azul e branco, Neguinho da Beija-Flor. Neste ano, o cantor completa 10 anos do desfile que marcou o fim de um tratamento contra um câncer e o casamento na pista realizado na concentração do Sambódromo com a companheira que estava grávida.

Com o enredo “Quem não viu vai ver… As fábulas do Beija-Flor”, a agremiação celebrou os 70 anos de história com uma releitura dos enredos mais marcantes que levou para a Sapucaí. Novamente o Cristo que passou coberto com um saco plástico preto no enredo Ratos e Urubus rasguem a minha fantasia em 1989, voltou este ano, dessa vez, completamente à mostra e mexeu com as arquibancadas.

Selminha Sorriso, porta-bandeira da escola há 24 anos, afirmou que se sente orgulhosa de fazer parte da história da Beija- Flor. “Vinte e quatro anos. Que alegria tanto tempo junto com o mesmo mestre sala o Claudinho. É muito felicidade. Espero dar os 40 pontos [pontos do quesito] para a minha escola”, disse.

Marcelo Misailidis, coreógrafo da comissão de frente, afirmou ter ficado satisfeito com a atuação dos integrantes. “Cumpriu com certeza com que estava esperando. Estamos esperando o bi [bicanpeonato] agora. Muito bom”, disse.

Clique aqui para ver a a galeria completa de fotografias da Beija-Flor.

Dinheiro

A Imperatriz Leopoldinense que somou oito títulos de campeã entre 1980 e 2001 busca neste ano o campeonato com o enredo “Me dá um dinheiro aí”. A escola contou desde a criação do dinheiro com as mais antigas moedas até os dias atuais, passando por críticas à ganância. O samba leve contagiou os componentes e o público.

Clique aqui a galeria completa de fotos da Imperatriz Leopoldinense.

A escola, no entanto, teve alguns problemas na avenida. Um tripé teve problemas na roda e por decisão do carnavalesco ficou de fora do desfile. “Ele caiu em um buraco”, afirmou diretor de carnaval Wagner Araujo. “A gente aprendeu que talvez não permita este tipo de alegoria. Tentou consertar mas o carnavalesco achou que não valia a pena.”

O abre-alas que era formado por duas partes acopladas também não conseguiu seguir o desfile dessa forma e precisou ser separado. “A gente foi obrigado a desacoplar”, disse o diretor.

Bonecos gigantes são destaque da programação em Olinda

Por Kleber Nunes

Símbolos da folia pernambucana, os bonecos gigantes são os destaques do quarto dia oficial de Carnaval em Olinda (PE), nesta segunda-feira (4). Cem personalidades famosas, entre artistas, atletas e personagens do cinema desfilarão entre os foliões.

A expectativa neste ano está sobre a estreia do boneco que representa o presidente Jair Bolsonaro (PSL). A concentração dos gigantes começa às 10h, no Alto da Sé.

Temendo uma confusão generalizada, a Embaixada dos Bonecos, entidade privada responsável pelo encontro dos bonecos gigantes, chegou a cogitar que Bolsonaro desfilasse apenas no Carnaval do Recife, mas decidiu na última semana que ele sairia em Olinda.

A semana na cidade está sendo marcada por gritos de protesto contra o presidente da República durante parte dos desfiles.

No total, mais de 100 blocos desfilam em Olinda nesta segunda. Os arrastões começam às 9h e seguem até o início da noite.

Olinda também oferece muita animação em seis polos fixos que foram espalhados pela cidade. Na praça do Carmo, o principal palco, o destaque da programação é a banda Tribo de Jah, que se apresentará a partir das 22h.

Recife

A beleza e o luxo dos antigos carnavais vão invadir as ruas históricas do Recife Antigo nesta segunda-feira. A partir das 16h, pelo menos 15 blocos líricos se apresentarão no polo do Marco Zero.

A partir das 20h, começam os shows no principal palco da folia recifense. Os destaques desta noite são as apresentações da banda Jota Quest, às 21h30, e do grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado, a partir da 0h.

Outro ponto alto do Carnaval do Recife, o encontro de 17 nações de maracatu, também acontece nesta segunda-feira. A noite dos tambores silenciosos começa às 20h, no Pátio do Terço, bairro de São José.

O evento, marcado pelo sincretismo religioso, reúne os grupos para louvar a Virgem do Rosário.

Temporal atrasa desfile e desafia o Grupo Especial no Rio de Janeiro

A chuva forte que caiu sobre o Rio de Janeiro deixou a cidade em estágio de atenção e afetou o carnaval no Sambódromo. O temporal atrasou o início do desfile e pôs à prova as escolas. O desfile do Grupo Especial, programado para começar ontem (3) às 21h15, teve início às 22h. A pista molhada desafiou as coreografias preparadas para a avenida.

A primeira escola a entrar na avenida foi a Império Serrano, com um enredo sobre a vida que apostou numa música consagrada como samba-enredo: “O que é, o que é”, de Gonzaguinha. A escolha despertou polêmica, mas trouxe para a avenida uma música que estava na ponta da língua do público.

Enredo

O desfile da Império Serrano contou desde o início da vida, o nascimento, retratado na comissão de frente. A efemeridade e o caráter passageiro da vida foram bem marcados por meio de relógios e ampulhetas nas alegorias.

Os destaques foram o carro que reproduz o famoso Deus de Michelangelo na Capela Sistina criando Adão em “um sopro do criador”, como canta Gonzaguinha.

O enredo também trouxe a religião, as lutas, o aprendizado e o desejo de uma vida de paz, saúde e sorte, seguindo a letra da música que virou samba-enredo.

Interpretação

Na história em que “ninguém quer a morte”, como cantam os versos, coube a atriz Dill Costa, 63 anos, interpretar esse papel. Com uma fantasia de tons escuros, ela veio como destaque no 4º carro da escola, que retrata a vida como um labirinto entre o abismo e o paraíso.

“Represento esse momento tão difícil que o povo brasileiro está passando, com tantas tragédias e tantas mortes. Venho representando esse sentimento, o que é muito difícil. Mas faz parte da vida”, disse a atriz e cantora.

A presidente da escola, Vera Lúcia Correa, defendeu que o samba de Gonzaguinha pegou e foi cantado pelos componentes e torcedores. O temporal que caiu antes do desfile, brincou ela, “não passou de uma limpeza para o Império passar”.

“Foi uma superação esse carnaval, depois de tantas dificuldades. Hoje a Império Serrano mostrou que tem chão e que tem garra. Mostramos que sambista enverga, mas não quebra”.

Vira

segunda escola da noite trouxe seres mágicos, monstros e histórias fantásticas para a avenida. Com o enredo de “Viraviradouro”, a agremiação de Niterói abusou das transformações, coreografias e engenhocas para
surpreender o público na avenida.

Os recursos são uma assinatura do carnavalesco Paulo Barros, que levou desde bruxas e mortos-vivos até contos de fadas como a Bela e Fera para o sambódromo.

A comissão de frente foi um dos destaques. Diante do público, príncipes se transformavam em sapos com a magia lançada por bruxas e seus caldeirões.

Susto

O coreógrafo Alex Neoral disse que o temporal horas antes do desfile deu um susto em seus dançarinos e a pista molhada não ajudou a executar os passos ensaiados.

“O importante foi que a gente viu a reação do público. Viu o público gritando do início ao fim. E aí a gente viu que a gente conseguiu nosso objetivo, que era passar essa mensagem de mágica e de alegria”, ressaltou.

Fênix

A Viradouro voltou neste ano ao Grupo Especial do Rio de Janeiro e seu desfile terminou com um animal mitológico que representa seu desejo de renascer: uma fênix. Segundo a lenda, a ave é capaz de ressurgir das
cinzas depois de cair e esse é o desejo do carnavalesco Paulo Barros ao voltar para a Viradouro.

“A Viradouro é uma escola que tem um perfil grande, um perfil forte. É uma escola que passou pelo grupo de acesso, mas tem o coração e a alma do Grupo Especial”, disse Paulo Barros, que se considera sempre otimista. “O resultado não depende da gente. A gente fez o nosso, mas a gente não domina o resultado.”

Internet

Referências à internet, drones, carros alegóricos cheios de  luzes e irreverência marcaram o desfile da Grande Rio, a terceira escola que entrou na Marquês de Sapucaí, já na madrugada de segunda. A agremiação brincou com a falta de educação e provocou o público falando do jeitinho brasileiro.

Imprudência no trânsito, compartilhamento de fake news, pichações, furto de internet e outros deslizes apareceram no desfile da escola em fantasias e alegorias bem humoradas. O desfile apontou os defeitos e sugeriu a educação como a solução para um país com menos ignorância.

O presidente da Grande Rio, Milton Abreu do Nascimento, considera que a escola teve sucesso em passar sua mensagem na avenida. “A Grande Rio passou do jeito que quis, levantando o público. Foi um dos melhores desfiles dos últimos tempos da escola”, comemorou.

Estandarte

O estandarte da escola foi carregado por uma porta-bandeira iniciante, Taciana Couto, que enfrentou uma Sapucaí ainda molhada em sua estreia. Os passos da dança incluíam suportar o peso dos mais de 60 quilos de sua fantasia – mais do que seus 54 quilos.

Milhares de pessoas acompanham os trios elétricos no Litoral

Com informações da PM

Cerca de 250 mil foliões acompanharam os trios elétricos na Avenida Atlântica de Matinhos no sábado (2). Na noite anterior, 20 mil pessoas haviam pulado Carnaval em Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba, mesmo debaixo de chuva. Os números são da Polícia Militar.

Ao longo do sábado, 525 pessoas foram abordadas e 35 suspeitos encaminhados. Em Morretes uma arma de fogo foi apreendida. O balanço aponta que houve 35 encaminhamentos de pessoas à delegacias em todo o Litoral. Também foram lavrados 67 Termos Circunstanciados, dos quais 37 por perturbação de sossego, outros 11 por uso de drogas e mais 12 pelo crime de ameaça. Também houve casos de lesão corporal, que chegaram a seis casos. Nos pontos base da PM foram distribuídas 1.338 pulseirinhas de identificação.

O policiamento começou mais cedo, mas os trios elétricos agitaram o público desde as 21h, com grande repertório de músicas dos mais variados estilos. A chuva não apareceu e festa se prolongou até as 2h30.

Em Guaratuba, aroximadamente 250 mil pessoas estiveram na avenida 29 de Abril para pular ao som dos trios elétricos e bandas de música. Ao longo de toda a noite não houve ocorrências graves e o policiamento preventivo da PM trouxe mais tranquilidade para os foliões. O evento encerrou-se por volta de 2 horas e a dispersão do público ocorreu sem alterações.

Nos balneários de Santa Terezinha, Praia de Leste, Shangrilá, Ipanema e Pontal do Sul, os trios elétricos levaram aproximadamente 20 mil pessoas às ruas. Também houve blocos em Antonina e Morretes.