Contratação de crédito rural tem alta de 9%

A aplicação de recursos do crédito rural, correspondente ao fechamento da safra 2018/2019, período compreendido entre julho/2018 e junho/2019, totalizou R$ R$ 176 bilhões. Esse desembolso representa um aumento de 9% comparativamente ao valor aplicado em igual período da safra anterior nas modalidades custeio, industrialização, comercialização e investimento.

Os números fazem parte do Balanço de Financiamento Agropecuário da Safra 2018/2019, divulgado nesta quinta-feira (11) pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, com base nos dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), do Banco Central.

As contratações do crédito rural para custeio somaram R$ 99 bilhões (+7%), dos quais R$ 19,9 bilhões (+24%) realizados pelos médios produtores (Pronamp).

Para os investimentos, os desembolsos alcançaram R$ 43,63 bilhões, registrando alta de 9% em relação aos valores aplicados na safra anterior, com destaque para os programas de investimentos realizados pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) com incremento de 18%, ou seja, R$ 15 bilhões aplicados.

Entre os destaques nos programas de investimentos estão o Moderfrota, para aquisição de máquinas e implementos agrícolas (R$ 8,8 bilhões – 17%); Moderagro, para projetos de modernização e expansão da produtividade nos setores agropecuários (R$ 857 milhões – 26%); PCA, para a construção e ampliação de armazéns (R$1,1 bilhão – 25%) e o Prodecoop, para as cooperativas investirem na modernização dos sistemas produtivos e de comercialização (R$ 1,36 bilhão – 159%).

Dentre os recursos em evidência nas fontes não controladas estão as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA’s), cujas aplicações aumentaram de R$ 24 bilhões para R$ 29 bilhões.

Paraná terá R$ 11,9 bilhões para financiamento da safra

O Banco do Brasil lançou nesta quinta-feira (27) o Plano Safra 2019/20 para a agropecuária brasileira, que está disponibilizando R$ 103 bilhões em créditos para financiamento rural no País, sendo R$ 91,5 bilhões para o crédito rural em custeio, comercialização e investimento, e R$ 11,5 bilhões para o crédito agroindustrial. Desse total, R$ 11,9 bilhões estarão à disposição do Paraná.

O anúncio foi feito em Curitiba em solenidade que contou com a presença do vice-governador Darci Piana, do secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, do diretor de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Waz, do ex-governador Paulo Pimentel, e de lideranças do agronegócio paranaense.

Os recursos previstos pelo banco para serem aplicados no Paraná representam um crescimento de quase 20% em relação à safra anterior, quando foram aplicados no Estado R$ 10,6 bilhões. Dos recursos previstos para o Paraná, R$ 10,1 bilhões serão direcionados para custeio, comercialização e industrialização da safra, e R$ 1,8 bilhão em investimentos.

As taxas de juros foram mantidas em 3% a 4,6% ao ano para o Pronaf; 6% para os pequenos produtores e 8% ao ano para os demais produtores nas linhas de custeio, comercialização e agroindustrialização. Nas linhas para investimentos, os juros agrícolas variam de 3% a 10,5% ao ano.

O Banco do Brasil tem uma participação de 58,2% no mercado de crédito rural brasileiro, com atendimento a 1,5 milhão de produtores rurais. Na safra passada, desembolsou R$ 10,6 bilhões em crédito rural no Paraná, sendo R$ 8,8 bilhões em custeio, comercialização e industrialização e R$ 1,8 bilhão em investimentos.

Para a safra 2019/20, o Banco do Brasil está reforçando o atendimento ao seguro rural, direcionando um volume de R$ 1 bilhão para pagamento das subvenções ao prêmio do seguro rural. Segundo o diretor de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Waz, essa é a primeira vez que o banco faz um aporte nesse volume, sendo que nos últimos dois anos destinou entre R$ 370 milhões a R$ 400 milhões ao seguro rural em todo o País.

Darci Piana destacou que o Banco do Brasil é um grande parceiro do agronegócio e do Paraná, que colabora para o desenvolvimento do Estado. “A disponibilização desses recursos representa a continuidade dos nossos investimentos no agronegócio”, disse. Segundo ele, com o projeto do Governo do Paraná em industrializar a agricultura para dar valor agregado aos grãos, e aumentar o valor do produto de exportação, é fundamental o apoio de uma instituição como o Banco do Brasil.

O secretário Norberto Ortigara reforçou que o Paraná tem uma participação muito relevante no desempenho da agricultura brasileira, e mostrou a disposição do governo estadual em estar presente no processo, orientando os produtores na busca de um bom desempenho e renda.

“Esperamos que nossos agricultores façam um bom planejamento das suas atividades, com apoio dos agentes financeiros e da Emater na elaboração dos projetos e acompanhamento no dia a dia”, disse.

Para o secretário, o anúncio dos recursos do banco disponíveis ao Paraná é importante para que todos os produtores e cooperativas tenham pleno conhecimento das oportunidades em crédito para fazer um bom cultivo, uma boa criação, um bom processamento. E também para que possam planejar seus investimentos como a compra de máquinas agrícolas, e instalação de estruturas de armazenagem na propriedade.

Wilson Waz, do Ministério da Agricultura, destacou a importância dos recursos que serão disponibilizados ao Paraná, afirmando que a diversidade da produção agropecuária paranaense é imbatível. “O Paraná é o maior produtor de alimentos e líder no atendimento à demanda por alimentos de outros países”, afirmou.

Os financiamentos começam a ser liberados nas agências do banco a partir de 1º de julho para financiamento das atividades do ano agrícola 2019/20.

Entre as novidades da próxima safra está o custeio digital, que poderá ser feito 100% a partir da tela de um celular na propriedade rural. O investimento em tecnologia vem se expandindo, sendo que do ano passado para cá foram feitas mais de cinco bilhões de operações na modalidade mobile em atendimento a 16 mil contratos.

Segundo Wilson Waz, as taxas de juros do Pronaf e Pronamp foram mantidas, assim como as taxas para investimentos em linhas como ABC – baixo carbono, Inovagro (financiamento para incorporação de inovações tecnológicas nas propriedades rurais) e construção de armazéns em propriedades rurais, que continuam sendo prioridades no campo.

Dos R$ 11,9 bilhões previstos para o Paraná, o Pronaf (para atendimento dos agricultores familiares) será contemplado com uma carteira de R$ 2,1 bilhões, que representa um crescimento de 31% sobre as aplicações na safra anterior. Mais R$ 2,7 bilhões serão destinados para atender o Pronamp (médios produtores), representando um crescimento de 17%. E R$ 7,1 bilhões para os demais produtores, um crescimento de 6%.

Para o País, o banco vai disponibilizar R$ 77,4 bilhões para médios e grandes produtores e R$ 14,10 bilhões para a Agricultura Familiar. Além disso, vai disponibilizar R$ 11,5 bilhões para o crédito agroindustrial.

Com R$ 225,59 bilhões, Plano Safra 2019/2020 é lançado

O governo federal lançou nesta terça-feira (18), em cerimônia no Palácio do Planalto, o Plano Safra 2019/2020, que irá atender pequenos, médios e grandes produtores, todos juntos em um único plano após 20 anos. O plano prevê R$ 225, 59 bilhões para apoiar a produção agropecuária nacional. Do total, R$ 222,74 bilhões são para o crédito rural (custeio, comercialização, industrialização e investimentos), R$ 1 bilhão para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e R$ 1,85 bilhão para apoio à comercialização.

“Toda a agricultura, independentemente  de seu porte,  desempenha papel fundamental para garantir a nossa segurança alimentar e de nossos 160 parceiros comerciais. Então essa é a primeira vez, depois de muito tempo, que lançamos um único Plano Safra. Fato que merece ser realçado: temos enfim uma só agricultura alimentando com qualidade o Brasil e o mundo”, destacou a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) no anúncio, acompanhado por diversos ministros, secretários do ministério, parlamentares e representantes dos setores agrícola e pecuário.

O presidente Jair Bolsonaro elogiou o trabalho conjunto da equipe de governo para a construção do Plano Safra e destacou inovações como a disponibilização de recursos, R$ 500 milhões, para os pequenos produtores aplicarem na construção e reforma de suas casas.

“Foi uma construção que passou por muita gente. Eu fico muito feliz de estar à frente de um governo onde todos se falam entre si. Aqui não há briga política, apenas para que cada um possa servir o Brasil”, afirmou Bolsonaro.

O secretário de Política Agrícola do Ministério, Eduardo Sampaio Marques, destacou que foram mantidas baixas taxas de juros (3% ao ano) para o pequeno agricultor financiar melhorias em sua propriedade e sistema de produção, como recuperação de áreas degradadas, correção de solo e armazenagem. “Esse tipo de investimento segue sendo prioritário neste Plano Safra”, disse.

O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Freitas, agradeceu o esforço do governo, mesmo em um período de contenção de gastos, pelos recursos destinados ao plano. Segundo ele, sem o crédito rural e o Plano Safra, o setor não teria força para produzir e atender a demanda brasileira e mundial. “Ele [Plano Safra] atende as prioridades dos produtores rurais. Nosso setor continuará produzindo mais para os brasileiros e todo o mundo”, disse.

Plano Safra manterá R$ 10 bi de subsídios para crédito rural

Com lançamento previsto para amanhã (18), o Plano Safra 2019/2020 manterá a subvenção de R$ 10 bilhões para o crédito rural, disse hoje (17) a ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Ela antecipou o valor em evento da Associação Comercial de São Paulo, na capital paulista.

A subvenção representa o subsídio que o Tesouro Nacional injeta no plano para que os bancos possam cobrar juros mais baixos dos produtores. Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério da Agricultura informou que o valor total do Plano Safra superará os R$ 200 bilhões, mas que o número final só será anunciado nesta terça-feira.

Durante o evento em São Paulo, a ministra disse que a subvenção permitirá à pasta atender principalmente aos pequenos e aos médios produtores, que contraem mais financiamentos com juros subsidiados. Tereza Cristina também anunciou que o Plano Safra lançará os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) emitidos em dólares, ferramenta destinada aos produtores de maior porte.

A subvenção do Plano Safra estava condicionada ao crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões aprovado pelo Congresso Nacional na semana passada. O crédito era necessário para que o Tesouro emitisse títulos públicos para financiar subsídios não apenas para o Plano Safra, mas também para a agricultura familiar, a formação de estoques e o fomento às exportações.

Congresso aprova crédito suplementar e garante recursos para o Plano Safra

O Congresso Nacional aprovou nesta terça-feira (11), em sessão conjunta, o projeto de crédito suplementar em que o Executivo pede autorização para quitar, por meio de operações de crédito, despesas correntes de R$ 248,9 bilhões (PLN 4/19). O texto foi aprovado por unanimidade pela Câmara dos Deputados e pelo Senado e vai à sanção presidencial.

Com a aprovação da proposta, ficam garantidos os R$ 10 bilhões previstos para a equalização dos financiamentos do Plano Safra 2019/2020, que será anunciado na semana que vem.

A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) acompanhou a sessão do Congresso que aprovou o PLN 4 e se reuniu mais cedo com a Frente Parlamentar da Agropecuária para pedir a aprovação do projeto. Segundo ela, o Plano Safra previsto para 2019/2020 irá oferecer novas ferramentas de acesso ao crédito para médios e grandes produtores.

O relatório do deputado Hildo Rocha (MDB-MA) promoveu ajuste para elevar em R$ 80 milhões o repasse ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), cancelando igual montante em subvenções.

Regra de Ouro

A Constituição Federal proíbe a realização de operações de crédito que excedam as despesas de capital. Essa “regra de ouro” só pode ser contornada por meio de créditos suplementares ou especiais com finalidade específica e aprovados pelo Congresso por maioria absoluta.

O PLN 4/19 busca essa autorização, já que as despesas de R$ 248,9 bilhões estão previstas no Orçamento para 2019 e são obrigatórias. Além do Plano Safra, a maior parte dos gastos envolvidos corresponde a benefícios previdenciários, como pensões e aposentadorias, mas estão incluídos Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), entre outros itens.

Contratação de crédito rural totaliza R$ 158,7 bilhões

Os agricultores brasileiros contrataram em instituições financeiras R$ 158,7 bilhões em financiamentos de crédito rural entre julho de 2018 e maio deste ano referente ao Plano Agrícola e Pecuário 2018/2019, que se encerra neste mês.

O desembolso representa 6% a mais se comparado ao aplicado no mesmo período do Plano Safra 2017/2018.

Os números fazem parte do Balanço de Financiamento Agropecuário Safra 2018/2019, divulgado pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com base nos dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), do Banco Central.

As contratações do crédito rural para custeio somaram R$ 88,3 bilhões, com acréscimo de 6% em relação ao desembolso de julho/2017 a maio/2018. A industrialização totalizou R$ 6,6 bilhões (+ 1%) e a comercialização, R$ 23,8 bilhões (- 9%).

Para os investimentos, os desembolsos alcançaram R$ 40 bilhões, registrando um expressivo aumento de 17% em relação aos valores aplicados na safra anterior, com destaques para os programas do PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns) com R$ 1,1 bilhão (+ 76%) e o Moderagro (Programa de Modernização da Agricultura e Conservação dos Recursos Naturais) com R$ 840 milhões (+ 47%).

De acordo com Eduardo Sampaio Marques, secretário de Política Agrícola do Mapa, a demanda por recursos nos programas de investimento com expansão de 17% é um indicador da confiança do produtor rural em relação às perspectivas de mercado.

Por outro lado, o secretário destaca a eficácia da política de diversificação das fontes de recursos para o “funding” do crédito rural, evidenciada pelo aumento, de 24% para 32%, na participação dos recursos não controlados (taxas de juros livres) no total do crédito rural, principalmente por meio do direcionamento da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) para a agricultura.

A participação dos recursos da fonte LCA no total dos financiamentos agropecuários na atual safra, até o mês de maio, passou de R$ 20,7 bilhões para R$ 28,5 bilhões.

CAR é obrigatório para diversas operações agrícolas

O Cadastro Ambiental Rural (CAR) não acabou. Sim, você leu corretamente. Apesar do prazo final para o cadastramento das propriedades ter encerrado no dia 31 de dezembro de 2018, isso não significa que o processo foi finalizado. Na verdade, ele acabou de começar, como explica a engenheira agrônoma do Sistema FAEP/SENAR-PR Carla Beck.

“A partir de agora todas as entidades podem solicitar oficialmente o CAR. Instituições financeiras, unidades de licenciamento ambiental e a Copel são alguns exemplos. O CAR é como se fosse a carteira de identidade da propriedade rural. Portanto, o produtor não vai conseguir fazer quase nada sem o CAR. Crédito bancário, registro de imóveis, licenciamento ambiental, todos estes processos vão exigir”, adianta.

De acordo com Carla, o CAR é o início do processo de regularização ambiental. Como a imensa maioria dos cadastros já foi realizada por parte dos produtores, agora o órgão ambiental inicia uma fase de conferência, na qual irá avaliar possíveis irregularidades. Posteriormente, quando necessária correção, dará retorno aos proprietários. “Tem ocorrido muitos casos de   sobreposição de área com outros cadastros. Nesses casos é necessária retificação”, explica.

A rigor, este processo não tem um final definido, pois a cada mudança na propriedade, como aquisição de novas áreas, desmembramentos ou pedidos para supressão de reserva nativa, por exemplo, será necessário atualizar o Cadastro Ambiental Rural. “A boa notícia é que o produtor vai poder continuar ajustando o seu cadastro enquanto for necessário”, complementa Carla.

Acompanhamento

Para verificar se consta alguma pendência do seu cadastro, o proprietário deve entrar no site do CAR (www.car.gov.br), e acessar a “Central do Proprietário/Possuidor”, onde é possível obter a segunda via do recibo, realizar a retificação do cadastro, verificar mensagens e possíveis pendências de documentos. “Isso é importante, pois a forma como o órgão ambiental se comunica com o proprietário rural é por meio da Central do Possuidor”, explica Carla. Caso o usuário tenha dificuldade neste processo, deve procurar o seu sindicato rural local para obter auxílio.

A FAEP promoveu o treinamento de 3 mil colaboradores e técnicos de sindicatos rurais, prefeituras e entidades parceiras para auxiliar os produtores paranaenses no preenchimento do CAR. Esse verdadeiro exército de profissionais está à disposição para auxiliar aqueles que, por ventura, encontrem dificuldade no processo.

Cooperativas de crédito poderão captar poupança rural

A partir de 1º de julho, as cooperativas singulares de crédito (que prestam serviços diretamente aos associados) poderão receber depósitos de poupança rural, decidiu hoje (25) o Conselho Monetário Nacional (CMN). De acordo com o Banco Central (BC), a medida tem como objetivo ampliar o crédito rural e estimular a competição nesse segmento.

Segundo o BC, no atual ano agrícola, que vai de julho de 2018 a junho deste ano, as cooperativas de crédito deverão conceder R$ 21,8 bilhões em financiamentos rurais. Ao captar recursos de poupança rural, remunerando o investidor pela caderneta, tais instituições terão mais capital para emprestar.

Para prevenir a má gestão do dinheiro, só poderão receber depósitos de poupança, as cooperativas com autorização para fornecer crédito rural. O dinheiro deverá ser encaminhado às centrais e às confederações dessas cooperativas, que se encarregarão de verificar o cumprimento das normas de direcionamento, destinando determinadas parcelas dos depósitos a certos tipos de operação.

Nesse tipo de poupança, 60% dos valores captados devem ser destinados ao crédito rural. Inicialmente, as cooperativas terão de destinar apenas 20% para essas operações. O percentual subirá gradualmente até chegar aos 60%.

Atualmente, somente os bancos do Brasil, da Amazônia e do Nordeste; os bancos cooperativos e as instituições do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo que operam crédito rural podem captar recursos da poupança rural. As cooperativas de crédito se somarão a essa lista a partir do segundo semestre.

LCA

O CMN fez mudanças no Manual de Crédito Rural para regulamentar o fim do sublimite de parte dos recursos captados por meio da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). A mudança permitiu que todo o dinheiro obtido por meio dessa modalidade seja emprestado a taxas de mercado.

Com os bancos tendo mais liberdade para aplicar os recursos da LCA, o CMN ajustou o Manual de Crédito Rural, criando os Depósitos Interfinanceiros Vinculados ao Crédito Rural vinculados à LCA (DIR-LCA). De acordo com o BC, a mudança facilitará o cumprimento do direcionamento (destinação) da LCA com juros definidos pelo mercado.

Contratação de crédito rural incluindo Pronaf até março soma R$ 129 bilhões

Faltando três meses para encerrar o Plano Agrícola e Pecuário 2018/2019, foram contratados R$ 110 bilhões em financiamentos de crédito rural entre julho de 2018 e março deste ano. O desembolso representa 6% a mais se comparado ao aplicado no mesmo período do Plano Safra 2017/2018. Já a agricultura familiar desembolsou R$ 18,8 bilhões no período. Esse valor é superior ao mesmo período da safra anterior em 16%. O total aplicado do crédito rural é de R$ 129 bilhões, alta de 8% sobre igual período na safra anterior.

Os números fazem parte do Balanço de Financiamento Agropecuário Safra 2018/2019 divulgado nesta sexta-feira (5) pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tendo como fonte de dados o Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro, do Banco Central.

De acordo com Eduardo Sampaio Marques, secretário de Política Agrícola do Mapa, a demanda por recursos nos programas de investimento surpreendeu com a aplicação quase integral dos recursos programados para este ano-safra. O apetite por novas inversões mostra o otimismo do setor com o futuro.

As contratações do crédito rural para custeio somaram R$ 61,2 bilhões, com acréscimo de 5% em relação ao desembolso de julho/2017 a março/2018. A industrialização totalizou R$ 5 bilhões (7%) e a comercialização, R$ 19,1 bilhões (-6%)

Para os investimentos os desembolsos alcançaram R$ 24,7 bilhões (22%), com destaques para os programas de aquisição de máquinas e implementos agrícolas (Moderfrota) com R$ 7 bilhões (33%) e o programa de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Programa ABC) com R$ 1,3 bilhão (24%).

A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) respondeu por 21% do volume de crédito já contratado, somando R$ 23,1 bilhões (46%).

Novos líderes políticos têm oportunidade de desatar nós históricos no agro

O ano de 2019 começou com a promessa de novos ventos no cenário político brasileiro. Seja pelas características dos governantes eleitos para ocupar os palácios do Planalto (em Brasília) e Iguaçu (em Curitiba), que foram vitoriosos ao proporem grandes mudanças na estrutura vigente, seja pelas novas legislaturas que se iniciam nos planos estadual e federal (na Câmara dos Deputados com uma taxa recorde de renovação), a perspectiva é de um olhar diferente sobre diversos setores da nossa economia.

Diante deste cenário, o agronegócio brasileiro (e paranaense) tem uma oportunidade ímpar de encampar suas principais demandas, eliminar gargalos históricos e desatar os nós do chamado “custo Brasil”, que sufocam o crescimento da nação e transformam em poeira o fruto do suor dos produtores e trabalhadores rurais.

Para organizar essa discussão, a reportagem do Boletim Informativo elencou alguns temas centrais para o desenvolvimento do agronegócio, em especial no Paraná, e ouviu especialistas, lideranças e atores políticos, para tentar responder à seguinte pergunta: O que o agronegócio pode esperar dos novos governantes e legisladores em temas como crédito, seguro rural, infraestrutura e meio ambiente?

Algumas decisões recentes dão uma mostra do que vem por aí. Uma delas foi a suspensão das tarifas antidumping sobre o leite em pó importado da União Europeia e Nova Zelândia. A medida – que azedou os ânimos de toda cadeia láctea brasileira – reflete o viés liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, que já se declarou contrário a diversos tipos de subsídios às atividades produtivas.

Dias depois, o governo voltou atrás, anunciando a criação de um imposto sobre o produto importado, que acabaria por compensar a retirada da tarifa antidumping. Até o fechamento desta edição a medida compensatória ainda não havia sido implementada. Apesar da aparente solução, a questão mostrou que existem diferenças que ainda devem ser aparadas para que esta administração possa encontrar seu caminho.

“Acho que a questão do leite mostra claramente, para todo governo, que é impossível trabalhar sem levar em consideração as consequências sociais. Para cada decisão a ser tomada tem que perceber os impactos que acarreta”, avalia o presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB/RS).

“Imediatamente após a suspensão das medidas antidumping contra o leite em pó europeu, foi determinada pelo presidente a elevação da tarifa para a importação deste produto. Temos convicção que o presidente será o ponto de ponderação para avançarmos com cautela”, acredita o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e ex-ministro da Agricultura, Francisco Turra.

“Me parece que existe um conflito dentro do governo. As demandas de diversos setores acabam no ministro da Economia, que já mostrou que não vai ter subsídios, como crédito subsidiado. E isso não só para agricultura, mas para todos os setores”, observa o sócio da consultoria MB Agro, José Carlos Hausknecht. “Concordo que a ministra Tereza Cristina (da Agricultura) escuta muito o agro, mas sinto uma resistência grande na economia, que no final das contas é quem tem o dinheiro”, completa.

A sensibilidade da ministra, aliás é um ponto a ser comemorado nesta nova gestão. Oriunda do legislativo, onde comandou a Frente Parlamentar da Agropecuária, Tereza conhece bem as demandas do produtor rural. “O peso do agronegócio nas pautas econômica e social do Brasil torna o campo prioritário a qualquer governo. A diferença é que, no caso do atual presidente, fomos destacados desde o primeiro momento da campanha. Isto ficou ainda mais evidente quando a escolhida para assumir o ministério da Agricultura foi […] a deputada Tereza Cristina, uma inquestionável liderança, conhecedora e defensora do setor produtivo”, observa Turra, da ABPA.

Leia a matéria completa no Boletim Informativo.30