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Fogo na Austrália pode favorecer carne brasileira

Os incêndios na Austrália afetam a produção de carnes no país, o que deve abrir espaço para novo salto de exportações do Brasil, após o crescimento da demanda causado pela peste suína africana.
Estima-se que as queimadas tenham matado pelo menos 56 mil cabeças de gado nos estados de Nova Gales do Sul, Vitória e Austrália do Sul, os maiores produtores e também os mais afetados pelo fogo.

Enquanto fazendeiros e autoridades ainda concentram esforços na recuperação dos estragos e calculam as perdas totais para o setor -o que deve levar meses-, especialistas projetam um cenário desafiador em 2020 e, possivelmente, para anos subsequentes. Do outro lado do mundo, o Brasil aparece como provável substituto temporário para preencher as lacunas de um grande cliente em comum entre os dois países: a China.

O país asiático ampliou a importação de carne nos últimos anos por causa da peste suína africana, que mata de 80% a 100% dos porcos infectados e segue se alastrando. Recentemente, foram identificados os primeiros casos na Polônia.

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), mais de 1 milhão de porcos foram abatidos do início da epidemia na China, em 2018, até o começo deste mês. Em 2019, a China quebrou recordes na importação de carne de gado da Oceania.

A Associação de Carne e Pecuária da Austrália (MLA, sigla em inglês), entidade que compila os números do setor, afirma que a China importou mais que Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos, países que estão no topo da lista de compradores há décadas.

No ano passado, mais de 300 mil toneladas de carne bovina australiana foram enviadas para o país asiático, o que corresponde a um aumento de 84% na comparação com 2018. “A demanda por carne vermelha da Austrália continua sendo extremamente forte. Conforme as projeções para 2020, a Austrália terá de produzir mais de 2 milhões de toneladas de carne bovina, sendo 70% destinado à exportação”, avalia Scott Tolmie, gerente de inteligência de mercado da MLA.

Com os incêndios florestais, não há certeza de que conseguirá suprir a demanda. Conforme dados da MLA, aproximadamente 80 mil propriedades destinadas à pecuá- ria estão nas áreas atingidas pelas queimadas, no sudeste da Austrália.

A entidade estima que 9% do rebanho de gado nessa região tenha sido impactado e outros 11% estão em locais parcialmente atingidos pelo fogo. Além da morte de animais, também houve um prejuízo gigantesco na área de pastagem entre os mais de 6 milhões de hectares carbonizados. Com isso, a tendência é que a venda de um dos principais produtos da Austrália, o corte “grass fed”, que significa alimentação do gado unicamente à base de pasto, também possa ficar abaixo do esperado em 2020.

“Trata-se de um período terrível para criadores de gado e outros animais, principalmente porque tudo aconteceu logo depois de meses enfrentando uma seca. Como ainda não sabemos o impacto real do fogo à pecuária, nosso foco imediato está voltado à assistência aos produtores rurais que perderam tudo”, afirma Tolmie.

Matthew Dalgleish, analista sênior da consultoria de agronegócio australiana Mercado, acredita que secas duradouras, queimadas frequentes e inundações serão cada vez mais fortes na Oceania, forçando pecuaristas a serem mais resilientes às condições climáticas extremas.

“Não tenho certeza se as mudanças climáticas que estamos vivenciando seja o novo normal, mas suspeito que sim”, afirma.

“Acredito que, além das queimadas, a peste suína africana e seus impactos na disponibilidade de proteína na China continuarão sendo um dos maiores impulsionadores de crescimento da exportação de carnes do Brasil e outros países para a China.”

Por sua vez, o Brasil, como um dos maiores exportadores de carne do mundo, também presenciou um aumento significativo na demanda chinesa em 2019, bem como os vizinhos Argentina e Uruguai.

O país exportou cerca de 840 mil toneladas de carne bovina para China e Hong Kong em 2019, o que representa aproximadamente 13% a mais que em 2018 e 44% do número total de exportações, conforme dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

“A Abrafrigo acredita que as condições favoráveis ao Brasil no mercado internacional devam permanecer em 2020, com a China mantendo um patamar elevado de importações. E agora com um novo componente, que são as queimadas que atingem Austrália, um dos maiores participantes do setor no mundo, e ainda com as atraentes cotações do dólar no Brasil para os exportadores”, divulgou a entidade, em nota.

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Aumentam exportações de carne pelos Portos do Paraná

As exportações de carne, pelo Porto de Paranaguá, subiram 17,58%. Em 2019, durante todo o ano, foram mais de dois milhões de toneladas; em 2018, 1,7 milhão. Como mostram os dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a carne que mais apresentou aumento na comparação entre as exportações dos dois últimos anos foi a bovina, que cresceu 64,5%. Com quase 226 mil toneladas exportadas no ano, o Porto de Paranaguá é o segundo nas exportações do produto entre os portos brasileiros.

A carne de boi que sai por Paranaguá representa 14,55% do total do produto exportado pelo país e tem como principais destinos a China, Hong Kong, Egito, Israel e Irã.

SUÍNOS

A exportação de carne suína aumentou 23,22% na comparação entre 2019 e 2018. No ano passado, o volume exportado foi de 100,67 mil toneladas, colocando o terminal paranaense na terceira posição entre os portos do país na operação desse produto.

As exportações de carne suína pelo Paraná representam 11,4% do total exportado pelo país. Os principais destinos são Hong Kong, China, Cingapura, África do Sul e Vietnã.

SETOR PRODUTIVO

Apesar das exportações de frango terem registrado menor aumento – a diferença entre as movimentações de 2019 e 2018 foi de 12,5% (positivo) -, o Porto de Paranaguá segue sendo o líder nacional, respondendo por mais de 42% das exportações nacionais do produto.

Em 2019, um pouco mais de 1,65 milhão de toneladas de carne de aves foram enviadas principalmente para China, Japão, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Hong Kong.

ORIGEM

Pouco mais de 74% da carne exportada pelo Porto de Paranaguá tem origem no próprio Estado. Recentemente, por instrução normativa, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento reforçou o reconhecimento do Paraná como área livre da peste suína clássica (PSC). A medida retira o Estado de um grupo formado por 14 unidades federativas e reduzindo sua vulnerabilidade a eventuais casos da doença na área não livre.

Ainda no final de 2019, o Ministério da Agricultura também proibiu o uso e a comercialização da vacina contra febre aftosa no Estado, assim como o ingresso de animais vacinados contra a doença (com exceção para a entrada de bois e búfalos destinados a abate, que devem estar em veículo lacrado e ter como destino abatedouro com inspeção oficial).

A partir desses passos, com vigilância sanitária redobrada, o Paraná adota medidas para conquistar o reconhecimento como Área Livre de Febre Aftosa sem Vacinação pelo Ministério da Agricultura (que deve vir no segundo semestre deste ano) e o reconhecimento internacional, no ano que vem.

*Com informações da AEN*

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Com alta dos preços da carne, inflação deve ficar em 0,81% em dezembro

A inflação deve acelerar em dezembro deste ano, devido a alta dos preços da carne. Apesar da alta recente, o Banco Central (BC) considera que a inflação neste ano e nos próximos está em níveis confortáveis. A informação foi divulgada hoje (19) no Relatório de Inflação, apresentado trimestralmente.

No relatório, o BC diz que em novembro a inflação ficou 0,26 ponto percentual acima do projetado, “repercutindo a combinação da elevação acentuada nos preços de carnes com o reajuste dos jogos lotéricos e o acionamento da bandeira vermelha” da energia elétrica. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA) em novembro chegou a 0,51%.

O BC projeta que a inflação vai chegar a 0,81% em dezembro. Em janeiro de 2020 deve ficar em 0,53% e em fevereiro, em 0,45%.

Caso se concretize, a alta de 1,80% no trimestre será consideravelmente superior à variação de 0,90% observada entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019. “As taxas de inflação mais altas esperadas para o trimestre encerrado em fevereiro, em comparação com as observadas entre setembro e novembro, refletem a perspectiva de alta adicional nos preços de carnes, recuperação dos preços de alimentos in natura– movimento compatível com período chuvoso – e de elevação dos preços de combustíveis, influenciados pela depreciação do câmbio [alta do dólar] e entressafra da cana. Destacam-se, ainda, as altas sazonais nos custos de passagem aérea, ônibus urbano e educação, em dezembro, janeiro e fevereiro, respectivamente”, diz o BC, no relatório.

CENÁRIOS

Ao se considerar o cenário com trajetórias para a taxa de juros e câmbio extraídas da pesquisa do BC a instituições financeiras, chamada de Focus, as projeções para a inflação ficaram em 4% para 2019, 3,5% para 2020 e 3,4% para 2021 e para 2022. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 4,50% ao ano, reduz-se para 4,25% ao ano no início de 2020, encerra o período em 4,50% ao ano, sobe até 6,25% ao ano em 2021 e para 6,50%, em 2022. Também supõe trajetória para o dólar que termina 2019 em R$ 4,15, 2020 em R$ 4,10 e 2021 e 2022 em R$ 4.

No cenário com trajetória de taxa de juros da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante em R$ 4,20, as projeções para a inflação ficaram em 4% para 2019, 3,7% para 2020, 3,7% para 2021 e 3,5%, para 2022.

META DE INFLAÇÃO

Cabe ao BC alcançar a meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Essa meta é 4,25% em 2019, 4% em 2020, 3,75% em 2021 e 3,50% em 2022, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O principal instrumento usado pelo BC para controlar a inflação é a taxa básica de juros, a Selic. Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

Quando o Comitê de Política Monetária aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

 

carne exportação

Preço da carne dispara, puxa inflação e novembro tem o pior mês em 4 anos

Puxada pela disparada no preço da carne, a inflação chegou a 0,51% em novembro segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta sexta (6).

Após registrar alta 0,10% em outubro, o mês de novembro teve o maior resultado desde 2015, quando o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 1,01%. No acumulado de 12 meses até novembro, o IPCA registrou 3,27%, contra alta 2,54% do mês anterior. Já no acumulado do ano, a inflação registrou 3,12%.

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete tiveram alta em novembro. Despesas pessoais (1,24%), alimentação e bebidas (0,72%), e habitação, que passou de uma deflação de 0,61% em outubro para alta de 0,71% em novembro. A aceleração no grupo alimentação e bebidas foi puxada, principalmente, à alta das carnes (8,09%)

Por causa do apetite chinês, que aumentou as importações de carnes do Brasil, a arroba do boi subiu nas últimas semanas, e o repasse já começa a chegou nas gôndolas.

Desde o fim de 2018, a China enfrenta queda da produção de suínos devido a uma grave crise sanitária na suinocultura, o que o obrigou a elevar as compras externas e a procura de outras proteínas, como a bovina. O Brasil, o principal exportador mundial de carne bovina e de frango, foi beneficiado por essa demanda chinesa.

A demanda chinesa refletiu no resultado de alimentação no domicílio, que tinha registrado deflação de 0,03% no mês anterior e passou para uma alta de 1,01% em novembro. Já a alimentação fora do domicílio apresentou alta de 0,21%.

Com a mudança da bandeira tarifária, habitação teve variação de 2,15%. Em setembro, a bandeira vermelha já apresentava a uma alta do índice, enquanto o décimo mês do ano recebeu a tabela amarela de cobranças.

Em transportes, os preços dos combustíveis (0,78%) desaceleraram na comparação com o mês anterior (1,38%), principalmente pelo preço da gasolina, que variou 0,42% em novembro. As passagens aéreas seguem subindo pelo segundo mês consecutivo, com alta de 4,35%.

Entre os 16 locais pesquisados pelo IBGE, a maior variação ficou com São Luís (1,05%) devido a alta da carne e da gasolina.

 

carne - China - Brasil - bovina - frango

Consumo da China eleva preço e carne pode ser artigo de luxo no Brasil

Em 2010, em um congresso de carnes em Buenos Aires, o então secretário de Agricultura e da Pecuária da Argentina, Lorenzo Basso, afirmou que a proteína se tornaria um “artigo de luxo”.

Diante de uma plateia incrédula com suas afirmações, Basso destacou que o aumento de renda em países emergentes, a elevação dos custos de produção e a substituição de espaços da pecuária por novas áreas de grãos elevariam em muito, o preço das carnes.

Ele não contava com novos fatores decisivos nessa escalada de preços: o perigo do avanço de doenças no setor.

A previsão de Basso se confirma não tanto pela bovinocultura, mas pela suinocultura. A peste suína africana avança, e a situação ficou mais complicada quando atingiu em cheio a China, maior produtora e consumidora de carne suína no mundo.

Em 2013, apenas cinco países registravam a peste suína. Eles representavam 3,5% da produção de carne de porco no mundo. Neste ano, 31 países foram à OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) comunicar que tiveram focos da doença. Esses países detêm 62% da produção mundial.

Sendo a peste suína uma doença devastadora para a produção, quem necessita dessa proteína vai buscar o produto em regiões livres. Na falta dessa carne, os países buscam alternativas em outras proteínas.

É nesse contexto que entra o Brasil, um dos principias produtores e exportadores. Livre da peste suína, e grande fornecedor de carnes, o país passou a ser o centro de procura de proteína animal.

Apesar de não ser um grande fornecedor de carne de porco, o país tem um bom potencial no fornecimento de carnes bovina e de frango, que estão substituindo a suína.

O apetite maior vem da China, que aumentou em muito as importações de proteínas. Em 2017, antes de a peste suína chegar a seu território, os chineses compraram 10% das carnes bovina, suína e de frango que foram comercializadas no mundo. Em 2020, devem adquirir 21% do volume total a ser transacionado mundialmente.

Bom para os produtores, que veem o preço atingir patamar recorde. Ruim para os consumidores, que pagarão caro pelo produto. A carne pode passar a ser um “artigo de luxo” também para os consumidores brasileiros, apesar de o país ser um dos principais produtores mundiais.

E esse cenário não tem mudanças a curto prazo, apesar de estar ocorrendo em um período de entressafra da pecuária. O ciclo de produção das carnes bovina e suína não é rápido, como o do frango.

Pelo menos por ora, as contas não fecham no Brasil. Comparando os dados de 2017, quando a China ainda tinha participação menor no mercado mundial de carnes -a peste suína chegou ao país asiático em agosto de 2018–, houve um aumento grande da margem entre produção interna e exportação brasileiras.

Dados do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostram que a produção brasileira de carne bovina de 2020 deverá superar em 13% a de 2017. Nesse mesmo período, no entanto, as exportações sobem 40%.

O cenário é complicado também para a carne suína. A produção brasileira deverá subir 12% no período, e as exportações, 34%.

Os dados para o frango indicam uma situação um pouco mais confortável. Os brasileiros elevam a produção de 2020 em 3%, em relação à de 2017, e exportam 5% a mais.

A pressão nos preços, já sentida nos últimos meses deste ano, deve continuar. Dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas) mostram que os preços médios da carne bovina subiram 17% na terceira semana deste mês, em relação aos de igual período de outubro.

A alta da carne suína foi de 12%, e o preço do frango, que vinha em queda, supera em 9% o da terceira semana de outubro.

Se as estimativas do Usda se concretizarem, o Brasil vai exportar 25% das carnes bovina e suína produzidas no próximo ano. Em 2017, foram 20%.

A peste suína africana continua avançando e não respeita fronteiras. Espalha-se pela África, pela Ásia e pela Europa. Neste último continente já atinge a Polônia e está a 50 quilômetros das fronteiras da Alemanha, um dos principias produtores europeus.

Em 2013, a OIE registrou 1.701 casos de peste suína. Neste ano, já foram 424 mil.

Os estragos da doença são grandes. A China produziu 55 milhões de toneladas de carne suína em 2017, volume que deverá recuar para 35 milhões em 2020. O país terá um rebanho menor porque antecipou abates de animais neste ano.

Com essa deficiência na produção, chineses devem comprar 25% da carne bovina a ser comercializada no mundo em 2020 e 34% da suína.

A participação chinesa no comércio mundial de carne de frango também sobe, mas fica em 6%. O país está investindo muito na produção de aves, um setor cuja produção responde rapidamente.

O Brasil está livre da peste suína africana, mas, devido ao avanço rápido da doença pelo mundo, associações dessa cadeia de produção buscam meios para se proteger.

Essas precauções vão desde treinamentos de produtores à importação de cães farejadores, especializados em detectar carnes nos pontos de entrada de mercadorias no país.

Parte importante dessa tarefa cabe ao governo, principalmente com a elevação de recursos para o desenvolvimento da defesa animal.

Os países buscam desesperadamente uma vacina contra a doença. Enquanto ela não vem, todos correm perigo.

Febre aftosa: mobilização histórica pelo fim da vacinação

O fim da vacinação contra a febre aftosa no Paraná está sacramentado. A realização de um concurso público para a contratação de profissionais para reforçar a defesa agropecuária do Estado era a última pendência a resolver para se avançar em definitivo nessa questão. No dia 28 de agosto, em Curitiba, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), durante a Audiência Pública Paraná Livre da Febre Aftosa sem Vacinação, essa espera acabou. O secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, confirmou que o governador Carlos Massa Junior autorizou a realização de um concurso público que prevê 30 vagas para médicos veterinários e 50 para técnicos agrícolas. Mais de 2 mil produtores rurais e pecuaristas, de todas as regiões do Estado, estiveram em Curitiba para participar do evento.

Com isso, está resolvida a última pendência para que o Estado possa solicitar ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em setembro, o reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação. Posteriormente, o Mapa poderá pedir, no ano que vem, à Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) o reconhecimento internacional do Paraná como território livre da doença sem imunização. Este último, caso aprovado, passará a ter validade em 2021.

“O primeiro interessado nesse avanço sanitário somos nós, produtores rurais. O segundo interessado é a indústria, que processa. Então, somos nós que temos que querer e os governos têm que dar condições para que as coisas andem bem, agir com inteligência para que possamos evoluir”, apontou Ortigara.

O secretário lembrou que, nos anos 1970 e 1980, a aftosa era comum no território paranaense e que houve um trabalho incansável para vencer a doença. “Trouxemos a zero essa enfermidade, com a estratégia adequada àquela época. Destaco todo nosso avanço, do respeito conquistado, da relação de confiança, a busca de informação, transparência, da criação da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná [Adapar], a constituição de barreiras, de monitoramento dos planteis. A proposta é trocar um sustentáculo, que é a vacina, por ferramentas muito mais inteligentes”, detalhou.

O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Ágide Meneguette, também resgatou, durante o evento, a longa trajetória iniciada na década de 1970, para que o Paraná construísse toda sua estrutura sanitária e de defesa agropecuária. Para o presidente da FAEP, este processo foi consolidado ano a ano e não tem um único protagonista, mas é resultado de esforços coletivos, ao longo de todos os governos, com participação tanto de entidades e da iniciativa privada, quanto de entes públicos.

“Isso não foi construído só pela FAEP, mas por todos que querem o crescimento do Paraná. A história tem que ser justa e lembrada, para avançarmos sempre mais”, observou. “Ainda na década de 1980, procurei o então presidente desta Casa, Aníbal Khury, procurando apoio institucional. Falaram que este era o caminho, mas que era longo. É um caminho longo, mas temos que chegar. Quero registrar que todos fizeram a sua parte”, apontou.

O líder da Federação também celebrou o potencial econômico que devem advir com o reconhecimento internacional do Paraná, como área livre de aftosa sem vacinação. Meneguette lembrou que, hoje, a agropecuária é responsável pela geração de 53% do que se produz no Estado. Com o novo status, a expectativa é de que a importância do agronegócio se torne ainda maior.

“Acabamos de assinar um convênio com a União Europeia, onde estão 500 milhões de consumidores, mas que vão exigir a mesma qualidade e as mesmas condições de sanidade que eles têm. E nós estamos preparados, na frente dos outros Estados, para que possamos dar condição ao nosso produtor, à nossa indústria, aos nossos exportadores, para disputarmos esse novo mercado”, disse.

Por fim, Meneguette enalteceu a atuação do produtor rural, que teve participação determinante em todas as etapas da estruturação sanitária do Paraná, há mais de 40 anos. O presidente da FAEP também destacou a demonstração de civismo que os 2 mil produtores de todas as regiões do Estado tiveram, ao se deslocar por centenas de quilômetros para acompanhar a audiência pública em Curitiba.

“O governo não administra só prioridades. Administra pressão. Aqui está uma pressão ordeira, mostrando que queremos que o Paraná avance”, ressaltou. “Quem carrega esse Estado somos nós, produtores rurais, trabalhadores rurais, que fazemos dia a dia o nosso dever para gerar riquezas. Eu tenho certeza de que a sociedade reconhece que precisamos continuar trabalhando para o desenvolvimento do Paraná”, definiu.

José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar enfatizou a união do agronegócio, que especialmente no Paraná possui uma capacidade de agregar as mais diversas cadeias em prol de um objetivo comum. “Eu e o Ágide [Meneguette] levamos este assunto ao G7 [grupo que reúne as sete principais federações do Estado]. Todas as sete entidades assinaram um documento, que foi levado ao governador, apoiando esta medida. Não tenham dúvida de que estamos seguros. Ágide, queria agradecer a sua atuação. Acho que você puxou a frente. Só a FAEP, investiu mais de R$ 40 milhões, no que fosse necessário”, revelou.

Marcos Bambrilla, presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), confirmou que assim como Ocepar e FAEP, para a entidade por ele representada esse é o momento de avançar. “Nosso segmento, da agricultura familiar, precisa desse novo status sanitário. O Paraná precisa se tornar livre de febre aftosa sem vacinação e com desenvolvimento. Hoje, temos a segurança de dizer que há décadas fazemos um trabalho sério, bem referendado, muito bem conduzido. Temos uma estrutura pronta para agir, com mecanismos eficientes, e o momento hoje requer a retirada da vacinação”, ratificou.

“Sem sanidade, terra não vale nada”

Elias Zydek, diretor da cooperativa Frimesa, enfatizou que o campo faz parte de um negócio globalizado, contexto que o Paraná pode aproveitar para vender seus produtos agrícolas e pecuários, principalmente as carnes, a outros países. “Nós devemos seguir as regras internacionais, que são cheias de nuances. São questões ambientais, de não ter passivos trabalhistas, seguir regras de bem-estar animal, da emissão de carbono, a questão dos contaminantes. Mas o mais importante entre todos os aspectos, e talvez o mais difícil, é a sanidade”, elegeu.

O dirigente refletiu sobre o bem mais precioso que qualquer produtor pode ter, a terra. O Paraná possui algumas das propriedades mais valiosas do mundo, mas para Zydek, esse valor só faz sentido se vier junto com um sistema sanitário capaz de dar garantia aos compradores internacionais. “Estamos juntos com centenas de produtores rurais, que tem suas propriedades, fizeram seus investimentos. Sabe quanto valem essas propriedades? Eu diria que não valem nada se não tivermos sanidade. É por isso que temos que andar nessa caminhada, juntos, para conquistar o maior bem de todos que é a sanidade. O mundo é uma grande competição e não adianta nós querermos estabelecer as regras. Temos que seguir as regras que estão colocadas se dele quisermos participar”, pontuou.

Elias Zydek refletiu ainda sobre o fato de os mercados mais nobres, como o Japão, pagam até 700 dólares a mais do que o Paraná recebe a cada tonelada de carne suína. “A diferença no acesso a esses mercados significa viabilidade aos negócios. Estamos vendo o cavalo encilhado passando, quanto tempo mais temos que ficar assistindo? Temos que fazer nosso dever de casa e é o que nós estamos fazendo aqui hoje”, enfatizou.

Zydek convocou a todos para participar da vigilância constante, feita no dia a dia em todos os elos da cadeia produtiva. Mas aproveitou para convocar o Estado a cumprir o seu papel. “Proteger o Paraná é dever de todos, mas cabe ao Estado gerenciar isso. Todas as entidades lideraram um processo e criamos um fundo para reformar guaritas e construir essa que faltava na divisa com São Paulo. Mas contratar fiscais é uma obrigação do Estado. Precisamos de duas coisas. Terminar com a vacinação, que já está a caminho, e que o Estado contrate as pessoas que ainda faltam para garantir aos nossos clientes compradores que aqui a sanidade está garantida”, solicitou.

Auditorias do Mapa

Ao longo de 2018, o Mapa realizou auditorias necessárias para que seja encaminhado o pedido de reconhecimento do Paraná como área livre de aftosa sem vacinação à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O resultado das duas auditorias foi excelente. O serviço de defesa agropecuária do Paraná foi o mais bem avaliado do Brasil, melhor até do que Santa Catarina, único Estado brasileiro reconhecido como área livre de febre aftosa sem vacinação. O Paraná superou a pontuação da auditoria do Mapa em 48% dos quesitos e alcançou a pontuação necessária em 35%.

Nesses 16% dos itens analisados que ficaram abaixo da pontuação, foi gerado um plano de ação com nove itens, dos quais sete foram implantados pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e outros dois precisavam ser providenciados: contratação de fiscais para garantir o funcionamento pleno das barreiras sanitárias; e a construção do posto de fiscalização sanitária em Campina Grande do Sul.

No caso do posto de fiscalização, a iniciativa privada, em uma organização que teve a participação de entidades como a FAEP e o Sistema Ocepar. Orçada em R$ 1,5 milhão, a obra começou em 5 de agosto, com término previsto para o fim de novembro. Faltava ainda a oficialização do concurso público, o que foi anunciado pelo secretário Norberto Ortigara durante a Audiência Pública na Alep, em Curitiba, no último dia 28 de agosto.

Exemplo de civilidade

A Audiência Pública do dia 28, com o tema Paraná Livre da Febre Aftosa sem Vacinação, entrou para a história da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A Casa recebeu mais de 2 mil produtores rurais e pecuaristas de todas as regiões do Estado que viajaram a Curitiba em mais de 30 caravanas. E todos, de uma forma ou de outra, participaram do evento, seja no Plenário, Plenarinho ou em espaços adaptados com telões para que pudessem acompanhar os discursos e os debates. A mobilização histórica do campo também se consolidou como um exemplo de civilidade democrática, desde a forma de ingresso nos recintos, a postura ao longo da Audiência Pública até a saída, sempre de forma organizada e exemplar.

“Eu queria agradecer a todos os produtores que pegaram ‘busão’ e vieram aqui. Aqui está uma pressão ordeira, mostrando que queremos que o Paraná avance. Estão todos de parabéns”, disse Meneguette.

Sem circulação viral, sem vacinação

A audiência pública não contou só com manifestações políticas, mas trouxe também dados técnicos que comprovam que o Paraná está pronto para o reconhecimento como área livre de aftosa sem vacinação. O gerente de saúde animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, esmiuçou os detalhes do sistema sanitário do Estado, destacando a barreira que contará com 33 Postos de Fiscalização de Trânsito Animal (PFTAs) e a modernização de laboratórios públicos que podem diagnosticar a doença.

“A vacina foi fundamental para o controle da doença. Mas ela deve ser usada quando se tem circulação viral ou quando tem risco, quando algum vizinho tem registro da doença, por exemplo. Nós temos usado vacina no Brasil sem nenhum desses dois aspectos”, apontou. “Não é natural que você continue com a vacina por tanto tempo. É o que estamos fazendo neste momento”, observou.

Para além disso, Dias atesta que o Estado conta com um avalista poderoso, o Fundepec, que dispõe de recursos – quase R$ 78 milhões – para indenizar produtores, caso seja necessário sacrificar animais em situações emergenciais sanitárias. Apesar disso, o Paraná se encontra, hoje, no mesmo bloco que outras 23 unidades da federação que mantêm estrutura sanitária inferior. Com o novo status, o território paranaense formaria um bloco único com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina – este já reconhecido como área livre de aftosa sem vacinação.

“Hoje, se tiver um caso no Acre, o Paraná perde a condição de livre de aftosa com vacinação na hora, junto a todos os outros Estados”, disse.

Otamir Cesar Martins, presidente da Adapar, complementou o papel importante que tem cumprido as parcerias entre iniciativa privada e poder público para obter sucesso na missão de manter o Paraná como um território sanitário robusto. “Seguindo as orientações da OIE, não faremos nada sem parceria público-privada. É um movimento muito evidente aqui no Estado. Estamos saindo buscar em termos de parceria, incluindo nossa estrutura no processo, colocando a importância de se fazer sempre o trabalho em conjunto”, contou.

Autoridades ratificam decisão de retirada da vacinação

O presidente da Alep, Ademar Traiano, classificou a audiência pública como “um marco histórico” para o Poder Legislativo e uma “conquista histórica para o Paraná”. Entre os pontos dignos de comemoração, o deputado destacou o aspecto econômico, já que o reconhecimento internacional daria acesso a mercados externos mais sofisticados, que remuneram mais pelos produtos agropecuários. Além disso, o parlamentar apontou as décadas em que o Paraná vem se dedicando a estruturar todo seu sistema de defesa agropecuária, de acordo com protocolos internacionais.

“A partir deste momento, o Paraná se torna livre, se torna independente, com um olhar do mercado internacional. Que o Paraná possa, enfim, desfraldar a bandeira de sua liberdade econômica e que nossos agropecuaristas possam ser reconhecidos pelos nossos governantes”, disse o presidente da Alep.

Deputado que propôs a realização da audiência pública, Anibelli Neto relembrou a importância de debates recentes feitos sobre o tema, como a realização do Fórum Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação, que passou por seis cidades do Paraná. “A maioria das dívidas foi dirimidas ali”, resumiu. Com todas as providências tomadas, o parlamentar considera que agora é hora de o Estado “estufar o peito e ter orgulho de ser agropecuarista”.

“Este ato [a conquista do novo status], representa muito mais para a economia do Paraná do que trazer 20, 30 ou 40 empresas com isenção de ICMS. Estamos prestigiando a vocação e o povo do Paraná”, afirmou. “Representa muito na minha biografia participar deste momento, ao lado de pessoas de bem, que querem um Paraná de bem, construindo seu futuro”, ressaltou o parlamentar, que também é presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Alep.

Guto Silva, chefe da Casa Civil do Paraná, ratificou o compromisso do governo com os produtores rurais de caminhar em direção a obtenção do status de livre de febre aftosa sem vacinação. “Vivemos um dia histórico. O governador fez uma escolha, não ache que não há pressão contra. Mas governar é tomar decisões e o Paraná que queremos é um Estado para todos. Não poderíamos perder essa oportunidade de avançar”, enfatizou.

Silva enumerou que a conquista vai significar melhor preço e ganhos para toda a cadeia do agronegócio, com mais emprego e renda para todos os paranaenses. “Quantos milhões de novos empregos serão gerados, qual a receita que vai entrar no bolso do produtor a partir dessa certificação? Em nome de todos, trago aqui a mensagem do governador, de que temos feito nosso papel, cortando secretarias, reduzindo custos, revisando contratos e olho firme nas contas públicas”, priorizou.

Leia mais depoimentos e veja fotos no Boletim Informativo.

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Amazônia: UE pode barrar o comércio de carne bovina, soja, etanol e café

A decisão do presidente francês, Emmanuel Macron, de não ratificar o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul por causa da inação do governo brasileiro diante dos incêndios na Amazônia deve ser apenas a primeira etapa de uma retaliação global.

Segundo o cientista político Samuel Leré, é preciso considerar sanções comerciais imediatas contra mercadorias brasileiras, como carne bovina, soja e café.

Responsável pelo setor de ambiente e globalização da Fundação Nicolas Hulot, referência na França, ele diz que Jair Bolsonaro erra ao sustentar que as queimadas na floresta são uma questão estritamente brasileira e ao rechaçar comentários de líderes estrangeiros.

“Quando ela queima, como agora, é a humanidade inteira que é ameaçada. Se amanhã a Amazônia deixar de existir, o resultado será o equivalente ao de dez anos de emissões, no mundo todo, de gases que causam o efeito estufa.”

Para Leré, “é tão criminoso desrespeitar fronteiras internacionais [como fez a Rússia ao invadir a Crimeia, ação pela qual hoje sofre sanções] quanto destruir a floresta amazônica e não cumprir compromissos ambientais”.

PERGUNTA – Como vê este fogo cruzado entre Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron sobre os incêndios na Amazônia?

SAMUEL LERÉ – É algo que se impunha, que era necessário. Fazia meses que pedíamos sanções ao Brasil por causa da política do governo Bolsonaro para a floresta amazônica. Quando ela queima, como agora, é a humanidade inteira que é ameaçada. Se amanhã a Amazônia deixar de existir, o resultado será o equivalente ao de dez anos de emissões, no mundo todo, de gases que causam o efeito estufa. Não teremos mais qualquer chance de ficar abaixo dos 2º C [teto fixado no Acordo de Paris para a elevação da temperatura média na Terra nos próximos anos], atingiremos facilmente 3º C ou 4º C.

P. – Bolsonaro tem razão ao apontar uma “mentalidade colonialista” por trás da sugestão de Macron de que as queimadas amazônicas sejam discutidas na cúpula do G7, neste fim de semana?

SL – Não concordo. Não se trata de uma questão brasileira. Ela tem impacto no mundo inteiro. O que propomos são sanções, a suspensão das importações de mercadorias brasileiras provenientes do desmatamento da floresta. Cabe à França e à União Europeia decidir sobre isso. Assim, o Brasil não teria mais interesse em desmatar a Amazônia, porque não haveria mais mercado aqui para sua soja e para sua carne bovina.

P. – Então seria preciso, na sua opinião, ir além do que Macron anunciou, ou seja, não apenas brecar a tramitação do acordo comercial?
SL – Sim. Saudamos a suspensão do acordo por representar uma primeira etapa. Consideramos que, no pacto, não havia garantias ambientais suficientes. A realidade provou que o Brasil de Bolsonaro não pretende respeitar os compromissos assumidos, dentre os quais constava o de levar a zero seu ‘desmatamento líquido’ [diferença entre áreas desflorestadas e replantadas]. Por isso, o país deve ser sancionado enquanto o governo não mudar sua política para a Amazônia.

P. – Quais seriam as etapas seguintes?
SL – Sanções progressivas, visando alguns artigos específicos, como a carne bovina, a soja, o etanol e o café. O que esperamos é que o Brasil consiga conter esses incêndios e, em um segundo momento, acabe de vez com o desmatamento.É algo que a União Europeia faz, por exemplo, com a Rússia, que decidiu invadir a Crimeia [em 2014] -e, por isso, sofre sanções comerciais desde então. É tão criminoso desrespeitar fronteiras internacionais quanto destruir a floresta amazônica e não cumprir compromissos ambientais.

P. – Haveria outra via de negociação e pressão?
SL – A outra via seria uma mudança de política de Jair Bolsonaro, depois que ficou claro que ele pretende construir novas usinas hidrelétricas na região da Amazônia. Está evidente que seu objetivo não é o de proteger a floresta. Sendo assim, não há discussão ou ação diplomática possível. É preciso passar à sanção.

P. – E isso surtirá efeito?
SL- Sanções atacariam um dos sustentáculos de Bolsonaro, que é o agronegócio. Se amanhã esse setor não tiver mais mercado para sua produção, fará pressão sobre o presidente.

Produtores do PR levam conhecimento e trabalho para revolucionar agro do Paraguai

A bandeira vermelha, branca e azul no canto da sala e a cuia de tereré em cima da mesa não deixam dúvida: os hábitos paraguaios já estão incorporados à rotina do produtor paranaense Antonio Francisco Galhera, de 58 anos. Afinal, são quase quatro décadas vivendo no país vizinho. Mais do que um simples morar, Galhera contribui diretamente para o desenvolvimento econômico do Paraguai. O negócio dele é produzir diversas culturas agrícolas que exigem as duas mãos para contar, além da pecuária de corte.

Galhera desembarcou no Paraguai em 1983, quando o agronegócio por lá se resumia, praticamente, a produção de madeira, menta, algodão e alguns poucos grãos. Na época, o governo do presidente Alfredo Stroessner fazia propaganda pelo Paraná, principalmente nas regiões Norte e Oeste, para atrair produtores e, na bagagem, conhecimento e técnicas no ofício rural. “Quando chegamos, a estrutura agropecuária era bastante precária. Tivemos, inclusive, de trazer as máquinas do Paraná. Os fornecedores de insumo eram poucos. Os primeiros anos foram difíceis. Mas nunca pensamos em desistir”, relembra Galhera.

De lá para cá, o Paraguai se tornou uma referência mundial no agronegócio, ocupando, por exemplo, a quarta posição na produção da principal commodity agrícola, a soja, atrás apenas do Brasil, Estados Unidos e Argentina, e o décimo colocado no ranking dos exportadores de carne bovina. O estopim do desenvolvimento guarani se deu no início do século. Em18 anos, de 2000 a 2018, a oferta de soja foi multiplicada quase três vezes – de 3,5 milhões de toneladas para 10,2 milhões de toneladas (veja o gráfico na página 13). No mesmo período, a produção de milho cresceu quase 500% – de 947 mil toneladas para 4,6 milhões de toneladas. Tudo isso, principalmente, pelas mãos, suor e trabalho dos produtores paranaenses.

“Hoje, a agricultura do Paraguai é uma referência, com possibilidade de produzir ainda mais. Isso, com certeza, graças a vinda dos paranaenses, que trouxeram conhecimento, técnicas e tecnologias. Se não fosse assim, o Paraguai ainda estaria plantando mandioca e erva-mate”, destaca o produtor de São Jorge do Ivaí, na região Norte do Estado.

Galhera faz parte de um amplo universo de produtores do Paraná que, há décadas, atuam diretamente para colocar o Paraguai no mapa do agronegócio global. Não existem dados oficiais, mas segundo estimativa do presidente da Associação dos Produtores de Soja, Oleaginosas e Cereais do Paraguai (APS), Karsten Friedrichsen, mais de 15 mil brasileiros estão dedicados a atividade em solo paraguaio, sendo a esmagadora maioria de paranaenses. Isso sem contar os filhos destes agricultores e pecuaristas que, apesar da certidão de nascimento paraguaia, carregam o DNA pé-vermelho.

Referência do continente

Visto durante muito tempo como o “primo pobre” da América do Sul, na última década, o Paraguai arrumou a casa a ponto de se tornar uma referência, principalmente dentro do continente. Ano após ano, o país registra crescimento de fazer inveja as outras nações. Segundo as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia paraguaia deve registrar uma alta de quase 7% em 2019, enquanto o Brasil cerca de 0,9% e a Argentina algo em torno de 3%. Ainda, os hermanos podem registrar um salto no Produto Interno Bruto (PIB) de 42 bilhões de dólares em 2018 para 58 bilhões de dólares em 2023, alta de quase 40%.

E muito deste desempenho invejado pela concorrência está calçado na agropecuária, um dos pilares da economia. Nos últimos dez anos, o setor sempre beirou os 20% de participação do PIB (no Brasil, o índice é de 5,6%). Alcançar esse patamar exigiu trabalho árduo e dedicação por parte dos produtores paranaenses.

“Quando chegamos aqui, a agropecuária estava engatinhando. A safra de 1986 rendeu 34 sacas de soja por hectare. Esse era só um dos desafios. A região tinha apenas um silo. Entregar os grãos era bastante difícil. Às vezes tínhamos que rodar quilômetros de estrada de chão”, relembra o londrinense Paulo Mendes do Santos, de 53 anos, gerente da Fazenda Arroio Posuelo Imapõ, na cidade de Nueva Esperanza, no departamento de Canindeyú. Hoje, a produtividade média da soja no país vizinho bate na casa das 52 sacas por hectare, pouco abaixo do Paraná, com média de 58 sacas por hectare.

Mais do que apenas um espectador, Santos participou do desenvolvimento do agronegócio guarani nas últimas décadas. O gerente de voz grossa e números na ponta da língua chegou ao Paraguai ainda criança, em 1979, a tiracolo do pai, convocado para trabalhar em uma madeireira. Os primeiros passos ainda menino também foram dentro de uma empresa do mesmo ramo, na área administrativa. Até que, em 1994, a companhia, ciente do poderio rural do país, deixou de investir em madeira para se dedicar a agricultura e pecuária.

A aposta deu certo! Dos 10,5 mil hectares, a Fazenda Imapõ dedica 3,9 mil hectares a agricultura, principalmente plantio de soja, milho e trigo. Uma área semelhante é ocupada por 8,5 mil animais de corte (cria, recria e engorda). Ainda, 2,7 mil hectares são reserva legal. “Se os paranaenses não tivessem vindo desbravar, o povo paraguaio teria dificuldades. Nós trouxemos conhecimento e tecnologia para ajudar no desenvolvimento”, aponta Santos.

Nova geração

Apesar do pontapé inicial dos desbravadores, a nova geração formada pelos filhos tem garantido a continuidade do desenvolvimento da agropecuária guarani. Luciano Poland, 43 anos, chegou ao país vizinho em 2002, após se formar em engenharia agronômica na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, três anos antes.

“Na época, o Paraguai não plantava 2 milhões de hectares. Hoje são mais de 3,5 milhões de hectares, com potencial para avançar ainda mais”, relembra. “A expansão foi feita de forma planejada e tecnificada, com o conhecimento dos paranaenses, o que reduziu a chance de erro. Os produtores do Paraná foram cruciais para o agronegócio do Paraguai chegar onde está”, acrescenta.

Ao lado do irmão Alexandre, também agrônomo, Luciano administra a propriedade de 5 mil hectares do patriarca Vitor, de 70 anos, na cidade de Iruña, no departamento de Alto Paraná. Além da produção comercial de grãos e  ecuária  e corte, os irmãos identificaram um nicho de negócio. “Existia uma dificuldade na oferta de semente na época. Vimos aí uma oportunidade para abastecer o mercado interno”, conta  Poland.

Hoje, as lavouras da família são voltadas principalmente para a produção de sementes de soja e várias culturas de inverno como trigo, aveia preta e nabo forrageiro. “Entregamos inclusive  para as cooperativas do Paraná que estão por aqui, como a Lar e C. Vale”, diz.

A caminhada dos produtores paranaenses em terras guarani comprova que a relação de ganha-ganha, desde o começo da investida no país vizinho, é um caminho assertivo para ambas as partes. “Não conheço ninguém que veio para cá e quis voltar”, sentencia Galhera. “Quem não veio tem arrependimento. E quem voltou, também”, acrescenta Santos. “Meus filhos nasceram aqui, minha vida é no Paraguai, um lugar receptivo e que o governo valoriza o produtor”, conclui Poland.

Na esteira, empresas e cooperativas desembarcam no Paraguai

Nas últimas décadas, o processo migratório maciço de agricultores e pecuaristas paranaenses para o Paraguai forçou uma remodelagem na atuação de empresas e cooperativas do setor rural. Com os clientes/associados do outro lado da fronteira, as organizações voltadas para prestação de serviços e produtos se viram “obrigadas” a fixar base em solo guarani. Afinal, os produtores precisavam de uma retaguarda eficiente.

A cooperativa Lar, de Medianeira, na região Oeste do Paraná, está no Paraguai desde 1997. Na época, a empresa [no país vizinho, a Lar não é uma cooperativa] precisava de soja e milho para abastecer as fábricas de ração. Junto a isso, muitos produtores pediram para que a empresa vendesse insumos e prestasse assistência técnica, assim como no Brasil. Ou seja, bastava unir o útil ao agradável. Hoje são 12 unidades de recepção de grãos, além da sede administrativa, na cidade de Mbaracayu, que atendem 1,1 mil clientes.

A C. Vale, de Palotina, no Oeste, também seguiu para o país vizinho. A empresa abriu unidades para fornecer insumos e receber grãos dos associados com terras por lá. Atualmente são três plantas, nas cidades de Katuetê, La Paloma e Corpus Christis.

Mesmo quem não tinha um renome de peso no Brasil, resolveu arriscar no país vizinho. Há cinco anos, os agrônomos Élson Buaski e Gilmar Castro montaram a Conect, empresa de consultoria agrícola, entre outros serviços como gestão de controle de fazendas, com sede em Katuetê. Passado o período de adaptação, a Conect conta os louros. Consolidada, a empresa presta serviço para quase 100 produtores no país vizinho, que somados chega em torno de 250 mil hectares.

“Ainda existe muita terra em área periférica para abrir. O país tem plenas condições de aumentar a área, produtividade e produção”, garante Castro. “Durante os 10 anos que fui instrutor do SENAR-PR observei o movimento de produtores vindo para o Paraguai. O agronegócio do país está em franco desenvolvimento. O produtor paranaense tem aptidão agrícola, veio para produzir e colabora diretamente para o desenvolvimento da atividade no país”, complementa Buaski.

Cidadão do Paraná, do Paraguai, do mundo

No primeiro momento, o jeito simples e a voz calma podem passar a impressão de que o produtor Antonio Francisco Galhera esteja, como se diz por aí, “com a vida ganha”. Por mais que as quase quatro décadas de muito trabalho no Paraguai tenham permitido fazer um bom pé de meia, Galhera ainda tem “muita lenha para queimar”, como o próprio define. Tanto que os planos futuros são audaciosos, a ponto de atravessar um oceano, literalmente.

Mas nem sempre Galhera encontrou bonança. Antes mesmo de chegar ao Paraguai, em 1983, o produtor enfrentou adversidades. Ainda na terra natal, em São Jorge do Ivaí, na região Norte do Paraná, viu a geada negra exterminar os cafezais da família, migrando a terra para soja.

Anos depois, em um negócio feito pelo avô materno, passaram a cultivar em Apucarana, também na região Norte. “Naquela época, eu trabalhava recebendo menos para pagar o aluguel [da casa onde morava] para o meu avô”, relembra. O patriarca dos Galhera ainda chegou a comprar terras em Goiás, mas rapidamente, por conta da febre tifoide, doença que acometia a região na época, trocou por uma área de 120 hectares de terra dobrada em Corbélia. Anos depois, não satisfeito, nova troca, por 1,2 mil hectares na cidade de Los Cedrales, no Paraguai.

“Meu avô tinha 10 filhos. Vieram cinco e eu, pois era o único que tinha conhecimento de trator”, conta. “Os primeiros anos foram difíceis. Pegamos muita chuva na hora de abrir a terra, ocorreu atraso no plantio e seca no desenvolvimento das plantas. Até que os tempos foram melhorando”, complementa.

O esforço valeu a pena. Hoje, Antonio é o presidente do grupo Hermanos Galhera Agro Valle Del Sol, junto com outros três irmãos, que chegaram ao Paraguai em 1985. “Eu trouxe eles, pois vi futuro aqui”, relembra. A empresa administra 22,5 mil hectares, sendo 4 mil próprios, espalhados por três municípios (além de Los Cedrales, Canindeyú e Caaguazú). Para cobrir tanta terra, uma diversidade de culturas: soja, trigo, milho, canola, girassol, nabo forrageiro e chia.

“O agronegócio do Paraguai não deixa nada a desejar para outras potências do mundo. Tecnologias que saem na Europa e nos Estados Unidos, rapidamente chegam por aqui”, afirma o garoto propaganda de uma marca de maquinário agrícola, com direito ao rosto estampado em outdoors pelas estradas do país.

Apesar das décadas dedicadas a terra, Galhera tem um futuro ainda incerto. Não sabe se leva a agricultura para região do Chaco, algum país da África, como Angola ou Moçambique, ou mesmo atravessa o globo até a Nova Zelândia. A única certeza é de que não ficará parado. “Vou produzir alimentos em algum lugar”, sentencia.

Chaco: nova fronteira ainda impõe desafios

Assim como ocorreu no Brasil com a região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o Paraguai também está abrindo uma nova fronteira agrícola. Recentemente, os produtores
rurais, muitos paranaenses, voltaram os olhos para região do Chaco, no Norte do país. Apesar da terra vasta e dos preços ainda atrativos para aquisição da terra, a lista de desafios é extensa,
a começar pelo clima.

“Não chove o ideal. Apenas em alguns bolsões os índices pluviométricos são bons para agricultura”, destaca o agrônomo Élson Buaski, sócio da empresa de consultoria agrícola Conect.

Por conta deste obstáculo climático, a agricultura avança de forma cautelosa pela nova fronteira agrícola. “Ainda não tem tecnologia [semente] para combater a pluviometria na região, pois falta chuva. O pessoal com agricultura está se batendo”, diz Paulo Mendes do Santos.

Porém, no ritmo inverso, a pecuária de corte já está consolidada no Chaco, principalmente na parte Sul. O grupo no qual Santos é gerente tem 7 mil cabeças de gado espalhadas por 20 mil hectares na região. “Para a pecuária é excepcional. Há água de sobra no subsolo, já com os sais que os animais precisam”, comemora Santos.

Mesmo diante das adversidades, muitos produtores planejam ir para nova fronteira. Antonio Francisco Galhera quer fixar bandeira por aquelas bandas. “Essa é a hora de ir”, garante. O plano envolve vender 48 hectares em Los Cedrales, parte da herança do avô, para comprar algo em torno de 2 mil hectares na nova fronteira agrícola guarani.

Quanto da área do Chaco pode ser ocupado pela agropecuária? Enquanto alguns falam em torno de 1 milhão de hectares, outros, mais reticentes, dizem 500 mil hectares. A única opinião unânime é de que o conhecimento e tecnologias dos paranaenses serão fundamentais para consolidar o Chaco como região produtora.

carne exportação

Paraná deverá liderar produção de carnes, prevê especialista

Os próximos 10 anos projetam avanços na agropecuária brasileira e paranaense consolidando o Brasil como grande fornecedor de alimentos para o mundo. Produtos como soja e milho devem se manter na liderança da produção porque não há substitutos para eles nos próximos anos.

O mercado de carnes vai impulsionar o PIB da agropecuária e o Paraná tem forte tendência de se firmar como grande produtor de carnes bovina, suína e de frango.

A projeção é do especialista da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Garcia Gasques, que esteve em Curitiba nesta quarta-feira (17) para falar sobre as projeções para o setor agropecuário brasileiro para os próximos 10 anos. Gasques participou de evento na Secretaria da Agricultura a convite do secretário Norberto Ortigara e do diretor do Departamento de Economia Rural (Deral) Salatiel Turra. Técnicos da Seab e de outros órgãos estaduais e federais participaram da palestra onde foram apresentadas as principais tendências para o cenário agropecuário brasileiro e paranaense até o ano de 2028/29.

Para Ortigara, o Brasil e o Paraná são importantes produtores de alimentos e estão ficando cada vez melhor posicionados no cenário mundial. “Para crescer precisamos de qualificação cada vez maior do produtor rural, de políticas adequadas e capacidade de leitura dos vários cenários, de desenho de políticas consistentes, de direcionamento com visão estratégica e planejamento”, afirmou o secretário.

Segundo Gasques, o Paraná, junto com o Mato Grosso, lidera a produção de grãos no Brasil. “Em primeiro lugar, temos o Mato Grosso na produção de milho e soja, devido à dimensão do Estado, e portanto é o líder natural”, disse. Segundo ele, o Paraná tem grande destaque na produção de grãos porque é um Estado que usa muita tecnologia. “Apesar de as propriedades serem de menor dimensão, a produtividade é alta e consequentemente a produção é alta também”, afirmou.

Mas o Paraná vem se tornando cada vez mais importante também na produção de carnes e leite, destaca o técnico do Ministério. Basta ver que, dos R$ 74 bilhões previstos para o Valor da Produção do Paraná este ano, R$ 20 bilhões correspondem à produção de frango. “Essa expansão da produção animal vai trazer muito valor agregado e certamente vai gerar muito emprego, uma vez que a maior parte dessa atividade é feita no âmbito da agricultura familiar”, afirmou.

No período de 10 anos, precisamente a partir da safra 2018/19 até a safra 2028/29, Gasques projeta um crescimento das atuais 240 milhões de toneladas de grãos produzidas no País para cerca de 300 milhões de toneladas. As projeções indicam que a região Sul do País e o Centro-Oeste vão liderar a maior parte desse crescimento.

O Paraná deverá avançar de uma produção média de soja das atuais 23,3 milhões de toneladas, para 28,9 milhões de toneladas na safra 2028/29. Considerando as duas safras de milho, o Estado avança de uma média de 17,6 milhões de toneladas de milho, na safra 2018/19, para cerca de 27,4 milhões de toneladas na safra 2028/29.

Na produção de carnes, o Paraná deve passar das atuais 26 milhões de toneladas para 33 milhões de toneladas, segundo estimativas do técnico do Ministério da Agricultura.

carne

340kg de carne são descartados após ação da vigilância sanitária no PR

Uma fiscalização da Vigilância Sanitária resultou em um descarte de mais de 340 quilos de carne de um açougue de Araucária, na região metropolitana de Curitiba.

O estabelecimento tinha os alimentos estragados e sem qualquer registro de origem ou inspeção. Além disso, as carnes já estavam escuras e com mau cheiro.

Segundo o relatório feito, foram 305kg de carne bovina, 24kg de carne suína, 8kg de linguiça e 6kg de frango sem procedência comprovada. Além disso, também foram descartados 12 pacotes de coração de frango com prazo de validade vencido. Todos estavam sem etiquetas ou selos de inspeção.

A ação aconteceu no bairro Campina da Barra e pode resultar em advertência ou cassação da licença sanitária. Porém, o caso também pode chegar à esfera criminal.

DENÚNCIAS

Qualquer irregularidade que possa atingir a saúde das pessoas deve ser feita à Ouvidoria da Saúde de Araucária. As denúncias podem ser feitas pelo e-mail (ouvidoriadasaude@araucaria.pr.gov.br) ou pelos telefones 0800-643-7744 ou 3614-7723.

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